sexta-feira, 16 de novembro de 2007

25 anos do Conic


Por Carlos Seino


Ontém foi celebrada a comemoração de 25 anos do CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Estiveram presentes representantes de todas as igrejas-membro, quais sejam, a Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Cristã Reformada, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica da Confissão Luterana do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia e Igreja Presbiteriana Unida.

Nesta ocasião, foi assinado um documento entre todas as igrejas-membro reconhecendo mutuamente o batismo entre umas e outras. É um passo importante, pois assim procedendo, reconhece-se a mútua irmandade em Cristo Jesus, e, que de algum modo, todos fazem parte de um mesmo Corpo, afinal, fomos todos batizados em um só Corpo mediante um só Espírito.

Talvez o próximo e aguardado passo seja a Hospitalidade Eucarística entre todos os membros. Na verdade, esta já ocorre entre alguns, como no caso de anglicanos, luteranos e presbiterianos. Lamenta-se um pouco do fato da Igreja Metodista do Brasil não ser mais uma igreja membro do Conic.

Tal documento, apesar de ser motivo de alegria para os que defendem o ecumenismo entre as igrejas, reflete algo que, na prática, já vinha ocorrendo. Não é de hoje, malgrado a opinião de alguns mais tradicionalistas, que a Igreja Católica Apostólica Romana, por exemplo, já reconhecia o batismo das demais entidades, bem como de uma para com as outras. É algo relativamente pacífico entre praticamente boa parte das igrejas cristãs, havendo somente alguma restrição em relação à algumas jurisdições Ortodoxas, e, obviamente, os de tradição anabatista (batistas e pentecostais). Em relação a questão da Hospitalidade Eucarística, os entraves serão muito maiores, pois tal tema ainda passa pela questão do reconhecimento mútuo dos ministérios, o que é mais difícil para aquelas igrejas que só vêm maior legitimidade nas igrejas que conservaram a dita “sucessão apostólica”; e, se nem entre estas há a dita hospitalidade, quanto mais destas em relação àqueles que não conservaram o dito sistema episcopal de governo.



Por maiores que possam ser as críticas ao movimento ecumênico, pensamos que nenhuma tradição cristã deve se furtar pelo menos ao diálogo com as demais tradições. O sinal que une os cristãos, antes de tudo, deve ser o do amor, e é um imperativo bíblico a busca da unidade entre todos os cristãos.