quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Dia da República




Por Carlos Seino


Quando falamos em República, obviamente, pelo próprio significado da palavra, queremos dizer “res” pública, ou coisa pública.

Conforme aprendemos nos bancos escolares, quando dizemos coisa pública, não queremos dizer “coisa de ninguém”, mas sim “coisa de todos”, não é ausência de proprietário, mas sim, propriedade de todos. Quando um ente particular toma como privado algo que é público, estar-se-á aí diante de verdadeiro crime contra a república.

O Republicanismo, por assim dizer, não deixa de ter um pouco do seu aspecto ideológico, talvez até religioso, pois, sempre há na vida do homem público algum momento em que não haverá câmaras, nem repórteres, nem olhares inquisidores; mas tão somente a própria consciência. E é ai que o homem público irá provar se esta a trabalhar em favor de todos ou a favor de si mesmo em detrimento ao todo. Isto pode ser observado em diversas atitudes, das maiores à menores.



Quando estaciono em fila dupla, atrapalhando todo o trânsito atrás de mim, quando jogo lixo na rua, quando poluo exageradamente o ambiente, quando ouço música muito alto, incomodando o meu vizinho, quando quebro um telefone público ou uma carteira escolar, quando utilizo um cargo público para interesses unicamente particulares, peco contra a República, e, ao olhar os noticiários deste país, tudo indica que, mesmo após cem anos da proclamação da república, temos pouco de educação republicana.

Chegou um momento em nossa história política, talvez, em que não esperamos muito das ideologias, seja qual for; esperamos o mínimo de honestidade que deve estar presente em qualquer ser humano razoável, independente de ideologia, e isto parece nos ter faltado. E quando há o desencanto com a República, fico a me perguntar se não estamos dando margem ao surgimento de demagogos que assaltam de vez a República e a tornam particular de vez.

Talvez, nesta ocasião, valha a pena ouvir novamente a música do cantor João Alexandre, “Pra Cima Brasil”, e sonhar e trabalhar para dias melhores.



Como será o futuro do nosso país?

Surge a pergunta no olhar e na alma do povo.

Cada vez mais cresce a fome nas ruas, nos morros,

Cada vez menos dinheiro pra sobreviver.

Onde andará a justiça, outrora perdida?

Some a resposta na voz e na vez de quem manda.

Homens com tanto poder e nenhum coração,

Gente que compra e que vende a moral da nação.

Brasil, olha pra cima!
Existe uma chance de ser novamente feliz!
Brasil, há uma esperança!
Volta teus olhos pra Deus, o justo juiz!

Como será o futuro do nosso país?...