sábado, 17 de novembro de 2007

Segurança e inconformismo - o paradoxo necessário

O que eu faço, não o sabes agora; compreenderás depois. (Jesus – em João 13.7).

Por Jefferson Ramalho

Amados,

A tônica da mensagem evangélica hoje tem sido o inconformismo. As pessoas são estimuladas a não aceitarem o simples fato de serem "gente", "seres humanos". E "gente" passa por problemas, dificuldades, enfermidades. Todos os seres humanos, pelo simples fato de serem o que são, estão sujeitas a toda sorte de problemas que possam existir. Com aqueles que são cristãos não é diferente.

Ninguém está isento de ser atingido por um câncer, de ficar desempregado durante meses ou mesmo anos, de passar por necessidades, de sofrer desilusões sentimentais etc. Portanto, não há diferença nesse sentido entre os que são e os que não são cristãos. A diferença, porém, é única e suficiente. O cristão autêntico tem a certeza de que o Altíssimo está no controle de todas as coisas.

Quando Jesus respondeu a Pedro: “o que eu faço, não o sabes agora; compreenderás depois”, o que Ele estava dizendo tem tudo a ver com essa convicção que o cristão deve alimentar dentro da sua alma. Não significa também que devamos ficar acomodados, de tal modo que não façamos absolutamente nada para combater as aflições da vida.

O Senhor, conquanto esteja no controle de todas as coisas, não nos desautoriza reagir contra as adversidades da vida. Devemos estar convictos de que Ele é nosso "Motor que tudo move" - para plagiar Aristóteles - mas também devemos buscar a genuína libertação de coisas que afligem nossa fragilidade humana.

A miséria, por exemplo, incompreensível e paradoxalmente não foge do controle do Senhor e ao mesmo tempo não pode ser aceita como um inimigo social que não deve ser combatido. Mas o segredo está em como deve se dar este combate à miséria, à fome, à prostituição, à aflição da alma, às enfermidades, à corrupção política, à violência urbana, à violência doméstica, ao desemprego e a tantos infindos problemas sociais.

As Escrituras, tanto no primeiro quanto no segundo Testamentos nos orientam acerca disso. O combate ao consumismo, a necessidade do desprendimento de bens fúteis, a não aceitação da exploração da fé exercida por pastores das mega-igrejas e mega-comunidades evangélicas que têm nestes últimos anos ensinado seus fiéis a cultuarem, servirem e buscarem um deus chamado Riquezas, mas que vem rotulado e disfarçado com os Nomes de Deus e de Jesus. Transformaram as Escrituras em um manual de prosperidade financeira, convertendo errada e escandalosamente determinadas passagens bíblicas que não têm nenhuma relação com o dinheiro, em um método de busca de riquezas financeiras e materiais cada vez maiores. Isso não é Evangelho. É qualquer outra coisa, menos Evangelho.

Que sejamos, com a Graça de Deus, simplesmente humanos, e que identificam o controlar de Deus em tudo, afinal Ele não deixou de ser o Senhor Soberano. Que sejamos humanos que descansam no chão da Graça do Senhor, mas que também não se conformam com as injustiças sociais, desigualdades, misérias, violências, corrupções, explorações religiosas em nome de Deus e toda sorte de “abuso cristão” que tem sido praticado no Brasil.

na Graça,

Jefferson