terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Devemos Procurar uma Igreja Evangélica próxima de nossa Casa?


por Rev Leandro Campos*

Amados irmãos,

Mais uma vez eu me junto a vocês para refletirmos sobre algumas dimensões da vida cristã. Minha primeira participação escrevendo o texto "Sou um servo inútil" foi o de compartilhar com vocês algo sobre minha experiência de fé, assim tornar-se-ia possível compreender a chave hermenêutica que me serve de ponto de partida para as nossas singelas contribuições a este grupo de amigos.

"Nem com o pé em Roma, nem com o pé em Genebra..."

É assim, que me sinto neste amplo e vasto espaço do caldo religioso brasileiro. Quem participa de nossas celebrações é comum perceber traços, influências católicas, luteranas, presbiterianas entre outras.

Havia um tempo, não muito distante, em que os pioneiros cuidavam por Evangelizar a nação brasileira. Tal esforço, era a princípio um esforço conjunto. E à semelhança do Conselho Missionário Internacional por aqui no Brasil criávamos a Confederação Evangélica do Brasil (1934).

Resquíscios proféticos daqueles que almejavam livrar este povo da "idolatria".

Da liberdade limitada de culto (1810) ao Estado laico (1890) e a liberdade de culto os protestantes uniam-se pois sua caminhada implicava: perseguição, opressão, injúrias, prisão e muitas vezes a morte.

Ser protestante, ser evangélico, ser crente era tido como sinal de uma moral ilibada. Pois os protestantes contribuiam para a "ordem e o progresso" da nação brasileira. Pagando seus impostos, honrando suas jornadas de trabalho, orando pelos seus empregadores.

Algo muito comum, fruto deste período, era a colaboração entre as denominações. Assim, missionários da denomincação A. eram recebidos por pastores da denominação B., até que pudessem estar preparados para estabelecer ali ou em outro lugar uma nova comunidade de crentes e cumprir o objetivo de levar a todos a mensagem de que "Jesus é o único Senhor e Salvador" de nossas vidas.

Em menos de um mês tive 3 experiências religiosas muito singulares - participei da Celebração de Ação de Graças pelo Jubileu de prata do CONAC onde católicos e anglicanos juntos oraram; na semana seguinte participei de um Culto Pentecostal com mais de 6000 pessoas e um conferencista pra lá de "avivado"; e cooperei com um pastor presbiteriano numa celebração matrimonial.

Ser anglicano nos possibilita a convivência e o respeito com as outras denominações. Não somos melhores nem piores. Nos proclamamos como "parte do povo de Deus" e não o único povo e/ou igreja.

Por outro lado, sinto ainda muitos ranços por conta das separações, e talvez até da "reserva de mercado religioso". O fato é que a cada dia mais o Reino de Deus é prejudicado. Seja pelo testemunho da hipocrisia de seus líderes, seja pelas decisões institucionais que beiram uma "Inquisição" católica/evangélica.

Era muito comum os pioneiros terminarem um trabalho evangelístico com as palavras "Procure uma Igreja Evangélica mais próxima da sua casa."

Dificilmente poderíamos ouvir isso hoje. Em parte pela acirrada competição pelos fiéis. Quem acompanha as estatísticas conhece uma grave realidade que é o trânsito religioso, ou seja, os pexinhos apenas trocam de aquário.

Não há um número expressivo de novos convertidos. O que está acontecendo é que as pessoas fazem um verdadeiro MIX religioso. Assim, elas podem ir a missa no domingo, assistir o RR Soares na TV, frequentar uma Igreja Neo Pentescostal em busca da prosperidade ou da cura divina, e ir consultar os búzios.

Difícil?

Infelizmente não.

A mensagem de que "Jesus é o único Senhor e Salvador" tem sido deixada de lado nos púlpitos. Os conselhos presbiterais são mais próximos de diretorias de grandes empresas do que dos doze apóstolos discípulos do Senhor.

Com dificuldade poderíamos nos dedicar ao evangelismo, sem também cuidar do discipulado. Por isso, a dificuldade de encaminhar um novo convertido para uma igreja evangélica próxima de sua residência...

Qual? Universal? Casa da Bênção? Assembléia? Batista? Presbiteriana? Episcopal Anglicana? etc.

De fato, como o mundo e a Igreja são semelhantes...hoje discutimos a fidelidade partidária...a fidelidade ao Programa de governo...aos princípios éticos.

Há pastores que traem suas convicções, seus votos de ordenação, sua família e o Evangelho de Cristo.

Mas o povo... continua como um rebanho sem pastor.

Diz-nos Jesus: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas."

Oremos:

Ó Deus, nosso Pai Celestial, que escolheste os Pastores para tua Igreja e para apascentar o teu rebanho. Concede a todos os Pastores a abundância dos dons do teu Espírito Santo, para que ministrem em tua Casa como servos verdadeiros de Cristo e fiéis despenseiros dos teus divinos mistérios; por Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora de sempre. Amém.

* O Rev. Leandro Campos é Presbítero da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Paróquia de Todos os Santos.(http://www.ptodosossantos.com.br/)