sábado, 8 de dezembro de 2007

Exilados

Por Carlos Seino.



“...comportai-vos com temor durante o tempo de exílio” (Pedro, o Apóstolo).


Vive em exílio quem sabe que está longe do próprio lar. Não se sente absolutamente à vontade em terra estrangeira. E por não se sentir a vontade, não se adapta profundamente. Faz o que pode para sobreviver.

Quando, de algum modo passamos a construir o nosso império em terra estrangeira, há um sinal de que nossa consciência de exilados anda em baixa. Quando adaptamos a nossa mensagem original, nosso comportamento original, ao presente século, corremos o risco de nos sentir absolutamente em casa por aqui, e nada mais nos estranha. Fincamos raízes, e já não desejamos mais com tanto afinco retornar ao nosso verdadeiro lar. Nossa expectativa escatológica praticamente desaparece.

Os cristianismo, quando perde esta característica de exilado, e passa a assumir a mentalidade de cristandade, provavelmente perde em poder, pois não há mais exílio quando já se conquistou todos os reinos. Não há mais o porque de ser diferentes, se todos agora são iguais. Tanto o ultraconservadorismo de outrora, que tem um real desejo que toda a sociedade, de cima para baixo, assuma um comportamento cristão, quanto o ultraliberalismo relativista, quando diz que todos já são absolutamente iguais, se encontram aqui. O resultado é o mesmo. O indiferentismo de uma grande maioria. Alguém já disse que os extremos, em algum momento, começam a se parecer...

Mas quem vive em exílio, vive com temor durante o tempo de sua curta peregrinação. Seus valores não são os valores da terra estrangeira. Tem o desejo de voltar logo ao lar, sente saudades. Seu coração suspira por isso. Ele chora, “mas é como que se não chorasse, casa, mas é como se não casasse, usa dos bens deste mundo, mas é como se não usasse, pois sabe que a aparência deste mundo passa”. Pois o seu coração está naquele que permanece para sempre.

Que o Senhor nos ajude a viver de maneira sábia o curto tempo que nos resta aqui, fazer tudo pela sua glória, nos perdoando em nossas imperfeições, e nos conduzindo à terra que queremos chamar de lar.