segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Feliz Natal para todos.


Por Carlos Seino*


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Não é incomum ouvir no Natal os lamentos de que a sociedade não dá a devida atenção à referida data. Ouvi um padre dizer que “paganizaram” o natal, substituindo Jesus pelos presentes, pelo Papai Noel, comilanças, etc, e que não se ouve, em nenhuma loja, em nenhum local, uma homenagem ao Cristo. Pastores evangélicos também costumam ter este tipo de discurso.

Também já partilhei, e partilho um pouco deste ponto de vista, mas tenho pensado em um outro aspecto da questão.

Este aspecto é no sentido de que, ao verificarmos tal “paganização”, conforme foi dito pelo padre, chegamos à constatação simples e clara de que a sociedade não é tão cristã quanto achávamos, ou gostaríamos que fosse. Não é incomum, nas festas das empresas em que trabalhamos, ao final do ano, e à proximidade do natal, por exemplo, termos alguns comes e bebes, tentando expressar algum tipo de fraternidade; mas vá chamar o povo para fazer uma oração de agradecimento ou homenagem a Jesus, e verás que, de modo geral, haverá um certo constrangimento no ar. Muitos, portanto, associam o natal a algum tipo de fraternidade, mas, uma sociedade laica (não estou pregando contra o estado laico) já não associa necessariamente tal data à Jesus.

Talvez seja para ser assim mesmo. Talvez o tempo em que quiséssemos sentir a utopia de vivermos em uma sociedade completamente cristã tenha acabado. Talvez tenha chegado o tempo em que somente uma pequena comunidade de santos (separados) venha a tentar viver intensamente o real significado do natal, pois, os cristãos, em seus primórdios, eram uma pequena sociedade dentro de uma sociedade maior, verdadeiros peregrinos na terra. E pararmos de ficar “azedos” com a sociedade, pelo fato dela não ser mais tão cristã. Talvez ela só esteja demonstrando o que realmente sempre foi; o que acabava por ser maquiado em épocas de uma religião oficial... É inegável que boa parte da sociedade entende a possibilidade de ser feliz sem necessariamente fazer parte ativa em alguma igreja cristã. De qualquer modo, não devemos deixar de pregar o real significado do natal, principalmente ao nosso povo, mas devemos entender que esta “paganização” da referida data tão somente vem a demonstrar o quão urgente e atual deve ser a atividade missionária da Igreja em nossa sociedade.

Por isso, aos que já tiveram a experiência de Deus em Cristo, só posso desejar realmente um feliz natal; que seja um período de reflexão, de um aprofundamento do relacionamento com Deus, e com a fé cristã, que esta experiência possa aumentar cada vez mais; e para os que só estão culturalmente ligados a algum tipo de cristianismo, ou a cristianismo nenhum, também não deixarei de desejar um feliz natal, com muito amor, fraternidade, mas, convido-os, antes de tudo, para que experimentem fazer parte desta experiência, fazendo com que, aí sim, o natal adquira o verdadeiro sentido pelo qual foi criado.

Que o Senhor abençoe a todos neste natal!

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*O autor é bacharel em Direito e formando em Teologia.