domingo, 16 de dezembro de 2007

Refletindo sobre o ecumenismo


Por Carlos Seino*.








No dia 08 de dezembro de 2007, reuniram-se na Igreja Apostólica Armênia importantes líderes das Igrejas membro do MOFIC, entre eles, Dom Hiroshi Ito, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil; Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, da Igreja Católica Apóstolica Romana; Dom Dateve Karibian, da Igreja Apóstolica Armênia, que fez a acolhida a todo o povo; Dom Damaskinos, da Igreja Apostólica Ortodoxa Antioquina, que dirigiu o povo durante as intercessões. Estiveram presentes ainda representantes da Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil, da Igreja Metodista do Brasil e da Igreja Presbiteriana Unida, além de representantes de outras jurisdições ortodoxas e igrejas protestantes.

Quem conhece um pouco de perto a teologia de todas estas confissões envolvidas, sabe que qualquer unidade visível e institucional entre tais igrejas ainda é muito difícil, talvez impossível. Deixarão os anglicanos de ordenar mulheres para se tornar una com a Igreja Romana? Reconhecerão os Ortodoxos a primazia universal do bispo de Roma, tanto em honra, como em jurisdição? Submeteriam-se os ministros luteranos a uma nova ordenação, seja na Igreja Romana ou Ortodoxa? Ou mesmo os anglicanos, que, oficialmente, não possuem ainda suas ordens reconhecidas, nem por ortodoxos, nem por católicos romanos, aceitariam ser reordenados? Ou abriria mão o bispo de Roma da sua jurisdição universal em favor de uma primazia universal de honra? Os ortodoxos ou católicos romanos admitiram mulheres no clero?

São por estes e outros motivos que, qualquer unidade universal entre todos estes entes envolvidos apenas engatinha.
Mas nem por isso, penso, se deve desanimar do diálogo ecumênico. Eu mesmo, pelo menos no momento, não sei se gostaria que existisse uma única instituição que envolvesse toda a cristandade. Há lugares no mundo em que há uma esmagadora maioria de cristãos de uma única denominação, e nem por isso, o cristianismo em tais lugares é mais "pulsante", ou mais "vibrante", por assim dizer, como no caso da Itália católica, ou da Inglaterra anglicana.


Particularmente, a eclesiologia ortodoxa ou anglicana, da independência provincial (ou patriarcal), ainda me atrai mais, ainda que eu reconheça que em algumas questões, há uma necessidade de concordância universal, senão, não faria sentido o termo católico. Entretanto, mesmo que tal unidade nunca chegue, não se deve abrir mão do diálogo ecumênico, visto que, Jesus disse que seríamos reconhecidos como seus discípulos pelo amor que demonstrássemos uns pelos outros; e é perfeitamente possível se estar sob uma mesma denominação, e ainda assim, viver em pé de guerra; e é possível, estar sob denominações diferentes, e ainda assim, haver respeito e amor.

O que me parece, nisto tudo, não ser razoável, é ser contrário, inclusive ao diálogo, como muito de certa propaganda conservadora, entre todas as tendências que existe por aí (engana-se quem acha que o mais duro discurso antiecumênico venha somente de círculos evangelicais conservadores). Ecumenismo, antes de tudo é diálogo. Não é ser absorvido pelo outro. Só dialoga quem se reconhece em posição de igualdade, senão, não há diálogo. Há domínio. Só quem ama, dialoga.

Também, a meu ver, penso que é hora de “voltar para trás”. Todas as tendências que se separaram, voltarem a conversar, tendo em vista a unidade. Verificar se os motivos que ensejaram as separações já cessaram, e que voltem todos à unidade visível. Assembleianos com assembleianos, batistas com batistas, presbiterianos com presbiterianos, metodistas com metodistas, etc. “Se souberdes que teu irmão tem algo contra ti, deixa no altar a tua oferta, e reconcilia-te com ele...”, disse alguém... Já seria um excelente bom começo. Se todos so que possuem plena identidade confessional voltassem a se unir, talvez não fôssemos mais do que uma dúzia de confissões diferentes. Pelo menos nisso, os evangélicos deveriam pensar. Não podemos nos furtar a tentar a unidade visível sob a desculpa que a igreja verdadeira é invisível, termo este não cunhado em 1.500 anos antes de Lutero, ainda que não precisemos julgá-lo totalmente equivocado. O fato é que damos um tremendo contra-testemunho com nossas divisões. Jesus orou para que “fôssemos um para que o mundo creia que ele foi enviado pelo Pai”. E, contrariu sensu, se não somos um, o mundo tem o direito de duvidar que Cristo foi enviado pelo Pai, pois o próprio Deus deu ao mundo o direito a ter esta dúvida (Schaeffer).


Portanto, há a necessidade, a meu ver, de fomentar o diálogo entre todos os cristãos, e que estes venham tentar viabilizar, da melhor forma possível, uma maior unidade visível entre si.

* O autor é bacharel em Direito e estudande de Teologia na Faculdade de Teologia Metodista Livre e no Instituto Anglicano de Estudos Teológicos