terça-feira, 26 de agosto de 2008

Diário de um cristão: Quem quer dinheiro????

Por Carlos Seino.

Penso que nada mais a ver com a vida cristã do que escrevermos um pouco sobre nossas experiências no dia a dia, afinal, não é somente pelo exame de livros e artigos que entendemos o que se passa na cabeça do povo de Deus. Então, estarei, não diariamente, escrevendo um pouco das coisas que vi por aí, compartilhando com os leitores deste blog.

Estive recentemente em uma igreja de um amigo, quando o pastor, alegremente do púlpito, perguntou se alguém queria ganhar três vezes mais do que ganhava naquele momento (não sei o porque do número três...). Obviamente, todo mundo levantou as mãos, apesar de eu ter ficado “na minha” (se alguém prestou atenção, deve ter pensado que, ou eu já era um milionário, ou algum doido que estava contente com o baixo salário...).

Imediatamente, fiquei imaginando a cena: Jesus, falando à multidão e dizendo: “quem quer ganhar três vezes mais, me siga”!!! Nossa; acho que, se esta tivesse sido a mensagem de Cristo, ele não teria sequer sido crucificado, mas eleito rei de Israel (até tentaram fazer isso com ele, se nos lembrarmos bem...).

Fato é que, eu fico pensando o que vai na cabeça deste pessoal que fala uma coisa desta. Será que é muito difícil ler o Novo Testamento e ver que Jesus de modo algum prometeu algo deste tipo? Isto não é discurso de intelectual que vê na pobreza material alguma virtude em si (há um ditado que diz que “quem gosta de pobreza é intelectual”), mas sim a indagação de alguém que tem pensado um pouco no que significa seguir a Cristo neste mundo (sem um êxito total na vida prática, confesso).

Eu acho que essa gente mistura muito algumas coisas do Antigo com o Novo Testamento, distorcendo um pouco a mensagem cristã. Não sou contra a prosperidade; pelo contrário, eu a quero, mas Jesus jamais fez um apelo deste tipo àqueles que ouviam a sua mensagem. Ao contrário disso, ele deixou claro que “não tinha onde reclinar a cabeça”, e que, segui-lo equivaleria a negar-se a si mesmo, a renunciar a tudo o que se opusesse ao discipulado cristão. Enfatizou que os ricos dificilmente entrariam no Reino de Deus (quem quer que leve a sério esta mensagem temeria a riqueza; e não a desejaria tanto conforme incitam tais pregadores...). Agora, é claro que esta mensagem é bem impopular; é um duro discurso, que poucos podem ouvir, talvez não encha templos nem aumente a arrecadação...

De qualquer modo, o cerne da questão que me levou a meditar no ocorrido é justamente esse: que tipo de discipulado temos ensinado e aprendido por aí? O que estamos entendendo por seguir e imitar o Mestre Este tipo de mensagem tem realmente aproximado as pessoas de Deus? Penso que devemos empregar todo o nosso esforço para não contaminar o discipulado cristão com discursos estranhos aos de Jesus...