sábado, 20 de dezembro de 2008

Sobre o silêncio




Certa vez ouvi que certo santo ensinou que o silêncio pertence à eternidade, enquanto que o som, a palavra, foi criada no tempo. Que o silêncio, de certa forma, já existe; nada precisamos fazer para criá-lo, mas sim para rompê-lo. E romper o silêncio, pode ser algo muito cansativo e destrutivo. Conforme já disseram, duzentas árvores crescem devagar e em silêncio, e se tornam lindas e esplendorosas; mas basta apenas uma árvore derrubada, e todo o silêncio de duzentos anos é rompido e destruído.

Falta um pouco de silêncio em nossa vida. As muitas palavras parecem querer justificar os nossos atos, fazer calar a nossa consciência, ou ao menos abafá-la. Cansamo-nos do mistério, e queremos investigar tudo à luz da nossa palavra. Não achamos explicação, inventamos a nossa; discordamos uns dos outros, logo, temos mais rompimentos. Se respeitássemos alguns mistérios, talvez estivéssemos mais unidos.

Para se auto-examinar, é preciso silêncio e ouvir a voz de Deus dentro de si, por meio da consciência, da meditação. Para resguardarmos a reputação de nosso próximo, muitas vezes é preciso fazer silêncio, e se abster de nossas “piedosas” opiniões pessoais. Talvez grande prudência seja evitar se falar de alguém em sua ausência. Muitos cultos são deveras barulhentos e agitados; mas não diz a Escritura que Deus habita no silêncio, e não no terremoto, e que, em sossegarmos e tranqüilizarmos está a nossa salvação?

Falar é muito importante, pois a comunicação nos aproxima uns dos outros visto sermos seres relacionais, e só faz sentido falar em humanidade nos relacionamentos, mas para a palavra ser bendita, ela precisa verdadeiramente nascer do silêncio e da tranqüilidade de coração, para que possa voltar à mesma tranqüilidade e ao mesmo silêncio, e produzir tais efeitos; afinal, disse o sábio, que “a palavra dura suscita a ira”, mas que “a doçura dos lábios aumenta o saber”. No muito falar, não fala engodo, e, se as palavras não surgirem de um coração purificado, nos dará a impressão de uma grande sujeira interior, pois, não é o que entra no homem que o torna impuro, mas sim o que sai, conforme ensinou nosso Senhor.

Portanto, meditemos com atenção, e, esforcemo-nos para aprender a dar um pouco de lugar ao silêncio em nossa vida cristã.