domingo, 22 de fevereiro de 2009

Pensamentos desconexos sobre política

Bom, amigos.

Não sei se todos os amados leitores têm acompanhado o que tem ocorrido na América do Sul, notadamente agora, com nosso amigo Chaves, conseguindo aprovar a medida que permite a reeleição indefinidamente...

Fico a me perguntar se estamos assistindo ao fim da democracia liberal, para uma nova forma de socialismo.

Lembro-me da leitura de escritor das minhas aulas de Direito, Giovanni Sartori, que dizia que a democracia, além de minoritária no mundo, é um sistema em constante risco, sendo até mesmo frágil. Isto porque, a própria democracia pode oferecer mecanismos em que, por ela mesma, possa ser destruída. A maioria coloca alguém no poder, que através da maioria, acaba com a minoria. Por isso, Sartori dizia que democracia, não é necessariamente o governo da maioria, mas sim o governo que permite que existe uma minoria discordante, e que preserve mecanismos para que um dia tal minoria possa chegar ao poder. Há o clássico exemplo de um membro de determinada religião, majoritária entre a população, que, pelo voto democrático, chega ao poder, mas depois, por vontade da maioria, suprime todas as demais religiões, e só se permite que chegue ao poder quem for um representante oficial daquela religião.... é um clássico exemplo da democracia matando a democracia...

Há expressões culturais no mundo que parecem não permitir mesmo a existência da democracia liberal, e fico me pergunando se não é assim em boa parte da América Latina. Discute-se entre democracia formal e democracia material, dizendo-se que esta é mais importante do que aquela. Nas palavras uma vez pronciadas por Frei Betto, mais importante do que preencher urnas, é preencher barrigas...

Eu, particularmente, tenho alguma discordância em relação a este raciocínio. Fico me perguntando se não é melhor um pouco mais de liberdade do que de igualdade (esta, materialmente falando, só é possível com governos ultra-autoritários, e geralmente, é igualdade na pobreza). Penso que, ainda, a única igualdade possível seja a formal...

Bom... fato é, no meu sentir, que governos socialistas nunca conseguiram se implantar em sociedades com um capitalismo relativamente maduro, com sólidas instituições, contrariando o dito clássico de Marx, que, uma sociedade, para se tornar socialista, deveria antes ter passado por um capitalismo maduro. Tal nunca ocorreu. O socialismo clássico, por assim dizer, acabou vencendo em países com uma multidão de miseráveis, em que o capitalismo não havia se implantado suficientemente para trazer um maior benefício a todos, provavelmente por culpa das próprias elites retrógradas locais, que, mais do que republicanas, eram muito mais oligárquicas, quase feudais. E quando o povo acaba por apoiar o discurso de alguém mais carismático, acabam que por pagar o preço de sua negligência...

Como protestante e evangélico que sou, ainda sou mais favorável a um sistema democrático, liberal, com liberdade de mercado, sem ignorar alguma potencialidade interventiva do Estado, sempre desconfiando de todo levante que se demonstre autoritário e extremamente centralista.