segunda-feira, 30 de março de 2009

Construindo uma dimensão social do Cristianismo

Por Domingos Pardal Braz

Se disser que podemos construir uma doutrina social Cristã, infinitizando por assim dizer cada precito do Decalogo ou do Evangelho, da mesma forma como construimos uma equação matemática, corro o risco de ser mal interpretado...

Pois bem sei que não podemos encarar os atos humanos numa perspectiva matemática ou estritamente exata.

Porque cada ato humano é por assim dizer único e especial, distinto de todos os outros no que tange as intenções, circunstâncias, meios, consequências, etc

Por isso queremos deixar bem claro que ao construir uma doutrina social Cristã não pretendemos ditar regras ao supremo Juiz ou deslindar os tramites da justiça eterna. Nossa perspectiva não é divina, mas puramente humana, embora tenha em vista captar princípios e valores divinos e conferir-lhe uma dimensão social, tanto mais orgânica quanto mais ampla e abrangente...

Nosso objetivo não é determinar aprovações ou reprovações. Só o Sapiíssimo conhece perfeitamente as complexas relações causais que envolvem as ações humanas e atenuam ou agravam seu significado...

Não está em nossas mãos usurpar uma das prerrogativas especificas do Cristo... Nós a ninguém julgamos, não nos referimos a pessoas e situações, mas a atos ou fatos abastraidos a realidade.

Nosso propósito é auxiliar humanamente a tantos quantos aspiram por viver a vida de Cristo em sua totalidade ou plenitude e que desejam ve-lo reinar verdadeiramente sobre seu povo.

Nossa intenção é fornecer alguns subsidios teoréticos aqueles que aspiram por levar o evangelho do Reino as últimas consequência rompendo com todas as peias e limites que lhe foram impostos no decorrer dos séculos.

Analisemos pois o alcance de cada uma das regras ou diretrizes propostas já pelo Decalogo, já pelo Evangelho e esforcemo-nos para captar toda sua extenção.



I) Não matar.

Tése: Se o preceito uma pessoa de matar uma outra pessoa proibe tambem:

a) O matar tanto diretamente - derramando sangue - como indiretamente: privando o homem de seus meios de vida, envenenando gradativamente, fornecendo os meios ao assassino, deixando de denuncia-lo, etc

b) Se proibe a morte de uma só pessoa, proibe com mais razão ainda a morte de várias.

c) Se proibe a pessoa de matar também proibe a sociedade de faze-lo enquanto agregado de pessoas.


De a concluo: Um sistema qualquer econômico ou político que prive o cidadão dos meios necessários a sua existência é um sistema de morte, homicida, pecaminoso e maligno, que se opõe a lei de Deus.

No momento em que o cidadão privado de seu emprego fica privado de seu salário e logo privado de dinheiro já não pode adquirir alimento, roupa, espaço, etc condições necessárias ao pleno desenvolvimento da vida humana. Como consequência de tal ordem tais pessoas vitimadas pelo sistema acabam por desenvolver patologias físicas ou psiquicas em decorrência das quais suas vidas são reduzidas ou cortadas até pela metade.

Isto quando não assimilam algum tipo de vício ou quando não tomam a atitude de por fim a própria vida tendo em vista suas condições desumanas.

Exemplos concretos: 1 - A situação das crianças subnutridas na Etiópia perante um mundo que já atingiu a auto suficiência de gêneros.

Somos obrigados a dizer que tantas e tantas crianças teem morrido em decorrência de um sistema de destribuição de gêneros que tem em vista o lucro e não a manutenção da vida humana. É por motivos de ordem econômica que esses seres permanecem desassistidos e a mêrce da morte.

Um sistema econômico que dá vezo a tantas mortes merece ser qualificado como sistema de morte e sistema assassino.

2 - A calamitosa situação dos Nordestinos no Brasil.

Durante dezenas de anos o Nordestino se viu obrigado a lutar contra o flagelo da seca, a morrer de sede e fome, etc ou a migrar para o Norte ou para o Sul, tendo de vender sua força de trabalho e ainda ser marginalizado pela população dominante e ter de se habitar em favelas e paláfitas insalubres.

Em tais paragens a mortalidade infantil atinge ainda hoje proproções devastadoras...

Num pais que tem assegurada a auto suficiência de suprimentos!

A que se deve tal anomalia?

A critérios de distribuição que tem em mira apenas e tão somente considerações de ordem material, noutras palavras o lucro, pouco se importanto com as vidas de milhões e milhões de seres humanos torturados pela seca...

Que se pode dizer a respeito de um tal sistema?

Que corresponde a vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Logo que Cristo se compraz em ver criancinhas inocentes torturadas pela sêde e pessoas idosas e trabalhadoras sem ter um mísero pedaço de pão seco para comer?

Se tal fosse a vontade de Cristo a sentença pregada no alto de sua cruz teria sido justa e justos todos os apupos dos hebreus!

Pois um Deus que tendo passado por situações semelhantes não se compadecesse de suas pobres criaturas seria na verdade um Diabo...

3 - Os milhares de suicidios que aconteceram só nos Estados Unidos da América do Norte, no ano de 1929, quando o sistema econômico 'auto-regulavel' se desregulou totalmente, reduzindo milhões e milhões de seres humanos ao estado de mendicância!

Veredito - O preceito divino de não matar comporta uma condenação formal ao sistema econômico vigente, enquanto sistema que desconsidera totalmente o fenômeno humano e encara a morte antecipada ou trágica de milhões e milhões de pessoas como algo absolutamente natural e inevitável.

Corolário - A justiça daquele que não fuma, não bebe, não fala palavrões, etc é uma justiça falsa e superficial.

Para nada serve levar um comportamento exemplar se não me oponho a uma estrutura econômica que está a serviço da morte, se não a denuncio, se não a execro...

Pois no momento em que aceito como fato consumado toda essa desordem social e deixo de combate-la com o Evangelho na mão, no momento em que cruzo os braços e me omito, torno-me também eu réu de assassinato, porquanto Cristo me pergunta: Que é feito de teu irmão?

E lhe respondo: eu estou muito bem, nada tenho a ver com meu irmão.

Portanto estes homens todos que são honestos e virtusos perante o mundo.

Todos esses 'homens de bem' que ocupam os primeiros lugares nos templos.

Os censores da moral e dos bons costumes...

Que estão plenamente satisfeitos com uma ordem social iniqua.

Estão todos reprovados pela lei de Deus.

São todos infratores que se tem deliciado em quebrar o grande mandamento da vida.

Mas a palavra de Deus é demasiado clara e objetiva:

A ETERNIDADE NÃO RESIDE NOS ASSASSINOS.

Diante de Cristo estão mortos espiritualmente e isentos de sua graça.

Por mais que clamem o sangue do Senhor ou rezem aves marias não haverá misericórdia para eles.

Porque não se comadeçeram do pobre, mas antes oprimiram-no.