sábado, 11 de abril de 2009

Ele jamais nos abandonará...






Teologias há que não são saudáveis, mas absolutamente corruptas.

São como bolinhos recheados com alfinetes ou como veneno dissolvido em vinho licoroso...

Já disseram que as vontades do Pai e do Filho eram distintas conforme o Pai deseja punir e o Filho salvar a humanidade... puro e simples triteísmo ou politeísmo chão.

E continuam afirmando que após a transgressão ancestral deus se afastou dos seres humanos, abandonou-os e tornou-se inimigo dos mesmos.

Ao invés de odiar ao mal e ao pecado, deus teria odiado o pecador e desejado sua destruição!

Num site calvinista nos deparamos com esta afirmação nua e crua: Deus os abandonou para serem cada vez mais cativos de seus próprios pecados...

Noutro site, igualmente calvinista, nos deparamos com estas outras palavras amargas: Ele é O Deus zeloso e vingador, cheio de ira e jamais inocenta o culpado. Ele não faz vista grossa quanto ao pecado do homem, ele não abandona o castigo, ...

Assim os homens teem plasmado deuses para si e confeccionam idolos a sua imagem e semelhança como o deus severo e cruel de Calvino.

Entretanto o profeta desmente clamorosamente essa afirmação ímpia de que Deus abandonou os homens: Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca. Is 49,15

Este é o Deus verdadeiro e a vida eterna.

Ao contrário do que diz a teologia deformada sendo Pai verdadeiro, Deus jamais abandonou a humanidade, mas extremamente solicito para com ela, assim que se desvia e se aparta de seus caminhos já lhe promete um médico e pedagogo, dizendo: "Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”

Por isso nossos padres e antepassados chamaram este verso de proto evangelho porque é de certa forma o primeiro anuncio e a paresceve deste evangelho que nos salva.

Por isso escreveu o Santíssimo Hipólito, ouvinte de Irineus, ouvinte de Policarpo, que se assentou aos pés da catedra joanina: Sempre desejando reconciliar-nos jamais abandonaste a pobre humanidade, mas exerceste misericórdia.

Erram fragosamente os sectários de Calvino quando afirmam que Deus irritou-se e se afastou da humanidade...

Nem é homem para se irritar e tampouco insensivel para se afastar, mas perfeito para compreender, apiedar, reconciliar, acolher e salvar a tantos quantos contemplam a nova serpente suspendida sobre o novo madeiro.

Foi o homem que concebendo uma vontade oposta a vontade do Pai, dele afastou-se rompendo deliberadamente a comunhão.

Sendo Deus o autor da liberdade humana teve de respeitar a opção erronea de sua pobre criatura... Do contrário teria reconquistado o homem por seu poder e força.

Infinitamente sábio e clemente deliberou reconquistar o homem por meio da fraqueza, fazendo-se igualmente homem e se sujeitando a condição de nossa natureza, inclusive ao sofrimento e a morte.

Tudo com o magnanimo objetivo de nos esclarecer, atrair e purificar.

Jamais houve um segundo em que a humanidade estivesse abandonada por Deus. Separada sim, mas por sua própria vontade e a revelia da vontade de Deus.

Deus jamais aceitou este divórcio, jamais aceitou esta separação, jamais aceitou este abandono.

O abandonado não foi o homem, abandonado foi o pai de amor.

De certa forma a aparição do mal neste mundo foi um parrícidio espiritual, enquanto a humanidade voltou suas costas para o artífice supremo...

Como o Pai da parabola do Filho pródigo Deus jamais deixou de ter seus olhos voltados para a porta esperando pelo retorno de cada um de nós...

E tendo em vista este regresso, enviou videntes com o objetivo de anunciarem antencipadamente aos povos todos seu advento: profetas aos hebreus, sibilas aos gregos e estáticos aos orientais, e eles, de diversas formas preparam sua entrada no mundo...

E esta preparação do grande sacramento da Encarnação já é de certa forma um sacramento e uma salvação.

Conforme esta registrado: Toda carne verá a redenção de Deus.

Não diz alguma carne ou esta carne especial e eleita, mas toda a carne sem excessão. Pois a eleição em Cristo é a eleição de todos os seres humanos e a erradicação de todo mal e de todo pecado.

Podeis imaginar que o mal e o pecado tenham o poder de se perpetuarem para todo sempre?

Imagine isto que quizer, nós porém cremos na palavra do apóstolo:

"E por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas." col 1,20

Pela fé cremos na concretização da única vontade de Deus: "o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade." I Tm 2,4

Por isso no tempo de sua vida mortal dissera o Cristo bendito aos hierosolimitanos: "Como a galinha acolhe os pintinhos sob suas asas quiz acolher-vos, mas não o quizestes."

É o homem que em sua loucura e vaidade resiste ao chamado de Deus.

Por isso diz o apóstolo: Não resistais a sua voz como os padres resistiram no deserto e foram mordidas por serpentes abrasadoras.

O Pai que é superior aos anjos deseja a conversão dos pecadores e sua regeneração.

Não sei o que esses falsos profetas e pastores de fancaria lucram ao apresentar a humanidade esse idolo insensivel, rancoroso, carrancudo e cruel, que comporta em si todos os defeitos que Jesus de Nazaré condenou nos simples mortais...

Se Jesus nos mandou perdoar a qualquer pessoa sempre é justamente porque o Pai a todos acolhe sempre... do contrário seriamos superiores a Deus...

Antes nos tornamos perfeitos como ele é perfeito ao cumprir os ditames de Jesus.

Porque sendo perfeito no amor ele jamais se vinga e ignora plenamente esse sentimento grosseiro conhecido apenas e tão somente pelas almas vulgares dos fanáticos... Deus sempre sabe ser superior aos mortais e perdoar, ele é o clemente e o misericordioso, até os infiéis sabem disto, apenas os seguidores de Calvino teimam em ignora-lo e em anunciar um deus sobre o qual fazem refletir suas próprias almas...

A ideologia que mais lucra com essa apresentação de um deus vingativo, rancoroso, aspero, insensivel, etc ou seja imperfeito, é o ateismo. Pois entre servir a um deus mesquinho e limitado como este: poder cego e arbitrário, modelo de todos os déspotas e tiranos e beduino ou xeque celestial o sábio prefere não servir a deus algum... ou admitimos a existência de um Ser que é Perfeito, como aquele Pai magnanimo e generoso revelado por Cristo, ou não admitimos a existência do ser...

Rejeitamos pois essa falsa imagem de um deus passional e mutavel como regeitou-a o beatissímo Antoun: Deus sendo imutavel não se irrita nem encoleriza, nós é que nos apartamos dele quando mudados de vontade.

Ao contrário do homem que rompe a comunhão e se afasta porque ama as trevas, o Supremo benfeitor a todos procura e busca, conforme diz:

2 Filho meu, profetiza contra os pastores de Israel; lhes diz: eis que vos fala o Senhor Deus: ai dos pastores de Israel que só cuidam do seu próprio ventre. Mas não do rebanho que devem cuidar os pastores?
3.
Vós bebeis o leite, vestis-vos de lã, matais as rezes mais gordas e sacrificais, tudo isso sem nutrir o rebanho.
4.
Vós não fortaleceis as ovelhas fracas; a doente, não a tratais; a ferida, não a curais; a transviada, não a reconduzis; a perdida, não a procurais; a todas tratais com violência e dureza.
5.
Assim, por falta de pastor, dispersaram-se minhas ovelhas, e em sua dispersão foram expostas a tornarem-se presa de todas as feras.
6.
Minhas ovelhas vagueiam em toda parte sobre a montanha e sobre as colinas, elas se acham espalhadas sobre toda a superfície da terra, sem que ninguém cuide delas ou se ponha a procurá-las.
7.
Pois bem, pastores, escutai a palavra do Senhor:



11.
Pois eis o que diz o Senhor Deus: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas.

12.
Como o pastor se inquieta por causa de seu rebanho, quando se acha no meio de suas ovelhas tresmalhadas, assim me inquietarei por causa do povo meu; eu o reconduzirei de todos os lugares por onde tinha sido disperso num dia de nuvens e de trevas.
13.
Eu as recolherei dentre os povos e as reunirei de diversos países, para reconduzi-las ao seu próprio solo e fazê-las pastar nos montes de Israel, nos vales e nos lugares habitados da região.
14.
Eu as apascentarei em boas pastagens, elas serão levadas a campos verdejantes sobre as montanhas de Israel; elas repousarão sobre as relvas saborosas, terão sobre os montes de Israel abundantes pastagens.

15.
Sou eu que apascentarei minhas ovelhas, sou eu que as farei repousar - oráculo do Senhor Deus
16.
A ovelha perdida eu a procurarei; a desgarrada, eu a reconduzirei; a ferida, eu a curarei; a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça.


22.
Eu irei em socorro de minhas ovelhas para poupá-las de serem atiradas à pilhagem;

25.
Eu concluirei com elas um tratado de paz; suprimirei as feras de sua terra, de sorte que possam habitar o deserto com segurança e dormir nos bosques.

31.
E vós, minhas ovelhas, vós sois homens, o rebanho que apascento. E eu, eu sou o vosso Deus - oráculo do Senhor Deus

Portanto o pastor supremo da humanidade jamais abandonou suas ovelhas e jamais desejou sacrificar o seu rebanho como sustentam os fabricantes de teologias mortas.

Tendo o homem se indisposto com seu Senhor o Senhor jamais se indispoz com o homem, antes de tudo dispoz, inclusive de si, com o objetivo de religar-nos e de devolver-nos aquela vida infinita de que haviamos aberto mão.

Devolveu-nos Cristo generosamente a glória a que haviamos abdicado e mais a glória misteriosa e suprema da filiação adotiva, por isso S Ambrósio ousou escrever estas palavras imortais: FELIZ PECADO QUE NOS OBTEVE A GRAÇA DE UM TÃO GRANDE REDENTOR.

Cristo não é o Filho misericordioso que salvando-nos aplacou o Pai. Nem o Pai, nem ele, nem o Espírito de toda graça jamais precisaram ser aplacados porque jamais foram atingidos pelo mal, pelo pecado e pelas ações humanas.

Ao pecar o homem atinge apenas a si mesmo, castigando-se.

Cristo é a misericórdia divina - do Pai, do Filho e do Espírito Santo - cuja missão não é aplacar o que quer que seja mas buscar o que estava perdido.

Cristo não obtem o perdão ou a graça de Deus, ele é e expressa o perdão e a graça dados 'graciosamente' aos homens, ele não nos obtem o perdão ou a graça, antes, oferta-as a humanidade como coisa e propriedade sua.

Não morre para apagar nossos pecados, morre para que abandonemos o pecado e deixemos de percar. Não morre para conquistar a piedade divina mas para conquistar a adesão humana...

Não é o Pai que exige a sua morte - pois neste caso o Pai sendo um com ele estaria se suicidando - nós é que lha exigimos, tal a dureza de nossos corações.

Cristo não nos reconcilia com o Pai, mas consigo por sua encarnação. Pois o vir buscar o homem é a reconciliação do homem.

Cada um de nós obtem a chance de se colocar diante de Cristo e de viver a sua vida...

Os judeus apóstatas que se consideravam os unicos eleitos, predestinados e dispostos a salvação, mandaram crava-lo no madeiro porque Jesus lhes disse ter vindo com o objetivo de salvar a todos os seres humanos...

A linguaguem de Jesus era catolicismo que quer dizer universalismo, a dos hebreus era sectárismo, como a dos Calvinistas...

Egoistas os hebreus se rebelaram contra o autor da salvação quanto souberam que teriam de partilha-la com os gentios, egoistas como os antigos hebreus os predestinacionistas se revoltam quando são advertidos de que a redenção não é monopólio exclusivo deles, mas dom de um Deus pleno de benevolência oferecido a todos os seres humanos.

Ao espirar na bendita cruz o Logos encarnado pensou em cada ser humano, do primeiro ao último: no Carlos, no Rafael, no Kleber, no Pedro...

E quando depomos nossos fardos espirituais aos pés dessa Cruz vivificante farol da Igreja, ele nos diz:

Vinde a mim vós que estais fatigados e abatidos sob o peso do fardo e eu vos ampararei. Tomai sobre vós meu jugo e meu fardo, pois meu jugo é suave e meu fardo é leve... eis que estou a porta e bato, se abrires haveremos de cear, eu contigo e tu comigo.