domingo, 17 de maio de 2009

Meditando no Sermão do Monte (4)- A proximidade de Deus


Por Carlos Seino


"Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos" (Mt 5.1)



A teologia cristã acaba por ver Jesus como uma espécie de novo Moisés, novo libertador, alguém inclusive anunciado pelo grande profeta vétero-testamentário, logo, maior que ele próprio, inspirando-se principalmente no evangelho de Mateus. Este evangelista é o que em maior quantidade, cita profecias do Antigo Testamento, demonstrando que as tais estavam sendo cumpridas em Jesus Cristo. Além do que, referências como ao assassinato de infantes e fuga para o Egito, com posterior retorno, só se encontram neste evangelista. Há até aqueles que defendem que o evangelho de Mateus é uma espécie de roteiro de leituras que seria seguido conforme um calendário litúrgico, alternativo ao calendário judaico, cabendo a leitura do sermão do monte ao mesmo momento litúrgico que era reservado à leitura do salmo 119.


Gosto de meditar na comparação entre o ministério de Moisés e de Jesus. Interessante é que, segundo as Escrituras, o povo estava bastante assustado diante do monte Sinai, apavorado até. Com muito medo, diziam para que Moisés falasse com Deus. Precisavam desesperadamente de um intermediário. De alguem que explorasse o desconhecido para com eles.

Entretanto, com Jesus não foi assim. Enquanto que, com Moisés, o povo ficou ao pé do monte, com Jesus, o povo se aproximou, e os seus discípulos se assentaram perto dele. Jesus falou com grande tranqüilidade, dirigindo-se a todos. Não trouxe tábuas de pedra, mas "escreveu" em tábuas de carne, no coração de cada ouvinte disposto a ouví-lo.

E o impressionante, para a nossa teologia cristã, é que, em Cristo, Deus é que vem ao monte, e se achega tranqüilamente ao povo. Sem raios, sem terror, sem medo. Está próximo. Confortável até. Quão agradável é se achegar àquele que os amava e o acolhia. Quão recompensador prestar atenção às suas sábias palavras. Que interessante ouvir sua interpretação de Moisés, clarificando aquilo que talvez já fosse o anseio de muitos por ali, que sentiam algo de errado na velha hermenêutica e exegese das Escrituras.

Em Cristo, realmente, Deus está muito perto. E é um Deus que ensina, e não se impõe pelo medo, mas sim, demonstra o seu poder a ponto das multidões se maravilharem. Mas por ser quem ele é, e ensinar o que ensina, que nos chama ao máximo de atenção para suas palavras.

Quem tem ouvido para ouvir, ouça! Que tal meditar neste domingo no bendito sermão?