domingo, 17 de maio de 2009

Um Deus que não tolera o mal, mas que deseja sua aniquilação em nós.




Como educador que sou tenho tido a ocasião de observar uma grande confusão no que tange a espiritualidade ou a vida cristã de nossos jovens.


Refiro-me evidentemente aos Cristãos professos, que alegam exercer fé em Nosso Grande Deus e Salvador Jesus Cristo e não aos indiferentes pois não me compete tecer comentários sobre os que estão fora...


Fora da instituição visivel ou da organização eclesial... pois podem estar - e de fato creio que estão - muito mais próximos de Jesus do que seus companheiros 'cristãos' na medida em que suas vontades são capacitadas pela graça de Cristo a amar aos semelhantes e a servi-los sem esperar qualquer recompensa, inclusive espiritual.


Sobre tais cristãos, não professos, que vivem discretamente o Evangelho sem fazer estardalhaço e que por isso mesmo são conhecidos de Deus somente, não tenho o que dizer.


Gosto de imaginar um Cristão nominal esforçando-se por converter um Cristão espiritual ao Cristianismo teórico e crendo estar salvando a alma do mesmo... na medida em que lhe ensina uma salvação desvinculada de obras e sob o jugo do pecado. Entretanto com toda graça o nosso Cristão não passa dum escravo do poder das trevas, segundo a palavra infalivel do divino Mestre: quem comete pecado é escravo do pecado... portanto, ou mentiu Jesus Cristo ou mente deslavadamente essa Cristandade que folga em apresentar-se como fraca e pecadora.


Pois se a vontade é boa e a graça que procede de Cristo a capacita não há desculpa para o pecado.


Peca quem o quer e por maldade própria lançado fora de sí a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo e fazendo-se réu de apostasia.


Aquele que diz ter recebido a Cristo, que é a vida de Deus em sua alma e vive pecando é como o porco que lava do regressou ao chiqueiro.


Aquele que afirma estar meio livre do mal é mentiroso, pois Jesus Cristo que é a Verdade disse: Se o Filho vos libertar estais libertos na verdade.


E quem diz liberto diz autonomo, independente, emancipado e não decaido.


Jesus Cristo nos emancipou através de sua divina graça, não do castigo ou da pena para que vivessemos pecando numa vida de pecado e lassidão. Jesus emancipou-nos do pecado e do mal ao incorporar-nos a sí mesmo e fazer-nos co-participantes de sua natureza santa, natureza que não é juridico/formal, mas vital.


Que é de Cristo e está com Cristo vive a vida de Cristo e dá testemunho dele através das obras que prática, assim suas obras resplandescem como uma lâmpada sobre a mesa, porque foram engendradas na luz.


O cristianismo formal ou teórico para nada presta ou presta para muito pouco a menos que seja testificado por uma vida santa, digna e justa, que reflita em si a imagem viva do Verbo divino.


Portanto quando vejo um Cristão teórico ou sectário cheio de revelações e doutrinas tentando aliciar a alguém que sem crer ou falar vive da vida de Cristo pelo mistério de sua encarnação, sei muito bem quem esta apartado de Cristo e tentando apartar ao outro.


Pois tenho testemunhado no decorrer de minha vida como esse evangelho ímpio da salvação sem as obras DA NOVA E ETERNA LEI, que é a lei de Jesus Cristo (a lei do amor) tem transformado excelentes santos em péssimos teólogos e missionários. Imaginai um homem piedoso, que se esforça com o auxilio da divina graça em cumprir a lei de Jesus Cristo e em viver como ele viveu, ouvindo de alguém que se diz versado nas escrituras Santas, que todos os seus esforços são inuteis pois "O homem se salva sem as obras da lei."


Grande! Fenonemal! Soberbo!


Fora com a lei de Jesus Cristo e já podemos nos salvar odiando e cometendo injustiças como se tem dito aqui e acolá...


Pois são poucos aqueles que se perguntam a respeito de que lei o apóstolo se refere...


Considerando ociosa tal indagação...


Refere-se Paulo a toda espécie de lei - a todo fóro legal - como disse Lutero?


Então devemos concluir que Paulo e não Max Stirner merece ser classificado como sendo o principal teorico do anarquismo...


Justamente Paulo, que como bom judeu glorifica até mesmo a autoridade gentílica de Cláudio...


Refere-se a Lei de Jesus Cristo?


Mas quem ouviu dizer que Jesus Cristo baixou leis e mandamentos ou que existe uma nova lei?bradam os falsos profetas e semeadores do erro!


Ide ler o sermão da montanha e o derradeiro sermão palavra por palavra e depois dizei-me se seus incisos são normas e regras a serem obedecidas pelos que verdadeiramente creem ou palavras vazias...


Pois se o sermão da montanha, o derradeiro sermão e o preceito do amor não são leis eu gostaria que algum teologo solifideista se compadecesse de minha ignorância e me dissesse o que são na verdade, se são receitas de bôlo, pontos de tricô ou o que...


Pois tenho diante de mim o imperativo: amai-vos e gostaria de saber como Jesus assumindo o tom imperativo em seu discurso não baixa leis?


Por outro lado se Jesus baixou e publicou verdadeiras leis quão grande insulto não se faz a santa memória do Apóstolo das nações insinuando que nos emancipou de tais leis...


Pois o servo não é maior que seu Senhor.


Quero dizer com isso que se Jesus Cristo trouxe a lei eterna dos céus nem Pedro, nem Paulo, nem João, nem ser nem homem algum possui autoridade suficiente para revoga-las.


Conclusão: nem Paulo tem em vista abolir todas as leis ou a supressão da Lei de Jesus Cristo.


Refere-se pois a outra lei.


Mas a que lei se refere?


Ele mesmo nos indica no curso de sua douta epistola que a lei abolida e substituida pela econômia vital da graça, é a lei étnica concernente aos judeus e promulgada por Moisés.


Sob todos os aspectos - religioso, civil e penal - a lei dos judeus foi abolida e substituida pela Nova e eterna lei, a lei de Jesus Cristo, gravada pela graça da encarnação nos corações de todos os seres humanos e promulgada nas páginas imortais do Evangelho.


Entretanto desviados por uma compreenção errônea quanto ao significado das palavras do Apóstolo Paulo, a Cristandade tem vivido em anarquia, sem fé, nem lei, nem rei, cuidando que se salvará magicamente, sem cooperação e esforço, em estado de pecado e sob o jugo da iniquidade.


Diante desta triste situação, que nos encaminha e direciona a apostasia, muitos cuidam que em nome da caridade e da paz é melhor calar.


Como se o médico, ocultando ao enfermo a gravidade de seu estado e privando-o da oportunidade de fazer tudo quanto está em suas mãos para curar-se, estivesse exercendo alguma caridade...


Por isso quando observo que pessoas puras e sinceras com a mais santa das intenções endereçam a Cristandade palavras como esta: vinde a mim como estais, palavras que meus tios e avós viviam a repetir querendo enfatizar nossa incapacidade para o bem, fico assaz apreenssivo e diante delas não posso permenecer calado, antes como Paulo em face de Pedro devo resistir corajosamente e dizer: Não, ao cristão não é permitido ir a Cristo como quer e como está.


Pois ao Cristão não é permitido estar como quer, estar no mal ou estar no pecado e simultaneamente unido a Cristo e em comunhão com ele.


Ao pagão que vivia na regeição e na inimizade, a esse é dado apresentar-se como esta, com o fardo de suas iniquidades, para deposita-lo aos pés desse terno e misericordioso Salvador, o qual certamente lhe diz: Vem a mim, que não te lanço fora, antes da-me teu fardo e toma meu jugo sobre tí.


O Cristão porém, ou seja aquele que acreditando verdadeiramente em Cristo, foi batizado e incorporado a ele, que recebeu sua graça e foi instruido na sua divina lei, este não pode aproximar-se do Senhor senão como observante e praticante de sua lei, como servo fiel e vigilante e como adorador espiritual e imitador seu.


O Cristão não dispoem de liberdade para pecar uma vez que dispoem da força e do poder da graça para persseverar no bem que é a única vontade de Cristo.


Todo pecado de morte cometido por um Cristão restaurado implica em falha: ou da parte de Cristo e sua graça - o que não é possivel se levamos em conta o cárater santo do Senhor - ou da parte dele mesmo enquanto regeição livre e consciente da graça que lhe foi concedida e da amizade do Senhor Jesus Cristo. Por isso se diz que todo pecado é uma troca na qual Jesus Cristo é vendido por um bem imediato de valor inferior a sí... todo pecado é uma permuta entre bens infinitos e bens finitos, uma verdadeira idolatria, algum indesculpável e por isso a Igreja apostólica condenava irremissivelmente os Cristãos que tornavam a pecar a mais dura das penitências até o dia da morte, e se pecassem pela terceira vez eram expulsos da comunhão e entregues segundo o costume nas mãos de Satanaz para a destruição da carne.


Era pois o pecado para a morte encarado não como algo trivial ou como um estado constante pela Cristandade apostólica, mas como algo de extrema gravidade, como uma verdadeira traição semelhante a de Judas.


Não diziam os Santos: vem a Cristo como queres, não esperes ser bom; mas: Se não fores bom, se não fores justo, se não amares, se não observares toda a lei de Jesus Cristo és um traidor, apóstata e inimigo do mesmo Senhor. Uma vez que o pecado é livremente concebido e posto em prática com pleno consentimento daquele que o prática o Cristão que torna-se a pecar após ter tomado conhecimento vital de Jesus Cristo não era visto como um coitadinho e acolhido pela congregação, mas visto como um 'traditor' e posto a parte, para que seu exemplo de rebeldia não contaminasse aos mais a semelhança da peste.


Jamais passou pela cabeça da Cristandade primeva imaginar o Cristão como fraco ou incapacitado para o bem uma vez que está na comunhão espiritual de Nosso Senhor Jesus Cristo o qual lho capacita para viver a sua vida. Nossos pais e antepassados bem sabiam que postular uma graça fraca ou falivel equivalia a postular a uma divindade fragil ou dissoluta.


Sabiam que a equação da liberdade, da graça e da vontade Santa de Deus só podia resultar num chamado inequivoco a uma vida de estrita observância tendo em vista as palavras do Senhor: Sede perfeitos como o Pai celestial é perfeito.


Acaso pode o Pai celestial pecar ou viver pecando?


Já os sacerdotes hebreus punham nos lábios da divindade esta convocação: Sêde santos como eu o Senhor vosso Deus sou santo.


É a santidade de Deus uma santidade artificial ou juridica, uma espécie de meia santidade?


Portanto ao Cristão não é permitido ir a Cristo como quer - odiando, matando, roubando, etc - a menos que deseje ouvir dele estas palavras: Não vos conheço...


O Cristão deve ir a Cristo como Cristo quer e deseja e Cristo quer e deseja que ele esteja totalmente isento do mal, que odeie ao pecado, que regeite o vício e abraçe a virtude, é assim, em estado de santidade e no caminho da perfeição vital que o Cristão deve dirigir-se a seu Mestre e môdelo se deseja ser acolhido por ele.


Cristo deseja acolher em seu regaço e glorificar na eternidade a todo Cristão que fazendo bom uso da graça divina, aniquilar o mal e destruir em si não apenas o pecado mas até mesmo a raiz e a inclinação do pecado.


Ele não só exige que extinguamos o pecado em nosso ser, mas nos prove dos meios necessários para faze-lo de modo a que possamos viver sempre em harmônia com a sua santa vontade.


Assim se lhe formos fiéis em obras de justiça, se romper-mos heroicamente com o pecado e se destruir-mos o mal - que inexistindo em si mesmo existe apenas em nós - pela pratica do bem ele nos acolherá como Mãe, como Pai, como Irmão, como Filho e será tudo para nós como nós mesmos seremos semelhantes a ele contemplando-o como de fato é.