terça-feira, 14 de julho de 2009

Ainda a teologia da prosperidade

AINDA A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE...

Eu fico alarmado com o que vejo em muitíssimas igrejas evangélicas com sua mensagem voltada com extrema ênfase para a satisfação dos bens temporais de cada um de seus membros.

O ser humano não serve mais AO evangelho, mas sim, DO evangelho.

O Cristo crucificado, aquele que não tinha onde "reclinar a cabeça" (Mateus 8.20), este continua muito impopular para ser seguido.

O apóstolo que ensina os discípulos "o contentamento com as coisas que se tem" (Hb 13,5), seria detestado por alguns modernos teólogos da prosperidade, talvez chamado de preguiçoso acomodado.

O mestre que diz "ao homem de condição humilde se gloriar em sua dignidade e o rico em sua insignificância" (Tiago 1.9-10) certamente seria considerado um atrasado, quem sabe até considerado um comunista.

Dificilmente um rico entrará no reino dos céus. Por maiores que sejam os sofismas que se usam para ludibriar tal fala, este permanece ser um ensino do nosso mestre.

Este tipo de evangelho tem produzido pessoas auto-centradas em suas próprias realizações, adaptadas à concorrência e ao capitalismo como se fosse um sistema natural, querido por Deus, igualando os modernos templos evangélicos ao templo de Israel, o atual ministério pastoral ao sacerdócio levítico, e o moderno estado democrático de direito ao estado teocrático israelita, impondo um pesado jugo sobre quem já sofre uma das maiores cargas tributárias do planeta, explorando a esperança de milhares que querem melhorar de vida e já não sabem como. Será este o espírito de Cristo? Cristo faria isso, é o que todos estes deveriam se perguntar.

E é óbvio que os que controlam os meios de comunicação de seus fiéis somente irão exibir como troféus os que deram certo. Os demais, que aguardem o cumprimento da bendita vontade de Deus em suas vidas, ou que aceitem que ainda não tiveram fé suficiente para melhorar... Os outros, que entrem com ações judiciais para recuperarem seu dinheiro... (que, diga-se de passagem, crescem a cada dia).

Vi mulheres idosas, pobres, viúvas, já com pouca esperança serem chamadas de ladras de Deus... Ou amaldiçoadas... como se Deus pudesse ser roubado (não me venham com Malaquias, por favor, senão te perguntarei onde está o sacerdócio levítico atual ou o templo de Jerusalém... ); como se o Pai de Jesus Cristo estivesse a amaldiçoar quem não lhe der dinheiro (Na verdade, Jesus chamou de malditos os que o viram com fome, e não lhe deram de comer... leiam Mateus 25.41) ! Pelo menos durante as indulgências, procurava-se um perdão de quem estava na fila esperando sua vez, e que, cedo ou tarde o teria alcançado. Hoje, os que não contribuem com este tipo de visão são amaldiçoados com as penas eternas do inferno. afinal, nos dizeres de tais "profetas" sofistas (muitos, reconheço, até que bem intencionados), os que não dizimam são ladrões, e os ladrões não herdarão o reino...

Estão transformando a igreja em uma espécie de banco de investimentos, em que ela deixou de ser a comunidade dos remidos que desfrutam de uma bendita comunhão em fraternal e ardente amor para ser um balcão de requisições em que levará maior prêmio aquele que pagar mais.

Triste coisa isso. Precisamos de uma nova reforma.