quarta-feira, 22 de julho de 2009

O teólogo e o obreiro


 




(O teólogo) Em vez de afastar-se de sua situação existencial, incluindo sua preocupação última, ele se volta para ela. Ele se volta para ela, não para fazer uma confissão da mesma, mas para tornar clara a validez universal, a estrutura do "logos", daquilo que o preocupa de forma última. Ele só pode fazer isso em uma atitude de distanciamento de sua situação existencial e em obediência ao "logos" universal. Isso o obriga a ser crítico em relação a toda expressão especial de sua preocupação última. Ele não pode afirmar nenhuma tradição e nenhuma autoridade, exceto através de um "Não" e de um "Sim". E é sempre possível que ele não possa passar do "Não" ao "Sim". Ele não pode unir-se ao coro daqueles que vivem em afirmações inquebrantáveis. Ele deve assumir o risco de ser conduzido além da linha-limítrofe do círculo teológico. Portanto, o crente piedoso e poderoso na igreja suspeita dele, embora vivam na dependência do trabalho de teólogos anteriores que estiveram na mesma situação. A teologia, já que serve não só ao "logos" concreto mas também ao universal, pode se tornar uma pedra de tropeço para a igreja e uma tentação demoníaca para o teólogo. O distanciamento exigido num trabalho teológico honesto pode destruir o envolvimento necessário da fé. Esta tensão é o fardo e a grandeza de todo trabalho teológico.




(TILLICH, Paul. Teologia Sistemática. Ed. Sinodal/Ed. Paulinas. 2ª edição. p. 30-31)