terça-feira, 4 de agosto de 2009

Falar sobre Deus




Por Rudolf Bultmann

"Se entendermos por "Falar de Deus" um "falar sobre Deus", semelhante falar não faz sentido algum; pois no momento em que se realiza, já perdeu seu objeto, Deus. Isso porque sempre que se pensa a idéia "Deus", ela significa que Deus seria o Todo Poderoso, isto é, a realidade que a tudo determina. Entretanto, tal idéia não é de forma alguma pensada quando falo sobre Deus, ou seja, quando encaro Deus como um objeto do pensar, acerca do qual posso orientar-me, assumindo uma posição em que permaneço neutro diante da questão de Deus, uma posição na qual teço considerações sobre a realidade de Deus e sua natureza, as quais posso rejeitar ou, sendo convincentes, aceitar. Quem é levado a crer na realidade de Deus através de argumentos pode estar certo que nada captou da realidade de Deus; e quem pensa estar afirmando algo sobre a realidade de Deus com provas de sua existência, disputa sobre um fantasma. Isso porque todo "falar sobre" pressupõe uma posição fora de Deus. Ora, não pode haver uma posição fora de Deus, e por isso não é possível falar de Deus em sentenças e verdade genéricas que sejam verdadeiras sem ter nenhuma relação com a situação existencial concreta da pessoa que fala".

(BULTMANN, Rudolf. Crer e compreender. Ensaios selecionados. Ed. Sinodal. p. 21)