quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A mente de Cristo X calvinismo - A doutrina da presdestinação absoluta é contrária a todo esforço moral

Por Domingos Pardal Braz

Toda doutrina calvinitica é um solene protesto em favor da inação moral e do quietismo.

Pois se é deus quem decide o futuro de santos e réprobos sem consideração de suas obras ou merecimentos, infere-se logicamente que tudo quanto for feito para alterar esta situação é absolutamente inutil e vão.

Nem os santos conquistam o que quer que seja, nem os réprobos perdem coisa alguma.

É deus mesmo que abre o paraiso aos predestinado sem quaisquer considerações de intenção, esforço ou colaboração, da mesma forma é ele que lança nos abismos do averno aos não predestinados sem quaisquer considerações de intenção...

É Deus que faz o salvo, salvo e não seus esforços ou sua resposta a qualquer chamado.

É Deus que executa e faz absolutamente tudo não restando ao homem nada, absolutamente nada a fazer no plano da salvação, alias desvinculado do plano da moral...

A tão decantada soberânia divina tudo absorve e não deixa espaço para qualquer ação humana.

Nem os salvos são capazes de encetar qualquer ação tendo em vista a vida eterna nem os réprobos são capazes de encetar quaquer ação capaz de alterar seus destinos pois deus já fez tudo e não resta ao homem coisa alguma a ser feita.

Deve pois o réprobo deixar se levar pela corrente de reprovação e o salvo levar pela corrente da redenção... cada qual deve ser guiado, conduzido e disposto pela mão divina sem cogitar em fazer qualquer coisa, pois nada do que fizer modificará seu estado.

Os calvinistas geralmente alegam que há algum lugar para o esforço humano partindo do principio de que ninguém sabe se é eleito ou regeitado.

Portanto na melhor das hipóteses é melhor proceder ou tentar proceder como um dos eleitos e esforçar-se por obedecer ao Evangelho.

Cumpre advertir no entanto que todo este discurso é falacioso.

Pois deacordo com a doutrina calvinista não há qualquer relação entre obediência ao evangelho ou comportamento e a eleição para a vida eterna, pois tal eleição é incondicional ou seja sem consideração de méritos.

Grosso modo a teologia calvinista sobre as obras é comporta uma monstruosa contradição.

Pois enquanto Lutero mantendo um padrão de coerência afirmou o antinomiasmo como sendo a única solução lógica para as teorias da salvação pela graça, do solifideismo e da predestinação, Calvino, percebendo que a Igreja papista já começava a tirar partido desta doutrina imoral, teve de sacrificar a lógica e afirmar que embora as boas obras não mereçam a salvação, são frutos ou consequências da mesma, admitindo portanto que sem obras não há salvação embora negando que as obras salvassem...

Acontece que esta solução artificial e incoerente contradiz formalmente a teoria da predestinação incondicional formulada pelo mesmo calvino.

Por predestinação incondicional devemos entender que sendo a predestinação ato livre e gracioso de deus não poderia levar em consideração as obras ou frutos que os eleitos porventura viessem a apresentar.

Ao estipular uma presdestinação incondicional Calvino suprime a condição moral ou comportamental afirmada pela tradição Cristã e afirma mais uma vez o antinomiasmo de Lutero, só que numa linguagem mais sutil e refinada, pois Calvino repugnava a chicana enquanto Lutero a apreciava.

Agora coloquemos as duas afirmações na balança e estabeleçamos uma comparação entre elas.

Se como Calvino afirmou as obras são frutos da fé devemos crer que são evidências necessárias a salvação. Pois a árvore sem frutos foi lançada ao fogo.

Se a fé salvifica sempre se manifesta atravez de obras, somos obrigados a concluir que em não havendo tal manifestação não há, nem verdadeira fé, nem graça, nem salvação, nem predestinação.

Logo os eleitos sempre apresentam obras ou frutos e jamais estão isentos deles (o que implica em se negar o anti-nomiasmo).

Neste caso, se a salvação eleição deve vir sempre s forçosamente acompanhada de obras, como pode ser incondicional?

Pois o significado de incondicional é sem condições...

Aqui dirá o calvinista: O amigo não compreendeu bem, as obras não são condições para a salvação mas apenas e tão somente resultados dela... pois se manifestam nos salvos ao invés de salva-los...

Parece que o calvinista nos prendeu em sua arapuca...

Mas não prendeu não.

Estabelecida a existência de obras nos eleitos, mesmo reconhecido que não são condições mas efeitos da salvação, já temos como identificar os eleitos: por meio de suas obras.

Pelas obras os conhecereis...

As obras dos eleitos são obras santas e piedosas e as dos réprobos obras iniquas...

E aqui temos o começo do fio...

Pois em havendo obras cumpre indagar quem é seu promotor, o homem regenerado ou deus.

Se o calvinista nos responder que o homem regenerado é capaz de cooperar com deus na execução das boas obras, partindo do principio segundo o qual sua liberdade foi restaurada e segundo o qual ainda é tentato, tanto poderia faze-las como não faze-las, logo quando coopera livremente com deus e as realiza, adquire merecimentos... O calvinismo no entanto mesmo admitindo que a liberdade é restaurada nos eleitos e que as obras livremente executadas evidenciam sua eleição, nega que haja merecimento em tais ações livres, o que implica em contradição.

A única saida para o calvinismo é admitir que mesmo os eleitos não gozam de liberdade alguma - como Lutero afirmou no 'Arbitro escravo' - e que as boas obras que patenteiam seu estado de graça são executadas pelo pode de Deus. Noutras palavras: é Deus mesmo que executa as boas obras dos eleitos e eles não podem resistir-lhe...

Eis confirmada nossa alegação: os eleitos e salvos nada pode fazer que os possa perder e os réprobos nada podem fazer que os possa salvar.

As obras dos eleitos são realizadas diretamente por deus de modo que eles nada precisam desejar ou pretender.

O mesmo se dá com as obras dos regeitados pois a fatalidade lhos obriga a pecar.

Neste caso, uma vez que as boas obras petenteiam a salvação dos eleitos, podemos identifica-los segundo seu modo de agir, entretanto eles jamais poderiam agir doutro modo pois sem que possam perceber é deus que neles atua constrangendo-os a fazer o bem.

Em tais condições só resta ao eleito se deixar levar...

E ao réprobo também...

No entanto, para piorar as coisas, a doutrina calvinista alega que a perfectibilidade Cristã neste mundo é impossivel... e que mesmo os eleitos são capazes de cair e de cometer pecados graves.

Devemos pois concluir que se é Deus quem realiza aos boas obras dos eleitos também é ele quem permite que seus eleitos venham a pecar ou a desobedece-lo (!?!. O que é dificil de se compreender se imaginamos que ele é todo poderoso e que esta sob o controle da situação, neste caso a unica alternativa possivel para explicar o porque da emergência do pecado nos eleitos seria admitir que deus deseja confundir os seres humanos e impedi-los de distinguir os eleitos dos ímpios...

Isto entretanto é impossivel pois segundo o mesmo calvinismo todas as obras dos regeitados são pecaminosas enquanto as dos eleitos não o são, ao menos em sua totalidade. Assim sendo sempre poderiamos distinguir os eleitos dos réprobos...

Do contrário, se admitimos que as obras dos eleitos não se distinguem de alguma maneira das obras dos regeitados, como fica a teoria dos frutos???

Como conhecer os eleitos (arvores) se os frutos (obras) de eleitos e regeitados são iguais?

Por outro lado se os eleitos pecam livremente porque suas obras não são livres?

Agora se são livres como não constituem uma forma de colaboração?

E se implicam em colaboração livre como não são meritórias?

O caso é que - segundo a teologia calvinista - as boas obras dos santos não são livres (porque não podem ser meritórias).

Quando o eleito apresenta boas obras, é deus, que na verdade atua nele.

Conclusão: portando quando o eleito peca é porque o mesmo deus se recusa a atuar nele ou a auxilia-lo, logo deus é a causa ou o autor de seu pecado. Pois omitindi-se ou deixando e atuar lho coloca sobre o jugo do pecado...

De tudo isto se infere que fugindo da doutrina tradicional dos meritos e da liberdade como o diabo foge da cruz o calvinismo tinha mesmo que dar onde deu: num fatalismo mais que grosseiro, que faz de deus o autor direto de toda virtude e de todo pecado e anula consequentemente toda possibilidade de esforço humano instaurando uma econômia de inação moral ou quietismo.

Num esquena de predestinação absoluta não pode haver espaço algum para a atuação e o esforço humano.

Não é por acaso que a 'terra de deus' ou 'nova Canaã' fundada pelos pais peregrinos veio a converter-se na nação mais criminosa e abominavel da face da terra, suplantando em quase todos os sentidos as outras nações.

Basta dizer que os tetranetos dos tripulantes do Mayflower foram os participantes de Woodstock...

O que saiu errado?

Penso que uma nação edificada sob tais principios de inação moral só poderia mesmo dar no que deu: uma nação completamente imoral, utilitarista, materialista... pois da inação moral e do quietismo passa-se facilmente a lascidão.

Afinal o homem só é capaz de corresponder ao propósito divino na medida em que dá o máximo de sí e procura fazer a sua parte.

Somente quando o homem ciente de suas responsabilidades morais procura esforçar-se em demanda do bem e da virtude é que a graça de Deus correspondendo a seus esforços completa e aperfeiçoa uma obra perfeita.

O calvinismo por ódio cego ao romanismo perdeu este sentido e por isso converteu-se no maior fracasso moral de todos os tempos e no mais poderoso instrumento de descristianização existente se compreedemos o Cristianismo como ele deve ser compreendido como principio ético e vida e não como mera fórmula.