terça-feira, 8 de setembro de 2009

O caráter paradoxal do cristão


"O cristão acredita estar morto em Cristo, mas encontra-se mais vivo do que nunca e espera viver realmente para sempre. Ele anda na terra embora sentado no céu e apesar de ter nascido neste mundo, depois de sua conversão descobre que este não é o seu lar. Como curiango, que no ar é a essência da graça e formosura, mas no chão mostra-se desajeitado e feio, o cristão também se destaca nos lugares celestiais, mas não se entrosa muito bem no mundo em que nasceu.


O cristão logo aprende que, se quiser alcançar a vitória como um filho do céu entre os homens da terra, não deve seguir os padrões adotados comumente pela humanidade, mas exatamente o sentido oposto. Para salvar-se, corre perigo; perde a vida a fim de ganhá-la, e existe a possibilidade de perdê-la se tentar conservá-la. Ele desce para subir. SE se recusa a descer, é porque já está embaixo, mas quando começa a descer, está subindo.


É mais forte quando está mais fraco e mais fraco quando se sente mais forte. Embora pobre tem poder para tornar rico a outros, mas quando se enriquece sua capacidade de enriquecer os outros se esvai. Ele tem mais quanto mais dá e tem menos quando possui mais.


Ele pode estar, e no geral está, no alto, quanto mais humilde se esente e tem menos pecado quanto mais se torna consciente do pecado. É mais sábio quando se reconhece que nada sabe e tem pouco conhecimento quando adquire grande cultura. Algumas vezes faz muito quando nada faz e avança rápido ao manter-se parado...


O caráter paradoxal do cristão revela-se constantemente..."





(in "O melhor de A. W. Tozer". Editora Mundo Cristão, p. 86)