sábado, 26 de setembro de 2009

A religião e o marxismo

Para mim, não é espantoso que boa parte da religião protestante, bem como da católica, e da própria ortodoxia, com muita razão, tinham se apoiado contra a esquerda histórica. Há motivos concretos para isso, e não somente a mera leitura de Marx, que até então, poucos tinham e poucos continuam tendo.

A prática histórica da esquerda revolucionária parece ter sempre foi contrária a religião.

A URSS, como paradigma da revolução socialista, perseguiu violentamente os fiéis ortodoxos, derrubou igrejas, matou pessoas; algo triste de se ver.

Felizmente, não conseguiram destruir aquela religião.

Também na China, Coréia do Norte e Cuba manifestações parecidas ocorreram.

Não foram poucos os cristãos e membros de outra religião mortos por este sistema sistema.

Assim também, em outros países que assumiram oficialmente a doutrina socialista, segundo eles mesmos, calcadas em Marx.

Como poderia então, os cristãos serem pró-marxistas em uma situação destas?

Muito difícil.

E era isso que aparecia, e não aquele ideólogo que buscava corrigir as injustiças sociais.

Ainda mais naqueles tempos mais antigos, que, o que se sabia a respeito de determinado assunto, não era tão disseminado pela mídia como é hoje.

Agora, verificando que boa parte da inspiração das igrejas evangélicas era de teor norte americano, não se podia esperar, de modo algum, que fossem simpáticas a Marx.

Mas mesmo igrejas que não tinham esta inspiração norte-americana, dificilmente se tornariam amigas de Marx, que era apregoado como aquele que inspirou a matança de tantos fiéis.

Tive a grata oportunidade de conhecer alguns coreanos evangélicos, que conseguiram fugir da Coréia do Norte. Era tão tenebroso descrever as barbaridades que eram feitas com os crentes naquele lugar, que o menino até passava mal de lembrar. Gente forçada a negar a Cristo, para não ter sua vida ceifada.

Também pipocou na literatura religiosa história de nativos e missionários, do modo como eram tratados em tais países.

Portanto, muito mais do que uma leitura intelectual de Marx pelos pentecostais, é, sem dúvida nenhuma, uma prática histórica do dito socialismo real e histórico que provocou tal reação no seio evangélico, em meu sentir.

Bastava imaginar os marxistas no poder, e a sombra da morte e da perseguição pairar sobre as igrejas.

Daí, não ter sido difícil associar a obra de Marx com a do diabo.

Obviamente, que a direita também soube utilizar disto a seu favor, e o soube muito bem.

Mas não adianta demonizar os EUA e achar que a URSS era o reino. Se eu tivesse que escolher um dos dois lugares para viver uma vida naqueles tristes dias, certamente, teria sido nos EUA (e boa parte dos intelectuais de esquerda, provavelmente também).

Entretanto, à medida que Marx se popularizou, que pode ser utilizado como um instrumental de combate ideológico ao sistema que se mostrava cada vez mais iníquo e mais injusto, foi gradualmente (como tem sido) aceito pela mentalidade de alguns evangélicos. Ser marxista parecia ter se tornado a única opção para quem queria corrigir os abusos de nosso sistema.

Além do que, sem aderir totalmente às aparentes soluções propostas pelo filósofo alemão, nem por isso, sua análise deixou de ser útil para se vislumbrar boa parte das injustiças em nossa sociedade. Marx, enfim, fora considerado genial. Tanto que hoje, nas escolas, o "estar por dentro" é ser marxista ou de esquerda. Dizer-se de direita, conservador, tradicionalista que é retrógrado, que é ser visto com um bicho esquisito.


Mas mesmo assim, ainda hoje, sei que boa parte do protestantismo tradicional, do catolicismo mais conservador, mas principalmente, da ortodoxia, não querem nem saber das "soluções" propostas por Marx, pois este e seus seguidores, sempre foram declaradamente contra a religião.

Grupos fortes da Igreja Ortodoxa de todas as vertentes continua achando o marxismo uma obra de Satã, um demônio que precisa continuadamente ser expulso. Assim também católicos tradicionalistas.

No meio evangélico, geralmente são crentes intelectualizados que se aproximam da doutrina marxista (não quero dizer com isso que não existem crentes cultos que defendem a direita; assim também, católicos e ortodoxos de direita costumam ser bastante cultos. Neste blog, é possível encontrar o link “Vida Ortodoxa”, e o leitor poderá constatar o que a Ortodoxia, de modo geral, tem dito sobre o marxismo). Entretanto, parece-nos que um certo romantismo revolucionário que tem feito com que muitos jovens evangélicos se aproximem do marxismo.

Eu, particularmente, não sou favorável a um sistema em que seus seguidores entenderam necessário destruir com violência toda a obra religiosa, não obstante, a religião – e tudo o mais na vida – ser um ópio para o povo. (até o marxismo já foi chamado de ópio dos intelectuais por alguns).

Também não sou favorável a um sistema em que tudo se parece reduzir ao econômico, não obstante, saber que boa parte da vida esta sim influenciada por tal esfera.

Segundo ouvi de Marx, parece que este apregoou que um sistema para se tornar socialista teria que passar por um capitalismo maduro. Mas isto nunca ocorreu historicamente, visto que, todos os países que se tornaram socialistas, e que se diziam influenciados por Marx, não tinham um capitalismo tão maduro assim. De qualquer modo, minha leitura de Marx não é profunda, de modo que opiniões minhas acerca deste assunto sempre serão sujeitas a correções. Sou muito mais simpático de um socialismo utópico ou anarquista pacifista, ou ao estilo e pensamento de Tolstoi (este, era detestado pelos socialistas e direitistas), pois as ideologias de inspiração marxista, até aqui, parecem ter perpetuado um certo autoritarismo e opressão pior do que a do sistema que buscaram combater; algo que o próprio Marx fora advertido de que iria ocorrer, ao apregoar a tal ditadura do proletariado.

Se queremos a paz com fim, teremos que utilizar a paz como meio. Os meios tem que ser iguais aos fins que almejamos.