terça-feira, 1 de setembro de 2009

SOBRE O PECADO


É nas profundezas mesmo da nossa personalidade que o pecado nos ataca. Ele destrói a única realidade de que depende o nosso caráter, identidade e ventura: a nossa orientação fundamental para Deus. Somos criados para querer o que Deus quer, conhecer o que Ele conhece, amar o que Ele ama. O pecado é a vontade de fazer o que Deus não quer, de conhecer o que Ele não conhece, de amar o que Ele não ama. Cada pecado, assim, é um pecado contra a verdade, um pecado contra a obediência e contra o amor. Ora, nessas três coisas, o pecado mostra ser uma suprema injustiça não sõ contra Deus, mas sobretudo, contra nós mesmos.

Pois onde está o bem de conhecer o que Deus não conhece? Conhecer o que Ele não conhece, é conhecer o que não é. E porque amar o que Ele não ama? Há qualquer finalidade em amar o que não é nada? O que Deus ama, é. E o nosso destino é amar todas as coisas que Ele ama exatamente como Ele as ama. A vontade de amar o que não é implica, ao mesmo tempo, a recusa de amar o que é. Por que iríamos destruir a nós mesmos querendo o que Deus não quer? Querer contra a sua vontade é voltar a nossa vontade contra nós próprios. Temos a necessidade mais profunda de tudo o que Deus quer para nós. Querer outra coisa é privar-nos da nossa própria vida. Assim, quando pecamos, o nosso espírito morre de inanição.



(MERTON, Thomas. Homem algum é uma ilha. Ed. Verus. p. 84 )