terça-feira, 20 de outubro de 2009

Da continuidade da dispensação carismática nas Santas e divinas escrituras.












Gostaria de corroborar e desenvolver a afirmação de meu amigo Dr Seino, a respeito de que através das Santas e divinas escrituras do Novo Testamento é impossível provar que a dispensação dos dons carismáticos seria transitória e não perene.

Afinal segundo meu amigo pastor e a imensidade de meus comfrades tradicionais ou conservadores, o apóstolo Paulo certifica-nos de que os dons sobrenaturais cessariam num determinado período da História da Igreja cedendo a espaço a uma econômia espiritual tanto mais interna e a uma econômia externa tanto mais natural.

Todos os partidários desta tése da transitoriedade dos dons apelam inequivocadamente a I Cor 13,8:

"O amor jamais cessará; entretanto existindo profecias, serão aniquiladas, em havendo linguas cessarão; e havendo sinais desaparecerão."

Ecce verbum...

Tal o posicionamento do escritor adventista Lourenço Gonzalez - ADOS pp 200 - segundo o qual:

"O dom de linguas acabaria."

E no entanto como quem prova demais nada prova, o apóstolo não determina em que tempo tais curas, profecias e linguas acabariam...

Os tradicionais é que com ou sem razão concluem por qualquer momento no decurso da História da Igreja...

Tal conclusão pode tanto ser verdadeira quanto falso, o certo porém é que o presente texto em sua literal singeleza ignora pura e simplismente toda e qualquer categoria de temporalidade...

Quero dizer com isto que o texto se limita a determinar que a econômia carismática seria suspensa no futuro sem determinar claramente este futuro...

Daí os expositores pentecostais assim de expressarem:

"Por esta razão, vemos de que o fato de que os dons espirituais 'cessarão' não pode ser vinculado - pela escrituta (grifo nosso) - a qualquer tempo posterior ao período apostólico." R N Champlin, in Loc.

Em suma, a afirmação do apóstolo foi retiscente ou seja dúbia de modo que é impossivel extrair do próprio texto ou contexto qualquer dado que nos permita afirmar com absoluta isenção em que momento a econômia carismática seria suspensa.

Paulo limitou-se a escrever que seria suspensa, a 'determinação temporal' todavia não quiz ou não soube expressar e não há como atingirmos seu pensamento partindo do que esta escrito.

E sem embargo os próprios pentecostais teem se esforçado por superar tal indeterminação e por vincular uma determinação temporal ao texto, ultrapassando a singeleza da letra.

Continuemos a acompanhar o professor Champlin:

"O único fim dos dons espirituais, em vista no contexto desta passagem, ocorrerá quando da inauguração do estado de perfeição. Logo os termos 'cessarão' e 'passará' são termos que aludem a econômida da eternidade, não podendo ser empregados como expressões equivalentes a uma profecia segundo a qual o fim dos dons se sucedesse em qualquer etapa desta nossa econômia temporal."

Firmado na autoridade de Faucett:

"Os dons espirituais só serão suspensos quando da segunda vinda do Senhor, ultrapassados por seus analogos mais perfeitos, como, por exemplo, o conhecimento por intuição." in Loc.

Querem os pentecostais, significar com isto, que Paulo pretendeu afirmar que o amor permanecerá eternamente, mesmo após o fim desta econômia temporal, enquanto que os dons carismáticos prevaleceriam apenas até o dia do juizo, quando seriam definitivamente suspensos não havendo espaço para eles na econômia da eternidade.

Observe-se que a tése não é nem um pouco absurda, mas, pelo contrário perfeitamente possivel.

Pois supondo-se que Paulo desejou referir-se ao amor como um sentimento perpétuo, que se projeta para além do ultimo dia e se eterniza, certamente teve em mira a afirmação segundo a qual os dons carismáticos seriam suspensos neste mesmo dia ou seja no fim dos tempos não havendo pois espaço para a ausência de tais dons na vida da igreja ou seja durante sua pregrinação terrestre.

E para reforçarem a possibilidade de tal significado, os pentecostais e carismátios apelam via de regra ao verso décimo: "Quando vier o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá." e ao seguinte: "Quando era como criança pensava como uma criança, mas agora que sou adulto abandonei as coisas de criança."

Conforme veremos não em parte e obscuramente mas plenamente, face a face e não por espelho, e conheceremos como somos conhecidos.

De todas estas descrições inferem os pentecostais, que a vinda do perfeito é a segunda vinda de Cristo e que a referida forma de conhecimento: perfeitamente clara só pode referir-se ao conhecimento dos Santos eleitos da eternidade ou seja após a glorificação...

No fim das contas é aqui que esta ou que se encontra o 'equivoco' dos pentecostais, pois são suas crenças de origem agostiniana, luterana e calvinistas, que impedem-nos de admitir a possibilidade de perfeição e de plenitude de conhecimento divino aqui mesmo na terra, na derradeira fase da vida da Igreja... Pois sendo simbolizada pela menor de todas as sementes do campo a igreja acabou por transformar-se numa arvore portentosa capaz de abrigar todos os passaros e aves do campo.

O erro aqui consiste em dar-mos por perfeitamente biblico o que não passa de puro preconceito: a impossibilidade da igreja atingir um estado de perfeição para o qual alias foi feita neste terra, preparando-a como uma nova sem rugas para a chegada de seu divino noivo...

Todo este pensamento negativista ou catastrofista deve-se a penetração de idéias e crenças judaicas na igreja e isto já no século apostólico de que temos exemplo no Livro do Apocalipse e na própria expressão apocaliptico querendo significar uma apostasia gradativa finalizada por uma catastrofe demoninada Armagedon...

Com todo respeito que temos pelo Livro do Apocalipse - o qual contem certamente passagens de natureza divina e inspirada - pela tradição da igreja e pelos irmãos na fé comum, regeitamos decididamente a tal visão pessimista e soturna do futuro Cristão.

Pois cremos decidamente na Vitória do bem e da graça, no triunfo do Reino neste mundo, no crescimento espiritual da igreja e moral do homem, na diminuição gradativa no mal e na possibilidade de atingirmos a um Estado de perfeição já aqui mesmo, segundo afirmou o próprio Senhor Nosso Jesus Cristo: Quando eu for suspenso no madeiro atrairei todos a mim.
& também: para que todos tenham vida vim, não para que o homem seja condenado mas para que seja salvo.

Não cremos pois que a dispensação da graça tenha tido por fim a corrupção e a destruição violenta deste mundo, mas seu resgate e glorificação.

Parece ter sido isto o que Cristo ensinou sem ser bem compreendido em contraste com as crenças apocalipticas generalizadas nos meios judaicos e mesmo no colégio apostólico, já porque, neste sentido os próprios apóstolos travados pelas crenças ancestrais e pela teologia caduca dos hebreus, não podiam enchergar as coisas muito claramente, havendo neste sentido um verdadeiro progresso...

No sentido de regeitar-mos decididamente o ranso, a acrimônia e indignação tipicamente judaicos, expressos por meio da literatura apocaliptica, e aderirmos a um sádio otimismo legitimamente Cristão - pois parte do mistério da encarnação - o qual logra distiguir neste mundo valores naturais e possibilidades de desenvolvimento e progresso.

Portanto para nós a vinda do que é perfeito pode muito bem significar a derrareira fase e dorma da espiritualidade humana, enquanto vida e convivência nos moldes do Evangelho... neste ponto conhecimento pleno de Cristo pode significar pensamos nós uma plena afirmação do Evangelho e da ação da graça através de nossa conduta interpessoal.

Processo necessariamente dirigido pelo Espírito Santo, conforme esta escrito: Ele vos conduzirá a verdade plena... ou seja a plena vivência do Evangelho, fundamentada na caridade, e a plena compreenção dos planos divinos com relação a humanidade, decididamente obscurecidos pela influência hebraica num sentido pessimista e catastrofista do qual a Cristandade, em especial a protestantes, inda não logrou desvencilhar-se por completo.

Faz-se mister afirmar ainda que sempre que a condições de vida do povo de Cristo tornam-se insuportáveis, a parte mais ingênua deste povo/corpo tende a afirmar com mais veemencia e intensidade ainda ao apocalipticismo, na mesma medida em que perdem suas esperanças todas de libertação... afinal o apocalipticismo é em última analise um produto da frustração, da derrota e do desespero dos crentes frente a situações políticas e sociais iniquas e insoluveis.

Incapazes de enfrentar ou de derrotar ao império romano só restou aos judeus do tempo de Cristo, o praguejar, o amaldiçoar, o profetizar e o compor estorietas catastrofistas sobre o futuro deste império, destinado a ser suprimido pelo próprio Javé e seu Messias através do fogo...

Diante de tais fatos, a afirmação segundo a qual a vinda do perfeito equivale necessariamente a segunda vinda de Cristo, nos parece apenas possivel, mas de modo algum certa.

Tampouco nos parece certa a presunção dos conservadores segundo os quais as palavras do apóstolo referem-se necessariamente a algum tempo ou fase da História da Igreja.

Trata-se doutra intrepretação igualmente possivel, mas de modo algum, terminante...

Conclusão: O Texto de I Cor 13,8 não pode ser empregado dogmaticamente por nenhuma das partes por tratar-se dum texto cuja extrutura literal - grega evidentemente - não nos permite sacar, objetivamente falando, qualquer elemento temporal...

Portanto a única saída possivel para tentarmos descobrir o verdadeiro sentido desta passagem é interrogar a experiência concreta da Igreja de Deus e examinar a presença dos dons e carismas no decorrer de sua caminhada rumo ao céu...

A resolução do problema não podendo ser feita através das escrituras santas e canônicas deverá efetuar-se necessariamente nos pódromos da História eclesiástica.

Por isso nosso próximo artigo terá por enfoque a opinião dos padres e Bispos dos primeiros séculos a respeito dos ditos dons e sua vigência temporal.

Graça, paz e bem ao amado e digníssimo leitor.