quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O dogma do anti-Cristo...

Nesta última semana chegamos ao termo duma pesquisa sociológica na qual levantamos, a formação, a função e a ideologia pertinentes a cada um dos constituintes de 1988.



O principal objetivo de nossa averiguação, foi levantar a condição econômica de cada parlamentar envolvido na elaboração de nossa constituição atual.



O resultado de nossa pesquisa - segundo a qual 220 ( + ou - 40 % deles ) congressistas eram banqueiros, latifundiários, grandes industriais e economistas - acaba de ser publicado e folgamos que seja examinado e apreciado pela parte consciente do eleitorado.



Entretanto como nos interesamos por tudo quanto seja humano, não nos poderia passar desapercebido o papel exercido pela religião ou melhor pelos ministros religiosos dentro do contexto.



Assim sendo, anotamos de passagem algumas referência sobre a atuação da bancada protestantes, mesmo porque foi a única que assim se apresentou: como uma bancada religiosa e com inspiração religiosa. Ademais não me consta que qualquer padre romanista ou pai de santo tenha participado dos trabalhos constitucionais ou assumido uma postura marcadamente religiosa...



Consegui obter referências sobre cinco pastores protestantes presentes nos trabalhos: Mario de Oliveira > PMDB; Roberto Augusto > PTB; Sotero Cunha > PDC; João de Deus > PDT e Orlando Pacheco PFL, com informações bastante precisas sobre seus posicionamentos atinentes aos direitos e garantias sociais.



Resultado: Roberto Augusto, Sotero Cunha, João de Deus e Orlando Pacheco votaram unanimemente contra a estabilidade no emprego.



Também votaram unanimemente - ou se abstiveram de votar - contra a limitação do direito de propiedade, a desapropriação da propriedade produtiva, a estatização da econômia e a reforma agrária.



E tal postura, da bancada, mereceu este diagnóstico por parte dos sociologos Coelho e Oliveira (1989): "Com rasíssimas excessões, todos os políticos com origem em movimentos evangélicos SÃO CONSERVADORES." subentenda-se alinhados ao sistema de adoração e culto ao dinheiro (Mamom).



No entanto já o profeta exclamava: Maldito aquele que acrescenta casa a casa e campo a campo.



Mas é uma 'palavra de Deus' a qual não ligam importância alguma, encarando o acumulo de terras como uma espécie de dogma ou artigo de fé sacratíssimo.



E não nos espantemos se cedo ou tarde ouvirmos dizer que o profeta Isáias era filiado a internacional comunista...



Sobre si mesmo disse o Cristo Bendito (cuja divindade simulam adorar): O filho do homem não tem onde reclinar a cabeça...



E no entanto os servos, que não podem ser maiores que o Senhor, possuem terras suficientes para assentar milhares e milhares de cabeças...



Para que não digam que o tipo de vida escolhido pelo Senhor foi específico, disse ele aos seus em tom de determinação: Não junteis bens neste mundo, no qual a traça destrói e a ferrugem dissipa...



E no entanto políticos que se afirmam a si mesmos como ministros do Evangelho, endossam toda uma política direcionada para o acumulo e acumulo irrestrito e sem limites de bens materias e caducos neste mundo...



E depois os socialistas é que são materialistas?!?



Acaso esforçar-se por juntar o maior numero possivel de bens materiais neste mundo é o que?



Espiritualismo...



Então os monges e padres do deserto nada sabiam sobre espiritualidade...



Viva o Papa João XXII e abaixo o espírito franciscano...



O jumentinho montado pelo Senhor quando entrou na cidade santa para sofrer sua paixão era uma espécie de Palio 0 Km e o Pastor Marcos Feliciano está repleto de razão...



Todavia este mesmo Jesus, a que os pastores dizem servir e cultuar, esse mesmo Jesus, assim se referiu a religião do dinheiro:

Não é possivel servir a Deus e ao dinheiro!

Não é possivel e entretanto os constituintes 'evangélicos' serviram muito bem ao mundo do dinheiro...

Disse ainda o Verbo divino:

É mais fácil uma corda passar pelo fundo duma agulha do que um rico entrar no Reino.

E mesmo assim os pastores votaram unanimemente a favor dos ricos e seus privilégios na medida em que se opuseram a estabilidade de emprego...


Paulo, vaso egrégio de eleição, admoestou os seus para que: se contentassem com o necessário para viver, pois o AMOR AO DINHEIRO É A RAIZ DE TODOS OS MALES.

Os pastores no entanto votaram contra quase todas as emendas propostas tendo em vista a melhoria de condições e de vida para os trabalhadores brasileiros.

Correspondendo aos anseios daqueles que amam ao dinheiro ou seja dos empresários, baqueiros, latifundiários e economistas, pois foi em associação, fraternidade e unidade com estes opressores que votou a bancada protestante e não na unidade com aqueles aos quais o Senhor veio evangelizar, isto é, os pobres e excluidos.

Tiago, irmão do Senhor, também afirmou que os ricos chorarão e tremerão no grande dia, pois acumularam bens para o dia da matança...

Entretanto João de Deus se absteve e Roberto Augusto votou contra o corte de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial... ou seja nem mesmo a grave questão do racismo foi capaz de sensibilizar e comover a esses pretenssos 'ministros do Evangelho'... e depois ainda querem desvincular os EEUU e o Capitalismo da dinâmica racista!!!




Para alguns tais informações relativas ao posicionamento dos pastores constituintes frente a tais questões pode parecer ocioso a vida Cristã, entretanto de modo algum o é se temos diante de nós que o Evangelho foi anunciado com objetivo de fixar um padrão absoluto de justiça e que cabe a tal padrão determinar todas as nossas relações pessoais e sociais.

E quem diz determinar diz inspirar, gestar e estabelecer com máxima exatidão.

Todo o Evangelho se resume em condenar certos principios e em promover outros.

Em proibir certas atitudes e recomendar outras.

Isto de fato é o Evangelho, algo que influi poderosamente na vida de pessoas e nações inteiras, fazendo a diferença.

E não algo neutro, que não acrescenta absolutamente nada a dinâmica social... que não se faz sentir, perceber, desejar e querer já neste mundo.

Por isso em se tratanto de líderes religiosos de uma forma que se presume superior a todas as outras, era de se esperar que sua postura fosse totalmente diferente da postura daqueles cujo oficio é oprimir e esmagar economicamente aos demais.

Era de se esperar que a ideologia do dinheiro fosse corajosamente denunciada por eles como foi outrora denunciada pelas pelas, profética, apostólica e Evangélica.

Era de se esperar que tais homens, inspirados pela letra do Evangelho, promovessem a dignidade humana ao invés de terem promovido, como promoveram o acumulo irrestrito de bens materiais.

Era de se esperar que denunciassem todas as injustiças e desigualdades como pecados que bradam aos céus e que pedissem a correção dos mesmos, cerrando fileiras em torno da fraternidade e da solidariedade.

O mínimo que esperavamos da atuação de tais senhores era que se postassem a favor da justiça social, do bem comum e das promoção humana.

E no entanto eles atraiçoaram vil e sórdidamente a mais nobre de todas as causas, a causa daquele humilde pai de família, que é muito provavelmente um fiel dizimista e trabalhador sofrido!!! Pois votaram maciçamente - registra-o a História - contra todas as garantias e direitos sociais oferecidos ao proletariado nacional!

Só nos resta apelar mais uma vez a sentença divina: Não pode a árvore boa dar maus frutos e nem a árvore má dar bons frutos, é pelos frutos que lhos conhecereis.

Neste caso, da atuação dos pastores protestantes em nossa constituinte, os frutos foram os mais podres e amargosos possiveis, frutos verdadeiramente iniquos e venenosos...