quinta-feira, 30 de junho de 2011

Irar e julgamento


Lectio:

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo.

Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.



Meditatio:

A justiça requerida pelo Senhor não é a meramente exterior, mas também interior.

Daí, não basta "não matar" formalmente, por assim dizer.

O homicídio nasce no coração de cada um de nós.

Irar-se contra alguém, desejar-lhe o seu mal e a sua morte é a raiz do assassinato real; e já é visto com reprovação aos olhos do Senhor.

Existe uma ira santa, certamente, mas pecadores como nós, precisam estar atentos para não travestir seu pecado de santidade. A ira do homem não produz a justiça de Deus.

"Raca", "Louco", são expressões de difícil tradução para nossa língua.

Os que os estudiosos parecem concordar é que denotam desprezo.

O desprezo é uma forma de homicídio, de assassinato aos olhos de Deus.

Não é um desprezo meramente de ignorar, mas um desprezo ativo, a ponto de fazer o outro sentir-se profundamente triste, humilhado, desprezado.

Os que assim procedem, caem no juízo da parte do Senhor.

Daí, temos que sempre buscar freiar os maus sentimentos quando já nascem em nosso coração.

Porque a nossa reforma se dá sempre "de dentro para fora".

Não basta a justiça exterior, de aparência, pois esta é a justiça do escriba e do fariseu.

E o reino é alegria, paz e justiça no Espírito Santo.


Actio:

Seja pronto para ouvir, tardio para falar, e mais tardio ainda para se irar (S. Tiago). Não deixe o sol se por sobre sua ira (Paulo).


Oratio:

Senhor. Se em algum momento pecamos contra nosso próximo ou contra ti neste aspecto, pedimos que nos perdoe, e guarde os nossos corações em tua presença. Em teu nome que oramos, amém.