sexta-feira, 1 de julho de 2011

Reconciliar-se antes de cultuar


Lectio:

Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,

Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta.

Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão.

Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.



Meditatio:

O único momento em que Jesus, de certa forma, determina que paremos o nosso culto a Deus, é para nos reconciliarmos com nossos irmãos.

John Stott "transliterou" tal texto para nossos tempos nos seguintes termos:

"Se você estiver na igreja, no meio de um culto de adoração, e de repente se lembrar de que seu irmão tem um ressentimento contra você, saida da igreja imediatamente e vá fazer as pazes com ele. Procure seu irmão e lhe peça perdão. Primeiro vá, depois venha. Primeiro vá reconciliar-se com seu irmão, depois venha e ofereça sua adoração a Deus".

Talvez seja possível discordar de John Stott, mas sabemos que "no que depender de nós, devemos ter paz com todos".

Nem sempre as pessoas irão aceitar nosso pedido de reconciliação; entretanto, cabe ao discípulo, "humilde de espírito e manso", buscá-la.

"De maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil". É uma passagem de difícil interpretação. A Igreja Romana entende que aqui está a fundamentação da doutrina do purgatório.

Cristãos protestantes e ortodoxos não crêem em purgatório, e, no meu sentir, com razão.

Mas penso que faremos bem em imaginar que, se tivermos algumas "pendências" com outros irmãos em Cristo, principalmente pendências no que se refere a reconciliação, estas terão que ser resolvidas diante do Senhor. Não vai dar pra "jogar pra debaixo do tapete..."

Actio:

Examine-se no sentido de saber se não há alguma pendência entre ti e teu irmão, se não há a necessidade de reconciliação. Antigamente, e ainda hoje, em muitas igrejas, antes da participação comunitária da santa ceia, existe um período em que os ministros incentivam à reconciliação mútua.

Uma antiga obra, "Didaque", determina que não participe da ceia irmãos que recusam-se a reconciliação, pois, somos embaixadores, que, em nome de Cristo, exortam o mundo para que se reconcilie com Deus.

Que isso não seja um peso para nós. Mas sim uma conscientização de que devemos sempre ser rapidos em buscar a reconciliação.