segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Comunhão cristã no pensamento de Dietrich Bonhoeffer


Quando o nazismo assumiu o poder na Alemanha, Bonhoeffer pastoreava uma igreja na Inglaterra, entretanto, fez questão de voltar à sua terra natal. Fundou uma comunidade da igreja confessante, aquela que não aderiu à doutrina nazista. Foi tal comunidade que inspirou o livro “Vida em Comunhão”, em que o autor compartilha um pouco de suas reflexões.


No trecho abaixo, o autor nos adverte da necessidade de dependermos graça do Senhor para formarmos uma comunidade, e não dos nossos próprios ideais do que seja uma verdadeira comunhão cristã:

“Numerosas vezes, toda uma comunhão cristã faliu porque vivia de um ideal. Justamente o cristão sério, aquele que pela primeira vez entra em contato com uma comunhão de vida cristã, muitas vezes trará consigo uma determinada imagem do tipo de vida em comum cristã e se empenhará em colocá-la em prática. No entanto, é a graça de Deus que logo levará tais sonhos ao fracasso. A grande decepção com os outros, com os cristãos em geral e, se correr tudo bem, também conosco mesmos, precisa nos vencer, tão certo como Deus que nos levar ao conhecimento da verdadeira comunhão cristã. Em sua imensa graça, Deus não permite que vivamos, nem por poucas semanas, em um sonho que nos entreguemos àquelas experiências embriagadoras e a essa euforia que nos assalta como um êxtase. Pois Deus não é o Deus das emoções, mas da verdade. Somente a comunhão que passa pela grande decepção, com seus maus e desagradáveis aspectos, começa a ser o que ela deve ser diante de Deus, começa a apossar-se na fé da promessa recebida. Quanto mais cedo a pessoa e a comunidade passarem por esta decepção, melhor será para ambas. Uma comunhão que não suporte e não sobreviva a uma tal decepção, que se agarre a seu ideal quando ele é para ser destruído, perde na mesma hora a promessa da comunhão duradoura, e desmanchará mais cedo ou mais tarde. Qualquer ideal humano, introduzido na comunhão cristã, impede a comunhão autentica e precisa ser destruído, para que a autêntica comunhão possa existir. A pessoa que mais ama mais seu sonho de uma comunhão cristã do que a própria comunhão cristã, destruirá qualquer comunhão cristã, mesmo que pessoalmente essa pessoa seja honesta, séria e abnegada”. (in Vida em Comunhão, p. 17, editora Sinodal).

Ou seja, a comunhão cristã é fruto da graça de Deus, e não a projeção de um ideal humano. É necessário sempre se lembrar disso ao buscarmos edificar uma comunidade cristã, a fim de que não sucumbamos a determinados métodos como fins em si mesmos, caso contrário, tal comunhão redundará em fracasso.

Comunhão cristã
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