terça-feira, 23 de julho de 2013

Sobre o conhecimento de Deus: Revelação

"E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem tu enviaste" (João 17.33).

A vida eterna é conhecimento. Conhecimento de Deus e de Jesus Cristo. Mas a que tipo de conhecimento se está a referir? Afinal de contas, Jesus não está presente fisicamente em nosso meio, muito menos Deus, o Paí.


Para entendermos a que tipo de conhecimento se refere, precisamos compreender que este conhecimento depende de uma revelação por parte de Deus. É preciso entender um pouco da teologia bíblica, propriamente dita.

Deus, na concepção cristã, não se confunde com a natureza que Ele criou. Ele sustenta ela, e está acima dela. Posso admirar a grandeza de Deus pela natureza, e ela até revela o conhecimento de Deus (Salmo 19) mas ela não é Deus em si. C. S. Lewis, em seu livro "Cristianismo Puro e Simples" nos dá uma metáfora muito bonita, no sentido de que, se nós analisarmos uma bela casa, poderemos ter uma boa noção da capacidade do arquiteto, mas não conheceremos o arquiteto daquela casa. Assim também, quando analisamos os universo, podemos ter uma vaga ideia da Pessoa que o arquitetou, mas é só isso.

Por isso, se quisermos realmente conhecer a Deus, é preciso que este mesmo Deus se revele até nós, que ele, de certa forma, se faça perceber em nossa existência. J. I. Packer, em sua obra, "O conhecimento de Deus", nos ensina que depende muito mais Deus se fazer conhecido do que nós o conhecermos. Ele nos dá o seguinte exemplo: se quiséssemos conhecer pessoalmente a rainha da Inglaterra, este conhecimento está muito mais condicionado a ela permitir que você a conheça neste relacionamento. Com Deus, isto é ainda mais verdadeiro.

Portanto, conhecer a Deus depende primeiramente de um ato de revelação do próprio Deus. O evangelho trata deste tema em uma de suas passagens, como por exemplo, em Mateus 11.27, quando diz:

Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Vejam. Aquele a quem o Filho o quiser "revelar".

Quando escreve aos cristãos coríntios, Paulo, ao contrastar a sabedoria do mundo com a sabedoria que vem de Deus, também trata da questão da revelação de Deus:

...mas está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito, porque o Espírito prescruta todas as cousas, até mesmo as profundezas de Deus (I Co 2.9-10).

Quando Paulo ora pelos cristãos de Éfeso, ele diz:

...não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações; para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele (Efésios 1.16-17)

Muitas outras passagens poderiam ser mencionadas, mas estas já são suficientes para percebermos que, conhecer a Deus depende de um ato de revelação da parte d'Ele. Por isso, se quisermos conhecer ainda mais a Deus, precisamos utilizar de todos os meios, aplicar toda a nossa inteligência para nos aprofundar neste conhecimento, mas sabedores de que Ele tomou a iniciativa, e que, todo o esforço humano sem esta auto revelação de Deus não seria suficiente para conhecê-lo. Devemos nos dirigir a Ele em oração, e pedir em favor de nós mesmos e de uns para com os outros que o Senhor se revele ainda mais para conosco. Essa é a busca do verdadeiro discípulo, que quer conhecer ainda mais ao seu Deus. Conhecer e prosseguir neste conhecimento (Oséias), 

Outras perguntas podem ser feitas a partir da constatação de que o conhecimento de Deus depende de sua auto revelação, como por exemplo: como saber se Deus se revelou a mim? Ele se revela a todos, ou somente a um grupo de eleitos? Posso tentar me aproximar, por iniciativa própria, deste conhecimento de Deus? Como aprofundar este conhecimento em relação a Ele? Em próximas postagens, vamos meditar em algumas destas questões.