quarta-feira, 23 de outubro de 2013

É o arminianismo antropocêntrico?

Armínius


O arminianismo ficou conhecido como o conceito teológico que não aceita o dogma calvinista de que Deus predestinou os eleitos para a salvação e deixou que todos os demais seguissem o seu curso natural para a perdição. Ou seja, os arminianos creem que é possível rejeitar a graça de Deus, que a eleição é um conceito mais corporativo que individual, e que o amor de Deus é para todos, e não somente para um grupo de eleitos.

A acusação então que se faz contra a teologia arminiana é que ela é antropocêntrica, ou seja, centrada no homem, pois é este em última instância que "decidirá" se será salvo ou não.

De fato, o arminianismo confere alguma participação humana no que concerne a salvação, daí, muitos o acusarem de semi-pelagianismo (acusação esta que discordamos, pois tal concepção indica que primeiro o homem tem que dar "um passo para Deus" para que este possa vir ao seu encontro, e Armínio nunca ensinou isso). Mas daí a dizer que o arminianismo é antropocêntrico, são coisas muito diferentes.

Na verdade, é uma concepção teológica, e não antropológica que move o arminianismo. É a concepção do próprio Deus que leva os arminianos a rejeitarem os argumentos do calvinismo rígido. E esta concepção teológica arminiana é bastante bíblica e fundamentada nas Escrituras. Os arminianos, juntamente com os escritores bíblicos dizem que Deus é amor (1 João 4.16), e que Ele amou o mundo (João 3.16), que Deus não faz acepção de pessoas (Romanos 2.11), que Jesus é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente os nossos mas de todo o mundo (I João 2.2), que a graça de Deus se mostrou salvadora a todos os homens (Tito 2.11) e que Deus quer que todos sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1 Timóteo 2.4). Ou seja, podemos verificar que todas estas passagens dizem respeito ao caráter, ao ser de Deus, e não ao homem. Daí, não procede a acusação de que o arminianismo seja completamente antropológico, pois sua teologia também está fundamentada em uma sólida teologia bíblica.

A própria teologia calvinista pode ser acusada de ter uma grande parcela antropocêntrica, dependendo do ângulo que se olhe, ainda que em uma antropologia completamente negativa e pessimista quanto a natureza humana. Na verdade, a antropologia calvinista e arminiana são praticamente equiparáveis, havendo diferenças inconciliáveis no que se refere a resposta humana que pode ou não ser dada à graça de Deus (calvinistas acreditam que a graça é irresistível, enquanto que os arminianos, não).

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