sábado, 21 de dezembro de 2013

Lidando com a traição

Um obreiro, um discípulo do Senhor precisa aprender a lidar com a traição.

Assim como o seu Senhor foi traído, não espere o seu discípulo que algo parecido não possa ocorrer com ele também.

Aconteceu com Paulo, com Policarpo, com diversos apóstolos e missionários da fé cristã.

Há um aspecto do caráter cristão que somente aprendemos quando passamos por certos dissabores, e o momento em que mais nos identificamos com Cristo é quando sofremos em silêncio, como ovelhas indo para o matadouro. É quando sofremos injustamente e não revidamos. É quando tínhamos todas as condições de nos vingar, e ainda assim nos aquietamos. Temos o mandamento de nosso Senhor de não revidar, pois a Ele pertence qualquer tipo de vingança.

O que fazer com a dor? Colocá-la diante do Senhor. Virar a página. Não ficar remoendo. Desfocar. Nada há de errado também em fazer o ofensor saber que te ofendeu (na verdade, isto também é uma obrigação), embora, nem sempre ele irá admitir ou se arrepender. Se possível, também não há nada de errado em buscar fazer com que cesse a ofensa. Se alguém puder fazer cessar a agressão, creio que deverá faze-lo. Uma coisa é fundamental: nunca mendigue o amor de ninguém. Isso iria contra a sua dignidade. É melhor, as vezes, uma separação rápida do que ficar clamando por clemência.
 
Algumas pessoas acham que o sinal máximo de identificação com o Mestre é quando se expressa poder. Mas não é verdade. Há muitos que expressarão poder, seja de profetizar, curar e expulsar demônios mas que não entrarão no Reino. O sofrer injustamente, e sem murmuração, é sim um sinal de identificação, pois nos foi dado não somente o crer, mas também o padecer por ele. Não é fácil, nem nunca será. As lágrimas irão rolar, obviamente, mas o Espírito Santo é consolador. Tão somente se deve atentar para não cair em tentação, e reagir de um modo que o Senhor não reagiria.

Chegará o dia, então, da ressurreição. Em que toda a lágrima e toda a dor será enxugada. Será o raiar de um novo dia. As cicatrizes continuarão ali, para te fazerem lembrar o quanto você sofreu, mas também para te dar uma dimensão da tua vitória.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bom dia Carlos Seino,
Sempre lembro-me da passagem em que Tiago e João queriam fazer descer fogo do céu para consumir uma comunidade que não quis receber a eles e a Jesus. Cristo os repreende dizendo: "Não sabeis de que espirito sóis".
É uma grande tentação queremos o poder, a glória, mostrar grandes prodígios, arrasar os "inimigos" mas sem vivermos o calvário e a cruz de Nosso Senhor e sem a noção de que Jesus veio para a salvação e não para a perdição. É muito tentador em tudo queremos ser imitadores de Cristo, menos no calvário e na cruz.
Obrigada pelos belíssimos e riquíssimos textos com que nos presenteou durante este ano.
Desejo a você a a sua família um feliz e santo Natal e um ano novo cheio da presença de Deus.
Paz de Cristo.
Adriana

Carlos Seino disse...

Adriana!
Como sempre, é muito bom ver seus comentários por aqui!
Muito obrigado!
Que possamos sempre olhar para o Calvário.
Feliz Natal e um ano novo muitíssimo abençoado!
Carlos

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