segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A banalização do ministério profético

É muito comum hoje em muitos cultos evangélicos (neo) pentecostais ouvirmos todo tipo de profecia: “eu profetizo a benção”, “profetizo uma semana de vitória”, “profetizo a concretização dos sonhos de Deus para sua vida”, e assim sucessivamente.

Nada contra desejar coisas boas para as pessoas, mas alguns acham que suas próprias palavras são imbuídas de um tipo de poder criador. Como se, somente pelo fato de alguém dizer alguma coisa, ou desejar alguma coisa e expressar com palavras tal coisa fosse acontecer mesmo.

Profecia vem da junção de duas palavras gregas, que, no fim, significa “contar antes”. Foram os grandes profetas, do antigo testamento, que previram muitos fatos e acontecimentos, como Isaías, Jeremias, Ezequiel, que profetizaram em um período de crise me Judá. Para nós, os cristãos, eles profetizaram também a vinda de Jesus.

No Novo Testamento, temos o profeta Ágabo, que profetizou a prisão de Paulo, e também há muitas outras profecias ditas pelo nosso Senhor Jesus Cristo ainda a se cumprirem.

O apóstolo Paulo, quando escreveu sua epístola aos coríntios tratou bastante do dom profético (dom este mencionado em todas as listas de dons do novo testamento), nos informando que tal carisma existe para exortar, instruir e consolar a igreja, e que tal dom é maior do que o dom de línguas.

Um dos monumentais aspectos do dom profético é de alguém que é a voz de Deus para com os homens. A implicância disso significa combater as pessoas injustas, lançar em seu rosto o pecado delas, como tantos profetas fizeram. Elias confrontou o rei Acabe. Hananias confrontou o rei Asa, Isaías confrontou o seu próprio povo, assim como os já citados Ezequiel e Jeremias. João Batista confrontou Herodes em seu pecado, e Jesus, confrontou os fariseus. Todos pagaram um preço muito caro por isso. Na lista dos grandes padres e pastores da igreja, creio que poderíamos incluir João Crisóstomo, Savonarola, Bonhoeffer, Luther King, entre muitos outros. A consequência do ministério profético destes homens foram perseguições e pagar com a própria vida muitas vezes.


Entretanto, nossas profecias se resumem em... “profetiza a benção para o seu irmão”, “profetizo saúde para você”, “profetizo a felicidade, a casa própria, etc...” Que tristeza! Isso não seria realmente uma banalização do verdadeiro ministério profético?