quarta-feira, 25 de março de 2015

Motivos bíblicos para nos reunirmos enquanto igreja - métodos radicais


Muitas igrejas estão utilizando métodos radicais de discipulado para angariar o crescimento e manutenção dos seus membros.

Um destes métodos é o chamado G-12 e suas variações. Um outro método é conhecido como MDA – Meu Discípulo Amado.

Esses métodos contém em si mesmo uma sistemática de trabalho bastante elaborada. Trabalham com discipulado pessoal, reuniões em células, encontros, estudos, etc.

De um modo geral, a medida que uma pessoa vai se desenvolvendo dentro do sistema, ela vai galgando posições hierárquicas. Em um dia ela é discipulada, no outro, é discipulador, líder de célula, de setor, até mesmo se tornar um pastor.

As igrejas que aplicam bem tais métodos costumam crescer rapidamente, principalmente no que se refere ao trabalho com jovens.
Isso é necessariamente ruim? Claro que não!

Discipulado é algo bíblico, e Jesus nos mandou fazer discípulos. O trabalho nas casas também é muito importante, talvez tanto quanto os encontros realizados no templo.

Eu mesmo vi muitas pessoas oriundas, seja do G-12, ou do MDA, que são pessoas maravilhosas, verdadeiros servos de Deus, gente transformada, engajada em missões e no trabalho evangelístico.

Então o que é que pode se tornar problemático nestes sistemas?

Um dos problemas pode estar relacionado ao abuso de autoridade. São sistemas hierárquicos, piramidais. A liderança, de modo geral, parte do discipulador para seus discípulos, e assim sucessivamente. O discípulo é submisso ao discipulador (que nem sempre é alguém mais preparado; só é mais experiente dentro do sistema), e este, ao seu líder. Em sistemas assim, não é muito difícil ocorrer o chamado controle da vida do outro. Nestes sistemas, parece, você está sempre submisso a alguém, que está submisso a outrem, etc.

Outro problema é que muitas vezes o próprio sistema passa a ser, ainda que tacitamente, considerado a melhor forma de aplicação do evangelho. Não estar com a mesma “visão”, nestas igrejas, é praticamente não ter a possibilidade de trabalhar (isso, quando não for considerado como rebeldia mesmo). Quando uma igreja adota este método, geralmente um grupo acaba saindo. Como tal processo será aplicado, dependerá de cada comunidade.

Uma pessoa educada em algum destes métodos pode não conseguir mais viver o evangelho fora dele. Conheci algumas pessoas que depois que saíram de igrejas que os aplicavam não queriam mais fazer parte de nenhuma comunidade.

Como tais igrejas trabalham com um sistema que se parece muito com um método de produção, tenho a sensação que a teologia geralmente é um pouco rasa. Afinal, tudo o que é ministrado já está de certo modo, pronto. Não há muita liberdade para se inovar.

Também tenho a sensação que, como tais métodos exigem muita energia de seus membros, elas acabam privilegiando o público mais jovem. Mas a igreja tem que ser composta de pessoas de todas as idades.

Eu particularmente acho muito trabalhoso aplicar quaisquer um destes métodos. Sou favorável ao discipulado e às reuniões nos lares. Creio também que alguma sistemática de trabalho é necessária. Mas acho que não pode ser muito pesada, pois é preciso espaço para a espontaneidade e para o trabalhar do Espírito.