terça-feira, 31 de março de 2015

O martírio de João Batista

O martírio de João Batista


“E, enviando logo o executor, mandou que lhe trouxessem a cabeça de João. Ele foi e o decapitou no cárcere” (Marcos 6.27).

João Batista era um profeta, anunciado no antigo testamento como aquele que prepararia o caminho do Senhor (vide Isaías 40.3 e Malaquias 3.1).

Nascido de uma família sacerdotal, foi no deserto que desenvolveu seu ministério. Após repreender Herodes por estar em um relacionamento conjugal ilícito, foi preso e encarcerado.

Herodias, um tipo de Jezabel, o odiava. Mas não podia mata-lo, pois o seu “marido”, ainda que perverso, nutria algum tipo de simpatia para com João, e o escutava de boa mente. Entretanto, por conta de uma palavra mal pensada de Herodes, aquela mulher teve sua tão aguardada chance.

O tetrarca da Galileia deu uma festa em comemoração ao seu aniversário. Chamou seus convivas. Houve um banquete. A filha de Herodias, que Flávio Josefo nos diz ser Salomé, realizou uma dança erótica que muito agradou o aniversariante. Herodes impensadamente faz uma promessa, e Salomé, orientada por sua mãe, pede a cabeça de João Batista em um prato. Herodes, por conta da promessa que fez, cumpre sua palavra e assassina João.

A cabeça do justo foi servida em um prato no banquete dos poderosos.

O que aprendemos com este relato?

Primeiramente, que precisamos deixar de lado uma certa religião popular de causa e efeito. Muitos pastores estão ensinando hoje em dia que se a pessoa cumprir determinados mandamentos e obedecer a determinados princípios, nada de mal lhe irá ocorrer, e sempre irá prosperar. Nada mais distante da verdade.

João Batista era cheio do Espírito Santo no ventre de sua mãe (Lc 1.15). Foi fiel ao seu ministério como profeta. Jesus chegou a dizer que dentre os nascidos de mulher, ninguém foi tão grande quanto ele (Mt 11.11). E ainda assim, teve um final que, humanamente falando, ninguém gostaria de ter. Morreu decapitado em uma fétida prisão, por conta da dança erótica de uma moça manipulada por sua maligna mãe, bem como pela palavra impensada de um rei maligno. E este também foi o fim de muitos profetas que defenderam a verdade diante dos poderes deste mundo, como Isaías, Jeremias, Ezequiel. Elias também foi muito perseguido por Acabe e Jezabel. Também o nosso Senhor, e Tiago, Estevão, os demais apóstolos, Policarpo, Irineu, entre tantos outros mártires.

Em segundo lugar, aprendemos que todos aqueles que quiserem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições (2 Tim 3.12). Sempre nos alegramos pelo fato de termos uma liberdade de religião que não há em outros países. Entretanto, pequenos focos de perseguição podem ser vistos aqui e acolá, quando alguém defende sua fé no ambiente escolar, familiar, entre os amigos ou em outras ocasiões. Além do que, a ausência de perseguição deve sempre ser um alerta no sentido de nos perguntarmos se realmente estamos vivendo piamente a Cristo Jesus.

Em terceiro lugar, a história de João Batista é um alerta de que sempre devemos procurar nos lembrar daqueles que padecem perseguições e sofrem maus tratos (Hebreus 13.3). Precisamos nos lembrar dos que sofrem nas mãos de militantes islâmicos fanáticos, como os do ISIS ou do Boko Haram. Também temos que nos lembrar dos que padecem na Coreia do Norte e outros países que não permitem a livre difusão do evangelho. Temos que estar ao lado de todos os que padecem injustiças e perseguições em todos os lugares, independente de suas religiões. Podemos orar, contribuir ou mesmo ir até tais localidades.

E finalmente, a história de João Batista deve ser sempre um desafio ao autoexame. Temos que nos perguntar: e se fosse conosco? Permaneceríamos fiéis se fôssemos ameaçados com a morte? Precisamos fazer este autoexame, e ter sempre a morte diante de nossos olhos.

Podemos nos consolar e alegrar com as palavras do nosso mestre, de que, bem aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus (Mateus 5.10-12). Que sobre os perseguidos por amor a Cristo repousa o Espírito da glória de Deus (Hebreus 11.35). Que a última palavra vem sempre do Senhor, e que os santos mártires de Deus, que passaram por um verdadeiro batismo de sangue, se alegrarão à mesa com Abrãao, Isaque, Jacó, os apóstolos, e todos os amados de Deus. Que o Senhor nos ajude a permanecermos fiéis ao nosso chamado. 

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