segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Padre católico pede desligamento da igreja e funda seu próprio ministério



É algo um pouco raro de acontecer, mas acontece.

Um padre católico, Ronaldo Melo, sob a desculpa de que queria mais liberdade para celebrar suas liturgias, pediu desligamento da igreja católica e fundou uma nova igreja, a Igreja Católica Apostólica da Fé.

Não foi por discussões doutrinárias, insubordinação, nada disso. Foi apenas desejo de liberdade para falar.

A desculpa de que gostaria de falar com liberdade não me convence muito, afinal, se ele mantém praticamente a mesma liturgia, não há nada que o impediria de falar com liberdade e continuar fazendo parte da Igreja Católica Apostólica Romana.

Entretanto, no catolicismo, ninguém pode sair e fundar uma outra igreja católica, e continuar católico apostólico romano, diferente do protestantismo. Um pastor pode fundar uma outra igreja e continuar protestante, ou seja, fazendo parte da mesma religião. No catolicismo não é assim, penso eu. Por isso o bispo católico da região de Guaxupé proibiu os fiéis de frequentarem as missas promovidas pelo padre dissidente. Entretanto, o fiel católico, de modo geral, nem liga para tais proibições.

Acredito que essa seja uma das preocupações de uma instituição religiosa. Quando surge algum sacerdote carismático, que arregimenta grande povo, mas que, por um ou outro motivo, resolve sair. Geralmente leva muita gente consigo. Isso tem ocorrido em todas as denominações. Acho um pouco ruim isso, pois geralmente essas pessoas começam suas carreiras em instituições já consolidadas, recebendo alguma estrutura e apoio (claro que isso depende de denominação para denominação), mas acabam saindo, levando pessoas e recursos consigo.

De qualquer modo, sempre foi e sempre será tensa essa relação entre carisma e instituição. Como o referido sacerdote não é bispo, e caso queira conservar a teologia católica, não poderá ordenar outros sacerdotes. Caso ele não ligue para isso, ainda que inadvertidamente, já estará inserido, penso eu, em um tipo de protestantismo.

Com informações de Globo.com