quinta-feira, 26 de outubro de 2017

E os que fracassaram?...


Tem sido a igreja espaço para os desafortunados e sobrecarregados, para os tristes e derrotados, para os pequenos e fracassados?

Ou será que tais pessoas se sentiriam envergonhados em nossos grupos? Com isso, não digo que nosso discurso não vise atrair este tipo de gente, que anda meio triste e desesperada, fracassada e derrotada. Não. Temos um discurso forte para atrair estes.

O questionamento que aqui se faz é como lidamos com cristãos, gente que está neste negócio de cristianismo faz tempo, e ainda assim fracassa.

Lembrei-me de muitos testemunhos em que se ouve nas igrejas; gente que prosperou materialmente, gente que tem se dado bem na família, gente que por causa destes testemunhos é efusivamente aplaudida e Deus glorificado.

E isto pode acabar criando uma cultura do fingimento. Gente que está fingindo que está tudo bem para não chamar muito a atenção dos irmãos.

Mas e aqueles que passam por momentos terríveis em suas vidas? Gente que por um ou outro motivo, fracassa? Gente que não conseguiu o emprego esperado, o carro do ano, a casa própria, gente que se divorcia? Estão estes se sentido a vontade em nosso meio? Ou por não terem uma "história de vitória" acabam se afastando?

Há um triunfalismo muito perigoso tomando conta de nossas igrejas. Uma ideia de que inexoravelmente a benção signifique prosperidade e sucesso em todas as áreas da vida. E tem gente que está se sentindo culpada, triste, por não conseguir sempre o que se proclama dos púlpitos das igrejas.

Foi num momento de muita tristeza e dor que Jó era aprovado por Deus. E em momento de certo triunfo, que Davi vacilava...

Mas Jesus é o Deus de consolo aos que são derrotados. E na derrota talvez esteja a benção de Deus também. E precisamos tentar construir espaços e relações em que as pessoas possam falar, não somente de seus triunfos, mas também dos supostos fracassos. Que possamos levar os fardos uns dos outros.