Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Olhos simples

"Mesmo depois que Deus abriu os olhos de nosso entendimento, e algo buscarmos ou desejarmos fora de Deus, como se obscurece desde logo nosso estulto coração! Então, outra vez descem as névoas sobre nossas almas. Dúvidas e trevas outra vez nos assaltam. Balançamo-nos em evanços e recuos e não sabemos que fazer, ou qual a estrada que devemos seguir".

"Mas se teus olhos forem maus, todo o teu corpo ficará às escura". "Se teus olhos forem maus": vemos que não há meio termo entre olhos simples e olhos maus. Se teus olhos não forem simples, então eles serão maus. Se a intenção em tudo que fizermos não for unicamente para Deus, se outra coisa buscarmos alhures, então nossa mente e nossa consciência se acham poluídas".

(WESLEY, Jonh. Sermão XXVIII. Sobre o Sermão do Monte in Sermões de Wesley. 2º volume. Imprensa Metodista, p. 46)

Wesley pregou e viveu, segundo os seus biógrafos, a doutrina da santificação total do cristão, qual seja, a total derrota do mal em nossas vidas.

Para tanto, o fiel deve ter olhos simples, que seriam o buscar de Deus, em Cristo Jesus, em todas as obras que fizesse. Viver de tal modo na presença de Deus que não buscasse outra coisa que não fosse o próprio Cristo, sua glória e o estabelecimento de seu senhorio em tudo.

Se, em algo que o cristão operasse, outra fosse a intenção que não fosse o próprio Cristo, por mais aparentemente boa que tal obra fosse aos olhos das pessoas, ainda assim não seria uma obra genuinamente cristã, ou virtuosa.

Isto porque, para que uma obra seja verdadeiramente virtuosa diante de Deus, há de existir pelo menos dois elementos: um elemento subjetivo, que é a intenção em si, e um elemento objeto, que é a obra em si.

Uma obra objetivamente virtuosa, certamente poderá ter uma um efeito social benéfico, como a daquele que dá esmolas para se vangloriar diante dos homens, mas diante de Deus não terá virtude nenhuma para tal "obreiro", pois tal filantropo o fez somente para "aparecer", conforme dito popular.

Daí, ser preciso sempre fazer uma reflexão sobre si mesmo para se auto-examinar que tipo de fonte está a jorrar de nossos corações ao operar tal e qual coisa. Se, em tudo, buscamos realmente o Cristo, Deus, se nossa obra é abnegada, ou se é somente uma extensão do nosso próprio egoísmo e desejo de aparecer.

Ter olhos puros, é buscar o Cristo em tudo o quanto fizermos. Não deixarmos nenhuma área de nossas vidas fora desta bendita alegria que é estar em comunhão com ele, recebendo esta paz que o mundo não dá, mas somente ele dá. É cultivar o fruto do Espírito para que ele cresça em nós em seus diversos "cachos" (alegria, paz, bondandade, longanimidade, benignidade, mansidão, domínimo próprio...), e superabundar em toda boa obra, não para querer algo em troca, ainda que seja a salvação, mas sim por reconhecer que todas as coisas boas, que o melhor de Deus, já me foi dado em Cristo Jesus.

Todas estas obras religiosas em que muitas igrejas apregoam para que o fiel busque a si mesmo, seja em qualquer área que for, não são boas obras religiosas, pois ali, não se busca em primeiro e último lugar, o próprio Deus, mas busca-se a si próprio.

Mas foi o próprio bendito Salvador que advertiu que, bastava buscar primeiro o reino para que todas as outras coisas fossem acrescentadas.

Estes, buscam primeiros as outras coisas, e o Reino não chega nunca.

Isto porque, não buscam o Cristo em primeiro lugar.

E, dos dez leprosos curados, ainda hoje, somente um volta para agradecer...

Isto porque, ainda não têm simplicidade no olhar...

Mas há um outro aspecto ainda de tal simplicidade que quero abordar.

É entender que, para ter tal simplicidade, não obstante conhecer o ensino de Cristo sobre tais coisas, ainda assim, não me colocar como juiz diante das intenções alheias.

Pois o único que conhece os corações e a real intenção do coração é Deus.

Neste sentido, para o cristão virtuoso, a simplicidade no olhar também significará buscar vislumbrar o seu semelhante com simplicidade e com amor (ainda que não com ingenuidade, pois são coisas diferentes).

Buscando, ainda que uma "pitada", um "tequinho" de Jesus em todas as pessoas, pois ele é a luz que ilumina a todos os homens.

A amá-las como Cristo as amou. A tratá-las como Cristo as trataria. Ser benigno é não causar tristeza desnecessária ao meu próximo, é "não fazer perecer por causa do alimento" ou por qualquer outra coisa, aquele por quem Cristo morreu e ressuscitou. É tratar com brandura e mansidão ao meu próximo, a não ser que Deus nos dirija de modo contrário.

Que o Senhor nos ajude a ter tais olhos simples a ponto de buscá-lo em todas as coisas de nossa vida. Amém.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009





MARASCHIN: 1929-2009


Jaci Maraschin nasceu no dia 12 de dezembro de 1929 em Bagé, RS. Estudou regência musical e o pré-teológico no Instituto José Manuel da Conceição, em Jandira, São Paulo.


Em 1951 ingressou no Seminário Teológico de Porto Alegre tendo concluído o curso de teologia em 30 de novembro de 1953, data de sua ordenação diaconal.E, em 2 de agosto de 1954, seria ordenado ao presbiterado.


Cursou Filosofia (bacharelado e licenciatura), USP, SP e Teologia (bacharelado - Porto Alegre, mestrado - Nova Iorque, e doutorado - Estrasburgo).


Algumas das obras publicadas:


MÚSICA: O novo canto da terra; A celebração da Vida; Brazilian Songs of Worship; A canção do Senhor em terra brasileira;


TEOLOGIA: O espelho e a transparência; Igreja a gente vive; e A beleza da Santidade.


POEMAS: Rastro de São Mateus. Foi membro da Comissão de Liturgia e Música da 7ª Assembléia Geral do Conselho Mundial de Igrejas, Canberra, Austrália, 1991.


E, diversas traduções.


Foi co-fundador do Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo.


Foi co-fundador e professor Seminário, Instituto Anglicano de Estudos Teológicos- IAET, núcleo complementar de estudos de disciplinas anglicanas para estudantes de teologia que se preparam para receber o grau de bacharel em Teologia.


Coordenou os Simpósios Anglicanos do IAET 2004-2007. Proferiu várias comunicações: 1. Identidade e Missão (2004); 2. Formas pós-modernas de expressão estética (2004); Liturgia e estética: diversidade e poder (2004); Metodologia Teológica Anglicana (2006), entre outras.


Fundou e foi um dos principais líderes da Comunidade da Libertação em São Paulo, SP.


Colaborou pastoralmente em diversas comunidades da DASP: Paróquia de Todos os Santos, Paróquia de São João, Missão da Santa Cruz, Missão de Santo André (Campinas).


Em 2004, o Centro de Estudos Anglicanos - dedicou-lhe um número em homenagem aos 50 anos de seu Ministério Ordenado. Onde encontra-se a mais completa biografia de nosso querido Mestre e amigo Maraschin.


Faleceu em 29 de junho de 2009. Maraschin deixa esposa Ana Dulce Pithan, filhas: Ana Isabela e Rosa Maria, e quatro netos.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

minha apologia ao bom protestantismo VII - O exemplo que nos foi legado por Wesley


Quando os remonstratenses expulsos da terra natal pelos calvinistas instalaram-se em Albion, mal sabiam eles que a providência lhes reservava uma grande missão que era a de dar espaço no seio do protestantismo - então dominado pelo calvinismo - a doutrina da liberdade.




Do ponto de vista da 'ortodoxia' calvinítica esta segunda reformação não passou duma funesta apostasia e do ponto de visto dos ortodoxos e romanos, a razão parece assistir aos calvinistas.




Pois não há como conciliar as teorias da depravação total e do solla gratia com a teoria da liberdade.




Desde de que se admite a liberdade para que o homem abandonar o pecado, servir a Cristo e colaborar com ele já não há depravação total, mas apenas ou tão somente depravação parcial.




Tal o ensinamento de nossos teoforos e padres segundo os quais a natureza humana foi ferida mas não destruida e segundo os quais a vontade humana foi enfraquecida e não aniquilada.




Por aderir ao mal e pecar não deixou de ser homem para converter-se numa pedra ou num pedaço de madeira.




Pois o poder dos Eões das trevas não pode ser superior ao poder da Santa e perfeita Trindade.




Por isso o home é capaz de discernir, de decidir e de colaborar com a obra da restauração.




É capaz de discernir porque Jesus Cristo disse: Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.




É capaz de decidir porque Jesus Cristo disse: Aquele que age conforme a verdade se aproxima da luz.




É capaz de colaborar porque Jesus Cristo disse: Como uma galinha que recebe os pintinhos sob suas asas quiz receber-vos, mas não o quizestes.




E também: Eis que estou a porta e bato, SE ME ABRIRES, entrarei e cearei, eu contigo e tu comigo.




E se o homem não abrir a porta de seu coração para Cristo, Cristo, tendo feito o homem livre, respeita sua liberdade e não entra.




Por isso tal homem é torna-se o único responsavel e culpado por seu estado pecaminoso.




E o Deus Santo fica plenamente justificado.




Por outro lados se se admite com Agostinho que a conversão é obra da graça e não da adesão livre do homem conforme ensinaram Clemente, Tertuliano, Irineu, Clemente de Alexandria, Origenes, Eusébio, Vicente, Genádio, Fausto, e todos os Padres santos nossos senhores e mestres deve-se admitir por consequência que tal graça é concedida a alguns e denegada a outros.




Donde se segue que Deus é autor tanto da graça quanto da desgraça.




Que tanto lhe agrada que alguns observem seus estatutos, deixem de pecar, vivam segundo o amor e obtenham a salvação de suas almas quanto lhes agrada igualmente que outros - quiça a grande maioria - violem seus estatutos, pequem, vivam sob o jugo do ódio, percam a salvação e sejam punidos por toda a eternidade sem terem tido chance alguma...




Entretanto o calvinismo para ser coerente foi obrigado a admitir que nem mesmos os predestinados são capazes de cooperar com o Deus Santo e de viver uma vida santa, afirmando positivamente que Deus pode ter presdestinado um pecador notório e escandaloso para o céu e um homem, digamos, mais discreto, para o inferno, sob a alegação de que a salvação não pode ser merecida...




Assim tendo em vista a negação do mérito afirmaram a predestinação dos ímpios e dissolutos para a vida eterna lançando as bases duma religiosidade imoral e vã.




E como a predestinação independe do próprio Batismo alguns calvinistas, levando suas crenças as últimas consequências chegaram a conclusão de que tal ordenança é igualmente vã.




O que salta a vista dentro deste sistema pretensamente Cristão é que a doçura de tal doutrina para os eleitos não passa de travo amargo nas bocas dos milhões e milhões de regeitados pelo deus de Calvino.




O mesmo Deus que é bom, generoso, magnanimo, misericordioso, etc para os pequeno grupo de escolhidos é igualmente mau, mesquinho, implacavel e vingativo para com o restante dos seres humanos, ou seja, para com aqueles que não escolheu e recusou-se a dar uma simples chance.




Pode o Deus calvinista ser tudo quanto os calvinistas desejem: justo, poderoso, grande, temivel, etc Pode ser tudo isto e muito mais...




Entretanto uma coisa o deus de Calvino jamais será: O Pai revelado por Jesus Cristo e aquele sobre o qual disse o apóstolo: é Amor.




Pois no Pai todos sabemos não há límites, não há mesquinhez, não há sadismo...




Pois o Pai é aquele que ama sem límites.




Não é aquele que se recusa em salvar este ou aquele porque o número de seus prediletos já se esgotou, mas aquele que chama, busca, reune e envia o Filho para que este, erguido no madeiro atraia todos a sí.




Não o mandou para que atraia meia dúzia de predestinados mas para que atraia todos os seres humanos, a humanidade toda ou ao menos todos os que desejam fazer paz com ele e viver santamente.




Pois se cria-se seres para o pecado e a perdição ou permitisse que tais seres viessem a existência sem dar-lhes ao menos uma chance seria ele mesmo o autor do pecado e da perdição.




Lutero ao mesno foi cinsero quando admitiu ser deus um Ser Bom e Mau e quando escreveu em seu "Comm ao Genesis" que o Criador deste universo é o deus do mau, tendo em vista o dogma da presdetinação positiva para o mal, o qual faz de Deus necessariamente um ser ímpio.




Deus não pode desejar senão o bem maior, que é a posse de si mesmo para todos os seres que produziu.




Caso o número de seus amados tivesse limite ele evidentemente poria um fim a produção ou a multiplicação das criaturas para que nenhuma delas fosse regeitada.




Podendo ele não criar ou impedir o surgimento de novos seres não tem necessidade alguma de criar seres para a perdição, ao menos que a tais seres fosse concedida alguma oportunidade.




Entretanto o deus calvinista não concede oportunidade alguma ao excedente que permitiu que viesse a luz. Donde se conclui que esse deus é o responsavel pela desgraça de tais seres, uma vez que decidiu por eles.




Neste caso o deus calvinista melhor faria em destruir as sobras ou seja o excedente de criaturas que não pode e não quer amar e cujo convivio recusou. Aqui ainda haveria alguma justiça senão misericórdia.




Entretanto o deus calvinista não pode perdoar ou desculpar nem mesmo aqueles que não tendo tido a oportunidade de decidir livremente não tem culpa alguma, com culpa ou sem culpa remete-os as chamas do inferno com chamas, enxofre, vermes e tudo mais.




Se existem alguma culpa tais seres devem ter. Vai ver que tal culpa é pura e simplesmente existir.




Entretanto, repetimos, quem trouxe tais crituras a luz como primeiro motor e causa primaria de todos os seres foi ele... O qual poderia não te-las criado ou evitado que surgissem...




Pois só ele Deus é Ser necessário e todos os outros contigentes.




Nem a existência, nem a regeição, nem a punição de tais seres é extritamente necessária.




Livre do fato Deus sempre poderia não te-los criado, te-los amado ou te-los feito regressar ao nada.




Tal a manobra dos calvinistas que alegando estimar e glorificar a graça descaracterizam e ultrajam o autor da graça ou seja aquele que é infinitamente maior que a graça.




Subvertem cegamente toda a econômia espiritual pois atingem a natureza e o cárater daquele Deus verdadeiro, revelado por Jesus Cristo como Pai, apresentando-o como tirâno ou verdugo do universo.




Com a desculpa de atribuirem tudo a graça e nada ao homem, fazem o Deus Santo autor do pecado, da desobediência e da desgraça perpetrando o mais terrivel dos sacrilégios imaginaveis.




Não eles não glorificam a graça na medida que a convertem em desgraça para a grande maioria dos mortais ou apresentam uma graça mágico/fetichista que é incapaz de capacitar o homem para a prática do bem. Eles maldizem a graça e ao autor da graça e ensinam a humanidade a blasfemar.




Eles subvertem a econômia da criação e tornam-na sem sentido.




Porquanto fomos instruidos que todos os seres foram chamados a luz da existência para participarem das maravilhosas riquezas existentes no ser divino e para viverem irmanados sob a lei perpétua do amor e do bem.




Jamais fomos ensinados pelos apóstolos, mártires e padres que o Deus bom, generoso, clemente, magnanimo, excelente, misericordioso, perfeito, amante e amigo de todos os seres tenha produzido um só ser para o mal, o pecado, a morte e a perdição. Antes fomos ensinados que tendo aparecido entre nós a enfermidade do pecado, baixou ele a terra sob forma humana, como médico de nossas almas trazendo o remédio do amor e o elixir da divina graça.




Fomos ensinados que Jesus Cristo imolou-se por amor, tendo em vista o beneficio e a redenção de todos, conforme toda criação para ele foi feita para nele ser restaurada.




Pois a imagem e semelhança do Senhor não poderia ser abandonada a eterna vergonha sem que o original ou protótipo fosse envergonhado também.




Tendo conhecimento de todas estas coisas o grande Wesley instruiu seus cooperadores para que puzessem de lado quaisquer ensinos sobre predestinação.




A tomada de tal posição da parte deste santo homem fez levantar grande clamor dentre os filhos de Calvino, a ponto de Whatefield e Lady Huntington romperem com ele.




Pois tanto um quanto outro encaravam a presdestinação para o pecado e a morte como os ministros reunidos em Dordrecht, como dogma de fé sacratíssimo, irrevogavel e pertencente mesmo a essência da doutrina Cristã. Alguns chegaram a dizer que a predestinação constituia o mistério central do sistema revelado por Cristo...




Wesley sempre manteve a serenidade de espírito e o ânimo jovial, Whatedield e os seus entretanto teceram diversas acusações contra o patriarca do metodismo e chegaram a insulta-lo inclusive, talvez porque, como dizia o velho Castellion, tenham sido predestinados a isso...




Alguns dos amigos de Whatefield tomaram a cabo resistir em face de Wesley e altercar com ele.




Com toda paciência Wesley deu ouvido a suas exortações e procurou demonstra-lhe pelas escrituras - de certo recorrendo aos Evangelhos - que estavam equivocados ou que tais interpretações e teorias não eram essenciais a mensagem, entretanto nenhuma de suas estratégias surtiu efeito.




Alguns dos predestinacionistas disseram a Wesley que profetizariam contra ele e o denunciariam como falso profeta e mestre ímpio de porta em porta e que não haveria paz para ele até que se submetesse ao que criam ser a medula da ortodoxia.




E de fato puzeram-se a urdir estorinhas e calunias e a ultrajar sua reputação.




Porque lendo pela cartilha de Maquiavel os 'ortodoxos' julgavam que os fins justificam todos os meios: a calúnia, a espada, a pressão psicologica, etc




Tendo chegado as coisas a este ponto Wesley chegou a uma conclusão que viria a nortear seus passos pelo resto da vida.




Percebeu Wesley algo de muito importante: que nem todas as teorias e doutrinas professadas pelas pessoas são neutras ou inócuas, mas que, pelo contrário, algumas teorias e doutrinas exercem uma influência assaz deletéria sobre aqueles que lhas professam, mormente aquelas que atingem a natureza e o carater de Deus.




Pois todo homem religioso e Cristão tende a refletir em si a imagem que cre ser a de seu Deus e a reproduzi-la.




Portanto a concepção que temos de Deus ou a imagem que dele fazemos pode deixar de determinar nossas ações e operações.




Pois Deus é nosso mestre, môdelo, exemplo e paradigma.




Imagens e idéias equivocadas e indignas de Deus jamais deixarão de se reproduzir e de se manifestar em ações indignas do Deus verdadeiro.




Assim se sucedem com os negadores da liberdade e com os adoradores do deus tirânico revelado por Calvino tendendo eles mesmos a agir como se os outros não fossem dotados de liberdade e a tiraniza-los.




O fim de Servet, Gruet, Episcopius, Vorstius e Grotius, mortos ou exilados pela horda de Calvino testifica-o magnificamente.




Quem não cre na liberdade humana e encara Deus como uma déspota insensivel e não como Pai haverá de agir sempre deacordo com esta ótica ignorando a natureza humana e a afabilidade.




Wesley pode alcançar tal percepção e dar combate ao ídolo erguido por Calvino.




Fruto de tal percepção foi sua maravilhosa carta escrita contra a predestinação.




Posteriormente Fletcher de Madley compulsando todos os argumentos de Wesley e acrescentando muitos outros compoz o seu magnifico "Antinominiasmo" tendo em vista corrigir tais idéias erroneas sobre a natureza divina e suas funestas consequências no terreno da moral.




Wesley e os primeiros metodistas não conheciam repouso nem moderação quando de tratava de dar combate ao Calvinismo. Para João, Carlos e seus confrades não havia treguas nesta santa cruzada destinado a vindicar o carater de nosso Pai e do amado mestre.


Pois quando amamos a alguém não podemos sofrer que a reputação ou o carater deste alguem seja manchado.


Portanto se amamos a Deus não podemos suportar que seu nome seja objeto de clamores e murmurações.


Foi por meio de Wesley, Fletcher e outros que tomamos consciência quanto ao desagradavel problema do calvinisno e deliberados dar-lhe combate a nossa moda: numa perspectiva Cristica, neo testamentária, pautada antes de tudo no Evangelho e particularmente fazendo apelo a tradição da Igreja ortodoxa e das Cristandades orientais, cristandades que - já dizia Grotius - jamais receberam o agostinianismo (muito menos o calvinismo) permanecendo como sempre foram: semi-pelagianas ou arminianas.


É necessário afirmar também que Wesley ao afirmar a colaboração e a restauração das faculdades humanas pela graça, compõe-se de alguma forma com o humanismo.


Pois o homem é capaz de receber a graça divina livremente, de colaborar com ela e de transformar o mundo num mundo melhor.


Tal potêncial de ação e transformação implica sempre num certo humanismo, mesmo que teocentrico, ao qual o luteranismo e calvinismo serão sempre alheios consoante as doutrinas da depravação total e do gracismo/predestinação, doutrinas visceralmente anti-humanistas.


Ao sacrificar aquela ortodoxia ou ao encara-la como meras fórmulas mortas das quais não se saca consequência alguma, o metodismo desenvolvendo os fermentos remonstratenses, aproximou o protestantismo do velho humanismo, que assustado com as teorias de Lutero e Calvino havia se afastado dele e regressado a cova do ciclope romano.


Constitui pois o arminianismo e o metodismo a face sorridente e iluminada do protestantismo voltada para a natureza humana e reconhecendo suas possibilidades, coisa que sempre repugnou ao luteranismo fiel e ao calvinismo.


De certo modo - prescindindo do unitarismo - o metodismo foi capaz de conciliar parte da facção atanasiana do Cristianismo protestante com o dogma da liberdade permintindo certa associação e colaboração entre tal forma de Cristianismo e uma intelectualidade prestes a mergulhar de cabeça no agnosticismo ou no materialismo. Wesley foi o homem de seu tempo, quem conseguiu prender tais almas, sedentas de liberdade e amor a sua igreja impedindo-as de apostatar...


Possibilitou além disso que sua forma de protestantismo juntamente com o anabatismo - o qual repudiou o predestinacionismo radical desde 1824 - pudessem penetrar nos paises romanistas e ortodoxos com muito mais facilidade que o calvinismo. Pois o calvinismo só conseguiu penetrar em tais paises e comunidades na medida em que calou sobre seu dogma central e suas consequências.


No passado sempre fora facil aos padres romanos e ortodoxos resistir a pregação protestante tomando por base a doutrina da predestinação, conforme os homens dignos e nobres sabem que são plenamente livres em todas as esferas...


Doravante o arminianismo seria como é a ponta de lança do protestantismo nos paises de missão.


Alias nem se compreende que os calvinistas façam missões uma vez que é deus quem chama e converte os seus. A CCB seita de matriz calvinista mantem viva esta tradição fetichista afirmando que o anuncio verbal do Evangelho é absolutamente desnecessário porquanto deus mesmo reunirá os seus e os trará a igreja... quem não for chamado, atraido e não vir não é dos seus...


Não é de se estranhar que após Arminius e Wesley o protestantismo se tenha feito missionário e obtido certo sucesso em algumas regiões.


Entretanto os metodistas não tem sabido valorizar sua herança espiritual.


Pois é sabido que muitos deles e a grande maioria dos protestantes brasileiros por sinal - a excessão dos Jeovistas e adventistas que como nós são arminianos fervosos, atuantes e combativos (dignos de apresso quanto a este ponto) - adotou a posição irênica ou conciliatória segundo a qual a salvação é um mistério insondavel.


Conform o profo Champlinn que é adepto desta teoria a escritura ensina tanto o predestinacionismo nos termos calvinistas quanto a liberdade e a cooperação nos termos arminianos (ou seja as escrituras se contradizem a respeito da salvação porquanto predestinação e liberdade se excluem) nós é que não somos capazes de conciliar os dois ensinamentos entre sí de modo que nossa salvação é um mistério insoluvel.


De tal xaropara resultou que o ardor dos arminianos arrefeceu por completo.


Mas não o dos calvinistas que em seus sinodos e publicações não deixaram por um instante de denunciar a torpe doutrina da liberdade que Arminius recebeu do paganismo através de Roma.


Continuam eles a reeditar e a glorificar não só as perversas Institutas de Calvino como os canones impuros de Dordt e a afirmar que tais lucubrações constituem o pão dos filhos...


O mais alarmante é que cada vez mais metodistas, anabatistas, pentecostais e arminianos mominais teem se dedicado a estudar tais obras e mesmo a elogia-las...


Mais uma vez o veneno da Hidra calvinista se instila lentamente no corpo do protestantismo...


Entretanto não pertencemos a tal corpo.


Denunciamos porém o calvinismo aos filhos da tradição para que se mantenham isentos dele e esclarecemos a todos os homens de boa vontade que solicitam nossa opinião.


E nossa opinião é bem clara: O calvinismo não é uma opinião inocente mas uma verdadeira apostasia e ruptura formal com o espírito Cristão na medida em que denigre a natureza e o carater daquele Pai luminoso manifestado pelo Verbo Jesus Cristo.


E por isso cumpre seguir o exemplo dos Wesleys, de Fletcher de madley e de outros heróis dando combate sem treguas a essa vã superstição extraida das páginas do Corão e não do Evangelho.

























Domingo, 28 de Junho de 2009

Resposta aos ortodoxos melindrados...


"Sem caridade nada pode agradar a Deus." I Clemente X, 05




Duas coisas parecem ser de algum modo infinitas: a natureza divina e a ignorância humana, da qual alguns fizeram um oitavo sacramento.


Evidentemente que o estado de ignorância justifica todos aqueles que jazem invencivelmente sob seu jugo, entretanto quando temos certo conhecimento da realidade e lho sofismamos descaradamente afetando ignorância e boa fé caimos sob o jugo da culpa e nossa iniquidade se torna patente diante do Verbo e dos irmãos.


Pois se a ignorantes que são manipulados há também malevolentes que manipulam.


E que vizam submeter a econômia Cristã a uma estrutura material e a uma ordem temporal que são visceralmente opostas a sua natureza moral e divina.


E quando denunciamos esta vil manobra, apelando ao testemunho dos homens base que ergueram o edíficio de nossa fé nos tempos antigos, ficam escandalizados e se põe a berrar como energumenos dizendo que deviamos ter permanecido de boca calada ou que estamos atacando a fé, a igreja, o Cristianismo e tudo o que é Deus.


Acusam-nos de dar combate a verdade revelada, de mentir, de livre examinar, de incorrer em heresia, etc


Entretanto não nos trememos nem tememos diante de suas palavras amargas.


Sabemos que não combatemos a homens feitos de carne e sangue.


Sabemos que combatemos estruturas fundamentadas na avareza e no egoismo.


Sabemos que lutamos contra o poder do dinheiro.


Sabemos que lutamos contra instintos poderosos.


Sabemos contra quem lutamos e conhecemos os riscos.


Entretanto sabemos por quem lutamos, conhecemos o lábaro sob o qual combatemos e o bem que nos esta reservado.


Conhecemos o remunerados generoso que remunera com abundância de bens pepértuos e impereciveis.


E assim permanecemos impávidos e de cabeça erguida!


Denunciando os desvios da Santa mãe Igreja ou melhor de seus desnaturados filhos e revindicando correção ou disciplina.


Quando formava-mos nas fileiras do protestantismo e romanismo já assim procediamos, denunciando os crimes dos pastores e padres isto é os crimes que haviamos testemunhado, nós os expunhamos a luz do dia e lhos revelavamos ao povo para que tais autoridades fossem dedignadas.


Entretanto as topeiras e morcegos, aqueles que amam mais as trevas do que a luz, diziam: calai-vos, assim o povo haverá de perder a fé...


E assim o é... o povo continua a perder a fé e a sociedade a paganizar-se dia após dia...


E quem são os verdadeiros culpados por tal estado de coisas?


Aqueles que denunciam os crimes ou aqueles que lhos comentem?


Aqueles que lhos acobertam e ocultam, esses são os verdadeiros culpados.


Pois se os maus ministros fossem desmascarados e punidos conforme a disciplina apóstolica haveria um salutar temor entre aqueles que sobem ao minstério e os crimes minguariam dia após dia pelo temor da denuncia e dos castigos.


Entretanto a falsa segurança que advem do silêncio e do acobertamente da vida ao crime e ao pecado tornando-se como que alimento e combustivel do escândalo.


Porque cedo ou tarde o crime concebido e praticado as ocultas vem a luz.


Não há nada de oculto que não haja de vir a luz, quem o disse foi o Senhor Jesus Cristo cujas palavras de vida são palavras eternas.


E quando tanta podridão e tanto crime acumulado veem a luz é natural que as almas santas e piedosas se decpcionem e afastem da comunhão.


Entretanto existe um remédio divino para tais problemas...


Uma disciplina rigorosa segundo a qual tais homens sejam denunciados, julgados e dedignados sem apelação logo que cometam o primeiro deslize. Pois os líderes devem servir como exemplos ao povo fiel em toda perfeição, conforme esta escrito:


"Como nos aproximaremos do Reino a menos que conservemos aquela pureza imaculada que nos foi imputada no batismo?" II Clemente 06


O exemplo deve partir de cima, do alto, daqueles que exercem os oficios divinos, sagrados e celestiais, estes devem ser como que imagens vivas de Jesus Cristo e môdelos de toda congregação.


Portanto sempre que as obras e iniquidades dos dirigentes forem acobertadas eles se sentirão a vontade para pecar mais e mais e sempre mais... até que o pecado se converta em regrade vida e toda hierarquia se degenere.


E quando tais obras vierem a luz...


Portanto o que devemos fazer não é oculta-las ou esconde-las dando falsa segurança aqueles que lhas perpetram, mas abrir a boca e denunciar, para que temendo evitem o pecado ou se corrijam.


Pela denuncia e punição é que se mamtem o temor e a santidade.


Aqueles que diante de tal situação murmuram: E a caridade são falsos profetas e apóstolos do inferno.


No acobertamento de pecados e no silêncio não há caridade alguma, mas colaboração com a hipocrisia, o grande pecado dos fariseus.


Ser 'caridoso' para com N ou X em tais contigências é ser odioso para com a mãe igreja, promovendo a extinção daquela sua nota divina que é a santidade.


Ora, nós não fomos ensinados a esperar que a santidade caia dos céus, porque depende em parte da colaboração do elemento humano.


Ademais quando escondemos o pecado de alguém fornecemos a esse mesmo alguem as condições necessárias para continuar pecando e nos tornamos co responsaveis por seus pecados. Atribuir os juizos todos a Deus e fechar os olhos como se nada tivesse acontecido a ninguém desculpa, antes incrimina e compromete.


Pois o Deus Santo espera que cada um de nós vigie e exorte ao semelhante na vereda do bem, ou, em caso de obstinação e resistência, na terceira vez, que lho denunciemos a igreja...


E se a igreja não quizer escutar nossa denuncia?


Para que serve a opinião pubica? Para que servem os meios de comunicação?


Se a igreja esquecida dos mandamentos do Senhor deseja escandalizar, não nos atemorizemos, antes cumpramos nosso dever diante daquele que é o Senhor da Igreja e lutemos pela santidade da esposa.


Os canceres exigem pronta extirpação, inda que o paciente não lho deseje e que o processo seja doloroso.


Entretanto os tumores precisam ser extirpados para que não acarretem a destruição do corpo.


Para preservar o corpo do Senhor em santidade os tumores malignos devem ser exterminados a qualquer custo.


Escandaliza quem se recusa a cumprir o que esta registrado nos evangelhos e nos canones punindo o criminoso, quem clama por justiça e puniçoa, este a ninguem escandaliza, antes da exemplo de fé e valentia.


Feliz aquele que cumpre seu dever sagrado e que não teme nem gritos, nem ameaças, nem calúnias, nem maldições, nem anatemas, nem coisa alguma ciente de estar agindo conforme a vontade expressa de Cristo dos santos Padres, denunciando os males e erros para que sejam punidos.


Assim sempre procedemos, mesmo quando estavamos de boa fé vinculados a sistemas incorretos, buscando a Deus de todo coração e julgando servi-lo.


Acaso agora que julgamos estar inclusos no sistema divino pela fé reta, pura e imaculada nos calaremos e faremos menos?


De modo algum.


Agora que cremos pertencer a verdadeira igreja convem fazer mais, agir mais, lutar mais.


A igreja tem seus verdadeiros inimigos naqueles que compactuam com o erro e a iniquidade e não naqueles que procuram sua extirpação.


O filho que ama sua mãe pugna pela saúde da mesma.


Se percebe que a alma esta prestes a abandonar o corpo da mesma acarretando-lhe a morte tudo faz para que tal não se suceda, de modo a mante-la viva.


Assim se percebemos que a caridade que é a alma de todas as virtudes esta sendo posta de lado e esquecida, apartando-se da fé justa e acarretando a morte da Igreja, tudo fazemos para que tal não se suceda...


Quando pugnamos pela Justiça, a generosidade, a paz, a misericórdia, a caridade e outros valores legitimamente Evangélicos sempre enaltecidos pela tradição dos padres é pela vida da igreja que pugnamos.


Nós não cruzamos os braços diante do oráculo: As portas do inferno não prevalecerão contra ela, antes cumprimos com nosso dever, como pernas e braços do Senhor que somos neste mundo.


Como as Virgens prudentes enchemos nossas lampadas com o óleo sagrado da esperança e vigiamos até que o Senhor regresse.


Não cochilamos nem dormimos fiados em suas divinas promessas pois sabemos que a igreja não é uma casa de feitiçaria, antes nos oferecemos a Cristo como instrumentos de seus designios e de sua vontade e a ele nos consagramos como assistentes e cooperadores.


Ao contrário dos vadios e preguiçosos que tudo lançam as costas do Senhor estamos dispostos a fazer a nossa parte como membros seus que somos em virtude do sacramento da iluminação.


Quando insistimos no ponto da caridade e afirmamos que sem ela não há nem salvação nem perfeição nem nada, não é ao francês Kardec que tomamos por guia, mas a Clemente de Roma que foi auxiliar do Santo apóstolos merecendo ser saudado numa de suas epistolas.


Escutai suas palavras: "Sem caridade nada pode agradar a Deus."


Como pois podera salvar aquilo que a Deus não pode agradar?


Sem caridade nem agradamos ao Senhor nem nos salvamos, antes engana-mo-nos a nós mesmos e em nós não há sombra de verdade.


Portanto fora da caridade não há salvação.


Gostem ou não esta é a verdade.


Ninguém haverá de se salvar no ódio e na maldade inda que sua fé transporte montanhas e realiza maravilhas.


Pois a fé somente não basta para a salvação?


Somos justificados pela graça somente e por misericórdia do Senhor do universo. Tal o primeiro passo de nossa salvação di-lo o já citado Clemente, homem apostólico.


Longe de nós afirmar que bastam ao homem as forças da natureza para realizar o bem e cumprir a lei do evangelho.


Entretanto não fomos justificados, restaurados e nimbados com a graça divina para continuar pecando e sob o jugo da iniquidade.


Justificados por moção de Cristo sim, mas justificados para o bem e para as boas obras.


Justificados para a caridade e as boas obras.


Justificados para os serviço fraterno.


Não basta termos sido justificados e abraçado a justificação pelo batismo, necessário é conservar esta justificação até o fim pelo ódio ao vício e o amor a virtude.


Quem peca não permanece no Senhor e o Senhor não permanece nele.


E não prevalece a justificação do pecado nem lho santifica, antes é anulada e destruida por ele. É a apostasia verdadeira para a qual não há perdão ou remissão nesta vida, afirma Apolo na epistols que remeteu aos hebreus.


Portanto a fé e a justificação da graça sem a caridade e a operação da caridade viva pela submissão a lei de Cristo para nada servem...


Foi o Leon Hippolyte quem o disse?


Não, não foi, foi Jesus.


Lêde suas palavras e calai apóstolos do pecado e sa iniquidade:


"Então eles dirão Senhor, Senhor: milagres e sinais realizamos em teu nome nas igrejas. E eu lhes direi: NÃO VOS CONHEÇO, IDE PARA LONGE DE MIM, VÓS QUE OBRAIS A INIQUIDADE."


Portanto os que obram coisas iniquas não pertencem a comunhão do Senhor e não tem parte com ele.


Vivendo sob o jugo de Sanataz, autor do mal e do pecado, sua comunhão é com ele.


Sem caridade e obras não há salvação.


Por mais que o homem jejue, reze, estude, etc se não tiver caridade não haverá de entrar no repouso.


Nenhuma fé ou obra eclesiástica lhe servirá de guarida se deixa de cumprir com seu dever que é aborrecer o pecado e praticar o bem.


Se não dá ouvidos a admoestação daquele que diz:


Tive fome e não me destes de comer...


Sede e não me destes de beber...


Nú e não me vestistes...


A fé que habita nele e a graça que o adorna são como que talentos enterrados no chão.


Sarmento unido a videira verdadeira deve frutificar em obras santas e piedosas, pois se sem Cristo nada podemos realizar de válido para a eternidade, com Cristo muito podemos e devemos realizar, acumulando tesouros no céu.


Em união espiritual com Cristo, fecundado por seus sofrimentos e mistérios, o homem é digno de merecer. Pois suas obras feitas em Cristo são obras espirituais cujo valor transcende a economia transitória deste mundo e penetra as brumas da eternidade.


Tudo quando é realizado e feito por amor na unidade de Cristo é talento excedente e tesouro celeste o verdadeiro investimento do homem.


O mal porém concebido e feito aparta o homem de Cristo e converte-o num pedaço de pedra ou de madeira.


E assim não pode sequer obter a salvação.


Porque o amor extinguiu-se nele e vive para o mundo e a matéria. Perdeu o sentido da eternidade e cego precipitou-se no abismo da perdição...


Assim isendo do amor e da obediência ao amor encarnado não pode salvar-se.


Quem o disse não foi o Denizard mas o apóstolo que dizeis considerar inspirado e infalivel.


"Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada." I Cor 13,2


Acatemos as palavras divinas com o devido respeito, sem dôlo e falsidade pois contem o elixir da imortalidade.


MESMO QUE EU TIVESSE TODA FÉ... SE NÃO TIVER CARIDADE NADA SOU.


Nada sou - nem homem, nem remido, nem nada, mas uma abominação e ruina espantosas!


Ofereceu Lutero uma condecoração a quem fosse capaz de conciliar Paulo e Tiago...


Caso ninguém lha tenha revindicado e feito juz a ela eu lha revindico sem receio e sem temor.


Pois aque estão as palavras puras e perfeitas de Paulo.


Segundo as quais toda a fé deste mundo não serve para nada se estiver separada da caridade viva e operante.


E mais abaixo escreveu estas outras não menos enfáticas:


"Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade." id 13,13


Com que direito pois ousam atribuir a soberânia da fé aos espiritas?


Acaso Paulo, Tiago, Pedro, Clemente e sobretudo Jesus eram necromantes?


Entretanto se os necromantes - como o samaritano da parabola - estão muito mais próximos deles e da verdade isto é uma vergonha para vós.


Não o é para mim porque sempre tenho ensinado e divulgado o ensino tradicional dos padres segundo a qual a caridade é superior e vivifica a fé.


Segundo esta escrito: A fé sem obras é morta em si mesmo.


Morta e isenta de vida como poderá comunicar a vida?


E noutro passo: A caridade apaga uma multidão dos pecados.


Como pois se diz que são apagados pela fé?


A fé só apaga os pecados na medida em que mostra ao homem seus deveres, capacita-o a cumpri-los e encaminha-o a submissão, a penitência e a caridade. Louvavel é a fé como parte importante do processo no conjunto das virtudes, asqueroso o fideismo que oferece aos seres humanos uma salvação facil e falsa, uma salvação ilusória na mesma medida em que é perfeitamente compativel e conivente com o mal e o pecado.


Gratuita é a salvação enquanto a humanidade não lha conquistou com seus méritos e não é digna dela.


Mas não gratuita no sentido em que Jesus nada exija dos remidos permitindo que sejam lei para si mesmos.


Deles exige Jesus uma porção de coisas segundo lemos nas bemaventuranças e em muitos outros passos de seu Evangelho. Pois não desceu dos céus para fazer sugestões a nossa vaidade, mas para regular a vida de tantos quantos por ele são agraciados.


E por regular a vida dos que lhe seguem disse: amai-vos uns aos outros, excluido por estas palavras o ódio da econômia da salvação...


E nos orientou em tudo a respeito do que seja o amor, dizendo: Bemaventurados os pacificos, incompatibilizando o amor com os instintos belicosos que animam os corações dos transviados.


E muitas outras santas palavras e mandamentos nos deixou, todos para serem rigorosamente observados e cumpridos e não para serem lidos e ouvidos tão somente.


Estamos pois cercados por uma nuvem de testemunhas eloquentes a começar pelo Verbo encarnado e depois por Pedro, Tiago, Paulo, Apolo, Clemente, etc


Diverso não é o testemunho de João, o qual escreveu: Quem odeia o irmão é um homicida e também: Nos homicidas não habita o germe da vida eterna.


É pois Jesus o autor de nossa salvação?


Quem lho contexta?


Entretanto tal salvação não é para os levianos e descarados que fazem pouco de seu Evangelho, MAS PARA AQUELES QUE LHO OBEDECEM. Hb 5,9


Sei que estas belas palavras causam furor em certas almas dubias, entretanto são verdadeiras palavras de Deus.


Pois os rebeldes e desobedientes não encontrarão repouso enquanto permanecerem blasfemando contra o Espírito de Toda Graça e apresentando-o como promotor do pecado e da imoralidade.


Portanto tais ortodoxos, esses que sustentam uma salvação magico/fetichista por meio da fé, da prece, dos sacramentos ou dos ritos perderam toda noção de hierarquia espiritual merecendo ser corrigidos.


Conforme a fé, a prece, os jejuns, os sacramentos, os ritos, etc Tudo isto foi disposto para a correção e o aperfeiçoamento do homem.


O fim de tudo isto é o homem, a caridade, o bem, a correção, a virtude, a vida, o comportamento e o pruduto final de tudo quando é bom deve ser o homem perfeito.


E não o homem mutilado, isento de virtudes, inativo e paralitico no que tange ao bem moral.


Tome-mos a lição do divino Clemente:


"A prece é util, o jejum melhor, entretanto a esmola SUPERA A AMBOS." I Clem 16


"Bemaventurado é aquele que dá, pois conforme o mandamento será considerado inocente e purificado." Didake I,5


"A esmola resgatará tua alma da morte." S Policarpo, Epistola.


Entretanto nossa Cristandade dedica-se apenas a orar e põe a prece em primeiro lugar.


Ora e entesoura seus bens, neste mundo é claro.


Ensinando inclusive que é lícito ao Cristão matar para conservar seus bens e posses.


Violando a hierarquia moral que coloca a vida humana acima de quaisquer bens e posses materiais.


Entretanto esses Cristãos nominais não querem que lhos chamemos de materialistas.


Todavia quem sustenta ser lícito suprimir uma vida para conservar bens de ordem material o que é?


Materialista...


A Cristandade também distorceu a regrar o jejum apostólico.


Conforme os neo cristãos e neo ortodoxos e neo romanos podem jejuar, ecomonizar algumas pratas e até fazer alguma aplicação...


Assim, economizando, ficou facil jejuar. Uniu-se o util ao agradavel: a devoção e o lucro, a adoração a Cristo e a Mamon.


Abramos porém as Constituições lavradas pelos Beatos apóstolos, nossos mestres na fé e em toda piedade e leiamos: Aquele que deseja jejuar tome os mantimentos de que faria uso e de em oferta aos pobres como esmola, assim fareis um jeju agradavel e perfeito.


Jamais ví um pastor ou padre ensinar isto.


Do contrário quem jejuaria?


Não sei que fé é esta, pronta para falar, habil em discursar e tão infensa a executar o que é solicitado.


Os judeus, muçulmanos e pagãos são exímios em observar suas leis religiosas como assinalou Berdaieff, já o povo Cristão faz pouco caso da lei de Jesus Cristo e mofa de suas palavras crendo dar sinal de fé...


Entretanto o jugo de Moises, Maome e Çakia Muni é jugo pesado que absorve a vida de seus seguidores e o jugo de Cristo um jugo leve e espiritual, principio interno de vida que se manifesta através das ações no trato diário.


Maomé pediu que seus seguidores vizitassem a Meca ao menos uma vez na vida é o Haij...


Os hebreus mais devotos também percorrem mar e terras para poder rezar diante daquela ruina que é o muro dos lamentos.


Os budistas se internam em mosteiros durante a juventude e os bramanianos atravessam as linguas e orelhas com palitos e fusos e metal...


E todos estes infiéis dão mostras de grande felicidade quando cumprem com tais preceitos.


Jesus que pediu?


Que fossemos a Jerusalem ou Roma em peregrinação?


Que nos flagelassemos na sexta maior?


Que nos internassemos em mosteiros passando um ou dois anos na mais severa das disciplinas?


Não, não nos pediu nada disso, pediu apenas que nos amassemos e respeitassemos como seres humanos, filhos do mesmo Pai.


Ou seja que tratassemos nossos vizinhos da direita e da esquerda com doçura e afabilidade:


"Sejamos bons para com todos, conforme a piedade e doçura daquele que nos concebeu e plasmou." I Clem 14


Basta entretanto que divulguemos tais palavras para que sejamos considerados como adversários ou inimigos da ortodoxia.


Sim, somos inimigos confesos da ortodoxia morta, superficial, esteril e vã, indiferente para com o próximo e infensa a caridade viva.


Pois tal era a ortodoxia daqueles fariseus e escribas que imolaram o Senhor.


Estavam eles certamente na verdade, mas não na caridade e por isso foram desarraigados e seu lugar de culto destruido.


Nossa amizade consagramos a ortodoxia viva e pura que associa a correção da fé a santa caridade e as obras de misericórdia.


Pois o ortodoxo perfeito deve ser ortodoxo tanto ne fórmula quanto na ação e na prática.


Assim vindicamos e honramos a memória daquele que passou pelo mundo fazendo o bem, e de seus vigários os apóstolos, e dos padres teóforos que nos chamaram a fé.


Bendita seja a Trindade Santa e adorável que nos capacita para o bem e o amor na graça do Evangelho.


Que as intercessões da Imaculada e sempre Virgem Mãe de Cristo nos capacitem a imita-la numa entrega total aquele Cristo que se faz presente em nossos irmãos mais pequeninos.




Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

As trevas da ortodoxia e a luz da tradição.


"Deixai vir a mim as criançinhas, não lhas impeçais."
"Saulo, Saulo porque me persegues?"
"O que fizestes a estes teus irmãos mais pequeninos foi a mim que o fizestes."
"E perguntou-lhe o Senhor: onde esta teu irmão? E Caim replicou: que sei eu de meu irmão?"






Carta aberta aos que se intitulam "Católicos e ortodoxos"


Por: Católico ortodoxo indignado.




É amigo Seino, acabei de assistir o vídeo postado por si.


É necessário ter entranhas para ve-lo.


E mais necessário ainda ter força e coragem para continuar sendo Cristão.


Entretanto a graça daquele Pai cheio de Luz sustenta nossa esperança.


Assim olhamos para o calvário, contemplamos aquela rude cruz, fitamos o vulto ali pendente e não desanimamos.


Todavia quando nos deparamos com a insensibilidade de certos 'cristãos' que se pavoneiam de sua ortodoxia, enquanto tripudiam dos sofrimentos alheios, pelo simples fato de fechar os olhos para eles e ignora-los.


Não me refiro a protestantes não ou a calvinistas, porque os protestantes julgam ter o direito de livre examinar as palavras do Verbo divino e de repudiar a tradição apostólica.


Refiro-me a Cristãos, Católicos e Ortodoxos, irmãos nossos no domínio da fé, mas não no da caridade, pois ignoram supinamente o significado desta palavra.


Todavia tais homens fazem vã profissão e falso alarde de se submeter a tradição dos homens base.


E assim atraiçoam e conspurcam as memórias dos antigos, daqueles que nos comunicaram a fé imaculada e nos deram esperança.


Porque nossos padres jamais professaram esta ortodoxia cadavérica.


Cadavérica, corrupta e putrefata...


Putrefata como um corpo isento de alma.


Rijo, frio e nauseabundo...


Assim é a fé isenta de obras ou de caridade.


Como um defunto prestes a ser enterrado.


E quer tal fé seja ortodoxa ou herética não há diferença.


Porque mortos são mortos não importa a categoria.


Todos são postos no mesmo buraco.


Assim se dá com aqueles que não possuem sentimentos, entranhas, amor e misericórdia.


Sejam ortodoxos ou heterodoxos são todos farinha caruchosa do mesmo saco.


Farinha moida pelo poderio das trevas.


Fermento vomitado pelo fogo do inferno.


Entretanto há uma diferença sim...


Pois o herético pode estar justificado e de boa fé. Na medida em que se volta para a lei dos hebreus e ignora o exemplo dos homens base, nossos maiores, que viveram na econômia da divina graça sob a égide do Verbo celeste.


O ortodoxo entretanto tem pleno conhecimento de tais exemplos.


Ele sabe ou deveria saber que o Teóforo Basílio erigiu uma basíliada e que exultava por ver-se cercado de crianças pobres e aleijadas as quais servia como se fossem o Cristo seu Mestre e Senhor, de cujos lábios ouvira: TIVE FOME E ME DESTES DE COMER, SEDE E ME DESTES DE BEBER, NU ME COBRISTES, ENFERMO E ME SERVISTES, NA PRISÃO E ME VIESTES VER...


Assim a ortodoxia de Basílio era viva e plena porque ele não pedia para tirar tais imagens de Cristo de suas vistas. Ele não se incomodava ou escandalizava dos miseráveis, enfermos, fracos, etc Como Smith, Stirner, Nietzsche, Friedmann, etc que são os paradigmas desta geração maligna e transviada.


A ortodoxia de basilio era viva como um corpo animado pela alma.


Porque a fé não possui vida alguma em si mesma devendo ser animada pela caridade viva e operante.


Conforme o preceito do Senhor: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.


Assim segui meu exemplo e sede servidores uns dos outros.


Deste modo saberão eles que sois meus discípulos.


Em tais preceiros não há dôlo ou engano algum.


Porque procedem da boca do senhor.


Debalde os filhos das trevas e da iniquidade procuram lançar sofismas, cavilações e diatribes sob tais palavras com o intuito de obscurece-las.


Já não disseram ser possivel que camelos ou cordas passem pelo fundo duma agulha?


De gente assim: cínica, fingida e despudorada se pode esperar tudo, absolutamente tudo.


Pertencem a geração daqueles fariseus que se vangloriavam de pagar os dízimos da hortelã, do endro e do cominho, e em fazer maldades ou simplismente em não fazer bem algum.


Assim muitos dos que estão entre nós mas que não são dos nossos acreditam estar dispensados de fazer em virtude do crer corretamente.


São como uma figueira estéril, que não deita frutos e que esta posta para o fogo.


Pouco se dá que ela muito creia, que faça milagres e que transporte montanhas, não tem frutos e não tendo frutos será queimada e como que provada pelo fogo.


Em vão tais almas sacrílegas se aproximarão do mestre e dirão: CREMOS EM TODOS OS DECRETOS DOS CONCÍLIOS ECUMÊNICOS, SOMOS ATANASIANOS, EFESINOS, CALCEDONIANOS, ORTOXOS...


O Verbo lhes dirá: não vos conheço, apartai-vos de mim obreiros da impudicicia!


Pois tive fome e não me destes de comer...

Sede e não me destes de beber...

Nú e não me cobristes...

Enfermo e não me viestes ver...



A prisão sim viestes, para me conduzir a cadeira elétrica ou ao cadafalso e aplicar-me a pena capital...


Isto soubestes fazer...


Entretanto o Senhor disse ao jovem rico que lhe perguntará: que devo fazer >


Cumpre os mandamentos: Não matarás.


Este é o primeiro grande preceito daquela lei eterna da qual traço ou pingo algum jamais passará e não nos deparamos com excessão alguma, segundo a qual alguns possam matar impunemente, em nome do estado ou de sua posição econômica, e outros não.



Tais pessoas, verdadeiros cegos que conduzem outros ainda mais cegos ao abismo, cuidam que honram a Cristo pelo simples fato de PUGNAR POR SUA DIVINDADE.


CREIO NA DIVINDADE DE CRISTO, ALEGAM ELES, ASSIM SIRVO E AGRADO A CRISTO.


Entretanto Cristo dissera aos fariseus: "deviam fazer uma coisa sem omitir a outra" e ao povo que lhos cercava: Acreditai em todos os ensinamentos, mas não imiteis suas obras.


Porque se cremos verdadeiramente na divindade de Cristo devemos encarar com todo temor e respeito a cada uma de suas palavras, bem como as palavras de seus enviados os apóstolos e dos sucessores dos apóstolos que são os padres teoforos.


Crer em Cristo siginifica antes de tudo valorizar suas palavras e submeter-se a elas.


Entretanto os muçulmanos sabem que fazem muito mais por seu Corão do que os Cristãos pelo Evangelho.


A balança já esta posta em pratos e os islã logo chega para nos fazer justiça e vindicar a glória de Cristo.


Os filhos de Maomé sabem muito bem que a Cristandade leviana tripudia das palavras do Mestre.


Maomé jamais ordenou que seus seguidores se amassem mutuamente, que fossem pacificos, bondadosos, justos e perfeitos...


Cristo ordenou tudo isto aos seus.


Entretanto o mundo é testemunha fiel de que os cristãos se odeiam uns aos outros, que distinguem cor e posição social, que são belicosos, cruéis, iniquos e filhos da imperfeição.


Não os Cristãos tortodoxos não creem na divindade de Cristo.


Dizem crer...


Isto é uma coisa.


Mas não creem de fato.


Não creem da verdade.


Pois não vivem como se cressem.


Não obedecem a Cristo.


Obscurecem cinicamente seus preceitos e leis e mofam publicamente da tradição dos padres.


Sustentam ideologias modernas: como a econômia de mercado e a teoria do lucro, como se fossem dogmas sacratíssimos e desejam suprimir aqueles que denunciam tais inovações como materialistas e blasfematórias.


Apresentam como compativeis com a lei do amor toda uma cultura de violência e morte pautada em guerras e execuções capitais.


Ignorando o que foi dito: bemaventurados os pacificos...


Bemaventurados os misericordisos...


Guarda tua espada pois os que lha empunham por ela caem...



Fazem tudo ao contrário do que Cristo, seus apóstolos e vigários, os mártires e padres ensinaram e ainda teem o displante de dizer que nós livre examinamos pelo simples fato de guardar a tradição mais antiga (dos primeiros cinco séculos) ao invés de seguir a opiniãozinha deste ou daquele padreco inovador...


Entretanto todos sabem que o selo do livre examanismo é o repúdio a tradição e a fabricação de novidades...


Diante disso não nos alarmamos. A História, mestra da vida e fundamento da instituição Cristã, nos justifica.


De modo que podemos desafiar nossos opositores: abram os padres e leiam! Vão a Patrício, Basílio, Crisóstomo, Ambrósio, etc


Eles estão conosco e nós em suas palavras que são as palavras daquele Verbo Santo e Perpétuo do qual eles eram simples ministros e economos.


Não fazemos pouco caso da doutrina e do exemplo dos padres.


Não substituimos suas palavras pelas tradições humanas de Plotino, Jamblico, Porfírio, Damasio, Smith, Ricardo, Stirner e outros anti-Cristos nos quais não há nem verdade nem vida.


Nós horamos as memórias dos antigos e trilhamos os passos que eles mesmos trilharam sem nos desviar um palmo.


Porque não temos compromisso com a matéria, com estruturas políticas carcomidas, com ideologias exóticas, etc Nosso compromisso é com a eternidade e o mundo invisivel. o qual vemos pela luz da fé.


Livre examina quem arvora falsas tradições, tradições de ontem, tradições satânicas que não foram conhecidas pelos padres de outrora.


Os protestantes são honestos quando revindicam para sí o direito de livre examinar e repudiam a autoridade dos homens base.


Os ortodoxos como os romanistas são semente de fariseus quando professam fidelidade a tradição apostólica e forjam novas e falsa tradições para si mesmos.


Assim repudiam a tradição a semelhança dos protestantes, só que secreta e fingidamente, como perfeitos hipócritas que são.


Porque desejam viver uma vida folgada e egoista e tal tipo de vida foi codenada como ímpia pelos santos Padres nossos mestres e senhores.


Violaram a natureza da religião Cristã e dela fizeram uma nova religião, uma espécie de magia de branco segundo a qual os homens se salvam magicamente por meio de rituais, quando o ritual foi feito como instrumento pedagogico com o objetivo de educar as almas sensiveis e de firma-las na lei de Cristo. Mas eles tudo subverteram e dos meios fizeram fins...


Tomaram os sacramentos e preces solenes, talentos que o Senhor entregou a nossa habilidade, para que lhos multiplicassemos, e enterraram-nos no chão... Que fará de tais servos o Senhor quando vier em glória, em meio a seus santos, para julgar os vivos e mortos?


Me absterei de dize-lo pois todos sabemos o que esta reservado aos servos preguiçosos e dorminhocos, que não souberam vigiar em obras e verdade.


É possivel que esses infelizes julguem-se superiores a todos os demais pela profissão da fé pura e imaculada.


Eles não leram a parabola do bom samaritano.


Segundo a qual o samaritamo herético foi justificado pelas obras e o sacerdote judeu (naquela econômia abolida ortodoxo) condenado...


E assim o é.


Pois jamais ariano algum - suas sucessoras hoje são as Testemunhas de Jeová - jamais logrará ferir e insultar ao Verbo glorioso como um desses pseudo ortodoxos.


Conforme uma dessas sectárias que se precoupa com o próximo e o serve como se fosse o Cristo, obedece e honra ao Cristo mesmo sem admitir sua divindade.


Por outro lado quando um desses ortodoxos ou atanasianos afirma destestas os pequeninos, os enfermos, os fracos, os aleijados, os miseráveis, etc faz a maior injúria possivel a natureza.


Cristo jamais foi tão insultado como por esses falsos nicenos que vivem a ignorar sua vontade.


É mister confessar diante dos seres e homens: um ortodoxo sem misericórdia e sensibilidade não vale uma polegada de um ariano ou sectário honesto e sincero.


Ninguém sabe fustigar ao Verbo como esses Pinóchios espirituais que dizem: vou meu Pai, vou lavrar teu campo, mas não vão. Entretanto o herético honesto diz: não vou (porque não possui a fé reta) mas vai (porque faz o bem e não o mal a seu semelhante)... Quem será acolhido pelo Pai celestial?


Atanásio podia se vangloriar de sua ortodoxia, porque era um homem bom e generoso, verdadeiro Pai dos pobres para o povo de Alexandria e de toda a terra do Egito. Verdadeiro sucessor de José, o hebreu, ministro de suprimentos do rei faraó.


Como o Bemaventurado Agostinho, que converteu sua casa em hospital e dispensário, e todos os padres que nos sínodos dos primeiros séculos, determinaram tomar sob sua proteção aos orfão, viuvas, idosos, enfermos e galés, assim vivia o grande Atanásio...


Por isso que ele foi o que foi, homem perfeito que viveu na regra do Espírito Santo, puro e perfeito e não na regra do capital.


Pois o homem não pode servir a dois senhores.


Não pode dar suas energias a Deus e ao lucro, pois a um amará e a outro odiará.


Por isso que Cristo foi completamente abandonado por seus adoradores oficiais, sendo lembrado e vizitado apenas aos Domingos, que são dias de preceito. Nos outros dias da semana cada qual se faz lei para si e vive como quer...


Segundo fora dito pelo apóstolo de Deus: O amor ao dinheiro é raiz de todos os males.


Não diz deste ou daquele mal, mas de todos os males sem excessão.


Todos procedem do materialismo, da avaresa, da cobiça, enfim da intemperança pelo dinheiro e pela sede do lucro.


Porque como disse o sábio: em tudo deve haver limitação.


Mas os ímpios desejam acumular bens materiais e corruptos para a eternidade.


E se pertencessem a religião dos antigos egipcios edificariam pirâmides maiores que o Empire State...


Assim a cobiça por bens materiais secou os corações e entranhas daqueles que Mamon cegou e precipitou na mais tenebrosa das idolatrias.


Afirma o livro da sabedoria que adorar aos idolos de pau e pedra é mais grave que adorar aos elementos da natureza. Pois eles ao menos são como que sinais do verdadeiro Deus e Senhor.


Julgo de minha parte que adorar a moedas e linguotes seja ainda mais grace do que adorar a estatuas como as que foram feitas pelos antigos gregos. Pois nestas ainda há uma grande beleza e toda beleza emana do Deus verdadeiro... entretanto que sinal ou que beleza possuem tais linguotes de ouro ou prata?


Tudo isto não passa de convenção afirma o Crisóstomo.


Conforme nos lugares em que o bronze é mais raro que a prata será mais valioso.


Entretanto por causa de tais convenções há quem não deseje sequer contemplar a imagem pintada de um pobre, porque tal figura lho melindra...


Talvez acuse sua consciência.


Entretanto Cristo exige muito mais de nós do que apenas contemplar tais cenas bizarras, cenas que os traidores e apostatas não desejam contemplar e das quais zombam como verdadeiros truões.


Cristo exige que tomemos partido e partido ao lado daqueles todos que são injustiçados e oprimidos pelo mundo do dinheiro.


Pois veio anunciar a boa nova aos pobres segundo lemos no livro verdadeiro. E não aos reis, imperadores e nabados deste mundo.


Destes se diz no livro infalivel, que seriam derrubados de seus tronos e postos por terra pela lei da caridade e da justiça. Disse-o a imaculada e sempre Virgem Maria, repleta do Espírito Santo e sua palavra não falhará, por mais que clamem os integristas.





Não falaremos mais.


Nossas palavras são pesadas.


Somos como vapor que sai da panela.


Como pó no limiar da casa de Cristo.


Falem por nós os homens base, cheios da doutrina e do Espírito Santo:



"Bemaventurado aquele que dá pois conforme o mandamento sera considerado puro e incoente.


Tuas palavras não sejam vazias, mas acompanhadas de ações


Cumpre se abster não só do mal mas da aparência mesma do mal


Não seja soberbo ou insolente, não te associes aos poderosos, MAS AOS POBRES QUE SÃO JUSTOS.


Exercei a justiça sem fazer acepção de pessoas.


Não estendas a mão para receber e a retires para dar.


OS ÍMPIOS SÃO ÁVIDOS DE RECOMPENSAS E NÃO SE IMPORTAM COM OS POBRES E TAMPOUCO SE COMPADESCEM DAQUELES QUE PASSAM POR TRIBULAÇÃO.


OPRIMEM O FRACO, APOIAM AOS RICOS, JULGAM COM INJUSTIÇA, IGNORAM O DIREITO DO POBRE E SÃO PECADORES CONSUMADOS.


AFASTAI-VOS DE TUDO ISTO.


Nem todo o que fala como inspirado profeta é, a menos que VIVA COMO O SENHOR VIVEU. ASSIM SE DISTINGUE O VERDADEIRO DO FALSO PROFETA.


Não havendo profeta dareis a oferta aos pobres, seja o primeiro pão da fornada ou o primeiro golpe de leite.


Executem preces, ESMOLAS E BOAS OBRAS conforme esta ordenado no Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo."


Didaké. Composta no ano 70 pelos derradeiros apóstolos do Senhor na terra da Síria, recomendada como escrito de máxima autoridade por S Atanásio (cartas pascais) e reencontrado em 1870 pelo grande padre Nikephoros Bryenne.


O padre ou leigo insolente se houver que negue a autoridade deste escrito.


Não foi escrito nem por Boff nem por Gutierrez, mas pelos homens base do primeiro século aos quais a fé foi entregue duma vez para sempre.


Pelo Deus em que não há sombra de variação.





Agora leiamos estas santas palavras cheias de vida espiritual:



"A vossa fé era firme e cheia de virtudes...


Quem não proclamou a vossa generosa prática da hospitalidade?


Com efeito em tudo vos agistes sem fazer acepção de pessoas, procedendo conforme as ordenanças divinas...


Repletos de santa resolução e ânimo para o bem...


Jamais vos arrependestes de fazer o bem, antes sempre prontos para toda boa obra.


PORQUE QUEM NÃO PROCEDE SEGUNDO AS DIRETRIZES DE SEUS PRECEITOS NÃO SE COMPORTA DE MANEIRA DIGNA DELE.


ABANDONEMOS AS VÃS PREOCUPAÇÕES PARA SEGUIR A REGRA DA TRADIÇÃO IMACULADA.


Assim abandonemos a jactância, a vaidade, a insensatez e a ira praticando o que está escrito.


Recordemos sempre as palavras de Jesus sobre a benevolência e a paciência.


Firmemo-nos nos seus mandamentos e preceitos e com humildade nos submetamos a suas palavras.


SEJAMOS BONS PARA COM OS OUTROS CONFORME A PIEDADE E A DOÇURA DO AUTOR DO GÊNERO HUMANO.


Imprudencia, orgulho e vaidade são sinais dos que estão separados de Deus. Benevolência, humildade e mansidão são sinais dos que estão em comunhão com ele."


Extratos da I epistola do Beato Clemente de Roma a Igreja de Corinto. Ano 90.


Segundo referem nossos padres teoforos este Clemente havia sido ouvinte do Santo apóstolo Paulo.




Que rumos pois haveremos de tomar?


Acaso nos apartaremos do Senhor Cristo que habita nas criancinhas africanas mutiladas e que nos pergunta:

Porque me desprezas?


Ou nos aproximaremos de seus tabernáculos carnais, como S Martinho de Tuors, para servi-lo e prestar-lhe verdadeiro culto.


Limitar-nos-emos a adoração formal ou lhe tributaremos também a adoração pessoal e viva da caridade.


Longe de nós as palavras dos falsos profetas e dos adversários da tradição, os quais nos recomendam apartar-se dos pobre e deles fugir.


Aproxime-mo-nos do pobre e do oprimido e assumamos sua causa que é a causa da justiça e a causa de Cristo.


Assim saberemos honrar a memória de nossos antepassados e a tradição sagrada de nossos maiores.











Eu não pedi pra nascer...



Abraço a Eduardo, Dum Dum, e Eric 12.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

minha apologia ao bom protestantismo VI - Arminius













É bastante comum nos depararmos em certos panfletos religiosos que o protestantismo é a religião da liberdade, como que por ontonomasia.

Ousaremos negar que um grande número de protestantes sacrificou-se pela causa da liberdade?

Causa legitimamente Cristã, porquanto, "Onde há espírito há liberdade" e onde não há liberdade não há vida, mas morte.

Não somos cegos.

A mestra da vida boa informante é.

Entretanto algo teve se acontecer no terreno do protestantismo para que a liberdade nele florescesse.

Pois nem sempre fora assim...

Durante quase um século o protestantismo emergente condenou a doutrina da liberdade como sendo uma abominavel heresia e ainda hoje, aquela forma de protestantismo que se afirma como ortodoxa, tem repetido tal condenação.

Já Lutero recém proclamado reformador da Cristandade compoz uma obra intitulada "O arbítrio escravo" afirmando-a como o fundamento e viga mestra de sua teologia.

Segundo Lutero a liberdade é um apanagio exclusivo do Supremo Criador.

Nenhum ser criado é livre, seja anjo ou homem.

O homem pensa que é livre quando na verdade não passa duma mula ou dum cavalo, ora montado por Deus e nele crendo por obra da graça, ora montado pelo Diabo e descrendo.

Tal a condição humana analoga a duma porta, dum tronco ou dum pedregulho como assinalou Castellion nos "Três dialogos".

Quando Lutero enunciou esta nova doutrina, fundamentado mais no Corão de Maomé que no Santo Evangelho, os humanistas e filosofos, que a principio lho haviam secundado, aspirando porque a Igreja fosse moralmente reformada, ficaram alarmados e regressaram quase todos ao seio da velha igreja papista.

Tal o caso do grande Erasmo, o qual, talvez mais do que ninguém desejava que a Igreja fosse esclarecida, purificada e aperfeiçoada no amor.

Leitor aplicado de Irineu, Origenes e outros mestres da Cristandade primeva, Erasmo, pode perceber de pronto a manobra da inovação e sacar suas funestas consequências no terreno da moral.

Diante disto não pensou duas vezes e compoz uma brilhante refutação a inusitava doutrina luterana do arbítrio escravo e Lutero em troca brindou-o com os mais repugnantes apoditicios...

Incapaz de responder serenamente a réplica do mestre holandes Lutero foi obrigado a recorrer a velha estratégia do Ad hominen a qual Erasmo não se deu ao trabalho de replicar. A partida estava ganha e doravante Lutero fechou a boca e não tornou mais a falar em predestinações.

Entretanto a má semente estava lançada e o chão era fértil.

Há mil anos os adeptos do agostianismo/gracismo vinham como que hesitando em levar a teoria do Bispo de Hipona as últimas e derradeiras consequências.

Esmagado pela sabedoria do grande humanista Lutero silenciou...

Sendo substituido por um jovem legista francês Jean Calvin, o qual, cerca de dez anos depois, reafirmou a mesma lição em suas "Institutas" que constituem a primeira obra de teologia sistemática produzida pela reformação protestante.

Nos ultimos capítulos do derradeiro livro das "Institutas" Calvino não só reeditou as afirmações do patriarca reformista, como desenvolveu-as a maneira dos escolásticos adicionando a cada uma diversos versículos extraidos do Antigo e do Novo Testamento e um bom número de paragrafos extraidos das obras do Bispo de Hipona.

Frente a doutrina arvorada como Cristã por Calvino ergueram-se três adversários formidáveis, dois romanos - Pighius e Bolsec - e um protestante, habitante de Genebra por sinal - Seb. Castellio - e estourou um formidável combate, uma autêntica batalha teologica terçada com pena e papel.

Calvino tentou responder a primeira parte do trabalho de Phigius "De libero hominis arbitrio et divina gratia libri X", todavia como Pighius veio a falecer nesse interin, deixou por refutar a segunda parte alegando não querer dar pontapés num cão morto...

"Este Calvino converteu o Deus de Jesus Cristo numa divindade pagã, num Jupiter fulminante." com estas palavras o médico Hieronimus Bolsec iniciou seus ataques a nova doutrina da predestinação total.

Em resposta a tais protestos Calvino mandou encarcera-lo sob a acusação de heresia e caso não tivesse conseguido escapar teria tido a mesma sorte do espanhol Servet.

Assim Calvino refutava seus adversários encarcerando a uns e exilando a outros. E depois escrevia comentários a "Clemência" de Sêneca e cartas ao rei da França pedindo clemência para os huguenotes.

Segundo seu modo de encarar as coisas os líderes papistas deviam compadecer-se de seus seguidores calvinistas enquanto ele podia tostar os unitários e libertinos a fogo lento.

Ocorre-me a parabola do endividado ingrato...

Morto Servet um arrepio de horror percorreu aquelas consciências ingenuas todas que encaravam a reforma protestante como o arrebol duma nova era.

Pallearius pode escrever um volumoso tratado a favor da liberdade de consciência do outro lado dos alpes em território italiano e seu amigo Castelion, tarimbado humanista e tradutor das escrituras, levou a cabo a mesma obra depois de ter sido expulso com sua família da "jerusalem reformada".

As alegações de Castellion Calvino redarguio nos seguintes termos: "Blasfemador, caluniador, malfeitor, cão sarnento, ignorante atrevido, besta humana, corruptor ímpio da escritura, pérfido zombador, desdenhador da fé, desavergonhado, imundo, indescente, sujo, pervertido, tortom obtuso, vagabundo, ímpio, pulha (oito vezes) malevolente..." encerrandos sua réplica com a seguinte frase: "Que deus te aniquile Satanaz."

Castellion então lançou contra ele estas palavras memoráveis:

"Admitamos que eu tenha de fato roubado, isto se sucedeu de certo porque eu já estava predestinado a faze-lo, segundo tu mesmo ensinas, porque então me acusas?

Não deverias antes ter piedade de mim, por Deus me haver determinado tal sorte e me haver tornado impossivel o não roubar?

Então porque gritas e me acusas assim?

Se fui constrangido a roubar em consequência da predestinação divina, deves absolver-me em tuas publicações em virtude da coação que sobre mim pesa.

Neste caso ser-me-ia tão pouco possivel evitar o roubo como acrescentar uma polegada a minha estatura."
in Zweig "Uma consciência contra a violência." 265

Desta vez quem replicou foi Theodoro de Beza, lugar tenente de Calvino, a cuja obra pertencem estas significativas palavras:

"A liberdade de consciência é uma doutrina demoníaca."

Já Lutero, pouco depois de ter advogado o livre exame para si mesmo diante da cúria romana, dissera a seus inimigos: "Quem ensina de modo diverso do meu, Deus mesmo o condena e será filho do inferno." in Santliche Werke XXVIII, 346 e também: "Não posso ouvir e sofrer que meus ensinamentos sejam questionados." Walch Works VIII, p 1974

Jacques Gruet ousou rir... resultado: foi torturado e decapitado por ordem do novo vigário de Cristo e rei da Santa Genebra.

Todavia como também Calvino era como uma folha de arvoredo, que seca pela tarde e o vento carrega, baixou a sepultura.

Infelizmente suas idéias vãs e perniciosas continuaram vivas. Sendo desenvolvidas por Zanchius e Tamburini.

E até então não havia espaço para a liberdade humana no sistema protestante...

No que tange a florescimento da liberdade no campo do protestantismo o ano de 1560 foi providencial, pois este ano, na Holanda veio a luz um menino mais tarde cognominado Arminius, Jacob Arimius.

Desde cedo Arminius conheceu a senda da dor e das lágrimas tendo perdido sua progenitora num massacre promovido pelos espanhóis que até então dominavam seu país.

Encaminhado a universidade de Leiden o jovem Tiago teve por preceptor a Johann Kolmann um simpatizante de Bolsec e Castellion segundo o qual o calvinismo apresentava deus como um tirâno e carrasco dos seres humanos.

Entretanto ao menos a princípio Arminius não rompeu com a doutrina estabelecida nas "Institutas".

Todavia parece que Komann - Dirck Volckertszoon Coornhert - ou algum de seus jovens simpatizantes resolveu partir para a ofensiva publicando um opusculo anônimo no qual vinham reproduzidos pela enésima vez os velhos mas sempre novos argumentos de Pighius, Bolsec e Castellion.

O lançamento deste opúsculo anti-calvinista causou furor entre os membros do consistório aos quais ocorreu solicitar os préstimos daquele que então era considerado como o mais sábio dos teologos Holandezes: Arminius.

Sem saber muito bem do que se tratava Arminius aceitou a incumbência que lhe fora atribuida pelo consistório de examinar e dar resposta as tanto as diatribes do blasfemador quanto as obras do velho Coornhert.

Acontece que o tempo ia passando e a prometida resposta não saia, o tempo ia passando e nada de resposta...

Até que passado um bom tempo Arminius, pressionado pelo consistório, deu a estampa uma pequena obra em que com grande escandalo exarava um parecer favoravel ao opusculo anônimo que lhe fora entregue e arrenegava quatro pontos basilares da fé calvinítica: a eleição incondicional, a expiação ilimitada, a graça irresistivel e a segurança definitiva do crente, da qual alguns dizem que apenas duvidou.

Entrementes pouco tempo lhe restava de vida e veio a espirar com menos de cinquenta anos em 1609.

Arminius foi sucedido por Simeon Episcopius e Konrado Vorstius.

Este último publicou uma magnífica obra em que expunha a natureza e o carater paterno e benevolente do Deus dos Cristãos. Esta obra - pautada nos ensinamentos do meigo Jesus Nosso Mestre amado - não foi bem recebida nos meios calvinistas (em que ainda vigorava a imagem daquele deus mesquinho e vingativo do velho testamento) e Gomarius, discipulo de Zanchius e herdeiro da ortodoxia genebrina, pode denuncia-lo como herético.

Reuniram-se os sucessores de Calvino na cidade de Dordrecht, que mais tarde foi engolida pelas aguas do mar, e num arremedo de concílio fizeram citar e condenar aos justos e sábios seguidores de Arminius. Os remonstratenses como passaram a ser chamados foram condenados e anatematizados pela religião do livre exame e a doutrina da liberdade humana condenada irremissivelmente como herética.

Como seus predecessores espirituais Calvino e Beza, Gomarios chamou a espada a serviço da 'ortodoxia' melindrada e fez expulsar da Holanda tanto a Episcopius quanto seus seguidores. Grotius foi posto a ferros e aqueles foram tempos duros e tristes para os homens de envergadura... só lhes restou assinar aos decretos de Dordt ou migrar para Albion.

Assim foi feito e organizada na Inglaterra uma pequena congregação de Remonstratenses.

Gomarius e seus apaniguados puderam respirar livremente e descançar se seus trabalhos.

Eles mal sabiam que o pequeno grupo de Remonstrenses humilhados e expulsos de sua terra natal seria uma semente de grandes coisas.

Porquando as perseguições com que as ortodoxias julgam honrar a deus sempre produzem efeitos opostos aos esperados por seus promotores.

Foi o que se sucedeu quando o déspota Justiniano fez perseguir os arianos a espada ao invés de permitir que a seita descesse em paz a sepultura.

Qual foi o resultado de tudo isto?

Os arianos se instalaram na capital as Arabias Macca, fixaram suas teorias na mente de um jovem arabe chamado Maomé e este se fez campeão do moderno arianismo do de Tumbuctu a Dacca.

Do mesmo modo os hebreus perseguindo aos primeiros discípulos fez com que eles se espalhassem pelo mundo romano e lho conquistassem para o Verbo em menos de trezentos anos. Mas o primeiro impulso foi violência perpetrada pelos senhores do templo, do contrário nossa fé não teria se expandido assim tão rapido.

Conforme os mestres teologos congregados em Dordt ignoravam estas coisas, julgaram possivel suplantar o espírito pela força e só fizeram por espalhar as faiscas do que mais tarde - por meio de Wesley - acabou por converter-se num grande incêndio: o arminianismo ou seja a teoria segundo a qual o homem é livre, devendo responder aos estimulos da divina graça e cooperar com ela.

Desde então a doutrina da liberdade suplantou a teoria do fado ou do destino e a liberdade pode florescer no terreno do protestantismo.

Sob este aspecto Wesley fez mais pela sociedade ianque do que qualquer outro ideologo: deu-lhe espírito e vida.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira...

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira...
... que deu seu Filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16).

"Bem aventurados os perseguidos por causa da justiça ...

"Bem aventurados os perseguidos por causa da justiça ...
... porque deles é o Reino dos Céus" (Mt 5.10)

"...sempre que o fizeste a um destes meus pequeninos irmãos ...

"...sempre que o fizeste a um destes meus pequeninos irmãos ...
... a mim o fizestes". (Mt 25.40)

"...quando seu pai o avistou, e, compadecido dele ...

"...quando seu pai o avistou, e, compadecido dele ...
... correndo, abraçou-o e beijou (Lc 15.20)

Habite ricamente em vós a palavra de Cristo;...

Habite ricamente em vós a palavra de Cristo;...
... instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão em vossos corações (Colossenses 3.16)