quinta-feira, 7 de abril de 2016

Discussões políticas

Não faz muito tempo coloquei um foto minha no facebook acerca da má situação dos trensem São Paulo, e publiquei meio que querendo ser irônico com a frase “Viva Geraldo”.

Rapidamente, mais do que eu imaginava, a foto foi bastante curtida, mas também surgiram comentários raivosos, e até acusação de que eu era petista!

Isso demonstra que vivemos tempos bastante complicados nesta questão, praticamente polarizados, em que criticar um dos lados já te faz ser, automaticamente, na visão de alguns, apoiador do outro!

Particularmente, entendo que não deveríamos romper nossas amizades por questões políticas.

Isso porque a maioria de nós não conhece pessoalmente os políticos que vemos na mídia. Não sabemos se são pessoas boas, educadas, honestas, justas, agradáveis, pois não convivemos com elas. Por outro lado, nossos amigos e colegas, conhecemos pessoalmente. Se há alguma afinidade, alguma amizade, é porque de algum modo já consideramos que vale a pena caminhar um pouco com tal pessoa. Logo, romper uma amizade ou um coleguismo por conta de uma discussão política é como trocar o certo pelo duvidoso.

Outra questão que sempre me pareceu muito importante é o fato de que, nessas discussões acerca de pessoas públicas, nós raramente temos acesso aos fatos primários. Nós não somos testemunhas oculares. Tudo que chega até nós são informações mediadas, interpretadas, e até mesmo distorcidas. Já, o seu amigo ou colega, você conviveu, conhece fatos da vida dele (pelo menos os que te dizem algum respeito), por isso vocês têm uma história de convivência. Será que vale a pena colocar tanta energia em assuntos e notícias que nem sabemos se verdadeiras?


Sim, é verdade que política afeta a vida de cada um de nós. E cada qual, com base em seu modo de pensar, informações, estudos realizados, entre outras coisas, pode, no nosso sistema político, chegar à conclusão que melhor lhe parecer, e que, talvez, não seja a mesma de um amigo. Entretanto, por mais que a política afete nossa vida, não o faz na mesma esfera que uma amizade. Portanto, brigar por questões políticas, além de por em risco amizades e coleguismos, revela-se uma inutilidade.




quarta-feira, 30 de março de 2016

Ação Pastoral em tempos de crise política

Política é uma coisa muito difícil de ser avaliada, ainda mais no calor das emoções.

Estamos vivendo um momento de muita turbulência política. Dentro de uma mesma igreja, de uma mesma comunidade, pessoas com posicionamentos bastante antagônicos.

Em muitas comunidades, há pessoas de esquerda e de direita. Há os que defendem o PT, e há os que o atacam.

Nesse momento, precisamos ser muito cautelosos, pois a igreja deve ser uma comunidade que abrigue pessoas de diversas posições.

Por isso, temos que tomar o cuidado para não partidarizar a igreja. Caso isso seja feito, estaremos nos fechando para a pluralidade das opiniões.

Os crentes podem e devem ter o direito de se manifestar livremente. Mas os pastores precisam estar atentos para que essa briga não cause cisões irremediáveis na comunidade.

E mesmo pastores têm que ter a consciência de que, quando se manifestam, o fazem enquanto cidadãos, e não como autoridades religiosas. Daí é bom evitar fazer tais comentários durante a liturgia. Particularmente acho que não pega bem padres e pastores ficarem se posicionando pública e radicalmente em relação a um ou outro partido.

Também deve orientar o povo para que não se portem como se estivem sedentas de vingança, nem que se encham de ira, sob o argumento de que estão procurando justiça. O importante é buscar a serenidade em todas as coisas.

Justiça é tudo o que parece não existir no campo político. Não vale a pena cindir uma comunidade nem perder uma amizade por conta destas questões.






Padre acusado de racismo por publicar livro contra religiões espíritas

A notícia abaixo diz respeito a um processo que tramitou no Superior Tribunal de Justiça. Abaixo eu comento, em itálico:

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou nesta quinta-feira (17) um pedido de habeas corpus para trancar ação penal contra um padre, acusado de racismo, por ter feito acusações discriminatórias à religião espírita e às de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, em passagens de um dos seus livros publicados.
O relator do caso, desembargador convocado Ericson Maranho, cassou uma liminar anteriormente concedida pelo STJ e manteve o acórdão do Tribunal de Justiça da Bahia para continuidade da ação penal, sendo seguido por unanimidade pelos ministros da Sexta Turma.
No voto, Maranho salienta que o trancamento de inquérito policial ou ação penal por meio de habeas corpus é “medida excepcional, somente autorizada em casos em que fique patente, sem necessidade de análise fático-probatória, a atipicidade da conduta, a absoluta falta de provas da materialidade e indícios da autoria ou a ocorrência de alguma causa extintiva da punibilidade, o que não ocorre no presente caso”.
O desembargador convocado negou ainda o pedido da defesa de prescrição do crime, salientando que o padre foi denunciado pelo Ministério Público com base no artigo 20 da Lei 7.716/1989, que define os delitos resultantes de preconceito de raça ou de cor.
“Tratando-se de crime de racismo, incide sobre o tipo penal a cláusula de imprescritibilidade prevista no art. 5º, XLII, da Constituição Federal”, afirmou Ericson Maranho.
Segundo ele, também não prospera a alegação da defesa de que o acusado foi denunciado "pela prática e incitação de discriminação ou preconceito religioso", o que não se enquadraria dentro definição do crime de racismo, não sendo aplicável a cláusula de imprescritibilidade prevista na Constituição.
“Ocorre que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do STJ é firme no sentido de que o crime de racismo não se restringe aos atos preconceituosos em função de cor ou etnia, mas abrange todo ato discriminatório praticado em função de raça, cor, etnia, religião ou procedência”, afirmou.
Esta notícia refere-se ao(s) processo(s): HC 143147

Particularmente, vejo que a jurisprudência mistura o conceito de religião com o racial. Ou seja, o padre fez uma afirmação de caráter teológico, e pode acabar sendo tomada com sendo de caráter racial. Sendo que boa parte, talvez a maioria dos pais e mães de santo não são negros. Além do que, a África possui várias religiões, que não somente as espíritas.

Questões de cunho teológico assim não deveriam nem ser objeto de apreciação jurídica, a meu ver. Estamos entrando em uma fase difícil para a liberdade de expressão religiosa.

Será que em um futuro próximo, criticar o Islã significa atacar uma raça? Se alguém criticar o antigo testamento, estará necessariamente sendo racista contra os judeus? E assim sucessivamente? 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Contracepção é tolerável para evitar enfermidade

A fim de prevenção contra o vírus da "zika", o papa Francisco admitiu a possibilidade das fiéis utilizarem métodos contraceptivos, conforme noticiado no Estadão.

Isso seria um tipo de "mal menor" do que contrair a doença.

Entretanto, o papa foi enfático ao dizer que o aborto continua sendo um crime.

A igreja católica, de modo geral, não admite o uso de contraceptivos, a não ser em casos excepcionais, e também considera o aborto, pecado gravíssimo.


Quando ouvir música pop faz alguém ser decapitado

Quando?

Quando estiver sob o regime como o do Estado Islâmico, na Síria, conforme noticiado em "O Globo".

O Estado Islâmico apresenta-se a si mesmo como uma versão pura do Islã, que vive literalmente os preceitos de Maomé.

Também foram executados dois adolescentes por não comparecerem às orações da sexta feira.

Lembro-me de ter lido em algum lugar que o Estado Teocrático de Calvino colocava os diáconos na rua para vigiar o povo que não comparecesse à Igreja aos domingos, mas não sei se o barbarismo chegava a tanto.

Infelizmente, em nome de uma religião, se cometem tamanhas atrocidades, justamente em um assunto em que as sociedades modernas entendem que se deve dar vazão à liberdade pessoal de escolha ou rejeição.

Enfim, peçamos a Deus que ilumine as autoridades deste mundo para que possam lidar com a ameaça do fundamentalismo islâmico.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

E não endureçais os vossos corações

"... não endureçais os vossos corações..." (Hebreus 3.8)


O Espírito Santo é retratado como Aquele que fala ao seu povo (Hb 3.7), cuja função é convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16.8).

Logo, todas as vezes que pecarmos, uma influência divina virá sobre nós, nos alertando acerca da necessidade do arrependimento.

Ocorre que muitas vezes há determinadas características em nós mesmos que não são nada agradáveis à santidade de Deus. E o Espírito não descansará enquanto não houver mudado tal coisa em nosso caráter. Não há filho que não esteja sem correção.

Os cristãos hebreus estavam à beira da apostasia, querendo retornar aos velhos rituais judaicos. O escritor da epístola aos Hebreus irá alertá-los do perigo ao qual estavam incorrendo, demonstrando a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o Levítico. Mas é possível que houvesse também outras práticas pecaminosas, das quais são alertados. Entre as lições, eles deveriam aprender com a experiência dos antigos hebreus que murmuraram contra Moisés e contra Deus (Hebreus 3.8-11).

O fato é que tais lições existem para que nós mesmos analisemos nossa própria vida. Como está o nosso coração? Quando o Senhor nos aponta algum erro, nós nos endurecemos? E quando tal erro é apontado em nossa vida por algum outro irmão ou liderança? Será que nós queremos nos justificar? Ao menos pensamos no assunto?

O pecado age em nós de dentro para fora. Ele tem o poder de nos endurecer. Estar endurecido é fechar-se para a influência divina. E tudo isso pode ser fruto da incredulidade. Esta é uma perversidade do coração (Hb 3.12) que afasta do Deus vivo.

O coração, para os hebreus, era a fonte de toda vida. Se endurecermos o coração para a influência do Espírito Santo, ninguém mais poderá modificar o nosso coração, a ponto de alguns até terem argumentado que essa insistência no pecado que é a verdadeira blasfêmia contra o Espírito, impossibilitando a salvação de quem assim age.

De qualquer modo, fica aqui o alerta. Não devemos jamais endurecer os nossos corações, e devemos sempre estarmos expostos às exortações que procedem da Palavra do Senhor.


Corações endurecidos
Pixabay


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Espiritualidade no falar

A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira (Provérbios 15.1).


A espiritualidade de alguém pode ser, de certa forma, "medida", à "medida" que ouvimos as palavras que saem de sua boca. A palavra "espírito" vem de "pneuma", que significa "fôlego", "sopro", "vento". Sem fôlego, ninguém fala, e aqui vemos então um símbolo da espiritualidade em nosso modo de falar.

Não se trata aqui da palavra "palestrada", preparada, pensada, ensaiada. Um pastor, um preletor, padre, mestre, pode também ser um artista.

A verdadeira espiritualidade se é medida, constatada, verificada mesmo no cotidiano da existência.

Como converso com meu amigo, professor, colega de trabalho, pais, e principalmente com o cônjuge (aqui mesmo, a batalha é de fogo, no cotidiano de toda uma vida) demonstra realmente o meu verdadeiro estado.

Uma fala irada, sensualizada, egocêntrica, só expõe aquilo que já está no coração de alguém. Mesmo que ensaie para pregar e ensinar, o velho sotaque do velho homem sai nas entrelinhas. As entrelinhas são aqueles momentos em que nossa verdadeira natureza se expõe. 

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Destruindo a família com as próprias mãos

Toda mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos (Provérbios 14.1).


Sim, é verdade. Uma mulher tola coloca tudo a perder dentro de sua casa. A tolice é vista como uma espécie de estultícia, falta de bom senso, enfim.

Mas em minha experiência enquanto pastor, o que mais vejo mesmo é homens destruindo, literalmente, a sua casa com suas próprias mãos.

Conheci uma família linda, em que havia uma esposa trabalhadora, dedicada, com lindos filhos. Mas o marido era agressivo, injusto, bebedor e violento. Ao final das contas, sua mulher saiu de casa com seus filhos para um lugar incerto e não sabido, depois de muito sofrimento. Eis aí um caso de um homem que destruiu o lar com suas próprias mãos. São inúmeros os casos de agressões familiares, de modo geral provocada pelos maridos.

O fato é que existe uma capacidade destruidora dentro de todos nós, independentemente do gênero, mas os homens são muito mais violentos, por óbvio. Países vivem em guerras, partidos, quadrilhas, porque pessoas também vivem em guerra. Se dermos vazão à nossa ira, daremos vazão à loucura destrutiva, e destruiremos com as próprias mãos aquilo que é o mais importante em nossa vidas: nossa família.

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A mais bela herança

O homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador é depositada para o justo (Provérbios 13.22).


A principal herança que podemos deixar a alguém não é necessariamente material, embora esta também seja importante. A mais importante herança que deixamos é a moral, a ética, ou espiritual, que engloba todas as demais.

Que tipo de herança temos deixado aos nossos descendentes? Quando digo descendentes, não estou pensando somente em laços de sangue, mas alunos, amigos, discípulos, irmãos. São as esperanças e inspirações da nossa vida que vão conduzir e inspirar a vida de outras pessoas.

Vejamos o exemplo de Jesus. Não deixou nenhuma herança material para ninguém. Entretanto, como não enxergar se cumprir cabalmente este versículo na vida do mestre de Nazaré, que inspirou e continua inspirando milhões de pessoas. Seria realmente o maior legado que alguém poderia deixar. Além do que, pelo seu ato redentivo, nos constituiu herança de Deus.

Que sejam as inspirações da nossa vida o nosso maior legado para as futuras gerações. E claro, se tivermos a oportunidade de não deixá-las materialmente desguarnecidas, isso também será bom.

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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Execuções na Arábia Saudita





Vigora na Arábia Saudita a "sharia" (ou uma interpretação desta), que é a aplicação da lei islâmica.

Segundo a Anistia Internacional, a justiça daquele país não segue os ditames que respeitam os direitos humanos, como um processo judicial claro, transparente, mas prevalecem decisões arbitrárias, com execuções que vão desde o fuzilamento até as decapitações. Segundo esta mesma Anistia, também ocorrem casos de torturas, para que sejam obtidas falsas confissões.

Muitas das pessoas executadas pelo regime eram estrangeiras, e sequer entenderam seus julgamentos, sendo obrigadas a assinar documentos sem assistência de tradutores.

Há execuções desde por uso de substância entorpecentes bem como por questões religiosas.

A religião predominante na Arábia Saudita é o islamismo sunita, porém em uma variação considerada bastante "puritana" ou radical, o wahhabismo, que prega uma espécie de volta ao islamismo original. Tal movimento se encontra no mundo inteiro. Foi da união de um clã super poderoso e de tal visão religiosa que surgiu a Arábia Saudita, mas a relação entre religião e estado naquele país muitas vezes tem sido tensa.

Com informações da BBC Brasil.
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