segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Lidando com ataques pessoais nas redes sociais


Digamos que um ateu e um crente estejam empreendendo a seguinte discussão:

Ateu: particularmente, entendo que não há bases sólidas para se crer em Deus. Não é possível provar empiricamente a sua existência. O ônus da prova cabe a quem alega.

Crente: você não passa de um incrédulo, irracional, bobalhão!

Ou então, o contrário:

Crente: particularmente, entendo que há mais bases para crer do que para ser incrédulo. Primeiramente, precisamos verificar que nada surgiu do nada nesse mundo. Tudo é derivado de uma causa primeira.

Ateu: você não passa de um cego, que tenta impor sua cegueira para todo o mundo! Fanático!

Ou então uma conversa de cunho mais político entre o João e o Marquinho:

João: sou favorável a um estado mais interventor, a fim de que possa socorrer aqueles que são materialmente desprovidos.

Marquinho: seu petralha, comunista!

E assim sucessivamente...

O que podemos notar em comum em todos esses diálogos? É que o segundo dialogante não debate a ideia do primeiro, e sim faz um ataque à sua pessoa.

Esse é o famoso argumento “ad hominem”, em que se desvia do assunto para atacar a pessoa.

Como lidar com esse tipo de argumento?

Dou uma sugestão.

Na primeira vez que te xingarem, você não revida, e procura mostrar educadamente para a pessoa que não é você que está em discussão, mas sim o assunto abordado.

Se ainda assim persistir, se tal pessoa continuar ofendendo você, sugiro que você bloquei o perfil dela. “Se afaste”, por assim dizer.

Entretanto, se já da primeira vez a pessoa te atacar com grosseria e radicalidade, talvez seja melhor romper ali mesmo. Não será de grande valia manter o contato com alguém que já parte para as ofensas pessoais assim logo de cara, sem te conhecer. Se ela faz assim em um primeiro contato, o que poderia fazer depois? Geralmente esse tipo de conversa não leva a lugar algum. Ao servo do Senhor não convém contender, mas ser apto para ensinar, brando para com todos e paciente.

sábado, 19 de novembro de 2016

Lembre-se de quem te chamou


“...eu vos escolhi a vós outros...” (João 15.16).

Sim. Há momentos em que alguém possa desanimar de sua caminhada. Desanimar de seu chamado. Desanimar de continuar no ministério. Cansado de sua vida espiritual. “Mais vale a pena trabalhar”, ele pensa. Mais vale a pena investir na profissão. Em um novo curso de línguas. Em um novo empreendimento. Ok. Nada disso é errado. O problema são as motivações.

Podem existir inúmeros motivos para você desistir da tua caminhada, mas te dou um pelo menos, o único necessário para você continuar. E o motivo é simplesmente o fato de que, quem te chamou, quem te escolheu, quem te vocacionou foi o próprio Jesus. Foi o Mestre. O Rei dos reis. O Senhor dos senhores. O princípio e o fim. O grande Alfa e o Ômega. O Salvador. O nosso grande Redentor. Sim, foi ele quem te chamou. O único e necessário motivo para você continuar em sua caminhada é a certeza de QUEM FOI que te escolheu. Não se perca em devaneios teológicos! Em perguntas perplexas! Em contradições! Tenha certeza de que isso não foi um empreendimento próprio! A escolha de quem não tinha mais nada o que fazer. O desejo de um aventureiro ou coisa do tipo. Nada disso! Foi um chamado! Um glorioso chamado para a bem aventurança. Para a missão. Para demonstrar o amor de Deus ao mundo. Para salvar almas. Para animar vidas! Para proclamar o ano aceitável do Senhor! Para transmitir o evangelho ao mundo!

Não é incomum alguém desanimar da própria caminhada. Se isso acontecer contigo, meu irmão. Lembre-se de Quem te chamou. Jesus Cristo, o nosso Senhor e Salvador! Isso, e somente isso, é o suficiente para permanecermos fiéis até o fim!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Uma reflexão acerca do Salmo 128

Fonte: Manaim Guaianazes


Leitura: Salmo 128.

Cuida-se de um salmo, provavelmente de peregrinação com promessas de bênçãos.

Entretanto, há duas condições descritas neste salmo para que um homem usufrua de tais bênçãos e possa ser considerado bem aventurado:

A primeira delas é que tal homem “tema ao Senhor” (vers. 1). O temor ao Senhor é uma profunda reverência a Ele, um profundo respeito e amor. Isso também envolve o medo de pecar contra Ele, pois não queremos desagradá-lO.

A segunda condição é que tal homem “ande nos seus caminhos” (vers. 1). Ou seja, tem a ver com a vida prática. Ele ama a Deus sobre todas as coisas, o próximo como a si mesmo, honrando os pais, não adulterando, não mentindo, nem cobiçando. Enfim, buscando cumprir os mandamentos de Deus em sua vida.

Vejamos agora as promessas expostas pelo salmista:

1 – Do trabalho das mãos comerás (vers. 2): É uma benção no sentido de poder prover a si próprio os meios de existência, não precisando comer das mãos de outras pessoas. Sabemos que em muitos momentos, algumas pessoas, por diversos motivos, seja de abandono ou algum problema existencial como a perseguição religiosa, precisam da caridade alheia. Entretanto, o ideal do Senhor em tempos de paz para a vida de um homem que o teme é que possa prover o seu próprio sustento, e isso é uma coisa muito digna e boa. Um homem que teme ao Senhor é laborioso, diligente e esforçado, no sentido de prover as suas próprias necessidades e a da sua família (Provérbios 10.4, 21,5).

2 – Feliz irás e tudo te irá bem (vers. 2): É ser abençoado com a capacidade de realmente USUFRUIR com alegria e contentamento de todas as bênçãos que recebe. Há pessoas que têm muitos bens materiais, mas não se alegram, não sentem prazer nisso. O homem que teme a Deus será próspero em tudo o quanto fizer, pois seu prazer está na lei do Senhor (Salmo 1).

3 – Tua esposa, no interior da casa, será como videira frutífera (vers. 3): videira era uma importante árvore em Israel, responsável pela uva, pelo vinho. Muitas imagens podem ser invocadas a partir desse símbolo, como fertilidade, sexualidade satisfatória, mas principalmente a alegria no lar (o vinho feito pela uva traz esse símbolo). A esposa do homem que teme ao Senhor tem uma vida frutífera (Provérbios 31). É uma promessa ao casamento. Isso não significa que somente pessoas casadas podem ser felizes, mas sim que, em um casamento em que há temor do Senhor, maior felicidade haverá (Pv 18.22; 19.14)

4 – Seus filhos serão como rebentos de oliveira em redor da mesa (vers. 3): Oliveira é outra árvore muito apreciada em Israel, pois produz azeite. Rebentos de oliveira são como que folhinhas que vão nascendo em uma árvore que poderia esta aparentemente sem vida. Simboliza então a renovação da vida, da existência, em nossos filhos, nos dando um verdadeiro prazer e alegria.

O salmo se encerra ainda com algumas bênçãos impetradas sobre a vida dos que temem ao Senhor:

1 – “O Senhor te abençoe desde SIÃO para que vejas a prosperidade de JERUSALÉM durante os dias de sua vida” (vers. 5): a ideia básica aqui é que a benção familiar estará se estenderá por sobre toda a nação. Famílias prósperas, nação próspera.

2 – “... Vejas os filhos de teus filhos. Paz sobre Israel” (vers. 6): uma benção de longevidade, a fim de ver cumpridas tais bênçãos na vida dos próprios netos.


Enfim, este salmo realmente possui promessas maravilhosas para a vida da pessoa que teme a Deus. De fato, em nossa nação atualmente, há muitas famílias disfuncionais, como homens que maltratam suas esposas, filhos abandonados, recorde de separações. E possível que tais acontecimentos lastimavelmente prejudiquem toda a nação, pois por trás de boa parte dos problemas sociais há problemas familiares. Que o Senhor possa promover famílias abençoadas em nossa sociedade para que possamos ver a prosperidade de nossa nação.

Diante de tudo isso, pergunte-se a si mesmo:

1 - Você tem realmente temido ao Senhor e andado nos seus caminhos, se esforçando para não pecar, e procurando meditar sempre em sua Palavra?

2 - Sua vida familiar tem sido marcada mais pelo conflito, desajustes, desentendimentos ou pela paz?

3 - Você consegue vislumbrar quais têm sido suas falhas no que se refere a manter uma maior harmonia familiar?


Soli Deo gloria!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Todo poder... emana do povo ou de Deus?

Há uma proposta de Emenda a Constituição, a PEC 12/2015, que assim reza: reza: Altera a redação do parágrafo único do art. 1º da Constituição Federal, para declarar que todo o poder emana de Deus. Veja o inteiro teor no sítio da Câmara dos Deputados.

Tal proposta é de autoria do Cabo Daciolo, que foi expulso do PSOL por estas e outras situações. Há outras publicações acerca do assunto aqui e aqui.


Atualmente, tal proposta se encontra pronta para a Pauta na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).


O autor da proposta é reconhecidamente um cristão evangélico.



Surge a seguinte questão: será que os cristãos evangélicos (ou outros cristãos) devem ser favoráveis a uma reforma constitucional deste tipo? Devemos apoiar candidatos que têm tais propostas?

Vejamos.

Realmente, se formos cristãos que acreditam no novo testamento, teremos bons motivos para entender que todo o poder realmente vem de Deus. Veja o que o apóstolo Paulo diz:


Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há poder que não venha de Deus; e os poderes que há foram ordenadas por Deus. Romanos 13:1


Parece que o próprio Senhor Jesus reconheceu que todo o poder que uma pessoa pode ter foi concedido do alto:


Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem. João 19:11

Ok.

Por causa disso, devemos apoiar a tal mudança constitucional?

Particularmente, entendo que não. E por dois motivos:


Primeiramente, por conta da própria laicidade do Estado. No Estado há ateus, agnósticos, e crentes de todos os tipos. Nosso estado não é confessional. Em nenhuma divindade, qualquer que seja. O crente até pode acreditar que todo poder emana de Deus, e há boas razões bíblicas para crer assim, mas isso independe de se ter um governo de cunho confessional. Não há necessidade para isso. Essa é uma razão jurídica.

Em segundo lugar, dou uma razão teológica. Jesus disse que o reino dele não era desse mundo (João 18.36). Se o reino dele não é deste mundo, por qual razão nós queremos fazer com que seja? Jesus não quer governar este mundo politicamente. Ele quer governar corações voluntários.

Isso, obviamente, não significa que um cristão não possa atuar na arena política, expondo suas ideias, defendendo os valores que julgar mais adequando, notadamente, em minha opinião, defendendo os interesses dos órfãos e das viúvas. Entretanto, creio que é melhor (ou menos pior) não impor nenhum preceito de ordem religiosa, para não desrespeitar os que não creem, ou os que creem de forma diferente.

Acredito que tal proposta de emenda a constituição não passará no congresso, e se vier a passar, cairá no STF.

Enfim... um cristão pode compreender que todo poder vem de Deus, mas não é por isso obrigado a colocar na constituição, afinal, o reino de Deus está em nós!





terça-feira, 10 de maio de 2016

Estado mínimo ou interventor?

Estado liberal, para fins da nossa meditação, é o que garante liberdade econômica. O ápice de tal liberalismo é a não intervenção do Estado em nenhum grau da economia. Liberdade pura. "Mão invisível". 

Estado socialista considerarei o que interfere na economia. Um estado socialista dito “hard” é o que a controla totalmente.

Eu, particularmente, me sinto atraído pela ideia de liberdade. Acredito sinceramente que as pessoas são diferentes, farão escolhas diferentes, e produzirão resultados diferentes, mesmo tendo as mesmas oportunidades.

Também sou da opinião que, em muitos aspectos, a intromissão do estado da economia mais prejudica do que atrapalha. O estado tende a ser grande, burocrático, demorado, e não realiza muito bem o que alguns denominam de cálculo econômico, sem falar na possibilidade da apropriação privada da coisa pública, coisa que acontece muito. Também gasta muito, não é eficiente, e tende a favorecer os capitalistas amigos. Quanto mais liberdade econômica, mais gira o dinheiro, melhora a concorrência, melhoram os produtos, diminui o desperdício, e assim sucessivamente. Compare a construção do estádio do Palmeiras e do Coríntias para ter uma noção da diferença.

Entretanto, a medida que as gerações vão passando, alguns vão se enriquecendo, e outros vão se endividando. A vida é muito dinâmica. Alguns se dão bem. Outros nem  tanto. Os filhos é que sofrem. E eu tenho a sensação de que somente a liberdade econômica não será suficiente para tirar pessoas da pobreza.

Vou dar um exemplo bíblico (me perdoem os cientistas e intelectuais, por favor, mas acredito que é pertinente). Segundo a lei de Moisés, as pessoas tinham liberdade de comprar e de vender, de negociar, entre outras coisas. E, portanto, também poderiam se endividar. Uma pessoa sem bens poderia até mesmo ser escravizada por dívidas. Entretanto, havia alguns mecanismos legais em Israel interessantes, embora pouco utilizados. O primeiro é o que dizia que, de sete em sete anos, todas as dívidas deveriam ser perdoadas. Leia Deuteronômio 15. Outro era o fato de que alguém que tivesse, por algum motivo de dívidas, se tornado escravo, só poderia trabalhar por seis anos, e no sétimo, seria solto e perdoado, além de receber uma indenização (ou seja, não era solto de mãos vazias), e de cinquenta em cinquenta anos, todas as posses retornavam aos seus donos originais. Leia Levítico 25, por exemplo. E tudo isso para que não existissem pobres no meio do povo.

Isso me faz pensar que é preciso existir algum mecanismo que evite a absoluta desigualdade econômica entre as pessoas e minimize os eventuais efeitos do livre mercado. Não sei dizer o tamanho, ou a medida de tais mecanismos, mas, ainda que não seja um Estado socialista, absolutamente interventor, ele precisa ter alguma potencialidade interventiva para casos de necessidade. E, tendo em vista os exemplos cíclicos (sete em sete anos, cinquenta em cinquenta anos), tem que ser um sistema permanente, pois enquanto houver humanidade, haverá pobres e desigualdade (Jesus disse que sempre teríamos pobres conosco).

Por isso, chego a singela conclusão, neste texto não técnico, mas por pura meditação, que embora a liberdade econômica seja desejada, e que o Estado não seja tão grande a ponto de se intrometer em todos os aspectos da vida, mesmo econômicos, há a necessidade de alguma potencialidade interventiva para socorrer os mais necessitados.


Para um liberal, um estado assim é considerado meio socialista, e para um comunista, o considera mero reformista, ou quase capitalista. Que difícil, né?


quinta-feira, 7 de abril de 2016

Discussões políticas

Não faz muito tempo coloquei um foto minha no facebook acerca da má situação dos trensem São Paulo, e publiquei meio que querendo ser irônico com a frase “Viva Geraldo”.

Rapidamente, mais do que eu imaginava, a foto foi bastante curtida, mas também surgiram comentários raivosos, e até acusação de que eu era petista!

Isso demonstra que vivemos tempos bastante complicados nesta questão, praticamente polarizados, em que criticar um dos lados já te faz ser, automaticamente, na visão de alguns, apoiador do outro!

Particularmente, entendo que não deveríamos romper nossas amizades por questões políticas.

Isso porque a maioria de nós não conhece pessoalmente os políticos que vemos na mídia. Não sabemos se são pessoas boas, educadas, honestas, justas, agradáveis, pois não convivemos com elas. Por outro lado, nossos amigos e colegas, conhecemos pessoalmente. Se há alguma afinidade, alguma amizade, é porque de algum modo já consideramos que vale a pena caminhar um pouco com tal pessoa. Logo, romper uma amizade ou um coleguismo por conta de uma discussão política é como trocar o certo pelo duvidoso.

Outra questão que sempre me pareceu muito importante é o fato de que, nessas discussões acerca de pessoas públicas, nós raramente temos acesso aos fatos primários. Nós não somos testemunhas oculares. Tudo que chega até nós são informações mediadas, interpretadas, e até mesmo distorcidas. Já, o seu amigo ou colega, você conviveu, conhece fatos da vida dele (pelo menos os que te dizem algum respeito), por isso vocês têm uma história de convivência. Será que vale a pena colocar tanta energia em assuntos e notícias que nem sabemos se verdadeiras?


Sim, é verdade que política afeta a vida de cada um de nós. E cada qual, com base em seu modo de pensar, informações, estudos realizados, entre outras coisas, pode, no nosso sistema político, chegar à conclusão que melhor lhe parecer, e que, talvez, não seja a mesma de um amigo. Entretanto, por mais que a política afete nossa vida, não o faz na mesma esfera que uma amizade. Portanto, brigar por questões políticas, além de por em risco amizades e coleguismos, revela-se uma inutilidade.




quarta-feira, 30 de março de 2016

Ação Pastoral em tempos de crise política

Política é uma coisa muito difícil de ser avaliada, ainda mais no calor das emoções.

Estamos vivendo um momento de muita turbulência política. Dentro de uma mesma igreja, de uma mesma comunidade, pessoas com posicionamentos bastante antagônicos.

Em muitas comunidades, há pessoas de esquerda e de direita. Há os que defendem o PT, e há os que o atacam.

Nesse momento, precisamos ser muito cautelosos, pois a igreja deve ser uma comunidade que abrigue pessoas de diversas posições.

Por isso, temos que tomar o cuidado para não partidarizar a igreja. Caso isso seja feito, estaremos nos fechando para a pluralidade das opiniões.

Os crentes podem e devem ter o direito de se manifestar livremente. Mas os pastores precisam estar atentos para que essa briga não cause cisões irremediáveis na comunidade.

E mesmo pastores têm que ter a consciência de que, quando se manifestam, o fazem enquanto cidadãos, e não como autoridades religiosas. Daí é bom evitar fazer tais comentários durante a liturgia. Particularmente acho que não pega bem padres e pastores ficarem se posicionando pública e radicalmente em relação a um ou outro partido.

Também deve orientar o povo para que não se portem como se estivem sedentas de vingança, nem que se encham de ira, sob o argumento de que estão procurando justiça. O importante é buscar a serenidade em todas as coisas.

Justiça é tudo o que parece não existir no campo político. Não vale a pena cindir uma comunidade nem perder uma amizade por conta destas questões.






Padre acusado de racismo por publicar livro contra religiões espíritas

A notícia abaixo diz respeito a um processo que tramitou no Superior Tribunal de Justiça. Abaixo eu comento, em itálico:

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou nesta quinta-feira (17) um pedido de habeas corpus para trancar ação penal contra um padre, acusado de racismo, por ter feito acusações discriminatórias à religião espírita e às de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, em passagens de um dos seus livros publicados.
O relator do caso, desembargador convocado Ericson Maranho, cassou uma liminar anteriormente concedida pelo STJ e manteve o acórdão do Tribunal de Justiça da Bahia para continuidade da ação penal, sendo seguido por unanimidade pelos ministros da Sexta Turma.
No voto, Maranho salienta que o trancamento de inquérito policial ou ação penal por meio de habeas corpus é “medida excepcional, somente autorizada em casos em que fique patente, sem necessidade de análise fático-probatória, a atipicidade da conduta, a absoluta falta de provas da materialidade e indícios da autoria ou a ocorrência de alguma causa extintiva da punibilidade, o que não ocorre no presente caso”.
O desembargador convocado negou ainda o pedido da defesa de prescrição do crime, salientando que o padre foi denunciado pelo Ministério Público com base no artigo 20 da Lei 7.716/1989, que define os delitos resultantes de preconceito de raça ou de cor.
“Tratando-se de crime de racismo, incide sobre o tipo penal a cláusula de imprescritibilidade prevista no art. 5º, XLII, da Constituição Federal”, afirmou Ericson Maranho.
Segundo ele, também não prospera a alegação da defesa de que o acusado foi denunciado "pela prática e incitação de discriminação ou preconceito religioso", o que não se enquadraria dentro definição do crime de racismo, não sendo aplicável a cláusula de imprescritibilidade prevista na Constituição.
“Ocorre que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do STJ é firme no sentido de que o crime de racismo não se restringe aos atos preconceituosos em função de cor ou etnia, mas abrange todo ato discriminatório praticado em função de raça, cor, etnia, religião ou procedência”, afirmou.
Esta notícia refere-se ao(s) processo(s): HC 143147

Particularmente, vejo que a jurisprudência mistura o conceito de religião com o racial. Ou seja, o padre fez uma afirmação de caráter teológico, e pode acabar sendo tomada com sendo de caráter racial. Sendo que boa parte, talvez a maioria dos pais e mães de santo não são negros. Além do que, a África possui várias religiões, que não somente as espíritas.

Questões de cunho teológico assim não deveriam nem ser objeto de apreciação jurídica, a meu ver. Estamos entrando em uma fase difícil para a liberdade de expressão religiosa.

Será que em um futuro próximo, criticar o Islã significa atacar uma raça? Se alguém criticar o antigo testamento, estará necessariamente sendo racista contra os judeus? E assim sucessivamente? 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Contracepção é tolerável para evitar enfermidade

A fim de prevenção contra o vírus da "zika", o papa Francisco admitiu a possibilidade das fiéis utilizarem métodos contraceptivos, conforme noticiado no Estadão.

Isso seria um tipo de "mal menor" do que contrair a doença.

Entretanto, o papa foi enfático ao dizer que o aborto continua sendo um crime.

A igreja católica, de modo geral, não admite o uso de contraceptivos, a não ser em casos excepcionais, e também considera o aborto, pecado gravíssimo.


Quando ouvir música pop faz alguém ser decapitado

Quando?

Quando estiver sob o regime como o do Estado Islâmico, na Síria, conforme noticiado em "O Globo".

O Estado Islâmico apresenta-se a si mesmo como uma versão pura do Islã, que vive literalmente os preceitos de Maomé.

Também foram executados dois adolescentes por não comparecerem às orações da sexta feira.

Lembro-me de ter lido em algum lugar que o Estado Teocrático de Calvino colocava os diáconos na rua para vigiar o povo que não comparecesse à Igreja aos domingos, mas não sei se o barbarismo chegava a tanto.

Infelizmente, em nome de uma religião, se cometem tamanhas atrocidades, justamente em um assunto em que as sociedades modernas entendem que se deve dar vazão à liberdade pessoal de escolha ou rejeição.

Enfim, peçamos a Deus que ilumine as autoridades deste mundo para que possam lidar com a ameaça do fundamentalismo islâmico.
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