sábado, 29 de novembro de 2014

José do Egito - um exemplo de superação

Cedo ou tarde na vida, todos provavelmente terão que lidar com a traição ou alguma injustiça praticada contra si. José do Egito, personagem bíblico descrito no livro de Gênesis, teve que enfrentar traições e injustiças em sua caminhada conforme segue:

Genesis 37.1-28: Ele foi vendido como escravo por seus irmãos. Isso é uma traição da mais alta conta, das mais doloridas. 

Gênesis 39.1-20: Foi injustiçado pela esposa de Potifar. Ela queria ter um caso com ele, que recusou e fugiu. Ela o acusou falsamente de tentar força-la, e por conta disso, foi preso.

Gênesis 40.8-23: Após interpretar o sonho do copeiro, e este ser liberto, foi esquecido na prisão. Sofreu a ingratidão do copeiro-chefe, pelo menos por algum tempo (dois anos, para ser mais exato).

Podemos dizer que José foi injustiçado:
- no âmbito familiar;
- no âmbito profissional;
- no âmbito ministerial;

E como foi que ele agiu diante de tais situações?

1 – JOSÉ NUNCA SE REVOLTOU CONTRA DEUS NEM NUNCA DEIXOU DE BUSCAR VIVER UMA VIDA PIEDOSA.

A gente percebe do evento em que a mulher de Potifar tentou seduzi-lo, que ele permaneceu fiel a Deus: Gênesis 39.2; 3; 9.

Quando os prisioneiros pediram que ele interpretasse os seus sonhos, José disse: “Porventura, não pertencem a Deus as interpretações”? Gênesis 40.8.

E mesmo quando esteve diante de Faraó para lhe interpretar um sonho, ele disse que o dom de interpretar os sonhos não era dele mesmo, mas sim em Deus (Gênesis 41.15).

Muitas pessoas quando são traídas ou injustiçadas, culpam a Deus, blasfemar de Deus, murmurar de Deus. Abandonam a Palavra de Deus, a igreja de Deus, abandonam tudo! Esta não é a postura correta.

2 – JOSÉ NÃO DEIXOU QUE A DOR DA TRAIÇÃO OU DA INJUSTIÇA O FIZESSE TER UMA POSTURA DERROTISTA DIANTE DA VIDA. 

José nunca deixou de ter uma postura “pró ativa”, ou uma postura “criativa”. Ele não deixou que a dor e a murmuração tomassem conta da vida dele.

Ele tocou o barco para frente. Ele se movimentou.

Não importa o lugar que ele estivesse, ele tinha um comportamento bonito, disciplinado.

Gênesis 39.3-4. Deus abençoava tudo o que José colocava as mãos. Ele não ficava lamentando o fato de ter sido traído por seus irmãos.
Foi na casa de Potifar, e foi assim também na prisão. 

Gênesis 39.21-23. Ele também não ficou um deprimido por conta de ter sido traído pela esposa de Potifar.

José não “focou” na traição, na sua própria dor. Mas ele se movimentou na vida, e Deus foi abençoando tudo o que ele fazia. Como disse o sábio:

“Se te mostras abatido no dia da angústia, é porque a tua força é pequena” (Provérbios 24.10).

Assim também nós não devemos nos focar na dor e na traição. Temos que “ir trabalhar”, nos movimentarmos. Tem gente que se entrega, se derrama todo, se angustia. O problema não é passar por isso. O problema é não sair disso!

3 – JOSÉ NÃO BUSCOU VINGANÇA CONTRA NINGUÉM, PELO CONTRÁRIO, QUANDO CHEGOU O MOMENTO ELE SOUBE PERDOAR.

Faraó colocou José como o maior no Egito. Somente Faraó estava acima de José (Gênesis 41.40).

Ele não alimentou vingança, nem ódio em seu coração.

Ele poderia ter pensado: agora é a minha chance. Agora eu vou pra desforra! Acima de mim, somente o Faraó.

Muita gente vive anos e anos alimentando mágoa, ressentimento, e um desejo de uma vingança que nunca chega. Elas são corroídas por este sentimento.

E na verdade, muito mais do que não vingar, a Palavra do Senhor nos ensina que nós devemos perdoar, perdoar aqueles que nos ofenderam. E foi o que José fez com seus irmãos: os perdoou!

4 – JOSÉ VIU A MÃO DE DEUS EM TODOS OS ACONTECIMENTOS DE SUA EXISTÊNCIA:

Genesis 45.5: Foi somente no final da história que José entendeu todo o propósito de Deus no decorrer dos acontecimentos.

Somente um servo do Senhor pode chegar a tal conclusão, a tal concepção: tudo me ocorreu para a glória de Deus, para um bem maior.

Por isso Paulo mais tarde pode escrever:


“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8.28).

Que o exemplo de José possa inspirar pessoas que têm sofrido a dor da traição e das injustiças, para a glória de Deus Pai!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

497 anos da Reforma Protestante


497 anos da Reforma Protestante
Uma rememoração de seus princípios

A Reforma Protestante foi um movimento cujo início é creditado a Martinho Lutero, um monge da ordem de Santo Agostinho que se revoltou contra o sistema de cobrança de indulgências da igreja romana, cuja renda seria destinada para a construção da Basílica de São Pedro, em Roma. Lutero criou suas famosas 95 teses que criticavam o referido sistema. Após tentativas de Roma de fazer com que Lutero mudasse se retratasse, ele foi excomungado da Igreja Católica. A proteção que recebeu de autoridades alemãs impediu que ele fosse executado como tantos outros antes dele.

A Reforma foi um movimento muito diversificado, pois na verdade, ela se iniciou muito antes de Lutero, com pessoas e movimentos diferentes, como por exemplo, John Huss, John Wycliffe, o movimento valdense, entre outros. Mas foi com Martinho Lutero que a Reforma ganhou mais expressão. Na Alemanha, tivemos os luteranos, na Inglaterra, os anglicanos, no continente europeu, os Reformados (com Zwínglio e João Calvino) e anabatistas (Balthazar Hubmeier, Menno Simons, etc). Hoje, além daquele, temos os metodistas, batistas, pentecostais, entre muitos outros, que enriqueceram todo o movimento protestante espalhado pelo mundo.

Embora tenha existido esta diversidade de movimentos, podemos extrair alguns princípios em que os herdeiros da Reforma Protestante devem concordar entre si.

Em primeiro lugar, o ser humano é salvo somente pela graça de Deus (Sola Gratia), não havendo nenhum mérito nosso para que possamos merecer a salvação. A salvação é dom imerecido de Deus (Efésios 2.8-9), e não vem de obras, para que ninguém se glorie. Ninguém pode ser salvo pelos seus próprios esforços.

Em segundo lugar, somos “justificados somente pela fé” (Sola fides). A fé é o instrumento pelo qual recebemos a graça de Deus, e a própria fé é dom de Deus (Efésios 2.8-9; Romanos 3.23-28).

Em terceiro lugar, “somente em Cristo há salvação” (Solus Christus). Não há outro nome do qual possamos ser salvos (Atos 4.12). Na prática, tal pensamento implicou gradativamente no fim da prática em se fazer intercessão aos santos para que estes, por sua vez, intercedessem a Deus em favor da igreja. Tudo agora passava a ser concentrado em Cristo, único mediador, salvador, intercessor da igreja.

Em quarto lugar, somente a Escritura Sagrada passa a ser o padrão doutrinário e moral final da Igreja (Sola Scriptura), o seu verdadeiro alicerce. A Escritura tem todas as coisas necessárias à salvação e a um reto viver (2 Timóteo 3.16), não havendo nada fora dela que obrigue algum cristão precise acreditar. 

E em quinto lugar, toda a glória pela criação, redenção, salvação, bem como toda a vida do fiel deve ser vivida para a glória de Deus (Soli Deo Gloriae). Tudo na vida de um cristão deve ser avaliado por este princípio, de que, quer comamos, quer bebamos, quer façamos qualquer outra coisa, devemos fazer para a glória de Deus (I Coríntios 10.31).

Em sexto lugar, embora não faça parte dos “cinco solas” da Reforma Protestante, mas um princípio muito ressaltado pelos reformadores foi o “sacerdócio universal de todos os crentes”. Todos os crentes fazem parte do sacerdócio real (I Pedro 2.9). Isso significa que não há mais uma classe de sacerdotes chamada clero que faça uma intermediação entre os homens e Deus. Existem, é verdade, ofícios, ministérios diferentes na igreja, mas todos são sacerdotes.

E em sétimo lugar, há também um princípio muito importante de que a igreja reformada deve estar sempre se reformando (Ecclesia reformata semper reformanda). Ou seja, sempre com o cuidado de não perder a sua essência, a igreja nunca atinge o seu ápice a ponto de não poder melhorar e se adaptar às novas situações necessárias para o cumprimento da sua missão. Não existe um padrão final e imutável para a igreja.

Haveria muitos outros princípios e doutrinas que poderiam ser expostas que levam uma marca nitidamente protestante, mas cuja mera citação mereceria páginas e páginas de reflexão.

Passados 497 anos da Reforma Protestante, muitos dos novos evangélicos conhecem muito pouco da história de suas origens. Talvez a maioria nem saiba o que é o protestantismo de fato. Sequer conhecem os princípios aqui mencionados. Por isso, faríamos muito bem, penso eu, em espalhá-los, divulgá-los, ensiná-los, para que não percamos de vista nossas raízes, origens, e o que nos torna diferente dos outros cristãos católicos e ortodoxos espalhados pelo mundo. Além do que são princípios muito importantes para a nossa própria salvação e espiritualidade.

Leia também:

494 Anos de Reforma Protestante

495 anos de Reforma Protestante

Porque no Oriente não houve Reforma?

Protestantismo e estado laico

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A eternidade da Palavra e a brevidade da vida

"... seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente" (Isaías 40.8).


Cada um de nós certamente já meditou na inexorável e imutável realidade de que a vida é bastante breve.

Nesta passagem, a vida humana é comparada com esta erva, que seca, e cai a sua flor.

O ser humano busca eternidade em tudo o quanto faz. De algum modo, ele procura permanecer, deixando um legado para a posteridade. De modo geral, isso é feito pela sua própria descendência, que é vista como sinal de benção da parte do Senhor.

Hoje, como a procriação não é muito incentivada, muitos procuram se eternizar escrevendo livros, realizando grandes obras e feitos heroicos, reescrevendo suas biografias ou coisas do tipo. Entretanto, tudo isso é vão, e quase podemos ouvir o pregador dizendo "vaidade, tudo é vaidade".

Só há uma coisa dada entre os homens que permanecerá para sempre, e este algo é a "Palavra do Senhor.'

O profeta deixou bem claro que "a Palavra do nosso Deus permanece para sempre".

E Jesus, muitos anos depois de Isaías, confirmou: "Passarão os céus e a terra, mas a minha palavra permanecerá para sempre" (Mateus 24.35) que é somente mais uma prova de sua divindade.

Portanto, todos aqueles que quiserem permanecer para sempre, deverão guardar a Palavra de Deus, que também é Palavra de Jesus, no mais profundo de seu coração. Não importa o que façamos ou deixamos de fazer, desde que seja de acordo com a Palavra, e que ela esteja sempre conosco.

Ame a Palavra do Senhor, estude-a, observe-a, ensine-a, pois fazendo isso, salvará tanto a si mesmo como os que te ouvem (1 Timóteo 4.16). A. W. Tozer dizia que consideraria como inimigo mortal tudo aquilo que o afastava da Palavra do Senhor. Creio que esta deve ser a nossa postura, pois, ter comunhão com a Palavra de Deus é o meio pelo qual podemos ter maior conhecimento e comunhão com o Deus da Palavra.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Da preciosa expectativa de se compartilhar o evangelho com alguém

"Era André, o irmão de Simão Pedro, um dos dois que tinham ouvido o testemunho de João e seguido a Jesus. Ele achou primeiro ao seu próprio irmão, Simão, a quem disse: Achamos o Messias (que quer dizer, o Cristo), e o levou a Jesus..." (João 1.40-42a)


Segundo a narrativa do Evangelho de João, André era discípulo do Batista, mas ficou curioso em conhecer o Cristo, tendo em vista a pregação de seu mestre (João 1.36). André e outro discípulo de João Batista foram até Jesus a fim de conhecê-lo.

Estes dois discípulos passaram um  dia inteiro com Jesus (João 1.38), e após, ele, André, contou primeiro ao seu irmão Simão que eles haviam encontrado o Messias, que  quer dizer, o Cristo (1.41).

Quase não se ouve falar nada de André nas Escrituras Sagradas. Certamente, a história e a tradição têm muito a dizer deste discípulo do Senhor. Mas há algo que consta nas Escrituras: André levou seu irmão Simão para conhecer a Jesus!

André sequer imaginava o que seria de Simão. Este seria tremendamente impactado pelo Cristo. Foi chamado de Cefas (Pedro) por Jesus. Tornou-se um apóstolo e talvez um dos discípulos mais problemáticos no período em que nosso Senhor esteve entre nós.

Entretanto, como se tornou grande este apóstolo. Consta das Sagradas Escrituras que, em seu primeiro sermão, quase três mil pessoas se converteram (Atos 2.41). E o número de discípulos não parava de crescer por conta do testemunho deste abençoado apóstolo, chegando a quase cinco mil. Ele enfrentou as autoridades, foi preso e chicoteado por amor ao evangelho, pregou aos gentios, realizou grandes obras e milagres, escreveu epístolas.

Logo, ainda que André, em toda sua vida, tivesse levado somente Pedro para Jesus, ainda assim sua obra teria sido maravilhosa!

Nós também temos que ter esta expectativa. Cada pessoa que compartilhamos o evangelho é importante. Claro que isso independe daquilo pelo qual o Senhor a utilizará para o seu Reino, mas é muito bacana ter esta expectativa de que, poderá ser grandes e tremendas coisas.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Os significados teológicos da morte de Cristo na cruz


A morte de Cristo não foi somente um acontecimento histórico, resultado da vida de alguém que pregou a justiça e o amor, e que confrontou a injustiça de muitos. Não. A morte de Cristo fazia parte de um plano eterno, realizado em favor da humanidade e de todo o “cosmos”, para que fosse operada a nossa salvação.



É possível alguém passar anos a fio dentro de uma igreja e ainda assim não saber os efeitos a morte de nosso Senhor, dai o porquê de estudarmos alguns deles (este estudo não esgota um assunto tão denso, mas espero que estimule a curiosidade dos leitores para um aprofundamento).



JESUS MORREU EM NOSSO LUGAR - SUBSTITUIÇÃO

Jesus morreu em nosso lugar. Ele levou sobre si os nossos pecados para que nós não sofrêssemos as consequências deles, que seria a eterna separação de Deus.

Segundo as Escrituras: “Cristo morreu por todos, logo, todos morreram” (2Co 5.14). Pedro ainda disse que Jesus “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para o pecado, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados” (I Pe 2.24). Aos romanos, Paulo escreveu: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8)”.

O conhecimento de que fomos substituídos por Cristo em sua morte deve nos levar à adoração ao nosso Senhor e Salvador, tanto com nossos lábios, como com o coração e um reto proceder.

 
JESUS NOS RESGATOU DO PODER DO PECADO - REDENÇÃO

O próprio Jesus afirmou: “O próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate de muitos” (Marcos 10.45). A ideia é a de que vivíamos em um cativeiro, e que um preço muito alto precisaria ser pago para sermos libertos. O preço foi a própria vida de Jesus. Resgatar significa libertar por um preço. Cuida-se de um resgate moral, um resgate de nossa condição pecaminosa e transgressora da lei. Paulo escreveu a Tito: “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras”. (Tito 2:14). Paulo também ensinou: “... qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai” (Gálatas 1:4). Esta redenção ainda não se completou, pois a criação ainda geme e aguarda o cumprimento total de nossa redenção.

Paulo ensinou a necessidade de os que estavam sob a lei serem resgatados (Gálatas 4.4-5). Pedro ainda diz que não fomos resgatados por coisas corruptíveis como prata ou ouro, mas com o precioso sangue de um cordeiro sem defeito ou mácula, a saber, o corpo de Cristo (I Pedro 1.18-19). Os presbíteros da igreja são chamados à supervisionar a igreja que foi comprada (resgatada) por preço de sangue (Atos 20.28). Falsos mestres, que ensinam a libertinagem, renegam o “soberano Senhor que os resgatou” (2 Pedro 2.1).

Tendo em vista que fomos resgatados do poder do pecado, temos que servir a Deus em santidade, pois quem comete pecado, deste se faz escravo.

A MORTE DE CRISTO NOS LIVROU DA IRA DE DEUS – PROPICIAÇÃO

Propiciar significa “apaziguar ou pacificar” a ira. As Escrituras ensinam que a ira de Deus se mantém sobre aquele que é rebelde ao Filho (João 3.36). “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detém a verdade pela injustiça” (Rm 1.18). Paulo diz que antes de nos convertermos éramos por natureza “filhos da ira como também os demais” (Efésios 2.3). Modernamente parece chocante a ideia de que Deus se ira, mas é justamente isso que as Escrituras dizem acerca de d’Ele. Sua ira é uma justa reação a todo o pecado. Todos aqueles que não se livrarem de todos os seus pecados, pela fé em Jesus, sofrerão a ira de Deus. Paulo escreveu que Deus o propôs (a Cristo) “como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça” (Rm 3.35). João também ensinou que Jesus Cristo é a “propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (I Jo 2.2).

A MORTE DE CRISTO REALIZOU A RECONCILIAÇÃO

Reconciliar significa “restaurar uma relação que estava rompida”. As nossas iniquidades fazem separação entre nós e o nosso Deus (Isaias 52.2). Entretanto, o sangue de Jesus derramado na cruz do Calvário nos abriu acesso à amizade para com Deus. Paulo escreveu: “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação” (2 Co 5.18). E ainda: “E que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Col 1.20). Importante salientar que é Deus quem é o autor da reconciliação: “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos entregou a palavra da reconciliação” (2Co 5.19).

 
A MORTE DE CRISTO REALIZOU A JUSTIFICAÇÃO

Justificar significa tornar justo. A ideia é uma imagem de um tribunal. Um juiz justificando, declarando alguém justo. Quando uma pessoa, pela fé, confia em Cristo para a sua salvação, não confiando em sua justiça própria e obras, dizemos que ela é justificada por Deus. Somos justificados pela graça de Deus: “sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.23). Somos justificados pelo sangue de Cristo: “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5.9). Somos justificados pela fé em Cristo: “Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). 

E com alegria, portanto, que podemos dizer: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Tudo isso se dá pela graça de Deus: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; isto não vem de vós, é dom de Deus, não de obras para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8). Que possamos sempre nos lembrar dos maravilhosos efeitos da morte de Cristo sobre nossas vidas para podermos bendize a Deus por tão grande salvação. São maravilhosas e indescritíveis as obras que Deus realizou em nosso favor, por intermédio de Cristo Jesus. Quando o Pai nos deu o Filho, na verdade, deu de Si mesmo e do seu melhor, pois Eles são Um. Se Ele já deu o seu melhor, que era o Filho, como não dará também com Ele todas as demais coisas? Que o Senhor possa nos dar a cada dia uma maior compreensão e gratidão pelas maravilhas que, na cruz foram operadas em nosso favor.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O filho sábio e o insensato

O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza da sua mãe (Provérbios 10.1)

Este é um provérbio que se verifica na prática, no dia a dia.
 
De uma mesma casa podemos extrair os dois exemplos. Um, de um filho que alegra o pai; outro, que entristece sua mãe.
 
Um deles é esforçado e trabalhador desde a mais tenra idade. Acorda cedo. Dorme tarde. É estudioso. Com o fruto daquilo que recebe, ajuda os pais.
 
O outro desde sempre não gosta muito de trabalhar. É ligado a prazeres. Muitas vezes, em vícios. É descompromissado, não para em nenhum emprego. Não dá satisfação em nada do que faz.
 
Por conta das atitudes deste segundo filho, os pais (a mãe principalmente) mal conseguem dormir. Muitos vivem até em estado de terror e angústia. Há filhos que até ameaçam.
 
Existe fórmula para resolver este tipo de embate? Não necessariamente. Somente a fé, o amor e a esperança. Com este aliados, se supera qualquer dificuldade.
 
Não adianta carregar complexo de culpa também. Há um momento na vida que cada qual parece fazer suas próprias escolhas. E alguns, sucumbem diante de seu próprio pecado.
 
Embora imagino que seja muito difícil, é importante os pais não se matarem por conta de um filho assim. É preciso amor, compreensão, carinho, e acima de tudo muita fé. Muitos anos podem levar, mas com a ajuda de Deus, muitos se recuperaram em suas transgressões e verdadeiramente mudaram de vida, voltando a alegrar os pais.
 
De qualquer modo, fica sempre um alerta para os pais. As Escrituras Sagradas nos dão determinados parâmetros, princípios para educarmos nossos filhos, e o maior deles, creio, além da fé e de nossas orações são o nosso companheirismo. Desviando-nos de polêmicas acerca de castigos corporais ou não, penso que a principal informação que extraímos do ensino divino é o próprio exemplo e o companheirismo. Companheirismo não no sentido de ser um amigão debochado. Ele precisa aprender acerca de autoridade e respeito. Isso fará bem a ele. Mas companheirismo no sentido de saber que também tem ao lado um amigo, um companheiro. Alguém que o ama e que dá a vida por ele. Que o ensina o tempo todo que tem oportunidade. E que estará sempre ao seu lado.
 
Um famoso pedagogo foi perguntado acerca do método que utilizou para educar seu filho. Ele respondeu: acho que nenhum; eu apenas vivi ao seu lado.

sábado, 21 de junho de 2014

Iniquidade no coração

Se eu tivesse guardado iniquidade no meu coração, o Senhor não me teria ouvido (Salmo 66.18)

Não podemos guardar a iniquidade no coração.

Nossas vidas têm que estar puras na presença do Senhor.

Há muitos que gostam de colecionar pecadilhos, capas de Acã, venenos na alma e não mudarem de atitude quanto a isso.

Pois é justamente esta teimosia que faz com que tais pessoas não sejam ouvidas por Deus.

Tive um amigo que fazia coleção de coisas iniquas, e que dizia que  iria guardar de recordação para o seu filho. Quando lhe brilhou a luz do evangelho, ele jogou tudo fora.

Assim tem que ser também as nossas vidas. Temos que jogar fora tudo o que mancha, macula o nosso coração, pois é dele que procedem as fontes de toda a nossa vida.

Limpe o teu coração, pecador, e lave-se no sangue do Cordeiro, que te purifica de todos os teus pecados.

Não admita que nenhuma iniquidade te domine. Foge de coisa impura!

Então o Senhor te ouvirá, e a luz do Santo brilhará sobre tua vida!

Significa isso que seremos perfeitos e impecáveis? Claro que não. Mas devemos nos esforçar para que nenhuma iniquidade faça morada em nossas vidas.

Como disse Lutero certa vez: não posso impedir que os abutres voem sobre minha cabeça, mas posso impedir que eles façam ninhos.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Pode um cristão participar de uma greve?



 
Tendo em vista tantas manifestações grevistas ocorrendo atualmente, alguém me perguntou se é lícito a um cristão participar de greves, como, por exemplo, no caso dos metroviários que está ocorrendo neste momento em São Paulo.
 
Sinceramente, não creio que existe uma resposta absoluta para tal questionamento. Cada caso deverá ser avaliado individualmente. Alguns entendem que, ainda que por analogia, a recusa do povo de Israel em continuar trabalhando para Faraó de algum modo poderia servir como inspiração para as paralisações. Outros, dizem que isso é forçar a barra.
 
Creio que um cristão tem o direito de se rebelar contra atitudes abusivas, injustas, escravagistas, discriminatórias, ou coisa do tipo, ainda que o deva fazer de forma pacífica. Creio que o cristão pode e deve participar de passeatas, manifestações, ou coisas do tipo, quando, conforme sua consciência, e em confrontação com a Palavra de Deus, sejam causas justas (sem embargo de podermos estar equivocados em nossas avaliações  do que seria ou não justo ou injusto). Entretanto, sinto ter que responder para alguns que a regra geral para a vida do cristão, no que tange  a este assunto, é a de não participar de greves, notadamente quando tal paralisação for prejudicar ainda mais pessoas.
 
Creio que essa seria a determinação apostólica. O apóstolo Paulo ensinou que devemos servir os nossos senhores na carne como se estivéssemos servindo ao próprio Cristo, na sinceridade do nosso coração (Efésios 6.5). Pedro ainda disse que os cristãos devem servir aos seus senhores, com todo o temor, não somente aos bons e cordatos, mas também aos perversos, porque isso é grato a Deus, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus (I Pedro 2.18). E estamos aqui a  falar do ensino de dois dos maiores apóstolos da fé cristã. Acho muito difícil conciliar estes ensinamentos, e ainda muitos outros, com a possibilidade indiscriminada de se participar de movimentos grevistas.
 
O cristão não trabalha primeiramente para si mesmo, e sim para a glória de Deus. Ele tenta transformar o mundo pelo seu testemunho de amor, pelas orações, e claro, também pela sua palavra profética, quando isso implicar em denunciar atitudes abusivas e injustas. É também no sofrimento injusto e resignado que o cristão tem a oportunidade de se identificar com a vida de seu mestre. Motivações puramente egoístas não devem estar na ordem do dia de um discípulo.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Bem aventurados os perseguidos por causa da justiça


Ministrado na congregação Manaim em Guaianazes. Gravado por um gentil amigo que voluntariamente tem se dedicado a tal ministério.

sexta-feira, 14 de março de 2014

A agonia de Esdras

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Esta mensagem foi ministrada na Igreja Evangélica Manaim, em setembro de 2013, em  uma vigília acerca do tema avivamento. Cuida-se de uma pregação acerca do desespero do sacerdote Esdras, quando soube que o povo de Judá estava voltando a cometer os mesmos erros de antes do cativeiro babilônico. A qualidade da gravação não está muito boa, mas ainda assim, é possível ouvi-la, desde que se não aumente muito o volume.