segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Deus matou o Filho para nos perdoar?

É uma alegação constante feita aos cristãos, no sentido de que, se Deus é bom, ele poderia simplesmente perdoar, e não ter que “matado” o Filho, por assim dizer.

Tal acusação demonstra um desconhecimento acerca do que os cristãos, de modo geral, pensam acerca de seu Deus.

Deus não matou o Filho. Deus “estava em Cristo” reconciliando consigo o mundo (2 Co 5.19). O Pai e o Filho são um (João 10.3). Os cristãos são monoteístas, creem em um único Deus, mas sustentam que esse mesmo Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Três pessoas, um único Deus. "Ah, mas isso é muito complicado", alguém pode dizer! E é mesmo! Acho que foi C. S. Lewis quem disse que não acreditaria em uma religião que ele mesmo pudesse inventar.


Então Deus não matou o Filho. Esse voluntariamente se deu em resgate por muitos (Mateus 20.28). Assim sendo, a cruz foi um ato de amor realizado pelo Pai e pelo Filho, pois o que uma pessoa da Santíssima Trindade realiza, o faz em conjunto com os demais.


O Pai não matou o Filho. Quem matou o Filho fomos nós. O Pai O entregou, e Ele voluntariamente aceitou, para nos dar a vida eterna. Levou sobre si as nossas dores e o castigo que nos traz a paz estava sobre ele!


Pixabay

sábado, 8 de julho de 2017

Um cristão pode ser de esquerda?

Um cristão pode ser de esquerda? Ou de direita? De centro? Anarquista? Liberal?

Tenho lido em algumas redes sociais que, por exemplo, um cristão não pode ser de esquerda.

Isso porque, a esquerda apoia o comunismo, o socialismo, o aborto, o movimento LGBT, e coisas do tipo. Logo, não pode ser de esquerda.

Mas também já li amigos dizendo que cristãos não podem ser de direita. Não podem apoiar Bolsonaro, a liberdade de usar armas, a ditadura, o fascismo, etc.

Tenho também um amigo que diz que cristão não pode ser liberal. Isso porque, o liberal (no que se refere ao liberalismo econômico) só pensa em dinheiro, acumular, é contra a intervenção do estado na economia, não pensa nos pobres, etc.

Ora.

Particularmente entendo que alguém pode ser cristão, e, em algum momento de sua vida (ou por toda vida) apoiar alguma dessas visões políticas. Cada qual tem sua própria experiência, visão de mundo, e está em algum estágio de conhecimento diferente da dos demais.

É importante que nós não façamos esterótipos do que significa assumir algumas destas posturas, e nem das visões políticas em si. Ideias mudam com o tempo, assim como pessoas, seja para melhor ou para pior.

Há cristãos que entendem que a esquerda tem maior preocupação com os necessitados, daí, assumem essa postura política. A preocupação com os necessitados é um valor do evangelho.

Há cristãos que entendem que é preciso mais espaço para a liberdade, sem limitações demais impostas pelo Estado, mesmo que para isso, as pessoas estejam sujeitas a fazerem más escolhas e sofrerem com isso. Daí, enxergam nos valores liberais ou de direita mais proximidade com o evangelho. E a liberdade é um valor do evangelho.

O importante é cada qual ir estudando, questionando e questionando-se para assumir a postura que julgar mais correta á luz do evangelho, e respeitar se alguém tiver uma visão diferente. 


Algo que vejo com a máxima importância é o fato de que, um verdadeiro cristão pode trazer equilíbrio à radicalidade das doutrinas politicas, mas isso já seria assunto de outra postagem.



sexta-feira, 19 de maio de 2017

Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor

“Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor, pois Ele que opera em vós tanto o querer quanto o efetuar” (Paulo aos filipenses).

Não é incomum nós atribuirmos a Deus aquilo que Ele pede de nós. Constantemente já me deparei com pessoas dizendo em oração: “Senhor, transforma a minha vida!”. “Senhor, muda minha mente!”, e coisas do tipo.

Jamais condenaria orações desse tipo. Muito pelo contrário. É bom ter em nós esse desejo de sermos sempre transformados pelo Senhor.

Entretanto, pela leitura desse texto e de outros paralelos, podemos perceber que o Senhor determina que nós mesmos desenvolvamos a nossa salvação. Ou seja, é uma responsabilidade nossa.

O Senhor já nos deu os meios para tanto, pois, conforme o texto continua, é Ele quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar.

Segundo meu entendimento desse texto, é que Deus já disponibilizou o desejo e a força necessária para que possamos desenvolver a nossa salvação.

E o que significa tal desenvolvimento? Significa sermos mais salvos amanhã do que somos hoje?

Creio que não.

Significa crescermos nos meios de graça que o Senhor disponibilizou para todos nós.

Geralmente, pensamos em salvação somente em livrar a alma do inferno e ir para o céu.
Embora não haja necessidade de abdicar totalmente desse conceito, a ideia de salvação para os antigos estava ligada ao fato de nos tornarmos mais parecidos com Cristo. Mais divinizados, por assim dizer.

Ou seja, nesta questão então é sempre possível desenvolver ainda mais.

Penso também que é nesse sentido que vai o pensamento de Paulo, ou seja, de desenvolvermos ainda mais nos meios de graça que ele nos concedeu. Crescer na intimidade com Deus, em santidade, em amor para com o próximo, em conhecimento da Palavra, entre outras coisas.

Como efetuamos então o nosso desenvolvimento na salvação? Acredito que nos exercitando nos meios de graça[1].

Devemos crescer em oração, na comunhão com os irmãos, no estudo da Palavra de Deus, e também no exercício da caridade. São formas, penso eu, de desenvolvermos a nossa salvação, sempre cientes de que toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, e que é sempre de Deus a iniciativa em nos animar a realizar boas obras.





[1] Formas pelas quais o Senhor Deus nos comunica sua graça.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Luzeiros no mundo

“... entre os quais resplandeceis como luzeiros no mundo” (Filipenses 2.15)


No segundo capítulo de sua epístola aos filipenses, Paulo parece tratar de alguns problemas que ocorriam naquela igreja por ele mesmo fundada. O apóstolo os exortou a considerarem cada qual o outro superior a si próprio e buscarem sempre os interesses recíprocos, mencionando como exemplo a própria auto humilhação do Senhor Jesus, que deixando sua glória, encarnou-se, vivendo vida de servo e morrendo morte de cruz, sendo por isso exaltado pelo Pai. As exortações práticas continuam, até que Paulo diz aos seus leitores que, em meio a uma  geração corrupta e perversa, aqueles que levam o nome de Cristo a sério deveriam resplandecer como astros, ou como luzeiros no mundo.

Ao me deparar com um texto como esse, fico com a sensação de que nós, os cristãos, de modo geral, não sabemos muito bem o que devemos ser. Ser luzeiros significa ser como estrelas brilhando no céu. Isso me parece significar que alguém que se diz cristão deveria ter um comportamento muitíssimo além daqueles que vivem “segundo o curso deste mundo”. Algo que deve servir de exemplo para todos.

Alguém poderia alegar que na época de Paulo isso era especialmente verdade pelo fato daquela ser uma cultura verdadeiramente corrompida, com barbaridades sem fim, prostituição cultual, escravidão, em uma sociedade que não reconhecia os mais básicos direitos humanos, sociais e individuais de cada qual. Entretanto, agora, dizem, somos uma sociedade cristianizada, civilizada, e melhoramos um pouco nestes dois mil anos, de modo que todos nós, em menor ou maior medida, já espelhamos, ainda que culturalmente, um pouco da luz do evangelho.

Talvez haja alguma verdade em tal raciocínio, mas ainda assim, para mim, não responde o anseio por mais. Mesmo em meio a uma cultura cristianizada, podemos ser mais. Podemos ser mais bondosos. Podemos ser mais despojados. Podemos servir mais os necessitados. Podemos ser mais caridosos em nossos ambientes de trabalho. Ouvir mais o nosso próximo. Sermos menos egoístas, menos centrados em nós mesmos. É duro ter a sensação de que a sociedade olha para o corpo geral dos evangélicos, e não nos veem necessariamente como pessoas melhores, mas como chatos, fanáticos, e hoje até mesmo desonestos e ansiosos pelo poder.

Vejam bem: Paulo diz “como astros no mundo”. Me lembro de Crisóstomo, de Francisco, de Wesley, de Booth, Bonhoeffer, Luther King, Schweitzer, entre tantos outros. Pessoas que fizeram tanto em seu tempo, em sua própria cultura. Deveríamos ser calmos, atenciosos. As pessoas deveriam ter certeza da bondade do corpo de fiéis. Sermos realmente mais parecidos com ovelhas, mansos, acolhedores, santos.

Que possamos ansiar isso. Agonizar por isso. Desejar isso. Não para jogar na cara de ninguém que somos melhores (até porque realmente não somos); mas para consumar o desejo do Senhor pela sua igreja, afinal, somos o seu Corpo. Senão, para que serviremos se nossa luz não brilhar?

Se estamos longe de tal padrão, que possamos nos arrepender e clamar ao Senhor.


sábado, 6 de maio de 2017

Jesus - um homem sem paz

Amo muitos os movimentos contemplativos que nos ensinam a buscar a paz interior, a tranquilidade de alma, a calma, por meio de uma vida disciplinada e por não atender às paixões, vivendo o silêncio.

Os exercícios ensinados por tais movimentos são ótimos, e posso dizer que realmente funcionam. Tudo isso está na tradição mística cristã, desde os grandes mestres hesicastas, no oriente, e carmelitas, no ocidente. Um pouco apagado no protestantismo, por ser uma fé de caráter mais secular, entretanto, com algum interesse surgido em meados do século XX para cá, como na comunidade de Taizé.

Tais tradições nos levam a ter uma paz interior, tranquilidade, e mesmo no budismo, entendo que esse tem sido um objetivo constante. Ter como alvo a “impassibilidade da alma”, a vitória sobre as paixões.

Aprecio bastante tais movimentos e seus mestres, desde Evágrio Pôntico, Tomás Kempis, João da Cruz, para ficarmos em alguns. De vez em quando preciso voltar a eles para acalmar minha alma perturbada.

Entretanto, quando penso na vida do Mestre dos mestres, entendo que paz foi algo que ele, Jesus, não teve muito.

Logo que nasceu, foi um perseguido político.

Filho fujão, que, mesmo obediente, deu alguma preocupação aos pais.

Não raro, era interrompido em suas pregações e ameaçados de apedrejamento e morte.

Era alguém tremendamente sensível à dor alheia. Chorou ao ver uma mãe que perdera um filho. Chorou ao perdeu um amigo.

Chorou por Jerusalém e pela condição daqueles que eram como ovelhas sem pastor.

Quando precisou, literalmente saiu na força do braço para fazer uma “limpeza geral”.

Vivia participando de debates agressivos contra seus opositores.

Foi chamado de demônio, bebedor, comedor, companheiro de pecadores.

Foi torturado como um criminoso político/religioso. Morreu no meio de bandidos.

Enfim, embora Jesus tivesse momentos contemplativos, ele não ficou restrito à contemplação.

Se ele não teve paz nesse mundo, será que aqueles que se dizem seus seguidores devem buscar tal coisa?

“Qual a paz que eu não quero conservar para tentar ser feliz”?


fonte da foto: Pastoral da Juventude

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Seja Ele o Centro

36 Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.  Romanos 11:36

São preocupantes as atividades realizadas em nome da obra de Deus, mas que acabam sempre sobrando brechas para a autopromoção.

É sempre uma tentação para quem exerce atividades relacionadas ao ministério, querer aparecer (algo muito comum e natural em qualquer atividade secular). Hoje já não é incomum pessoas colocarem seus próprios retratos nas portas das igrejas, ou mesmo nos altares (palco), o que pode causar certa estranheza.

Há também louvores que se cantam nas igrejas em que centralizam a atenção na pessoa humana, lhe dizem o quanto são importantes, amados, queridos e vencedores. Pedem restituição, vitória, e alguns até denotam certo sentimento de vingança. São esses o que mais fazem sucesso, pudera, falam diretamente ao  ego. Hinos e louvores como “Santo, Santo, Santo, Deus onipotente...”, ou “Tu és fiel, Senhor...”, ou “Castelo Forte é o nosso Deus” já não são mais entoados como outrora.

Assim como Jesus disse para não orar, nem jejuar, nem esmolar para aparecer, assim também deveria ser como tudo o mais. Acho que foi Tomás de Aquino que disse que em tudo o quanto fazemos ainda há um pouco de concupiscência. Eu mesmo, enquanto escrevo esse texto, tenho desejo de que seja lido, apreciado, amado, e talvez haja uma esfera em que isso não seja de todo ruim.

De qualquer modo, há três coisas que não podemos esquecer:

Primeiro “tudo vem dele”, ou seja, não é mérito nosso. Não fomos nós que alcançamos ou conseguimos. Fomos “alcançados” e “conseguidos” pelo Senhor. E tudo o quanto fizermos, foi dom dado por ele. Cada batida de coração, cada momento de vida. Tudo é um dom, um presente de Deus. Não é meu. É d’Ele!

Segundo, “tudo é por ele”. Não faço em meu nome, mas no nome d’Ele, do modo como Ele quer, deseja que seja feito, pois é a marca d’Ele que deve prevalecer em todas as nossas atividades.


E em terceiro, “tudo é para ele”. Ou seja, tudo o que teve origem n’ Ele, para Ele voltará. O que não for d’Ele, não subsistirá. Cristo é tudo em todos. Ele é o nosso alvo, o único digno de louvor e de adoração. Para Ele vivemos, trabalhamos e morremos. Que Ele seja o centro em tudo.

De como Deus tem que ser o Centro de tudo!

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A si mesmo se esvaziou

Mas esvaziou-se a si mesmo        (Filipenses 2.7)

A epístola aos filipenses é conhecida como a carta da alegria, pois se trata de um dos documentos mais pessoais do apóstolo Paulo para aquela igreja que ele fundou. É escrita de uma prisão, expressando agradecimento por todo apoio recebido por aquela igreja.

A carta é cheia de elogios àqueles irmãos, entretanto, no início de seu segundo capítulo, temos a impressão de que, mesmo naquela igreja havia desentendimentos na comunidade.
Paulo pediu então algumas coisas difíceis de serem cumpridas, entre elas, que cada qual considerasse o outro superior a si mesmo e não olhasse somente para os seus próprios interesses, mas cada qual também para o que era do outro.

E ele determina que entre os irmãos haja o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, do qual “esvaziou-se a si mesmo”.

Muito se tem discutido do que exatamente Cristo se esvaziou. Uma coisa é certa. Ele se esvaziou da glória que possuía com o Pai antes do mundo ser criado (João 17.5). Entendemos que ele não deixou em nenhum momento de ter sua natureza divina, mas que deixou sua glória a fim de se tornar um de nós.

E após se esvaziar, se encarnar, e tomar a forma humana, ainda viveu vida de servo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz, que era a mais terrível execução imposta naquele momento histórico, da qual um cidadão romano não poderia sofrer.

Assim sendo, Paulo, para resolver um problema de relacionamento comunitário, dá o exemplo máximo de humilhação que alguém já possa ter sofrido. E se Jesus se humilhou assim por cada um de nós, é pouco que nós nos humilhemos também uns aos outros, e sirvamos uns aos outros.

Por maior que seja a humilhação que eu e você possamos passar, será sempre nada comparado ao que Jesus passou. Após sua morte, foi ressuscitado, exaltado pelo Pai, tendo recebido o nome que está acima de todo nome.

Penso que esse exemplo é dado pelo apóstolo também para incentivar os irmãos, no sentido de que, aquele que a si mesmo se humilhar, também será exaltado por Deus. Na comunidade cristã, é como se todos fôssemos garçons uns dos outros, sempre servindo.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Das funções realizadas pela Igreja

Há muitas funções realizadas na igreja que se pretende cristã, e elas estão intimamente interligadas umas com as outras. Vejamos:

ADORAÇÃO

A adoração significa glorificar a Deus por conta de seus grandes feitos e atributos, o que pode ser feito por intermédio de nossas orações e louvores a Ele dirigidas. São atos voltados exclusivamente para o Senhor, mas que edifica também os crentes. O Senhor deve ser o centro de toda a adoração e dos atos dos fiéis (Romanos 11.36; 16.27; 1 Coríntios 10.31; Efésios 3.20-12; Filipenses 4.20; 1 Tim 1.17; 3.16). Pensando de maneira ampla, fora das fronteiras eclesiásticas, pode ser vista como um estilo de vida.


O louvor, como um ato de adoração, era uma prática comum no antigo testamento, como podemos ver no livro de Salmos.

Podemos nos perguntar se há alguma forma “mais santa”, ou “mais correta”, relativa à adoração. Devem ser utilizados elementos simbólicos? E gestos corporais? Independente da resposta que se dê, tudo deve ser feito com decência e ordem (1 Co 14.40).


COMUNHÃO

É a fraternidade/amizade/amor/afeto vivida entre os irmãos. “Koinonia” signifca manter as coisas em comum. Um desafio muito grande nestes tempos individualistas. Existe a fim de estreitar os laços de amor entre os membros, glorificando a Deus por conta disso, e proclamando ao mundo o evangelho por meio de um estilo de vida.

São inúmeros os textos no Novo Testamento com a expressão “uns aos outros” (Efésios 5.19; Colossenses 3.13-16; Gálatas 6.2;Tiago 5.16), sendo que até mesmo o sofrimento e alegria são compartilhados (1 Co 12.26).

Um fato muito importante na comunhão é que seremos reconhecidos como discípulos pelo amor que tivermos uns para com os outros (João 13.34-35). Além do que, a unidade entre os irmãos foi motivo de oração da parte de nosso Senhor (João 17.20-21).


EDIFICAÇÃO

É mútuo amadurecimento/crescimento/aperfeiçoamento no/do corpo de Cristo que tem como alvo os seus membros.

É a finalidade dos dons dados aos membros (Efésios 4.11-16) – note que nessa passagem, todos os dons são aqueles voltados para alguma forma de proclamação/instrução. Foi algo notável durante a Reforma Protestante, por exemplo, a função educacional da Igreja.

Toda a atividade comunitária deve ser voltada para a edificação, notadamente o falar ( Efésios 4.29). Os dons espirituais são voltados para a edificação (1 Coríntios 14.4-5, 12, 17, 26). Os dons são praticados em comunidade, pois somos membros uns dos outros (Romanos 12.4-8).

EVANGELISMO:

É o ato de proclamar o Evangelho, voltado para os "de fora". 

Foi o último mandamento descrito do evangelho de Mateus (28.18-20) – pregar o evangelho para todas as pessoas é a função principal de todo membro da Igreja. Para isso foi dado o poder do Espírito, para testemunhar (Atos 1.8).

Todos os membros da igreja devem estar engajados na tarefa de auxiliar na expansão mundial do evangelho, orando, contribuindo e indo. É preciso evitar a tendência de “olhar somente para o próprio umbigo” da igreja local. Imagine se no Brasil inteiro, cada um que se diz cristão contribuísse com “um real” que fosse para missões transculturais, que maravilha seria. Educamos hoje nossos filhos para serem bons profissionais, mas é muito raro alguém educar o filho com o desejo de que seja um missionário. É bem possível que a maioria de nós hoje, no fundo, prefira que isso não aconteça.


CARIDADE/AÇÃO SOCIAL:

É o ato de ajuda material, emocional e espiritual aos aflitos, tendo como alvo principalmente aos de dentro, estendendo-se aos de fora da comunidade. 

A religião pura e sem mácula é ajudar os necessitados (Tiago 1.27), sendo que a ausência de caridade mostra a invalidade da fé (Tiago 2.15-17). A caridade é um coração verdadeiramente aberto ao irmão (1 João 3.17-18) sendo que na igreja primitiva não tinha nenhum necessitado entre os irmãos(Atos 4.32-35).

Será que essas atividades têm ocorrido em sua comunidade? Em caso negativo, de que modo você poderia contribuir para que sejam implementadas? Entendo que é o ideal que todas essas coisas aconteçam na comunidade, pois isso trará um equilíbrio entre todas as atividades. Mãos à obra, então!



terça-feira, 14 de março de 2017

Todo o peso que nos embaraça

Leitura: Hebreus 12.1


O autor aos hebreus nos exorta a corrermos a carreira que nos está proposta. Entretanto, duas coisas nos atrapalham: o peso e o pecado. Do pecado, sabemos que temos que nos livrar. Entretanto, há coisas que são pesos que carregamos, e que nos impedem de correr. Podem até não ser pecado, mas tendem a ele.

Que pesos poderiam ser estes?

Um deles é o desejo exacerbado pelas coisas materiais. Jesus disse que “ninguém pode servir a dois senhores, pois há de amar a um e aborrecer a outro, ou se devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas” (Mt 6.24). Também determinou que devemos nos guardar de toda a avareza, pois a vida não consiste na quantidade de bens que possuímos (Lc 12.15). Ou seja, em uma época materialista como a nossa, corremos o risco de focarmos demais na aquisição de bens, como casas, carros, roupas, investimentos, e coisas do tipo. Não que elas sejam erradas em si, mas se focarmos exclusivamente nisso, nossa carreira cristã começa a se tornar pesada, pois acabaremos nos dedicando muito pouco para Deus. Paulo diz que os que querem ficar ricos caem em tentação e laço e em profundas concupiscências (1 Tim 6.9). Somos chamados a uma vida simples, com contentamento, pois Deus tem cuidado de nós (1 Pe 5.7).

Outro peso bastante complicado e que atinge a maioria de nós é o cuidado pelas coisas dessa vida. Jesus ensinou seus discípulos que eles deveriam ter cuidado para que os seus corações não se sobrecarregassem com os efeitos da orgia, da embriaguez e dos cuidados deste mundo (Lc 21.34). Na parábola do semeador, o terceiro terreno é aquele em que a boa semente foi semeada entre os espinhos: “Os semeados entre os espinhos são os que ouvem a palavra, mas os cuidados desse mundo, a fascinação das riquezas e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera (Mc 4.18-19). A extrema ansiedade em prover a nós mesmos e a nossa família com os bens desse mundo, ainda que legítimos, podem acabar nos afastando dos caminhos do Senhor. Ainda que precisemos trabalhar e prover o necessário para a vida, temos que tomar cuidado para que isso não sobrecarregue nosso coração, por isso é bom reservar sempre tempo para a oração, leitura das Escrituras, tempo com a comunidade e com a família, não negociando os valores do reino.

Outra coisa que pode pesar muito em nossa caminhada cristã são os sentimentos negativos. Todos nós, em algum momento da nossa vida, sofremos algum tipo de agressão ou decepção emocional. São filhos que cresceram ouvindo coisas terríveis dos pais; cônjuges que se agridem mutualmente; traições, sejam familiares ou de amigos, e coisas do tipo. Isso pode fazer com que, mesmo sem desejar, desenvolva-se em nós muitas amarguras, traumas, tristezas e dores emocionais de todos os tipos, dificultando nosso envolvimento com outras pessoas, inclusive. Essas chagas são tão profundas na sociedade que acabam ocorrendo muitas agressões e até crimes passionais. Por isso, precisamos buscar a cura dessas nossas emoções negativas na presença de Deus, pois Ele pode nos curar de todo o mal e curar nossas emoções de todo e qualquer trauma. Há um versículo muito bonito no Salmo 16.11, em que o salmista expressa sua confiança no cuidado divino: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente”.

O último peso de que iremos tratar é o dos relacionamentos. Todos nós somos seres relacionais, e é assim que tem que ser. É muito bom ter família e amigos. Entretanto, pode acontecer de nossos relacionamentos também se tornarem um peso para a carreira cristã, quando passam a entrar em conflito com a vontade de Jesus. Por isso ele chegou a dize que “quem amar seu pai, ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mt 10.37-38). Ele também chegou a dizer: “se alguém vier a mim e não aborrecer a pai e mãe, mulher e filhos, irmãos e irmãs, e ainda a própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26). Ou seja, além de evitarmos a companhia daquelas pessoas que notadamente rejeitam o evangelho e fazem um mal para a nossa caminhada, também não podemos deixar que os relacionamentos legítimos, que não podemos abandonar, venham a ter prioridade acima de nosso compromisso com o evangelho.


Muitas outras coisas poderiam ser mencionadas como um peso para a nossa caminhada cristã, que poderemos explorar em outras oportunidades. De qualquer modo, que possamos nos desembaraçar de todas as coisas que tentam atrapalhar nossa vocação.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A questão da tributação das igrejas

Historicamente, as igrejas construíram creches, escolas, orfanatos, universidades, hospitais, entre outras entidades de benefício social.

São religiosos que abrem, em boa parte, casas de acolhimento para ajudar viciados, moradores de rua, entre outras situações.

São também as pequenas igrejas que se encontram na periferia, frente a frente, com a situação dos mais marginalizados da sociedade. A grande maioria dos membros das igrejas é composta de pessoas humildes. No convívio eclesiástico pessoas são ajudadas em seus embates sociais, e isso entra muito pouco nas estatísticas e contabilidades oficiais.

Por conta dessas e outras evidências, ninguém parecia questionar muito a questão da imunidade tributária das igrejas, enquanto entidades de interesse social. Entretanto, após notícias em série de “espetaculações” da fé, enriquecimento desmedido de determinados líderes, um grupo declarado de ateus, de maneira bem inteligente e convincente (muito provavelmente mais à esquerda do espectro político, pois se fossem liberais não fariam uma proposta dessas – a não ser que estejam de muita má-fé) propõe que as igrejas sejam tributadas. E muitos pastores de respeito também apoiam a medida, por uma questão de justiça social.

Particularmente, entendo que há muito pouca justiça social na tributação coercitiva promovida pelo Estado. IPTU, ICMS, ISS, IR, Cofins, etc. todo membro de igreja já recolhe tais impostos, impostos a todos os cidadãos. Entendo que o agigantamento desmedido do estado promove tende a levar a uma diminuição das liberdades individuais e aumenta a burocracia, o desperdício, a corrupção, entre outros males.

Entendo que tal medida prejudicará principalmente as igrejas pequenas, e a maioria das igrejas históricas, além de muitas outras religiões, que irão preferir ficar na informalidade. As demais contam com um batalhão de advogados, contadores.

Esses líderes que se enriquecem desmedidamente deveriam ser de algum modo tributados, fiscalizados, e que suas igrejas prestassem contas de todos os valores que entram e saem a seus membros, que estes tenham poder de voto nas assembleias, como ocorre nas igrejas históricas, e que de quebra, possuem muito menos escândalos, e quando ocorrem, em menor proporção.

De qualquer modo, tenho a sensação de que não demora para tal proposta passar em um futuro não distante. Parece haver uma mentalidade social mais no sentido de que se “eu estou pagando”, o “outro tem que pagar também”.