terça-feira, 14 de março de 2017

Todo o peso que nos embaraça

Leitura: Hebreus 12.1


O autor aos hebreus nos exorta a corrermos a carreira que nos está proposta. Entretanto, duas coisas nos atrapalham: o peso e o pecado. Do pecado, sabemos que temos que nos livrar. Entretanto, há coisas que são pesos que carregamos, e que nos impedem de correr. Podem até não ser pecado, mas tendem a ele.

Que pesos poderiam ser estes?

Um deles é o desejo exacerbado pelas coisas materiais. Jesus disse que “ninguém pode servir a dois senhores, pois há de amar a um e aborrecer a outro, ou se devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas” (Mt 6.24). Também determinou que devemos nos guardar de toda a avareza, pois a vida não consiste na quantidade de bens que possuímos (Lc 12.15). Ou seja, em uma época materialista como a nossa, corremos o risco de focarmos demais na aquisição de bens, como casas, carros, roupas, investimentos, e coisas do tipo. Não que elas sejam erradas em si, mas se focarmos exclusivamente nisso, nossa carreira cristã começa a se tornar pesada, pois acabaremos nos dedicando muito pouco para Deus. Paulo diz que os que querem ficar ricos caem em tentação e laço e em profundas concupiscências (1 Tim 6.9). Somos chamados a uma vida simples, com contentamento, pois Deus tem cuidado de nós (1 Pe 5.7).

Outro peso bastante complicado e que atinge a maioria de nós é o cuidado pelas coisas dessa vida. Jesus ensinou seus discípulos que eles deveriam ter cuidado para que os seus corações não se sobrecarregassem com os efeitos da orgia, da embriaguez e dos cuidados deste mundo (Lc 21.34). Na parábola do semeador, o terceiro terreno é aquele em que a boa semente foi semeada entre os espinhos: “Os semeados entre os espinhos são os que ouvem a palavra, mas os cuidados desse mundo, a fascinação das riquezas e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera (Mc 4.18-19). A extrema ansiedade em prover a nós mesmos e a nossa família com os bens desse mundo, ainda que legítimos, podem acabar nos afastando dos caminhos do Senhor. Ainda que precisemos trabalhar e prover o necessário para a vida, temos que tomar cuidado para que isso não sobrecarregue nosso coração, por isso é bom reservar sempre tempo para a oração, leitura das Escrituras, tempo com a comunidade e com a família, não negociando os valores do reino.

Outra coisa que pode pesar muito em nossa caminhada cristã são os sentimentos negativos. Todos nós, em algum momento da nossa vida, sofremos algum tipo de agressão ou decepção emocional. São filhos que cresceram ouvindo coisas terríveis dos pais; cônjuges que se agridem mutualmente; traições, sejam familiares ou de amigos, e coisas do tipo. Isso pode fazer com que, mesmo sem desejar, desenvolva-se em nós muitas amarguras, traumas, tristezas e dores emocionais de todos os tipos, dificultando nosso envolvimento com outras pessoas, inclusive. Essas chagas são tão profundas na sociedade que acabam ocorrendo muitas agressões e até crimes passionais. Por isso, precisamos buscar a cura dessas nossas emoções negativas na presença de Deus, pois Ele pode nos curar de todo o mal e curar nossas emoções de todo e qualquer trauma. Há um versículo muito bonito no Salmo 16.11, em que o salmista expressa sua confiança no cuidado divino: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente”.

O último peso de que iremos tratar é o dos relacionamentos. Todos nós somos seres relacionais, e é assim que tem que ser. É muito bom ter família e amigos. Entretanto, pode acontecer de nossos relacionamentos também se tornarem um peso para a carreira cristã, quando passam a entrar em conflito com a vontade de Jesus. Por isso ele chegou a dize que “quem amar seu pai, ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mt 10.37-38). Ele também chegou a dizer: “se alguém vier a mim e não aborrecer a pai e mãe, mulher e filhos, irmãos e irmãs, e ainda a própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26). Ou seja, além de evitarmos a companhia daquelas pessoas que notadamente rejeitam o evangelho e fazem um mal para a nossa caminhada, também não podemos deixar que os relacionamentos legítimos, que não podemos abandonar, venham a ter prioridade acima de nosso compromisso com o evangelho.


Muitas outras coisas poderiam ser mencionadas como um peso para a nossa caminhada cristã, que poderemos explorar em outras oportunidades. De qualquer modo, que possamos nos desembaraçar de todas as coisas que tentam atrapalhar nossa vocação.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A questão da tributação das igrejas

Historicamente, as igrejas construíram creches, escolas, orfanatos, universidades, hospitais, entre outras entidades de benefício social.

São religiosos que abrem, em boa parte, casas de acolhimento para ajudar viciados, moradores de rua, entre outras situações.

São também as pequenas igrejas que se encontram na periferia, frente a frente, com a situação dos mais marginalizados da sociedade. A grande maioria dos membros das igrejas é composta de pessoas humildes. No convívio eclesiástico pessoas são ajudadas em seus embates sociais, e isso entra muito pouco nas estatísticas e contabilidades oficiais.

Por conta dessas e outras evidências, ninguém parecia questionar muito a questão da imunidade tributária das igrejas, enquanto entidades de interesse social. Entretanto, após notícias em série de “espetaculações” da fé, enriquecimento desmedido de determinados líderes, um grupo declarado de ateus, de maneira bem inteligente e convincente (muito provavelmente mais à esquerda do espectro político, pois se fossem liberais não fariam uma proposta dessas – a não ser que estejam de muita má-fé) propõe que as igrejas sejam tributadas. E muitos pastores de respeito também apoiam a medida, por uma questão de justiça social.

Particularmente, entendo que há muito pouca justiça social na tributação coercitiva promovida pelo Estado. IPTU, ICMS, ISS, IR, Cofins, etc. todo membro de igreja já recolhe tais impostos, impostos a todos os cidadãos. Entendo que o agigantamento desmedido do estado promove tende a levar a uma diminuição das liberdades individuais e aumenta a burocracia, o desperdício, a corrupção, entre outros males.

Entendo que tal medida prejudicará principalmente as igrejas pequenas, e a maioria das igrejas históricas, além de muitas outras religiões, que irão preferir ficar na informalidade. As demais contam com um batalhão de advogados, contadores.

Esses líderes que se enriquecem desmedidamente deveriam ser de algum modo tributados, fiscalizados, e que suas igrejas prestassem contas de todos os valores que entram e saem a seus membros, que estes tenham poder de voto nas assembleias, como ocorre nas igrejas históricas, e que de quebra, possuem muito menos escândalos, e quando ocorrem, em menor proporção.

De qualquer modo, tenho a sensação de que não demora para tal proposta passar em um futuro não distante. Parece haver uma mentalidade social mais no sentido de que se “eu estou pagando”, o “outro tem que pagar também”. 




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Calculando o preço por seguir a Cristo

Leitura: Lucas 14.28-29

Fonte: Manaim Guaianazes

Não é incomum muitas pessoas começarem uma jornada no evangelho e desistirem em meio ao caminho. Muitos podem ser os motivos para tal desistência. Talvez um deles seja o fato de muitas vezes tais pessoas não terem sido informadas de que havia um preço a pagar, um sacrifício a ser prestado nesta árdua tarefa em se tornar um discípulo de Cristo. Nesta mensagem, iremos tentar fazer um pouco deste cálculo do quanto custa seguir o Mestre.


1 – Há um preço a calcular na vida familiar.

Jesus disse: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai, mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs...” (Lc 14.26 a). “Aborrecer” pai e mãe denota uma ação de desagrado em alguém. Ou seja, Jesus não esconde o fato de que, é possível que quando alguém O siga, acabe atraindo o descontentamento de seus familiares. Até hoje, em muitas culturas, quando alguém se converte, passa a ser perseguido por sua própria família. E não é incomum ouvirmos testemunhos de pessoas que sofreram muito, seja pelo descontentamento dos pais ou do cônjuge quando se converte, pois é uma desonra para a família a pessoa mudar de religião. Há ainda muitos familiares que se aborrecem pelo fato de que agora a pessoa passa a ter também um compromisso com a comunidade de discípulos. Seus familiares querem mais lazer, passear os finais de semana, ficarem “de boa” em um domingo, irem ao estádio de futebol, ao aniversário da sobrinha, e coisas do tipo. Essas coisas não são ruins em si mesmas, entretanto, o discípulo sabe que tem agora um compromisso com uma comunidade de discípulos, que precisa exercer os seus dons, e trabalharem ativamente no ministério. Isso eventualmente pode causar descontentamento familiar. Pois o discípulo de Jesus precisa calcular esse preço. Sempre que a vontade de Jesus se chocar contra a vontade de alguém da nossa família, a primeira deve prevalecer.

2 – Há um preço a calcular com respeito a própria vida.

Jesus disse: “... e ainda também a própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26).

O discípulo terá que aborrecer a própria vida. Um modo de fazer esse cálculo e verificar em algumas áreas da nossa própria vida o cálculo de tal preço.
Há um custo a calcular na vida profissional. Agora o discípulo não trabalha apenas para si próprio, mas para a glória de Deus (1 Co 10.31).

Também na vida sentimental. Isso porque, evitará se deixar influenciar por pessoas que nada querem com o evangelho de Cristo, seja em amizades ou até mesmo em um envolvimento mais profundo.

Sua vida material também será afetada, pois buscará viver uma vida mais simples do que caso não fosse discípulo, e ajudará na promoção da causa do evangelho e da assistência aos necessitados.

Seu lazer também será afetado, pois não irá perder tempo com coisas que não edificam.

Essas e outras coisas na vida de um discípulo são boas e podem ser desfrutadas, mas tudo deve passar pelo crivo do discipulado.

3 – O candidato a discípulo deverá, enfim, colocar a cruz em seus cálculos.

Jesus disse: “E qualquer que não tomar a sua cruz não pode ser meu discípulo” (Lc 14.27).

A cruz naqueles tempos era um instrumento de morte utilizado pelos romanos, que implicava em grande humilhação pública. Não era um símbolo da religião cristã, nem mesmo era utilizado como enfeite. Só de pensar em uma cruz, naqueles tempos, uma pessoa certamente sentiria calafrios. Pois é justamente esse símbolo que Jesus evoca para dizer o que se deve fazer para segui-lo.

Cruz não é o símbolo das dificuldades que alguém carrega na sua vida. Não é incomum ouvir alguém dizer: “ah, esse meu marido é minha cruz”, ou “esse meu patrão é a cruz que eu tenho que carregar”, ou uma enfermidade, etc. A cruz não se refere às dificuldades das quais todas as pessoas estão sujeitas no dia a dia. Não. Cruz é um estilo de vida livremente assumindo por quem deseja se tornar discípulo.

Há alguns significados no que se refere a tomar a sua cruz, e podemos ver isso em um texto de Paulo: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo esta crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gálatas 6.14).

Ou seja, cruz é o lugar onde eu me crucifico. Crucifico meu ego, minhas vontades ilícitas, minhas concupiscências. Ali são crucificas minha injusta ira, minhas cobiças, meus maus pensamentos. Ali, o velho homem é crucificado. E também é o lugar onde crucifico o mundo, com seus falsos valores, sua soberba, sua sede de poder, sua cultura de morte. E isso pode custar ao discípulo a própria vida, como ocorreu com o próprio Jesus, Pedro, André, Tiago, os demais apóstolos, e tantos outros na história do cristianismo.

Enfim, não sei se foi possível expor aqui todo o cálculo que alguém deverá fazer para buscar se tornar um discípulo. De qualquer modo, precisamos nos perguntar se realmente estamos dispostos a calcular o quanto custa seguir o Mestre. E precismos também expor este fato às pessoas, para que elas não se sintam enganadas pela nossa pregação.

Talvez alguém se pergunte: será que vale a pena então seguir a Jesus? Ora, você só considerará que vale a pena se de fato entender que Jesus é digno!
Se você entender que ele é digno, tudo valerá a pena. Sua renúncia, seu sacrifício, seu sofrimento. Isso porque Ele mesmo nos deixou exemplo para ser seguido, deixando sua glória, para morrer por cada um de nós (Fil 2.5-8). Se você realmente crer, nisso, certamente valerá a pena! 

Deixo aqui uma última palavra de nosso Senhor:


"Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba, já no presente século o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições, e no mundo porvir, a vida eterna" (Mc 10.29).

Deus abençoe!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

STF derruba ação penal contra Jonas Abib

Foto
O STF derrubou a ação penal contra o padre Jonas Abib, da Canção Nova, por entender que sua obra estava protegida pela liberdade religiosa.

Conforme havia comentado aqui, entendia que era um erro atrelar a obra do referido padre com o crime de racismo.

Fico aliviado em saber que, mesmo não tendo apreciado a obra, o STF restabeleceu, em minha opinião, o modo constitucional de enxergar a situação,  diferente do modo como estava sendo conduzida pelas instâncias inferiores, incluindo o STJ.


É um erro muito grande confundir religião com raça, sob pena de colocarmos uma mordaça em qualquer um que queira expor opiniões de cunho teológico que entrem em confronto com as mais diversas religiões. Até mesmo porque, nenhuma religião é inevitavelmente ligada a uma raça e vice versa, nem mesmo o judaísmo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Lidando com ataques pessoais nas redes sociais


Digamos que um ateu e um crente estejam empreendendo a seguinte discussão:

Ateu: particularmente, entendo que não há bases sólidas para se crer em Deus. Não é possível provar empiricamente a sua existência. O ônus da prova cabe a quem alega.

Crente: você não passa de um incrédulo, irracional, bobalhão!

Ou então, o contrário:

Crente: particularmente, entendo que há mais bases para crer do que para ser incrédulo. Primeiramente, precisamos verificar que nada surgiu do nada nesse mundo. Tudo é derivado de uma causa primeira.

Ateu: você não passa de um cego, que tenta impor sua cegueira para todo o mundo! Fanático!

Ou então uma conversa de cunho mais político entre o João e o Marquinho:

João: sou favorável a um estado mais interventor, a fim de que possa socorrer aqueles que são materialmente desprovidos.

Marquinho: seu petralha, comunista!

E assim sucessivamente...

O que podemos notar em comum em todos esses diálogos? É que o segundo dialogante não debate a ideia do primeiro, e sim faz um ataque à sua pessoa.

Esse é o famoso argumento “ad hominem”, em que se desvia do assunto para atacar a pessoa.

Como lidar com esse tipo de argumento?

Dou uma sugestão.

Na primeira vez que te xingarem, você não revida, e procura mostrar educadamente para a pessoa que não é você que está em discussão, mas sim o assunto abordado.

Se ainda assim persistir, se tal pessoa continuar ofendendo você, sugiro que você bloquei o perfil dela. “Se afaste”, por assim dizer.

Entretanto, se já da primeira vez a pessoa te atacar com grosseria e radicalidade, talvez seja melhor romper ali mesmo. Não será de grande valia manter o contato com alguém que já parte para as ofensas pessoais assim logo de cara, sem te conhecer. Se ela faz assim em um primeiro contato, o que poderia fazer depois? Geralmente esse tipo de conversa não leva a lugar algum. Ao servo do Senhor não convém contender, mas ser apto para ensinar, brando para com todos e paciente.

sábado, 19 de novembro de 2016

Lembre-se de quem te chamou


“...eu vos escolhi a vós outros...” (João 15.16).

Sim. Há momentos em que alguém possa desanimar de sua caminhada. Desanimar de seu chamado. Desanimar de continuar no ministério. Cansado de sua vida espiritual. “Mais vale a pena trabalhar”, ele pensa. Mais vale a pena investir na profissão. Em um novo curso de línguas. Em um novo empreendimento. Ok. Nada disso é errado. O problema são as motivações.

Podem existir inúmeros motivos para você desistir da tua caminhada, mas te dou um pelo menos, o único necessário para você continuar. E o motivo é simplesmente o fato de que, quem te chamou, quem te escolheu, quem te vocacionou foi o próprio Jesus. Foi o Mestre. O Rei dos reis. O Senhor dos senhores. O princípio e o fim. O grande Alfa e o Ômega. O Salvador. O nosso grande Redentor. Sim, foi ele quem te chamou. O único e necessário motivo para você continuar em sua caminhada é a certeza de QUEM FOI que te escolheu. Não se perca em devaneios teológicos! Em perguntas perplexas! Em contradições! Tenha certeza de que isso não foi um empreendimento próprio! A escolha de quem não tinha mais nada o que fazer. O desejo de um aventureiro ou coisa do tipo. Nada disso! Foi um chamado! Um glorioso chamado para a bem aventurança. Para a missão. Para demonstrar o amor de Deus ao mundo. Para salvar almas. Para animar vidas! Para proclamar o ano aceitável do Senhor! Para transmitir o evangelho ao mundo!

Não é incomum alguém desanimar da própria caminhada. Se isso acontecer contigo, meu irmão. Lembre-se de Quem te chamou. Jesus Cristo, o nosso Senhor e Salvador! Isso, e somente isso, é o suficiente para permanecermos fiéis até o fim!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Uma reflexão acerca do Salmo 128

Fonte: Manaim Guaianazes


Leitura: Salmo 128.

Cuida-se de um salmo, provavelmente de peregrinação com promessas de bênçãos.

Entretanto, há duas condições descritas neste salmo para que um homem usufrua de tais bênçãos e possa ser considerado bem aventurado:

A primeira delas é que tal homem “tema ao Senhor” (vers. 1). O temor ao Senhor é uma profunda reverência a Ele, um profundo respeito e amor. Isso também envolve o medo de pecar contra Ele, pois não queremos desagradá-lO.

A segunda condição é que tal homem “ande nos seus caminhos” (vers. 1). Ou seja, tem a ver com a vida prática. Ele ama a Deus sobre todas as coisas, o próximo como a si mesmo, honrando os pais, não adulterando, não mentindo, nem cobiçando. Enfim, buscando cumprir os mandamentos de Deus em sua vida.

Vejamos agora as promessas expostas pelo salmista:

1 – Do trabalho das mãos comerás (vers. 2): É uma benção no sentido de poder prover a si próprio os meios de existência, não precisando comer das mãos de outras pessoas. Sabemos que em muitos momentos, algumas pessoas, por diversos motivos, seja de abandono ou algum problema existencial como a perseguição religiosa, precisam da caridade alheia. Entretanto, o ideal do Senhor em tempos de paz para a vida de um homem que o teme é que possa prover o seu próprio sustento, e isso é uma coisa muito digna e boa. Um homem que teme ao Senhor é laborioso, diligente e esforçado, no sentido de prover as suas próprias necessidades e a da sua família (Provérbios 10.4, 21,5).

2 – Feliz irás e tudo te irá bem (vers. 2): É ser abençoado com a capacidade de realmente USUFRUIR com alegria e contentamento de todas as bênçãos que recebe. Há pessoas que têm muitos bens materiais, mas não se alegram, não sentem prazer nisso. O homem que teme a Deus será próspero em tudo o quanto fizer, pois seu prazer está na lei do Senhor (Salmo 1).

3 – Tua esposa, no interior da casa, será como videira frutífera (vers. 3): videira era uma importante árvore em Israel, responsável pela uva, pelo vinho. Muitas imagens podem ser invocadas a partir desse símbolo, como fertilidade, sexualidade satisfatória, mas principalmente a alegria no lar (o vinho feito pela uva traz esse símbolo). A esposa do homem que teme ao Senhor tem uma vida frutífera (Provérbios 31). É uma promessa ao casamento. Isso não significa que somente pessoas casadas podem ser felizes, mas sim que, em um casamento em que há temor do Senhor, maior felicidade haverá (Pv 18.22; 19.14)

4 – Seus filhos serão como rebentos de oliveira em redor da mesa (vers. 3): Oliveira é outra árvore muito apreciada em Israel, pois produz azeite. Rebentos de oliveira são como que folhinhas que vão nascendo em uma árvore que poderia esta aparentemente sem vida. Simboliza então a renovação da vida, da existência, em nossos filhos, nos dando um verdadeiro prazer e alegria.

O salmo se encerra ainda com algumas bênçãos impetradas sobre a vida dos que temem ao Senhor:

1 – “O Senhor te abençoe desde SIÃO para que vejas a prosperidade de JERUSALÉM durante os dias de sua vida” (vers. 5): a ideia básica aqui é que a benção familiar estará se estenderá por sobre toda a nação. Famílias prósperas, nação próspera.

2 – “... Vejas os filhos de teus filhos. Paz sobre Israel” (vers. 6): uma benção de longevidade, a fim de ver cumpridas tais bênçãos na vida dos próprios netos.


Enfim, este salmo realmente possui promessas maravilhosas para a vida da pessoa que teme a Deus. De fato, em nossa nação atualmente, há muitas famílias disfuncionais, como homens que maltratam suas esposas, filhos abandonados, recorde de separações. E possível que tais acontecimentos lastimavelmente prejudiquem toda a nação, pois por trás de boa parte dos problemas sociais há problemas familiares. Que o Senhor possa promover famílias abençoadas em nossa sociedade para que possamos ver a prosperidade de nossa nação.

Diante de tudo isso, pergunte-se a si mesmo:

1 - Você tem realmente temido ao Senhor e andado nos seus caminhos, se esforçando para não pecar, e procurando meditar sempre em sua Palavra?

2 - Sua vida familiar tem sido marcada mais pelo conflito, desajustes, desentendimentos ou pela paz?

3 - Você consegue vislumbrar quais têm sido suas falhas no que se refere a manter uma maior harmonia familiar?


Soli Deo gloria!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Todo poder... emana do povo ou de Deus?

Há uma proposta de Emenda a Constituição, a PEC 12/2015, que assim reza: reza: Altera a redação do parágrafo único do art. 1º da Constituição Federal, para declarar que todo o poder emana de Deus. Veja o inteiro teor no sítio da Câmara dos Deputados.

Tal proposta é de autoria do Cabo Daciolo, que foi expulso do PSOL por estas e outras situações. Há outras publicações acerca do assunto aqui e aqui.


Atualmente, tal proposta se encontra pronta para a Pauta na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).


O autor da proposta é reconhecidamente um cristão evangélico.



Surge a seguinte questão: será que os cristãos evangélicos (ou outros cristãos) devem ser favoráveis a uma reforma constitucional deste tipo? Devemos apoiar candidatos que têm tais propostas?

Vejamos.

Realmente, se formos cristãos que acreditam no novo testamento, teremos bons motivos para entender que todo o poder realmente vem de Deus. Veja o que o apóstolo Paulo diz:


Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há poder que não venha de Deus; e os poderes que há foram ordenadas por Deus. Romanos 13:1


Parece que o próprio Senhor Jesus reconheceu que todo o poder que uma pessoa pode ter foi concedido do alto:


Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem. João 19:11

Ok.

Por causa disso, devemos apoiar a tal mudança constitucional?

Particularmente, entendo que não. E por dois motivos:


Primeiramente, por conta da própria laicidade do Estado. No Estado há ateus, agnósticos, e crentes de todos os tipos. Nosso estado não é confessional. Em nenhuma divindade, qualquer que seja. O crente até pode acreditar que todo poder emana de Deus, e há boas razões bíblicas para crer assim, mas isso independe de se ter um governo de cunho confessional. Não há necessidade para isso. Essa é uma razão jurídica.

Em segundo lugar, dou uma razão teológica. Jesus disse que o reino dele não era desse mundo (João 18.36). Se o reino dele não é deste mundo, por qual razão nós queremos fazer com que seja? Jesus não quer governar este mundo politicamente. Ele quer governar corações voluntários.

Isso, obviamente, não significa que um cristão não possa atuar na arena política, expondo suas ideias, defendendo os valores que julgar mais adequando, notadamente, em minha opinião, defendendo os interesses dos órfãos e das viúvas. Entretanto, creio que é melhor (ou menos pior) não impor nenhum preceito de ordem religiosa, para não desrespeitar os que não creem, ou os que creem de forma diferente.

Acredito que tal proposta de emenda a constituição não passará no congresso, e se vier a passar, cairá no STF.

Enfim... um cristão pode compreender que todo poder vem de Deus, mas não é por isso obrigado a colocar na constituição, afinal, o reino de Deus está em nós!





terça-feira, 10 de maio de 2016

Estado mínimo ou interventor?

Estado liberal, para fins da nossa meditação, é o que garante liberdade econômica. O ápice de tal liberalismo é a não intervenção do Estado em nenhum grau da economia. Liberdade pura. "Mão invisível". 

Estado socialista considerarei o que interfere na economia. Um estado socialista dito “hard” é o que a controla totalmente.

Eu, particularmente, me sinto atraído pela ideia de liberdade. Acredito sinceramente que as pessoas são diferentes, farão escolhas diferentes, e produzirão resultados diferentes, mesmo tendo as mesmas oportunidades.

Também sou da opinião que, em muitos aspectos, a intromissão do estado da economia mais prejudica do que atrapalha. O estado tende a ser grande, burocrático, demorado, e não realiza muito bem o que alguns denominam de cálculo econômico, sem falar na possibilidade da apropriação privada da coisa pública, coisa que acontece muito. Também gasta muito, não é eficiente, e tende a favorecer os capitalistas amigos. Quanto mais liberdade econômica, mais gira o dinheiro, melhora a concorrência, melhoram os produtos, diminui o desperdício, e assim sucessivamente. Compare a construção do estádio do Palmeiras e do Coríntias para ter uma noção da diferença.

Entretanto, a medida que as gerações vão passando, alguns vão se enriquecendo, e outros vão se endividando. A vida é muito dinâmica. Alguns se dão bem. Outros nem  tanto. Os filhos é que sofrem. E eu tenho a sensação de que somente a liberdade econômica não será suficiente para tirar pessoas da pobreza.

Vou dar um exemplo bíblico (me perdoem os cientistas e intelectuais, por favor, mas acredito que é pertinente). Segundo a lei de Moisés, as pessoas tinham liberdade de comprar e de vender, de negociar, entre outras coisas. E, portanto, também poderiam se endividar. Uma pessoa sem bens poderia até mesmo ser escravizada por dívidas. Entretanto, havia alguns mecanismos legais em Israel interessantes, embora pouco utilizados. O primeiro é o que dizia que, de sete em sete anos, todas as dívidas deveriam ser perdoadas. Leia Deuteronômio 15. Outro era o fato de que alguém que tivesse, por algum motivo de dívidas, se tornado escravo, só poderia trabalhar por seis anos, e no sétimo, seria solto e perdoado, além de receber uma indenização (ou seja, não era solto de mãos vazias), e de cinquenta em cinquenta anos, todas as posses retornavam aos seus donos originais. Leia Levítico 25, por exemplo. E tudo isso para que não existissem pobres no meio do povo.

Isso me faz pensar que é preciso existir algum mecanismo que evite a absoluta desigualdade econômica entre as pessoas e minimize os eventuais efeitos do livre mercado. Não sei dizer o tamanho, ou a medida de tais mecanismos, mas, ainda que não seja um Estado socialista, absolutamente interventor, ele precisa ter alguma potencialidade interventiva para casos de necessidade. E, tendo em vista os exemplos cíclicos (sete em sete anos, cinquenta em cinquenta anos), tem que ser um sistema permanente, pois enquanto houver humanidade, haverá pobres e desigualdade (Jesus disse que sempre teríamos pobres conosco).

Por isso, chego a singela conclusão, neste texto não técnico, mas por pura meditação, que embora a liberdade econômica seja desejada, e que o Estado não seja tão grande a ponto de se intrometer em todos os aspectos da vida, mesmo econômicos, há a necessidade de alguma potencialidade interventiva para socorrer os mais necessitados.


Para um liberal, um estado assim é considerado meio socialista, e para um comunista, o considera mero reformista, ou quase capitalista. Que difícil, né?


quinta-feira, 7 de abril de 2016

Discussões políticas

Não faz muito tempo coloquei um foto minha no facebook acerca da má situação dos trensem São Paulo, e publiquei meio que querendo ser irônico com a frase “Viva Geraldo”.

Rapidamente, mais do que eu imaginava, a foto foi bastante curtida, mas também surgiram comentários raivosos, e até acusação de que eu era petista!

Isso demonstra que vivemos tempos bastante complicados nesta questão, praticamente polarizados, em que criticar um dos lados já te faz ser, automaticamente, na visão de alguns, apoiador do outro!

Particularmente, entendo que não deveríamos romper nossas amizades por questões políticas.

Isso porque a maioria de nós não conhece pessoalmente os políticos que vemos na mídia. Não sabemos se são pessoas boas, educadas, honestas, justas, agradáveis, pois não convivemos com elas. Por outro lado, nossos amigos e colegas, conhecemos pessoalmente. Se há alguma afinidade, alguma amizade, é porque de algum modo já consideramos que vale a pena caminhar um pouco com tal pessoa. Logo, romper uma amizade ou um coleguismo por conta de uma discussão política é como trocar o certo pelo duvidoso.

Outra questão que sempre me pareceu muito importante é o fato de que, nessas discussões acerca de pessoas públicas, nós raramente temos acesso aos fatos primários. Nós não somos testemunhas oculares. Tudo que chega até nós são informações mediadas, interpretadas, e até mesmo distorcidas. Já, o seu amigo ou colega, você conviveu, conhece fatos da vida dele (pelo menos os que te dizem algum respeito), por isso vocês têm uma história de convivência. Será que vale a pena colocar tanta energia em assuntos e notícias que nem sabemos se verdadeiras?


Sim, é verdade que política afeta a vida de cada um de nós. E cada qual, com base em seu modo de pensar, informações, estudos realizados, entre outras coisas, pode, no nosso sistema político, chegar à conclusão que melhor lhe parecer, e que, talvez, não seja a mesma de um amigo. Entretanto, por mais que a política afete nossa vida, não o faz na mesma esfera que uma amizade. Portanto, brigar por questões políticas, além de por em risco amizades e coleguismos, revela-se uma inutilidade.




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