sexta-feira, 9 de maio de 2008

As imagens, a lei e a graça

Por Gederson Falcometa Zagnoli Pinheiro de Faria

A questão das imagens normalmente é abordada apenas pela lei e pela sua proibição por alguns ramos do Protestantismo. E isto os fazem cair no erro da observância da lei sugerindo nos uma justificação pelo cumprimento da mesma, o que sabemos não ser possível perante DEUS. Segundo diz o Apóstolo, a observância da lei não justificará nenhum homem e ainda acrescenta que a lei limita-se a dar consciência do pecado:

"Porquanto pela observância da lei nenhum homem será justificado diante dele, porque a lei se limita a dar o conhecimento do pecado." Rm 3, 20

Justamente por isso, na oração do Pai Nosso, rezamos:

"Perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido"

As ofensas das quais pedimos a DEUS perdão, são justamente as transgressões da lei que são suplantadas pela prática do perdão e da misericórdia. Antes da graça pesava sobre nós o juízo da condenação da lei e este juízo foi também suplantado pelo perdão e pela misericórdia que DEUS nos ofertou através de seu Filho. Novamente ofertamos aquilo que primeiramente dele recebemos, a misericórdia e o perdão. Na prática ele demonstrou o verdadeiro significado das palavras:

" Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6). Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores."Mt 9,13

Cristo demonstrou isto se sacrificando, ao fazer se maldição por nós, provando nos efetivamente a veracidade das palavras de São Tiago:

"Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento." Tg 2,13

Ora, se a lei limita-se em dar consciência do pecado, ninguém deve esperar dela nada além do conhecimento do pecado. Porém alguns ramos do protestantismo, utilizam-se da mesma lei que os condena para condenar a nós que não vivemos pela observância da lei. Desta maneira, defendem a justificação pela fé e na prática testemunham que são justificados pela lei, contra eles diz os apóstolos:

"Ora, sabemos que tudo o que diz a lei, di-lo aos que estão sujeitos à lei, para que toda boca fique fechada e que o mundo inteiro seja reconhecido culpado diante de Deus:" Rm 3, 19

Temos então que as defesas reformistas acerca da gratuidade da graça ainda que errôneas, também contradizem a observância da lei no que diz respeito a questão das imagens. Talvez por esta razão, o protestantismo tradicional não veja a questão das imagens, como os outros ramos a vêem. E neste sentido, temos a palavra do apóstolo que diz:

"Ora, Moisés escreve da justiça que vem da lei: O homem que a praticar viverá por ela (Lv 18,5)".Rm 10, 5

Vivendo estes ramos Protestantes pela graça, eles não poderiam nos julgar pela lei, mas vivendo eles pela lei, eles podem nos julgar pela lei e repito; não pela graça. Temos novamente a contradição que acima foi mencionada, entre a Sola Fides e a lei, pois se o homem é justificado pela fé, pela fé deve ser julgado. Do juízo da lei não escapa o própio Cristo e julgando nos pela lei, estes ramos do Protestantismo ignoram que sentenciam o própio Cristo como maldito, conforme se lê na própia lei:

"o seu cadáver não poderá ficar ali durante a noite, mas tu o sepultarás no mesmo dia; pois aquele que é pendurado é um objeto de maldição divina. Assim, não contaminarás a terra que o Senhor, teu Deus, te dá por herança." Dt 21,23

São Paulo referindo-se a este fato nos diz:

"Todos os que se apóiam nas práticas legais estão sob um regime de maldição. Pois está escrito: Maldito aquele que não cumpre todas as prescrições do livro da lei (Dt 27,26). Que ninguém é justificado pela lei perante Deus é evidente, porque o justo viverá pela fé (Hab 2,4). Ora, a lei não provém da fé e sim (do cumprimento): quem observar estes preceitos viverá por eles (Lv 18,5). Cristo remiu-nos da maldição da lei, fazendo-se por nós maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que é suspenso no madeiro (Dt 21,23)."Gl 3, 10-13

Pesa sobre alguns ramos do Protestantismo a maldição da lei, pois ao nos julgarem pela mesma lei que os condena, eles amaldiçoam ao própio Cristo. Tudo o que fazermos a um pequenino que nele crê, fazemos a ele e se julgarmos um destes pequeninos pela lei, pesará sobre nós a palavra do Senhor:

"Mas todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar!" Mc 9,42

Ademais pode se dizer que a insistência acerca do mandamento das imagens reside no fato da Igreja Católica Apostólica Romana não condenar o seu devido uso. Já no mandamento que exorta a não dizermos seu Santo nome em vão, não se observa no Protestantismo o mesmo zelo observado na questão das imagens. E tal mandamento é transgredido todas as vezes que dizem "EU SOU", por assim se pronunciar diante do Sinédrio Cristo foi condenado.

O verbo EU SOU, foi retirado da língua hebraíca, pois segundo o judeus somente DEUS é, conforme se apresentou a Moisés. Porém quando dizemos "EU SOU" testemunhamos que somos Filhos de DEUS, participantes da natureza divina e co-herdeiros de Cristo, não se trata mais de um mandamento a ser observado rigorosamente no sentido judaíco. Conforme o apóstolo diz:

"Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: Nós somos também de sua raça..."At 17, 28

Agora para finalizar, resta nos abordar as imagens dentro de seu devido uso. As imagens não se encerram nelas mesmas, como dizia Santo Tomás de Aquino, elas são imagens das quais são realidades, existentes ou não existentes. Portanto os ramos Protestantes sequer distinguem as imagens Católicas das imagens pagãs. Por exemplo, a imagem do DEUS Filisteu Dagom, era a imagem de uma realidade inexistente, pois Dagom nunca existiu e nunca foi DEUS, então temos a imagem se encerrando nela mesma o que de fato caracteriza a idolatria (Culto a imagem) Porém no caso de uma imagem de um Santo Católico, temos que ela é imagem de uma realidade existente, pois os Santos existem e são vitrines da restauração da imagem e semelhança de DEUS. Desta maneira aquele que venera a imagem de um Santo venera a personalidade daquele que esta ali representado na imagem.

Aprofundando na veneração dos Santos, temos nos Templos Católicos a materialização do templo do Espírito Santo que somos nós, é isto que sugere o fato dos mesmos terem o nome de Santos. Quando veneramos um Santo adentramos no templo espiritual que foram eles para contemplar as obras que DEUS realizou através deles, as virtudes e os carismas que lhe foram concedidos pelo Espírito Santo e principalmente adorar a DEUS que os santificou. E da mesma maneira que devemos ter a imagem de Cristo crucificado em nosso Espírito, os templos Católicos tem essa imagem materializada no altar, o que corresponde as palavras do Apóstolo:

"Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi apresentada a imagem de Jesus Cristo crucificado?" Gl 3,1

Enfim terminada abordagem da questão sobre este ponto de vista, resta nos pedir maior prudência a estes ramos Protestantes e a DEUS que os perdoem, pois não sabem o que fazem. E para que se cumpra aquilo que Nosso Senhor disse, sobre a lei e os profetas terem tido a palavra até João, é preciso ter sempre em mente as palavras do Apóstolo:

"Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus."Ef 2,8





Para melhor entender o tema, sugiro a leitura dos "Sermones Centum" de número 01 (Sobre o sentido alegórico da dedicação de uma Igreja), de número 02 (Sobre o sentido moral da dedicação de uma Igreja) e o de número 03 (Sobre o sentido anagógico da dedicação de uma Igreja), todos de autoria de Hugo de São Vítor.