quarta-feira, 7 de maio de 2008

Breves reflexões sobre a doutrina da experiência

Por Gederson Falcometa Zagnoli Pinheiro de Faria


O Exôdo destaca algumas das maiores experiências que os homens tiveram com DEUS. Moisés, libertou o povo hebreu do Egito e operou sinais e milagres que até hoje acompanham a cultura judaíca e assombram a humanidade.

Naqueles tempos, o povo hebreu teve a experiência das pragas do Egito, atravessou um Mar a seco, experimentaram o Maná, as Cordonizes e tomaram da água que brotou na rocha, além de terem diante de seus olhos a coluna de fogo que os conduzia. Tudo isto não foi suficiente para conquistar a fidelidade do povo hebreu, bastou Moisés subir ao Monte Sinai, que fizeram um bezerro de ouro e o adoraram.

Os judeus tinham herdado de um certo modo a religião egipcía, foi como se eles tivessem saído do Egito, mas o Egito permanecesse neles. O povo acreditava na experiência e nas provas que DEUS lhes dava, mas não cria em DEUS, eram incapazes de confiar. Como os Egipcíos, eles possuíam apenas um sentimento religioso alimentado pela experiência. Quando cessava a experiência não sentiam DEUS presente, então DEUS já não exstia e assim acabaram por cometer todos os erros relatados no Exôdo.

Apesar deste grande testemunho de que a experiência não produz autêntica conversão, hoje a pregação da maioria das Igrejas se baseia nela. Não querem conhecer a DEUS, querem sentir a DEUS, como se fosse o sentimento e não o conhecimento que libertasse o homem da mais refinada de todas ignorâncias; a ignorância da própia ignorância, como dizia Santo Agostinho. Querem acreditar na experiência, não querem acreditar em DEUS. Comportam-se como aqueles que pediam ao Senhor um sinal e dele recebiam a resposta:

"Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre. Respondeu-lhes Jesus: Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas: do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra. No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta raça e a condenarão, porque fizeram penitência à voz de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas. No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará com esta raça e a condenará, porque veio das extremidades da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está quem é mais do que Salomão." Mt 12, 38-42

Entre os pregadores da experiência, encontram-se até mesmo alguns Bispos. Não querem mais plantar e regar como São Paulo e Apolo, eles querem dar o crescimento diretamente, conduzindo o povo a experimentar o "incognoscível". Pensam que é a experiência quem conduz o ser humano a DEUS, não o conhecimento. Parecem esquecer-se que os Apóstolos tiveram experiências diretas com Jesus por três anos e nem isso foi suficiente para a maioria estar com ele aos pés da cruz.

A doutrina da experiência nasceu na Igreja Católica com o modernismo, condenado por São Pio X na Carta Encíclica Pascendi Domini Gregis. Através desta doutrina modernista, eles chegaram a afirmar que DEUS se acha apenas na alma do crente, como objeto do sentimento e de afirmação. O fundamento desta asserção, seria a experiência individual de cada crente que segundo os modernistas, seria capaz de vencer qualquer experiência racional. Aqui os modernistas dispensam São Paulo e Apolo, de plantarem e regarem, para transferir ao Espírito Santo todas as funções da conversão. O que fazem é introduzir no Cristianismo a via direta gnóstica, que acabará produzindo o Cristianismo anônimo de Karl Rahner. Daqui se vê o quão honestos eram e são os modernistas, porque o Cristianismo é como a liberdade de expressão, ela veda o anonimato. Alguém sentir-se empolgado por isso, só pode possuir um intelecto falso. O Cristianismo anônimo que os entuasiama, nada mais é do que o humanismo puro.

A Missão da Igreja é a de convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo, por esta razão os homens falaram e falam pelo Espírito Santo e é por esta razão que ele foi prometido. Na doutrina da experiência, a verdade torna-se incognoscível, óbviamente ninguém poderá convencer ninguém de algum pecado, de alguma justiça ou de algum juízo. Óbviamente rejeitam o Espírito Santo! O que resta então, é a pregação da dignidade humana que faz Pelágio de um lado exultar em seu túmulo e de outro Santo Agostinho se revirar.

Evidentemente que a ausência de anátemas por parte do Magistério da Igreja, deve-se a adoção da doutrina da experiência. Nada melhor para o humanismo do que a ausência da verdade e a presença da experiência, através disto o cristianismo amolda-se a todas as classes sociais e a todo e qualquer tipo de pecado. Hoje não existe mais conversão no cristianismo, não existe nova criatura, existe a pregação da dignidade humana, dotado de razão e vontade livre; necessitará conhecer a verdade religiosa que confere autenticidade a sua razão e liberdade a sua vontade? Teria o Espírito Santo mudado e modificado a orientação missionária da Igreja?

Uma coisa é certa, entre os católicos os chamados tradicionalistas continuam com a mesma postura anterior ao Concílio. Por esta razão eles são o grupo mais odiado dentro e fora da Igreja, são os excluídos da modernidade, estão como São Paulo; "fora dos muros". A grande apostasia esta ai, a doutrina da experiência é meio pelo qual ela esta atingindo seu fim, para que se cumpra a palavra do Senhor:

"... Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?" Lc 18,8