quinta-feira, 8 de maio de 2008

Daí a César o que é de César?

Por Gederson Falcometa Zagnoli Pinheiro de Faria


"A Igreja sem o Estado é uma alma sem corpo. O Estado sem a Igreja é um corpo sem alma." Leão XIII

As relações entre Igreja e Estado apresentam em maior escala, a luta entre a carne e o espírito, como ensina São Paulo (Gl 5,17). Desde os primórdios em todos os tempos, esse combate é relação é visível.

Em um primeiro momento na Antigüidade, o Estado tentou aniquilar a Igreja e foi vencido. Então floresceu a Idade Média, tempo em que o Estado foi submetido pela Igreja, sem no entanto deixar de atacá-la em diversos momentos. Naqueles tempos para o (pesar de muitos), havia a distinção dos poderes e suas respectivas jurisdições, não separação.

A história registra, por exemplo, o famoso encontro entre o Imperador Teodósio e Santo Ambrósio de Milão. O Imperador intentou sentar-se no Presbitério, (como era costume dos imperadores fazê-lo no oriente), foi expulso e proibido por Santo Ambrósio sem nenhuma explicação. Consequentemente o Imperador também proibiu-o de receber informações do conselho imperial.

Evidentemente as relações entre Igreja e Estado no decorrer da Idade Média, nem sempre seguiram esta linha no encontro entre o Trono e o Altar. Porém o Cesaropapismo, o "direito do Padroado" e outros abusos, não justificam a separação entre Igreja e Estado. Usar tais abusos ou expressões como; "as relações com o Estado, sempre se mostraram maléficas para a Igreja"e outras deste tipo chegam a ser opiniões gnósticas, eram eles que desejavam a separação entre o corpo e a alma. Todo e qualquer abuso, era motivo mais que suficiente para condenar o Corpo como autor do mal...

Nosso Senhor Jesus Cristo, nunca desejou a separação entre Igreja e Estado. Muito pelo contrário, ele edificou a Igreja para ser a luz do mundo, ele mesmo disse que não se coloca a candeia embaixo da mesa. Como ele poderia colocar a Igreja abaixo ou em um nível de igualdade, com o Estado? Quem é a luz do mundo? A Igreja ou o Estado?

O começo das relações entre Igreja e Estado na era moderna, foi bastante conturbado. Desejou-se a separação entre Igreja e Estado baseada em falsas argumentações que foram rechaçadas pelos Papas. Porém atualmente as condenações papais neste ponto, são consideradas matéria contigente. Dizem que a relação entre Igreja e Estado, não faz parte do Depositum Fidei. Para eles a Igreja deve estar abaixo ou em posição de igualdade com o Estado, um absurdo!

Deve-se ao catolicismo liberal a elaboração e a formulação da fraquíssima teoria de separação entre Igreja e Estado. Lammenais e Rosmini, diziam que a Igreja precisa apenas de liberdade para exercer sua atividade missionária. Se a Igreja não precisa do Estado e nem o Estado precisa da Igreja, tem se o absurdo de que o corpo não precisa da alma e nem a alma do corpo. Desenvolvendo esta tese do catolicismo liberal, contemplaremos o mesmo desejo dos gnósticos da separação entre corpo e alma.

O pior de tudo, é que não são somente os Católicos Liberais que são favoráveis a separação entre Igreja e Estado. De uma maneira geral, a grande maioria é favorável, seja pelo silêncio ou por obediência ao Magistério que realizou esta separação durante o Concílio. O grande argumento para a separação, são as palavras de Jesus:

"De César, responderam-lhe. Disse-lhes então Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." Mt 22, 21

Daqui deduzem não a distinção jurisdicional dos dois poderes, mas a própia separação e autônomia de ambos. Omitem que o que é de César, provém de DEUS, como até mesmo Pôncio Pilatos que teve poder concedido pelo própio DEUS, para julgar nosso Senhor (Jo 19,11). Não ensinam que hoje não se tem mais César, mas o povo que se faz César, o que muda a resposta para:

"Daí, pois, ao povo o que é do povo e a DEUS o que é DEUS."

Olhem nas Paróquias, na Televisão, nas Rádios, nos Jornais, na Internet, etc, vereis toda Igreja ocupando-se em "dar ao povo o que é do povo", mas o que é do povo? Não compete a Igreja "dar ao povo o que é do povo", isto compete ao Estado, mas se ele é o própio povo, o que dará a si mesmo?

A Igreja Conciliar, divide-se para dar ao povo o que é do povo; Há modernidade, um Catolicismo Liberal (Concílio Vaticano II), os comunistas, um Catolicismo Comunista (Teologia da Libertação), aos Protestantes um Catolicismo Protestante (RCC), a Maçonaria um Catolicismo Maçom (Vários movimentos católicos são maçons!!!), etc, nisto busca-se a unidade do gênero humano, através da inclusão de todos na "Cidade do Homem".

Vivemos em um regime de maldição, esta geração nunca poderá dizer; "Bendito o REI que vem em nome do SENHOR", mas; "Bendito o Presidente que vem em nome do povo" e assim reduzir a sociedade ao homem. Também não poderão dizer; "Seja bendito aquele que confia no Senhor e maldito aquele que confia no homem", mas Seja bendito aquele que confia no homem e maldito aquele que confia em DEUS." A Democracia funciona assim, ela exclui o DEUS de Israel e em seu lugar coloca o DEUS gnóstico. Onde vai parar isto, só DEUS o sabe, que nosso Senhor nos proteja, grande é a tribulação!