segunda-feira, 12 de maio de 2008

Igreja

Por Gederson Falcometa Zagnoli Pinheiro de Faria

É do conhecimento de todos os cristãos que Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu uma Igreja. Há no entanto alguns que se dizem cristãos e pensam de forma diversa. Para eles a Igreja não é uma instituição, mas algo meramente invísivel que deveria estar decompromissada de qualquer status. Trata-se de uma visão desconhecida de Cristo e dos Apóstolos, mas muito conhecida do homem moderno que aplica a tudo o conceito de evolução.

Ora, se a verdade evoluí, o homem determina tudo e DEUS não determinada nada, porque foi excluído tanto da sociedade, como da própia Igreja. Logo poderemos dar as mãos a Dostoievisk e dizer que "se DEUS não existe, tudo é permitido", até mesmo determinar o que é Igreja deixando de lado aquilo que Dele e dos Apóstolos recebemos.

O status da Igreja, é a de ser a luz do mundo, como ensina nosso Senhor:

"Dizia-lhes ainda: Traz-se porventura a candeia para ser colocada debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não é para ser posta no candeeiro?" Mc 4, 21

Porventura poderia ter nascido a Igreja para ficar abaixo do Estado? Sendo que ela é divina e ele humano?

Evidentemente a Igreja nasceu para iluminar o Estado, como o Espírito ilumina o corpo. Os atritos que hoje contemplamos entre Igreja e Estado, nada mais são do que a auto-projeção da luta entre carne e espírito. Será o Corpo quem deverá ter primazia em relação ao Espírito? Será que podem separar-se sem prejuízo para ambos e perda da própia razão de ser?

Há luz pela sua natureza é sensível, ela não pode ser descompromissada, uma vez que a sua simples existência dissipa as trevas e fornece o calor essencial a vida. Analogamente pode se dizer o mesmo em relação a Igreja, uma sem compromissos com status, não é uma Igreja Militante e não sofre assédios do maligno. Logo ela não necessita da promessa de não prevalecência dos portões do inferno, porque ela não existe e é incogniscível, ela não luta.

A Igreja é uma instituição, não é um mistério, se fosse mistério, São Paulo de maneira alguma diria que fomos batizados para que formassemos um só corpo, como se lê:

"Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito." 1 Cor 12, 13

O Espírito Santo revela nos a essência da Igreja para que através da mesma formemos um único corpo, que é uma instituição. Desta maneira, fica difícil entender como não considerar a Igreja uma instituição dvina, até porque os dons do Espírito Santo tem por fim exatamente a instituição. Ainda pode se dizer que o VERBO precisou fazer-se carne para que todos tivessem conhecimento de DEUS. Não ocorre o mesmo com a Igreja? Ela não possuí também duas naturezas, a divina e a humana?

É neste ponto que se tem o principal argumento favorável ao primado petrino. Somente através dele a Igreja é una, sem ele a Igreja é meramente uma realidade espiritual ou então uma realidade meramente humana. O trono de São Pedro é o responsável pela unidade da Igreja e ele se dá essencialmente em relação a própia natureza da Igreja. Sem o primado petrino, o que se tem são vários corpos, mas nunca um só corpo, a unidade vem de um.

A relação que as partes de nosso corpo mantém, são de interdependência, nunca de independência. O problema atual das Igrejas, é que muitos pensam que os rins podem funcionar sem o sangue. Porque pensa-se em igualdade e particularidade que produzem apenas o individualismo, que destrói qualquer tentativa de formação de um corpo. Se somos cristãos em igualdade, pensamos possuírmos os mesmos dons que nosso próximo então ele não é mais necessário. Neste caso, eu que era membro da Igreja, torno me a própia Igreja e penso ter a minha disposição todos os dons do Espírito Santo. O que é notoriamente falso, porque os dons do Espírito Santo são distríbuidos para proveito comum e não particular.

Podemos dizer com clareza e convicção que não é o Espírito Santo quem inspira cada um se considerar em particular Igreja. Muito provávelmente esta inspiração esta em sua própia razão ou então em outro lugar. Porque se somos Igreja e não membros da Igreja, já não somos batizados para formar um só corpo, pois a Igreja deixa de ser um corpo e passa a ser o indivíduo. Desta maneira, aqueles que pensam assim, passam por cima da autoridade de Cristo, São Paulo e do própio Espírito Santo e escrevem o Evangelho do Evangelho. Nosso Senhor também disse que edificaria a sua Igreja, se cada um em particular é Igreja, então ele deveria ter dito que edificaria Igrejas. O que se tem são apenas mestres de si mesmos, como já, alertava o Apóstolo:

"Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si." 2 Tm 4,3

Se a Igreja não é uma instituição, ela é um mistério e sendo um mistério ela tornar-se-á uma fonte de novidades. O que não era desejo nem de Cristo e nem dos Apóstolos, confome diz São Paulo ao própio Timóteo:

"Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade." Tm 3, 15