sábado, 24 de maio de 2008

Profaníssima Trindade

Por Gederson Falcometa Zagnoli Pinheiro de Faria

'Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo.' Ef 4,5

Miraculosamente a grande maioria dos ramos do cristianismo, em nosso tempo, promovem o casamento entre a fé e o mundo. Evidentemente ao promover esta união, eles demonstram na teoria e na prática à apostasia. A partir do momento que se pretende casar a fé com o mundo, à Igreja torna-se o corpo do homem, isto é, a própia humanidade.

Muitos ignoram que este casamento necessariamente coloca em cena uma nova trindade, profana e inimiga de DEUS, ela sacraliza o mundo e absorve para si todos os atributos que "anteriormente" eram propriedade Dele. Tudo isto graças a Nova Teologia Católica (Modernismo) e a teologia liberal protestante. Onde sem sombra de dúvidas, podemos dizer que o mundo aparece como DEUS Pai, a matéria como DEUS Filho e a Evolução como DEUS Espírito Santo. É desta trindade que nasce o ateísmo e o relativismo que imperam e destroem o Ocidente. Também é dela que nasce todos os cristianismo sem Cristo que se chamam progressistas. Recusando que Cristo veio em direção a nós para revelar nos a verdade, eles julgam necessário 'ir em direção' a Cristo construindo uma nova verdade e um novo Cristo, que nem Ele e nem os apóstolos conheceram. É claro que os critérios para a existência de uma só fé, exigem a sujeição do tempo pelos filhos da fé, mas atualmente aqueles que se dizem filhos da fé querem sujeitá-la ao tempo. Pensando que a verdade evolui ainda existirá fé?

A concepção tradicional, onde 'A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê' (Hb 11, 1) não tem absolutamente nada a ver com o que hoje se chama fé. Porque toda teologia que se vincula as ciências experimentais, não é teologia propiamente dita, mas antropoteologia. Trata-se de uma teologia que não diz respeito as coisas que não se vêem, mas sim das coisas que se vêem que seriam exatamente; o mundo, a matéria e a evolução. Como poderá ser fé?

Nunca a fé atual, será a adesão da inteligência e da vontade a verdade revelada (Como ensina Santo Tomás de Aquino), mas sim a adesão da inteligência e da vontade, a uma eterna busca por verdades provadas (empiricamente). Neste ponto de vista, a verdade revelada e a verdade provada, são mutuamente excludentes e assumem posicionamentos antagônicos. Onde de uma lado temos a concepção de verdade de Galileu Galilei:

"A verdade é filha do tempo e não da autoridade"

E na outra extremidade a verdade de Jesus Cristo:

"Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão." Mc 13, 31

A verdade de Galileu Galilei é material e mundana, a de Jesus Cristo espiritual e santa. Evidentemente que a verdade Cristã, é filha da autoridade, ela provém de DEUS (Rm 13). É impossível um meio-termo entre a cidade de DEUS, Jerusalém celestial e a cidade dos homens, Babilônia. Não existe meio-termo, é Sim Sim ou Não Não...

Depois da encarnação de Cristo, o seu maior milagre foi ter feito o homem acreditar no própio homem, pelo seu própio intermédio. Durante séculos acreditou-se nos Apóstolos e em Cristo sem que fossem necessárias provas de suas existências além de seus testemunhos de sangue. É claro que Cristo é DEUS e os Apóstolos foram homens inspirados pelo Espírito Santo, como também o foram seus sucessores. No entanto quando surge o protestantismo, esta inspiração é reduzida a Sola Scriptura. Deste modo, em um primeiro momento, não existe em quem se acreditar como os apóstolos depois que eles morreram. Em outro momento, saíriam procurando por 'certidões' e 'documentos de identificação' deles e é claro já não se acreditaria nem mesmo neles. Este momento é o nosso, o momento que se acredita nas provas do que fazemos e não em nós mesmos. Se de um lado professa-se esta suma desconfiança em relação ao ser humano, por outro acredita-se apenas naquilo que esta escrito, como explicar então a dignidade da pessoa humana, se tal dignidade não se vincula a palavra oral?

Quando os homens passaram a negar Jesus Cristo e a acreditarem na dignidade da pessoa humana. Eles deixaram de acreditar no homem, para acreditar naquilo que ele escreve. Ninguém em absoluto ignora que em nosso tempo ninguém pode crer na palavra oral de outro homem. Para acreditar uns nos outros precisamos de papéis com nossas assinaturas. Isto em si mesmo é uma prova de que o homem não possuí a dignidade do criador, como também demonstra que ele é um ente caído. Digamos que apesar de sermos pessoas humanas, a dignidade não está na pessoa humana em si, mas nos papéis que ela assina. Erasmo de Rotterdam, era um heterodoxo, mas tinha razão quando disse que 'os homens precisam dos papéis para registrarem aquilo que são incapazes de guardar na memória.' É claro que ao registrar tudo em papéis como se faz hoje, não se guarda nada ou muito pouco na memória. Damos tanta importância uns aos outros que preferímos registrar no papel aquilo que deveríamos reter na memória...

Não é incrível? Na época em que se considerava o verbo como DEUS, havia a proeminência da palavra oral, mas em tempos em que se considera a própia matéria o verbo, é a palavra escrita quem se sobrepõem a palavra oral. O que terá sobrado da tradição oral católica, se ela não pode ser provada empíricamente, como exige o método moderno? É claro e evidente que o Vaticano II, protestantizou a Igreja. Não vejo como se falar em ecumenismo entre Igreja Católica e Igrejas Protestantes. Porque de um certo modo o protestantismo contempla a si mesmo na Igreja pós-conciliar. É o que já descobriu o Arcebispo Luterano de Riga, ao solicitar a um Padre Tradicionalista, a pregação de um retiro, como pode se ler:

"Os pastores luteranos declararam que tinham pedido a um tradicionalista [que desse o retiro] porque os encontros ecuménicos com os representates oficiais da Igreja Católica muitas vezes consistiam só de palavras bonitas, de bons falantes sem nenhum conteúdo e substância nas suas palavras. Muitos afirmaram que tinham ficado com a impressão de que os católicos de hoje estão acima de tudo predispostos a imitar os protestantes.

Entretanto, um deles disse: 'Nós estamos à procura da Verdade, à procura de uma clarificação das imensas ambiguidades e contradições que se encontram dentro da nossa própria fé protestante'. Eles queriam aprender a doutrina autêntica da Igreja Católica Romana. Mas hoje esta doutrina só poderia ser claramente pregada pelo clero tradicionalista: 'Estes [padres] não são uns bons falantes ecuménicos sem espinha, mas sim pregadores eloquentes do autêntico depósito de fé católico', disse um dos pastores luteranos.

De acordo com o website, a gratidão dos participantes foi imensa: 'Os pastores disseram que gostaram particularmente do método de St. Inácio de Loiola que lhes abriu acesso à Sagrada Escritura'. Os pastores luteranos e o seu arcebispo ficaram igualmente tocados pela Mariologia pregada pelo padre Stehlin e 'com grande intensidade e piedade, [também] assistiram ao rito católico da Missa'." Evangelização vs. Ecumenismo

Perguntar-se-ão o que tem haver a dignidade da pessoa humana com a profaníssima trindade. Responderei que ela é o produto direto da mesma, pois a Igreja da profaníssima trindade, é a própia humanidade. É uma mãe cega, não dignificará seus filhos indepentendemente de seus atos como algumas Igrejas Cristãs fizeram e fazem?

A fé moderna não é fé de salvação, mas sim de transformação, não do homem em uma nova criatura, mas da criação em uma nova criação. Pode se observar que esta fé, é muito útil para remover montanhas, mas inútil para servir a caridade que é o real propósito da fé.

Todo católico conciliar hoje tem fé na transmutação da humanidade em reino de DEUS, mas nenhum deles procura pela própia salvação. Para eles o reino de DEUS, se realiza e se consuma no própio mundo, é como se não acreditassem em outra realidade além da material. Tudo isto graças a um exército de sacerdotes apóstatas que dão as costas ao oriente e a própia tradição da Igreja. Mas aquele que é fiel e justo virá...