domingo, 15 de junho de 2008

Exposição sobre o Salmo 22 - II

Nada há de me faltar.


Alguns ao lerem esse texto imaginam que Deus esta lhes prometendo coisas materiais, visto que, segundo eles, o material faz parte desse "nada" que não há de faltar aos bem apascentados.

Acontece que os ensinamentos divinos devem ser bem compreendidos, não segundo a letra que mata e produz falsas teologias, mas conforme o espírito que vivifica e produz abundante santificação em Cristo Jesus.

Portanto ao lermos: "Nada" não somos autorizados a crer que Deus nos esta a prometer aquele gênero de bens que constituem a felicidade neste mundo, mas aquele outro gênero de bens incorruptiveis e eternos e os meios necessários para que possamos tomar posse deles.

Pois as promessas são conforme a natureza daquele que promete.

Ora Deus não é matéria, mas espírito (Jo 4,24) de modo que suas promessas são espirituais e invisiveis, são promessas para a eternidade e não para o presente século.

Aos que me perguntam: porque Deus não promete nem concede tais bens? Respondo que os bens materiais e pereciveis estão ao alcançe do homem podendo ser conseguidos naturalmente. Por outro lado os bens espirituais e eternos não estevam ao alcance dos homens e por isso receberam todos a alcunha de graça.

Porque para sermos restaurados na comunhão divina o Supremo Pastor teve de ser imolado sobre o gólgota e derramar todo seu sangue precioso. Não fosse assim permeneceriamos todos sob o jugo do mal e do pecado, mergulhados nas trevas e apartados do Supremo artífice.

Tais as maravilhas que Deus operou, tais as promessas que nos fez!

Donde não se pode compreender que alguns peçam a Deus o que podem conquistar com seus esforços ao invés de lhe pedir o Espírito Santo... que lhe peçam aquilo que jamais perderam e que se esqueçam de lhe pedir o que por natureza não possuem.

Deus esta assegundo a seus eleitos a prosperidade já neste mundo, exclamam alguns! Cristo porém disse: Já recebestes tua recompensa no mundo, este porém nada recebeu, e também: Não podeis servir a dois senhores, não podeis servir a Deus e as riquezas!

Antes é Deus que pede aos homens: não junteis tesouros nestes mundo no qual a ferrugem lavra e a traça corroem! Para que possam juntar tesouros no céu.

Podemos pois dizer que nada de espiritual e divino, que nenhum socorro sobrenatural faltará aqueles que invocarem piedosamente o nome do Senhor!

E se ao nada se opõe o tudo podemos crer que nesta passagem Deus oferece a sí mesmo a suas ovelhas. Ele não lhes faltará, ele mesmo lhes assistirá, ele mesmo lhes concederá o Espírito Santo, puro e perfeito!

Tal a promessa de Deus a nossos pais: o Espírito Santo, conforme esta escrito: Meu Espírito derramarei sobre toda carne! Tal a promessa cumprida no dia de pentecostes.

Nesse dia, por mediação de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Espírito Santo, nosso bem e nosso tudo, foi entregue a igreja pairando como linguas de fogo sobre a Virgem bendita e os egrégios apóstolos, pilares de nossa fé. Nada podia faltar a essas ovelhas predestinadas, pois o próprio Deus de derá a eles numa das consciências divinas!

Pobres por amor de Cristo e tudo tendo em uso comum tornaram-se imensamente ricos duma riqueza eterna e indestrutivel!

Humides foram exaltados e sobreexaltados pelo Espírito vivificante que do Pai procede!

Ao contrário dos judeus que seguiram o Senhor em busca de pão material, eles receberam dele
uma nutrição espiritual incorruptivel e se tornaram habitáculos daquele que é infinito!

Assim a encarnação se estendeu da Virgem a Igreja e se prolongou até nós que fomos batizados e crismados, e nada faltará a nossa geração, no que concerne aos bens espirituais, divinos e sagrados!

Elevemos pois ao alto os nossos corações e não nos deixemos dominar pela sede do que é rasteiro e perecivel, elevemos bem alto nossos corações para compreender bem a promessa!

Para que não peçamos o supérfluo e fiquemos sem o vital, elevemos nossos corações! Peçamos a Cristo Nosso Pastor, peçamos seu Espírito Consolador e assim tudo teremos e nada nos faltará inda que aos olhos do mundo sejamos pedintes ou mendicantes!

Encaremos as palavras e promessas divinas não em sentido carnal e espiritual, mas em sentido incorpóreo, pois: onde jaz o teu tesouro, lá mesmo jazerá teu coração!