domingo, 8 de junho de 2008

O argumento da autoridade legítima

Por Gederson Falcometa Zagnoli Pinheiro de Faria

Para a autoridade legítima, basta o argumento. Esta é uma lição primária que aprendemos no Evangelho. Onde vemos Nosso Senhor expulsando demônios, curando enfermos e perdoando pecados. Nenhum demônio perguntou por que deveria sair, nenhum enfermo perguntou-se por que deveria acreditar na cura e nenhum pecador perguntou se por que deveria crer que seus pecados foram perdoados. Simplesmente acreditaram no argumento da autoridade legítima; Cristo é o Filho de DEUS e toda autoridade lhe foi concedida.

Alguém pensará que não temos provas dos fatos. Então irei argumentar que basta o testemunho dos Apóstolos e dos Pais da Igreja. Perguntaram novamente quais são as provas? Neste caso, a melhor prova é o silêncio, este foi o argumento da autoridade de Nosso Senhor diante de Herodes; que pedia provas e recebeu o silêncio.

Ele também disse que "quem vos ouve a mim ouve." Se querem provas, não querem nos ouvir, não querem a palavra e nem ouví-lo, estão perdidos, porque colocam a matéria como o verbo e o logus. Deste modo, nunca haverão provas suficientes para saciar-lhes a prática do empirismo, tem a consciência marcada com fogo.

Em tempos onde cada vez mais se diáloga e cada vez menos se ensina, estas lembranças são válida. Porque esta postura adotada implica na dissolução até mesmo das autoridades legítimas e na consequente corrupção da sociedade. Digamos que todos são iguais, são todos corruptos ou são todos santos. Como sabemos que somos semelhantes e não iguais, é bom vigiar e não cair na tentação da igualdade.

Se a autoridade não provém de DEUS, ela está na matéria. Então ela agora esta mais no papel e nas provas do que na razão e no homem. Se DEUS não existe, o homem não existe, a maior prova disso é que durante Séculos acreditamos em Cristo sem nenhum documento que assinado por ele que comprovasse a sua existência. Hoje nem eu e nem você acreditamos em nosso próximo sem que ele assine um documento. Há humanidade "progrediu" muito, mas os seres humanos, estes regrediram.

Reflite, medite e contemple:

Qual o valor do seu testemunho hoje?

Qual o valor de sua palavra hoje?

É mais fácil acreditar no pape (Provas)l do que em seu próximo?

Qual a medida da dignidade da pessoa humana?

Se o testemunho e a palavra tem menos valor que as provas, nosso testemunho Cristão tem valor apenas para Cristo e para pouquíssimas pessoas. Devemos dar graças a DEUS por tudo, inclusive por isto, porque pelo argumento da autoridade, DEUS sabe o que faz e escreve certo por linhas tortas. Não devemos ficar procurando razões para tudo, porque é natural que elas apareçam em seu devido tempo.

Apesar das provas não terem tanto valor, deram-lhe um valor que não lhe pertence. Vemos isto todos os dias na política e principalmente em crimes que chocam a sociedade. Tanto a acusação quanto a defesa no caso Isabela tem razão. O encargo de se determinar a razão verdadeira, é das provas, não propiamente da razão que apenas as avalia. Vemos de um lado uma construção racional a partir das provas feitas pela acusação e de outro uma descontrução racional feito a partir das provas mesmas provas pela defesa. Quem é culpado e quem é inocente a partir do uso da razão? Nós que estamos de fora, só podemos acreditar na culpa do casal por intuição.

O agnosticismo jurídico, não promove a justiça, mas a confusão e a desorientação. Há troca de acusações entre acusação e defesa publicamente só aumentam a sensação de insegurança da população. Se justiça é matéria científica, porque devo acreditar nela se o princípio máximo da ciência moderna é a dúvida? Se não existe verdade absoluta, nada pode me fazer acreditar que a justiça é justica e que a lei é lei. Se eu duvidar da justiça não posso concebê-la como injustiça? E se ela for reduzida ao juízo particular de cada um, o que acontecerá?

Santo Agostinho dizia que as palavras cativam, mas os exemplos arrastam. Podemos muito bem dizer que a razão cativa, mas o discernimento arrasta, porque a razão nos prende, enquanto o discernimento induz nos a escolha. Dar assentimento de fé a razão é entrar em um beco sem saída, é caminhar a largos passos pela loucura. Louco, é aquele que perde tudo, menos a razão, dizia com propriedade Chesterton.

A veracidade desta afirmação esta em nossas casas, nas nossas famílias, nos nossos trabalhos, na nossa cidade, no nosso Estado, etc. Olhe ao seu redor e veja que a vida se tornou sem sentido para alguns porque resolveram buscar uma razão, enquanto a razão mais primária demonstra nos que temos cinco sentidos. Não caia da tentação racionalista...