quinta-feira, 12 de junho de 2008

O progresso da idolatria

O progresso da idolatria

Há ânsia por provas, não é algo moderno. Se observarmos atentamente, o homem antigo que se ajoelhava e adorava um ídolo, na verdade adorava uma suposta prova da existência de um DEUS.

O filisteu ajoelhado diante da imagem de Dagom, não era um homem ajoelhado diante de um falso DEUS, era um homem ajoelhado diante de uma prova, não de um falso DEUS. O mesmo pode se dizer do bezerro de ouro que os filhos de Israel fizeram para adorar. Desde a antigüidade excetuando-se a Idade Média, o homem adora provas e diante delas se ajoelha.

A idolatria essencialmente reside num reducionismo de tudo ao materialismo que necessariamente culminará no nihilismo. Ninguém sabe o que é a matéria, sabe-se apenas que ela é tudo aquilo que ocupa lugar no espaço. Daí segue-se uma das razões da proibição através de mandamento ao povo judeu. Ao reduzir a realidade ao materialismo, o homem é levado ao cativeiro pela sua própia razão, ele acaba assimilando a imagem e semelhança do nada. Impedido de olhar para o transcendente, ele se torna escravo de sua própia ignorância e principalmente de seu vázio. Olhando a idolatria por este prisma, o homem antigo, lembra os evolucionistas, ateístas, marxistas, comunistas, agnósticos, positivistas e membros de outras religiões que caem de joelhos diante da matéria e das provas.

Se eu considerar que as provas determinam aquilo que são e não são as coisas, estarei colocando a matéria no lugar do verbo e assim a considerarei o sumo bem. O preço disto é exclusão da inteligência, por esta razão Camões dizia:

“Transforma-se o amador na cousa amada.”

O que lembra a advertência do Salmista:

"Nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz.
Quanto a seus ídolos de ouro e prata, são eles simples obras da mão dos homens.
Têm boca, mas não falam, olhos e não podem ver,
têm ouvidos, mas não ouvem, nariz e não podem cheirar.
Têm mãos, mas não apalpam, pés e não podem andar, sua garganta não emite som algum.
Semelhantes a eles sejam os que os fabricam e quantos neles põem sua confiança.
Mas Israel, ao contrário, confia no Senhor: ele é o seu amparo e o seu escudo.
"Sl 113, 11-17

E o estado em que os pregadores encontraram as criaturas, como narra o Pe Antônio Vieira em seu Sermão da Sexagésima:

“Quando Cristo mandou pregar os Apóstolos pelo Mundo, disse-lhes desta maneira: Euntes in mundum universum, praedicate omni creaturae: «Ide, e pregai a toda a criatura». Como assim, Senhor?! Os animais não são criaturas?! As árvores não são criaturas?! As pedras não são criaturas?! Pois hão os Apóstolos de pregar às pedras?! Hão de pregar aos troncos?! Hão de pregar aos animais?! Sim, diz S. Gregório, depois de Santo Agostinho. Porque como os Apóstolos iam pregar a todas as nações do Mundo, muitas delas bárbaras e incultas, haviam de achar os homens degenerados em todas as espécies de criaturas: haviam de achar homens homens, haviam de achar homens brutos, haviam de achar homens troncos, haviam de achar homens pedras. E quando os pregadores evangélicos vão pregar ar a toda a criatura, que se armem contra eles todas as criaturas?! Grande desgraça!” Sermão da Sexagéxima-Pe Antônio Vieira

Peguemos exemplos mais “atuais”, Drogados, Consumistas, Viciados em Sexo e toda espécie de corrupção, consiste em um comportamento absolutamente empírico.

A metafisica não satisfaz nenhum deles, porque necessitam da experiência. O que fazem é escolher o meio mais fácil para atingir um fim. Normalmente preferem sentir ao invés de pensar. Quando fazem isto, colocam a inteligência sobre a tutela da vontade. Logo, só podem errar.

O drogado encontra na droga o meio pelo qual pode encontrar a experiência da felicidade a qualquer instante. Há temperança esta fora de cogitação para os consumistas e para os que os combatem. E a continência e a castidade são realidades que jamais os viciados em sexo conheceram. Nosso políticos roubam para terem a experiência de ter o bolso cheio, como aquele homem da parábola que contruía armazéns. O remédio para todos estes é só um: a metafísica, e a católica que é melhor e a mais sublime de todas.

No fim das contas, de um certo modo, tanto na cultura antiga quanto na cultura moderna, a matéria neste aspecto é responsável pela unidade do gênero humano. Todos eles tentaram cada um a seu modo reduzir tudo ao materialismo e as provas, colocando a criatura no lugar do criador e modernamente falando, a matéria-prima no lugar da criação. Talvez seja, por esta razão que odeiam a Idade Média.

Hão de convir comigo que é um contra-senso e desqualificado o juízo moderno sobre a Idade Média. Porque o homem que necessita da experiência direta para conhecer, não é hábil juiz sem esta experiência. Deste modo, o juízo que fazem da Idade Média são as maiores e talvez as únicas crenças da Idade Moderna.

Neste ponto, contemplamos a dúvida no lugar certo, porque não é crível um juízo metafisico de homens que aderem absolutamente ao empirismo. Há melhor coisa que se tem a fazer a respeito dos juízos sobre a Idade Média, é exatamente: duvidar. Será que responderão a todos questionamentos?

Particularmente acredito que a história tendo as provas como medida daquilo que ela é de aquilo que ela não é, sejam como as própias provas: Nada. As provas são o meio para a razão chegar a verdade, não um fim em si mesmo, como o Dagom ou o Baal. E por este motivo, duvidem sim, mais das provas, do que dos testemunhos!