domingo, 12 de outubro de 2008

Barganha de votos de evangélicos para com o PT?

De acordo com a publicação de O Globo do dia 10/10/2008, Marta prometeu aos evangélicos que seria revista a lei da Cidade Limpa, para que os evangélicos pudessem voltar a ter placas maiores de suas denominações.

Se os crentes trocarem votos por este tipo de favor, penso, será a maior incoerência (ainda mais se tais candidatos atenderem a tal reivindicação). Será um grupo religioso tenho uma preferência sobre todos os demais grupos da sociedade, o que, a meu ver, viola inclusive o preceito constitucional da isonomia diante da lei (talvez, pondo a própria lei em risco). A “res” pública é de todos, e não somente de um grupo privilegiado. Além disso, há outros aspectos da ideologia de esquerda, que talvez não se coadunem com os preceitos evangélicos. Fato é que, muitos eleitores cristãos vão pela cabeça de seus líderes, e os candidatos já perceberam isso, tentando cooptarem tais votos. Não é por se permitir que se tenham placas nos templos, nem que se possam marchar na Avenida Paulista, que se deve votar ou deixar de votar em um candidato, e sim pela sua ideologia ou competência administrativa (ou falta dela) que já demonstraram (se bem que, a gestão Serra/Kassab, apesar de proibir a marcha para Jesus na Avenida Paulista, permitiu que a parada gay por lá continuasse, o que já revela um pouco da falta de opção dos evangélicos neste quesito). Um outro pastor, na mesma reportagem, comentou que votou no PT porque "melhorou o social" e "aumentaram os dízimos", mas, agindo assim, não estarão talvez ajudando para com uma ideologia que, em certo sentido, tem minado os valores judaicos cristãos da sociedade? É conforme já disse por aqui, muitos cristãos, atraídos pelo discurso social, passaram a votar na esquerda, enquanto que a direita não conseguia indicar ninguém decente e sério como opção para os cristãos mais conservadores...