quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A regra suprema




A regra suprema... é se recusar terminantemente a ter o que milhões não podem ter. Essa capacidade de recusar não se apresentará a nós de repente. O primeiro passo é cultivar a atitude mental que não se pode ter bens ou recursos que são negados a milhões; o passo seguinte, imediato, é reformar nossas vidas o mais depressa possível, de acordo com essa mentalidade (Gandhi).

Acho este ensino um tanto quanto radical, e dificilmente aplicável a outros milhões de seres humanos "médios", por assim dizer. Parece-me uma ética própria dos santos, dos grandes homens e mulheres de Deus.

Entretanto, o que nos arrebata neste ensino é justamente a idéia de que, se todos, de algum modo, dividíssemos aquilo que nos sobra (ou poderia nos sobrar), certamente estaria um tanto quanto amenizada a fome e a miséria ao nosso redor.

Acho que não devemos viver com sentimento de culpa caso tivermos alguma coisa a mais do que outras pessoas. Temos o direito de usufruir daquilo que adquirimos com o suor de nosso trabalho.

Mas é fato que não devemos abusar deste direito. Se nossa riqueza envergonha nossos irmãos, podemos estar pecando contra Deus. John Wesley, grande homem de Deus, tinha uma interessante regra pessoal em relação a este assunto: "Ganhe o mais que puder (o trabalho é abençoado e o seu fruto é querido por Deus), guarde o mais que puder (viva a vida simples) e dê o mais que puder (princípio da caridade)". Ouvi dizer que o grande fundador do metodismo movimentou muito dinheiro em sua época, com doações, vendas de livros, etc; mas quando morreu, possuia somente uma cadeira, um casaco e sua Biblia, havendo doado tudo em vida.

A caridade não pode depender somente da iniciativa pessoal, assim como o fim da escravidão não poderia depender somente da boa vontade de alguns grupos que compravam e libertavam escravos. Mas a santidade pessoal nestas questões é a base por qual os sistemas costumam mudar; o direito costuma acompanhar a cultura. Ou seja, sendo bastante realistas, a maior parte de nós não conseguirá viver a proposta de Gandhi, mas é na busca de grandes objetivos que conseguimos, ao menos, dar pequenos passos.