sábado, 14 de fevereiro de 2009

Quem não dá o dízimo vai para o inferno?



Parece estar se formando um consenso entre alguns pastores evangélicos que tem me chamado a atenção.

Há pouco tempo atrás, vi, em um canal de televisão, um pastor de uma igreja que possui milhares de membros no Brasil, ensinar que, aqueles que não dão o dízimo irão para o inferno.

O raciocínio é muito simples. Segundo Malaquias, quem não dá o dízimo é ladrão (Mal 3,7), e, os ladrões não herdarão o Reino de Deus, conforme atestam vários textos das Escrituras.

Também em uma estação de rádio, ouvi um outro pastor (que também é líder de outra denominação bastante numerosa) sustentar opinião parecida com essa.

Estariam os tais corretos em afirmar tais coisas?

Em primeiro lugar, quero ressaltar que não sou contrário, de modo algum, a que alguém separe uma porcentagem de seus rendimentos, e os doe à Igreja. Muito pelo contrário; a melhor instituição do mundo, para mim, é a igreja, a grande defensora da verdade cujas portas do inferno contra ela não prevalecerão, a comunidade dos santos eleitos e remidos por Deus. O protestantismo histórico sempre incentivou a dar o dízimo, e, com tais arrecadações, criava uma complexa rede de ajuda comunitária, construía orfanatos, criava escolas que posteriormente se tornaram grandes universidades, etc. Não se ouvia falar de escândalos financeiros, pastores milionários, ou coisas do tipo. Por isso, não precisamos ser contrários ao dízimo, às doações, às ofertas, mas sim ao modo como tal prática tem sido sustentada. Acho que utilizar "Malaquias" pode ser um erro, e, entender que não dizimar condena ao inferno é também um erro de interpretação, a meu ver.

Isto porque, também há inúmeros textos que contém duras ameaças para quem não guardar o sábado, a circuncisão, e inúmeras outras questões judaicas. E nem por isso, estes pastores as declaram obrigatórias, sob as penas do inferno.

Outra questão é que, os levitas não tinham herança em Israel, não tinham propriedade. Será este o caso dos modernos pastores? Penso que, a maioria possui sim, seus próprios bens e propriedades. Logo, não existe uma tribo sacerdotal como no tempo da lei.

Outro aspecto: será que estes pastores observam a lei do dízimo nos estritos termos do Antigo Testamento? Um dízimo anual era para o sustento dos levitas (Lv 27,30), outro, era levado para Jerusalém na festa do Senhor (Dt 14,22), e este segundo, de três em três anos, era destinado para o pobre (Dt 14,28). Eu duvido muito que estes pastores cumpram todos os requisitos do velho testamento acerca do dízimo.

Algo que é preciso perguntar do fundo de nosso coração, é o fato de que, em Israel, haver uma religião oficial, sendo o dízimo, uma espécie de imposto estatal. Exigir tal contribuição como uma obrigatoriedade legal mais do que um ato de adoração, em um contexto tributário tão pesado quanto o nosso não seria impor um jugo muito pesado sobre as pessoas? Todos os que administram das coisas sagradas precisam se fazer esta pergunta com temor e tremor.

Conforme já disse, não sou contra que se dê o dízimo à Igreja, ou vinte, trinta, metade dos rendimentos; na verdade, até entendo que o cristão deve realmente se esforçar para contribuir na comunidade que frequenta, de forma periódica e em valor que demande sim algum sacrifício da parte do doador (não pode ser do que lhe sobra), mas suspeito quando utilizam da lei para tentar forçar o fiel a agir desta maneira. Não dizem as Escrituras que maldito aquele que não perseverar em todos os pontos da lei? Porque insistir em pregar a lei assim? Alguns sustentam que o dízimo deve ser exigido porque Abraão deu o dízimo a Melquisedeque antes de existir a lei. Sem delongar muito sobre os aspectos culturais da ocasião, fato é que, se utilizarmos este exemplo, deveríamos dar dízimo somente uma vez na vida, pois o grande patriarca só viu o referido sacerdote uma vez. Portanto, fica complicado querer justificar tal prática no Antigo Testamento. Por outro lado, mesmo se admitirmos tal argumento, podemos ver que Abraão não deu o dízimo por alguma imposição legal (afinal, a lei não havia sido dada), mas o fez por livre e espontânea liberalidade, em um ato puro de adoração, uma questão pessoal dele e Deus. Penso que, neste sentido sim, o exemplo da Abraão pode ser utilizado.

Fato é que, para os que andam no Espírito, não há lei que os condene (Gal 5,23), e, os cristãos conscientes, sabem que devem contribuir para a obra, seja para sustentar a estrutura da igreja como um todo, seja para o pagamento de seu pastores. Mas estes que jogam o peso da lei sobre os fiéis (não digo que todos o fazem de má fé) devem pensar com cuidado sua própria teologia. Isto porque, quando colocamos uma obra da lei como necessária a salvação (ou, no meu entender, qualquer obra que seja), decaímos da graça e negamos que a salvação é pela fé somente. O protestantismo colocou as obras, não como pressuposto, mas como resultado da salvação. Por isso, ainda que se corra o risco de não engordarmos as contribuições na igreja, jamais devemos ensinar o povo que aquele que não der o dízimo vai para o inferno, pois, caso assim façamos, decairemos da graça e negaremos a fé.

15 comentários:

Anônimo disse...

Acredito que, se os pastores pregassem o AMOR À OBRA DE DEUS, ao invés de fazerem essa pressão psicológica nos santos do Senhor, haveria um número bem maior de dízimos, ofertas, doações...
No começo da minha vida cristã (não faz muito tempo), com a empolgação e por tudo que Deus fez na minha vida, eu fazia com amor verdadeiro, com liberdade...
Depois, me vi aprisionada! O dízimo tornou-se uma lei e percebi que, se vivo pela Graça, não tenho que me aprisionar a nada e nem a ninguém, pois meu Salvador Jesus Cristo já havia me libertado.
São tantos escândalos vindo dos nossos próprios líderes... Uma pena... Oremos por eles e que se arrependam...
A igreja na qual congrego tem um anexo com reuniões para viciados e familiares. É um lugar pequeno e muitas pessoas participam das reuniões. Não tem bebedouro (temos que pegar água dentro da igreja), é sem ventilação e teve gente q sentou no chão por não haver assento... Tem uma porta que dá para uma sala onde o pastor e sua esposa (também pastora) se revezam para os cultos... Vemos sempre as "meninas da cozinha" passarem com bandejas com frutas, sucos, guloseimas...
Será que o conforto dos pastores é mais importante que um apoio para aqueles que realmente precisam??? Jesus faria isso??? Que Deus julgue as ações de cada um...
Eu ainda oferto, com liberdade, quando meu coração sente e alegra-se em fazer... Mas passei a questionar tudo o que é pregado ali no altar, pois são homens, como eu, e falhos...
Enganoso e corrupto é o coração do homem; quem o conhecerá???

Carlos Seino disse...

Oi, "Anônimo". Obrigado por participar. Realmente, é algo que precisamos pensar. Do ponto de vista teológico, eu fico me perguntando porque dão tanta ênfase a certas passagens do Antigo Testamento, como a obrigação de dizimar, e se esquecem de outras, como o "dízimo do pobre". Segundo o comentário da Bíblia Anotada acerca de Malaquias 3:8: "Dois dízimos eram exigidos: um dízimo anual para o susntento dos levitas (Lv 27.30; Nm 18.21) e um segundo dízimo, levado a Jerusalém na festa do Senhor (Dt 14.22). A cada três anos, contudo, o segundo dízimo devia permanecer em casa, onde era distribuído entre os pobres (Dt 14.28)". Levando-se em consideração de que o dízimo era dado duas vezes por ano, significa que no terceiro ano, metade do que era ofertado deveria ficar em casa e ser distribuído para os pobres. Isto, ninguém fala. Ora, se aplicarmos literalmente o A. T. para os nossos dias, significa que estamos também roubando a Deus, visto que, se quem dá aos pobres, empresta a Deus, quem não dá o dízmo do pobre...

Em relação a pastoral, que você citou, até acho que, os anos de ministério permitem que os líderes tenham alguma pequenas "regalias", gestos de honra, etc. Entretanto, tais "regalias" não podem ser em um nívem muito superior à situação existencial da média do rebanho, senão perde o caráter de identificação que os pastores devem ter com suas ovelhas, ao exemplo do que Jesus fez, tornando-se um de nós.

Anônimo disse...

Hoje, entendo que todo pastor que pregue a obrigatoriedade do dízimo se coloca ao lado do opressor, pois, o povo brasileiro já é bem oprimido pela pesada carga tributária do nosso país.

E nem adianta falar que o dízimo foi dado antes da lei, pois a circuncisão também, e nem por isso, circuncidamos.

A contribuição na igreja deve ser livre, por amor, ofertas voluntárias, e só, não importando a porcentagem. Este é o espírito do novo testamento.

Infelizmente, muitos protestantes são mesmo é judaizantes, e toda igreja passa a ser uma pequena maquete do templo de Salomão.

literaturasofia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
literaturasofia disse...

Bem concordo com Vocês sou teólogo, recém formado e só fiz teologia para contradizer costumes bíblicos sem fundamento se o DÍZIMO É ANTES DA LEI o SÁBADO FOI IMPOSTO PELO PRÓPRIO DEUS antes dos seres se multiplicarem, sou da Congregação Cristã no Brasil,por causa dos costumes de outras denominações,pois onde já se viu dizer que em nome de Jesus não se pode expulsar o espírito devorador?
pois é todas denominações tem falhas inclusive onde vou,pois onde há dedos de homens existe a falha,
Mas crer que Jesus não expulsa o espírito devorador , devo dar dízimo obrigatório, acreditar em um ministério de PASTOR onde Jesus colocou Apóstolo e Eles colocaram Presbítero e Bispos e Ancião. ONDE ESTÁ O MINISTÉRIO DE PASTOR? Efésio 4:8-11 fala de Dons e Eles dizem ser ministério PASTORES,pois é proíbem bebidas e a bíblia a bebedeira,não é a toa que tomam suco de uva na santa seia, mas Paulo diz para esperar um ao outro e uns comiam outros se embreagavam .É O DÍZIMO antigo além de ser anulado não era dinheiro e sim frutas e verduras e animais, sendo que sempre existiu importância em valores. CADA UM FAZ O QUE QUER, MAS EM GÁLATAS 3:10 diz que está na lei está em maldição, e é NT,E QUE QUEM seguir a lei e erra um mandamento tropeça em todos, e assim erram pois não guardam o sábado, SOU A FAVOR DA BÍBLIA e de CRISTO,POIS TODO HOMEM SEJA MENTIROSO E DEUS VERDADEIRO.

agradeço aos leitores e ao irmão e ao Irmão que criou o tópico.

A PAZ DE DEUS E DO SENHOR JESUS CRISTO..
OU SHALOM ADONAI E DE YESHUÁ HAMASHIACH

gildo silva disse...

A PAZ DE DEUS A GRAÇA DO SENHOR JESUS CRISTO ESTEJA COM TODOS.DEIXO AQUI UM RAPIDO PARECER A ESSE RESPEITO,TODOS DEVERIAM LER OS 3 PRIMEIROS CAPITULOS DO LIVRO DE MALAQUIAS E ENTÃO CHEGARÃO NA VERDADE.DEUS ABENÇÕE A TODOS. ( MEU EMAIL É ERNANIDEJESUS@HOTMAIL.COM )

Carlos Seino disse...

Oi, Gildo.
Paz, querido!
Obrigado por comentar por aqui!
Grande abraço!

Juca Bastos disse...

Olá muito boa a explicação!
Surgiu uma polêmica na igreja onde alguns pastores estavam afirmando a obrigatoriedade dos dízimos e ofertas e é ótimo ver que pessoas ainda analisam as escrituras e têm hermenêutica bíblica!
Abraço

Carlos Seino disse...

Olá, Juca Bastos!
Obrigado pelo comentário!
De fato, precisamos analisar as Escrituras com profundidade.
É ótimo que pessoas doem parte de seus rendimentos para a obra do Senhor, entretanto, creio eu, que por amor, e não sob jugo de ameaças.

joserman estevan disse...

Pastor uma pergunta estamos debaixo da graça ou debaixo da lei.
Outra dizimo é lei o sábado tambem não é. não precisamos guardar o sãbado mais temos por
obrigação pagar o dizimo me responda por favor. Jesus aboliu o sabado mais o dizimo ele não
mencionou no novo testamento certo nem jesus e nem paulo em suas 13 epistola ok. NOS ajude por favor Obrigado.

joserman estevan disse...

Pastor uma pergunta estamos debaixo da graça ou debaixo da lei.
Outra dizimo é lei o sábado tambem não é. não precisamos guardar o sãbado mais temos por
obrigação pagar o dizimo me responda por favor. Jesus aboliu o sabado mais o dizimo ele não
mencionou no novo testamento certo nem jesus e nem paulo em suas 13 epistola ok. NOS ajude por favor Obrigado.

Carlos Seino disse...

Olá querido Joseman.
Graça e paz.
Estamos debaixo da graça.
Por isso, entendo que, se alguém der o dízimo, deve fazer por amor, voluntariedade, e não por obrigação da lei de Moisés, daí, creio que não faz bem aquele que chama o não dizimsta cristão de ladrão.
Alguns entendem que Jesus mencionou o dízimo quando confronto os fariseus ("deveríeis fazer estas coisas sem omitir aquelas), e que os princípios da contribuição constante e percentual também estão presentes nas epístolas. Tudo isso é muito discutível.
Acredito que, se amarmos a comunidade na qual estamos inseridos, poderemos contribuir até mesmo com mais do que o dízimo.

Jesus Te Ama!!!!!!! disse...

Eu sou dizimista, dou para sustento da igreja. Mas muito me entristece quando pastores dizem: "Que se não der o dízimo vai pro inferno." Sem primeiro saber por que aquele irmão ou irmã não dizimou.

Cirlene Araújo disse...

A paz de CRISTO sou presbítero é sou muito julgado por não dizimar é em até reunião de pastores meu nome já foi citado : não leva o fulano para o pastorado ele não dá dizimo estou a mais de um ano que não prego na minha congregação mas louvo o SENHOR que minha agenda e sempre lotada. Orações queridos por mim.!!!!!!!!

Cirlene Araújo disse...

Sou presbítero é por não dizimar sou julgado e meu nome já foi citado em reuniao de pastores.nao podemos levar o fulano o pastorado ele não dá dízimo.tem mais de um ano que não prego na minha congregação. Mas louvo ao SENHOR QUE MINHA AGENDA É LOTADA,ORACOES POR MIM QUERIDOS...!!!!

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