sábado, 14 de março de 2009

Ainda os diabos...

No artigo precedente analisamos a gradativa demonização do Cristianismo.

Neste analisaremos as consequências desse triste estado de coisas.

Aqueles que dizem ser a existência do Diabo essencial ao ministério da igreja de Deus, certamente encaram-na como uma agência de exorcismos...

De minha parte julgo que a existência dos Diabos seja necessária de fato, aos exorcistas, que ganham a vida expulsando-os dos corpos mortais...

Vira e mexe lemos nos jornais alguma denuncia referente a rituais de exorcismos nos quais ao invés de expulsar o espírito do mal, o pastor acabou expulsando é o espírito do próprio paciente na base da porrada...

Os exorcistas e taumaturgos matam, e Jesus é quem acaba levando a culpa e merecendo os apupos da sociedade profana...

É típico dos povos e culturas mais atrasados, como Hotetontes, bosquimanos, etc atribuir todas as enfermidades e sofrimentos físicos a entidades ou seres de origem sobrenatural. Para eles há um espírito da diarréia, um espírito da unha encravada, um demônio da gripe, um diabo da apendicite, etc pois vivem num estado pré científico...

O problema é quando nos deparamos com os mesmos termos: espírito do calo, demônio da gripe, diabo da broquite, etc em publicações tipográficas vindas a luz nas principais cidades brasileiras e pleno ano de 2009 d C...

E quando nos deparamos com o nome Cristão gravado no frontispício de tais pasquins, então sentimos uma terrivel vertigem e até uma ponta de inveja dos agnóstas...

Não é para se admirar que nossos amigos filósofos e cientistas nos encarem como adeptos da pajelança uma vez que o Cristianismo converteu-se de fato numa macumbaria de brancos, com suas sessões de descarrego, exorcismos, correntes, amuletos e outras quejandas...

Gente há que ganha a vida graças ao temor que os outros nutrem com relação a essas entidades ficticias, os demônios.

Vendem seguros de alma e de vida contra a ação desses seres mitológicos... e vendem-nos em nome daquele que disse: De graça recebestes assim daí..,

Mas eles de tudo se esqueceram e tudo, tudo regeitaram... como diz o poeta.

Efetivamente o folclore demonista converteu-se num excelente negócio para os charlatães de plantão...

Imaginem para onde iria a ciência caso a maioria de nossos compatriotas aderissem a esse tipo de pensamento mágico e primitivo? Pois a ciência é o modo de se explicar os fenômenos todos por causas segundas ou puramente naturais...

Num mundo controlado por anjos e diabos não pode haver outro espaço para a ciência além do 'quemadero' ou da 'praça Champel'...

Dir-se-ia que o Cristianismo acobertou uma superstição das mais grosseiras sob a capa da religiosidade e que tal superstição só tem acarretado desgraças para a causa da verdade.

Quantas e quantas pessoas não teem regeitado ao Senhor Cristo e sua santa lei graças a insistência na realidade dessa personagem fabulosa...

A fé no Demônio tem sido já há séculos uma pedra de escândalo para as almas mais cultas e refinadas.

De modo que nossos melhores apologetas após terem conseguido provar a existência do Supremo Ser, vindicar a necessidade da revelação, demonstrar a existência histórica de Cristo e as excelências da instituição Cristã, viram toda sua argumentação cair por terra uma vez que o raciocinio é incapaz de estabelecer a existência e a necessidade de um anti-deus ou de um ser que rivalize com Cristo.

Ademais a existência do Diabo exige de certo modo que ele exerça alguma ação sobre o mundo.

Não duma ação indireta mas dua ação direta.

Explico-me:

A existência de Deus não exige que ele atue diretamente sobre o universo, antes supõe que ele atue sempre por causas segundas ou seja por leis naturais de causa e efeito. Assim sendo cada lei exarada pela Física, pela química, pela biologia ou pela sociologia, seria expressão do pensamento divino...

O Cristão do seu tempo encara Deus não como um beduíno celeste, mas como sábio legislador e primeiro impulso do universo. Como alguém que plasmou uma máquina e limitou-se a aciona-la conferindo-lhe energia própria...

Não concluimos a existência do Ser por intervenções caprichosas ou derrogações da lei, mas da vigência constante da lei. Não encaramos Deus como um taumaturgo caprichoso, mas como uma mente ordenadora...

O Diabo porém é incapaz de agir por meio de causas segundas, pois não pode ser legislador ou fixar leis naturais. Muito pelo contrário se se opõe ao legislador, sua ação deveria caracterizar-se pela tentativa de quebrar as leis naturais estabelecidas pelo artífice supremo.

Tal ser devera ser naturalmente um taumaturgo agindo sobre a matéria e atuando visivelmente neste mundo. Para evidenciar sua existência o Diabo deverá agir e não poderá agir doutro modo senão fazendo guerra a natureza...

Como não vemos o Diabo operar tais portentos concluimos por sua inexistência.

Desde de que Mr Satanaz deixou de ser o responsável pelo granizo ou pelas tempestades, penso que sua utilidade chegou ao termo final... (desculpem a redundância)

Um anjo que após ter habitado as célicas alturas da-se ao trabalho de causas disenterias e panaricios não merece maiores considerações...

Dizem que a ação do Diabo é de extrema necessidade para explicar as maldades que os HOMENS perpetram sobre a terra...

Essa é boa...

Os homens torturam, constroem bombas atômicas, destroem a natureza, etc Mas o verdadeiro culpado é o Diabo...

O homem jamais assume sua culpa, jamais é culpado...

E já nos deparamos com outra utilidade para Mr Satanaz: eximir os seres humanos de suas responsabilidades...

O homem não poderia ser tão mal a ponto de assassinar mulheres, velhos e criancinhas inocentes, mas é!

O mal não carece doutra explicação mirabolante além da liberdade humana. Produto da mente humana a crueldade não depende doutro artifíce, imaginário, sob cujas costas possamos lança-la.

Nada do que o homem fez merece o epíteto de diabólico, mas de humano, embora possa ser muiti desumano. O ser humano sabe violar sua natureza magistralmente...

É até comum ouvir-mos algum criminoso argumentar: Eu estava possuido pela entidade X, com a vã esperança de lograr a justiça e ser absolvido de seus crimes.

Se o homem sabe fazer o bem com suas próprias forças, sem o auxilio de entidades sobrenaturais, porque não será igualmente capaz de fazer o mal com suas próprias forças, sem a necessidade de qualquer Diabo?

Quando executa alguma ação virtuosa e nobre o homem diz: Fui eu que fiz. Agora quando executa alguma ação vergonhosa atribui-a frequentemente a ação do Diabo.

Parece que o Diabo não passa dum fino estratagema...

Não, não há nenhuma necessidade de Diabo: nem no mundo espiritual, nem no mundo moral e tampouco no mundo físico...

No mundo divino Deus certamente não precisa de rival ou concorrente que dele se aproxime de qualquer modo, pois ele é o Sumo Transcendente...

No mundo moral a liberdade humana é suficiente para explicar qualquer fenômeno...

No mundo físico então nem se fala... nosso mundo compõe-se de atomos, substâncias, células, etc que se relacionam entre si por meio de leis: relações necessárias e constantes que partem da natureza mesma das coisas...

Todo mal com que nos deparamos no mundo é causado pelo ser humano.

Tal constatação, obscurecida pelas pretenssões do demonismo, é de suma importância para a ética do Povo de Cristo, pois torna ainda mais grave e sombria a presença do mal no mundo e sua extensão...

Afinal se depende apenas de nós, ou seja dos filhos de Deus e servos de Cristo, a erradicação do mal e a expansão do bem, porque a cada dia que passa o mal dilata suas fronteiras?

A negação dessa entidade ficticia chamada Satanaz, chama cada Cristão ao tribunal da consciência para perguntar-lhe até que ponto tem sido fiel a Cristo, até onde vai sua fé, em que medida tem rompido com o mal e praticado o bem.

A regeição do demonismo lança sob os ombros moles da Cristandade acomodada todo peso do mal que grassa sobre um mundo nominalmente Cristão e nos faz questionar se este mundo é de fato Cristão e se somos dignos de nos apresentar em nome de Cristo...

Sou lavado a concluir que o desenvolvimento ou o aperfeiçoamente moral da Cristandade é incompátivel com a crença em outros seres responsáveis pela emergência do mal neste planeta.

O Cristianismo só haverá de retomar sua marcha no momento em que seus membros tiverem a ombridade e a virilidade de se apresentarem como os únicos responsáveis pela criação e expansão do mal e de se reconhecerem como vis traidores do Evangelho, como pessoas que não levaram a sério a lei de Cristo Nosso Bem... que teêm feito pouco caso de suas advertências e admoestações...

É necessário que cada homem e cada mulher reconheça-se como culpado ao invés de atribuir covardemente suas culpas ao rabudo ou ao cão danado.

É necessário que o adulto em Cristo caminhe retamente sem amparar-se nessa muleta chamada Satanaz.