terça-feira, 31 de março de 2009

Em nome de Cristo: pacifismo sim e guerra não!

b) Se é pecado matar uma só pessoa certamente é pecado matar muitas pessoas.


De b concluo:

Se o mandamento de Deus proibe que se tire a vida de uma só pessoa e classifica tam ação como pecado e pecado para a morte, com mais razão ainda condena a morte de milhares ou de milhões de pessoas. Se o assassinato de um só é pecado milhões de assassinatos correspondem a milhões de pecados.

Não posso tachar um ato humano de mau em si mesmo e sustentar que a multiplicação de tal ato torna-o bom.

Mo Ti, filosofo chines que viveu na mesma época que Confúcio já apontava em seus escritos este defeito de lógica que consiste em afirmar que aquele que mata um ou dois é assassino enquanto aquele que mata milhares ou milhões não o é.

Porque quando um pobre e plebeu assassina uma, duas ou três pessoas apenas é julgado e executado como criminoso enquanto que o soberado responsável pelo assassinato de um, dois ou três mil cidadãos do pais visinho não o é?

Se matar um único ser é vedado pela lei divina, vedada é igualmente a guerra ação em que perecem milhares ou milhões de seres humanos.

Refiro-me antes de tudo a guerra de ataque ou de agressão.

Devo convir que uma coletividade fraca atacada ou agredida por uma coletividade mais forte tem todo direito de resistir ou de defender-se.

No passado esse tipo específico de resistência, perante um agressor mais forte, foi classificada como guerra justa, em oposição a guerra injusta ou iniqua caracterizada pela agressão ou o ataque.

Pois o Cristianismo sendo uma religião voltada para a paz e a concórdia, jamais ousou justificar a agressão ou o ataque.

Entretanto devemos considerar que as guerras levadas a cabo pelos antigos eram empreendidas entre exércitos, em campos de batalha e com armas brancas. Cada soldado enfrentava um inimigo em condições similares, tendo chance de vence-lo e de sobreviver.

Quero dizer com isto que não haviam armas de destruição em massa, cujo objetivo é destruir ou eliminar coletividades inteiras sem dar-lhas qualquer chance de defesa. Bombardear civis inocentes como fazem os sionistas e explodir escolas, orfanatos, asilos, dispensários, etc jamais poderá ser considerado guerra justa!

Massacrar velhos, mulheres e crianças como foi feito em Sabra e Chatila sempre constituirá um impudente ataque a justiça em suas bases e fundamentos.

Portanto, somos obrigados a fazer uma ressalva quanto a guerra justa, afirmando em alto e bom som que só é justa a guerra de defesa que não emprega armas de destruição em massa e que não bombardeia cidades e civis.

Concluimos pois que praticamente não existem mais guerras justas.

É necessário reconhecer ainda que mesmo numa situação de guerra justa nenhum Cristão pode ser constrangido a lutar e a derramar sangue.

Glória é para o Cristianismo autêntico e verdadeiro reconhecer que uma só vida vale mais do que milhões e milhões de acres de terra, do que países e nações inteiras.

É defeso ao Cristão recusar-se a combater e a matar mesmo em caso de guerra justa, abdicando neste caso, de seu status de cidadão e dos direitos e prerrogativas que dele decorrem.

Poderá entretanto prestar assistência aos feridos servindo no corpo médico.

Nenhum Cristão pode ser obrigado a violar sua consciência suprimindo a vida alheia.

Trata-se - nem mais nem menos - da liberdade Cristã que nos foi legada pelo Senhor Jesus Cristo e ninguém pode ser convidado a declinar dela.

Não matar é caso de consciência e não de ordem ou forma.

Sempre será melhor obedecer a Deus do que aos homens, inda que tenhamos de enfrentar persseguições.

Somos os filhos dos mártires!

E não filhos de guerreiros ou matadores!

Enfim chegamos a um momento histórico sobre o qual podemos dizer que as guerras não são mais necessárias, mas criminosas; todas, todas elas.

Construimos um aparelho diplomático razoavelmente eficiente e contamos com uma organização extra governamental de cárater mundial: a ONU.

Certamente que se trata duma organização defeituosa e de cárater mais ou menos parcial. Entretanto é um começo e todos os países do mundo - especialmente os mais fracos e pobres - deveriam se esforçar por fazer parte efetiva dela e por converte-la numa verdadeira democracia das nações.

Não devemos nos esquecer de que pela primeira vez essa organização ousou resistir aos intereses escusos do imperialismo ianque e por sustenta a legalidade, o direito e a justiça.

O Iraque foi invadido.

Mas a humanidade como um todo se opôs moralmente a essa agressão funesta.

Não importa que não tenhamos conseguido impedi-la, porque a injustiça ainda excerce seu poder... Importa que fizemos nossas vozes serem ouvidas!

E que futuramente muito mais vozes se associarão a esse côro bendito que é o côro da paz e da justiça!

Cumpre lutar pela instalação e manutenção de mecanismos internacionais que tenham por fim garantir o dialogo entre as nações e culturas e assegurar o cumprimento estrito da justiça, sem se curvar diante da prepotência esboçada pelos poderosos.

Devo concluir esta analise sustentado que jamais será lícito a um Cristão ou a uma nação Cristã agredir ou atacar em hipótese alguma.

Atacar ou agredir aos mais fracos ou aos que estão em paz é e será sempre contrário a lei divina.

Concluo em tése que uma guerra defensiva seja justa.

Desde que não comportasse armas de destruição em massa e que os civis não fossem atacados.

Julgo pois que nenhuma guerra moderna seja realmente justa.

Não passam de chacinas, linchamentos ou genocídios.

Diante disso é sempre lícito aquele que crê na santidade da vida e na lei do amor recusar-se a combater e se for convocado por em prática a desobediência civil.

Assim com o bem, e até sofrendo dano se dá combate ao mal.

E se adquire uma coroa eterna no mundo futuro.