terça-feira, 24 de março de 2009

Os sete pecados capitais

Por Domingos Pardal Braz

Como tivemos a oportunidade de observar tanto Moisés quanto Jesus marcavam o sentido das ações humanas conforme elas repercutiam nas vidas das outras pessoas.

Pecados graves ou de morte eram aqueles que causavam danos ou agravos aos semelhantes.

Tratava-se pois duma classificação externa de pecados pautada na alteridade.

Moisés e Jesus não parecem ter prestado maiores atenções aquele tipo de ação que parece esgotar-se em si mesmo, sem afetar os demais.

As outras ações poderiam ser até consideradas como pecados, mas como pecados leves ou veniais que não são capazes de separar aquele que lhos comete de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eram encaradas como simples faltas, a serem gradativamente eliminadas, como veremos mais adiante, mas não como pecados capitais capazes de dar mortes a alma daquele que lhois comete.

Entretanto os hebreus não compreenderam Moisés e nivelaram o Decalogo aquela multidão de normas e regulamentos emanados de sua cultura, normas e regulamentos de teor acentuadamente individualistas.

Do mesmo modo o povo de Cristo, a começas pelos próprios apóstolos, que eram hebreus, misturou tudo de novo, nivelando já o decalogo, já o sermão da montanha e o derradeiro sermão, com elementos legais de origem hebraica e de origem gentílica, geralmente de teor individualista.

Evidentemente que tal confusão ou mistura não se consumou por completo da noite para o dia, foi um complexo de infiltrações culturais, que só se completou no século XIII dC, após um longo processo de mil anos...

É necessário salientar bem os primeiros passos deste processo ou a codificação deste erro clamoroso encetada por Evágrio de Ibora (o Pontico) no século IV d C sob os auspícios da abominação neoplatonica. A confusão iniciada pelos hebreus convertidos foi por assim dizer ampliada sob os auspícios do pensamento gentílico introduzido no corpo do Cristianismo Oriental pelo supradito escritor.




II - Os sete pecados capitais me escandalizam.


Evágrio de Ibora porde ter sido lá um homem sincero e de boa fé.

Quem sou eu para julga-lo ou condena-lo?

Pode ter sido mesmo um santo. Alguns afirmam que de fato o foi...

Não dúvido.

Quem sou eu para suspeitar da sandidade alheia.

A caridade tudo crê.

Foi, sem embargo, um dos maiores inimigos do Cristianismo e um de seus principais corruptores ao lado de Agostinho (que também foi um homem santo) Gregório VII, Gregório Palamas, Lutero, Calvino, Smith, Pio IX, Bush, etc

Os inimigos externos jamais puderam causar dano a Cristandade, antes lha beneficiaram, quando lha perseguiram... Os anti-cristos sempre estiveram do lado de dentro, falando constantemente de Cristo e anunciando falsos evangelhos.

O primeiro deles foi Evagrio, precursor do pseudo Dionisio e responável por enchertar na vinha de Cristo a imundíce neoplatonica, matriz de todos os misticismos modernos.

Agostinho, como ja dissemos, crismou o neoplatonismo no terreno Ocidental, Evragio e posteriormente Dionisio, Clímaco, Palamas, crismaram essa teoria ímpia nas terras sagradas do Oriente e assim a igreja passou a servir a Plotino, Amônio Sacas, Porfírio, Proclo e outros sedutores e falsos profetas cujos pensamentos vãos encontraram guarida nos corações frívolos.

Para os neoplatônicos a matéria e o corpo eram considerados como a fonte do mal. Dentro dessa ideologia os sentidos e apetites eram encarados como a fonte primária de todos os pecados.

Pecados que se esgotavam em si mesmos, mas que aos olhos dos neoplatonicos eram gravíssimos ou capitais, enquanto exprimiam necessidades do corpo ou da matéria.

Assim a matéria, o corpo, os membros, os sentidos, os apetites, etc tudo isto induzia ou constrangia o homem a pecar.

Conclusão: a suprema virtude consistia não em servir ao próximo, mas em macerar o corpo e disciplinar os sentidos ou seja no ascetismo, definido como um conjunto de exercícios e tecnicas voltado para a submissão ou punição do corpo.

O essencial era jejuar, abster, mortificar, flagelar, etc e não alimentar, vestir, assistir ou socorrer os membros vivos de Cristo.

A econômia Cristã, que é uma econômia de ação e serviço foi virada dos pés a cabeça desde o infeliz momento em que Evágrio publicou sua listinha de pecados capitais, segundo pensamento de Amonio e Plotino e não segundo o pensamento de Moisés (o Decalogo) e menos ainda segundo o de Jesus (o Sermão do monte).

Ei-la:


Gula
Avareza
Luxúria
Ira
Melancolia
Acedia (Preguiça Espiritual)
Vaidade
Orgulho

Essa lista, com poucas alterações foi recebida pela igreja romana e mentida até hoje em seu catecismo, para a desgraça da humanidade.

Se as listas de Moisés e Cristo que são divinas são marcadas pela alteridade e pela fina percepção de que o pecado é sempre uma agressão a alguém ou um dano ocasionado ao semelhante, a lista de Evagrio nos conduz a um outro mundo...

A lista humana, fruto de humana mentalidade é voltada apenas para pecados individuais ou interiores e não para ações externas. Condena sentimentos e estados de alma sem levar em consideração a alteridade...

É uma lista que exprime uma idéia totalmente falsa - individualista e egoista - de perfeição Cristã. Como se fosse algo que logo atingir sem agir, sem passar pelo próximo...

A DITA LISTA SEMPRE ME ESCANDALIZOU.

Hoje me horroriza.

Não posso ler essa ruína espiritual sem ficar indignado.

Odeio-a conscientemente como a todas as coisas que são perniciosas.

Jesus ensinou que a virtude suprema é o amor ou a caridade.

Cujo anti-tipo ou vício oposto é o ódio.

"Quem odeia seu irmão assassino é."afirma são João.

Mas Evagrio nem se lembra do ódio, para ele talvez um pecadilho qualquer, como seu fruto, o assassinato, igualmente omitido por ele.

EVÁGRIO E A IGREJA OMITEM O ÓDIO...

Quem será capaz de levar uma lista dessas a sério?

Infelismente milhões de pessoas tem pautado suas ações nessa lista...

Se levar em conta a orientação divina...

Que desgraça, que abominação, que ruína.

A Cristandade condena a gula - Cristo porém manda alimentar aos que tem fome...

A Cristandade condena a luxúria (mais adiante tornaremos a esse ponto crucial) - Moisés o adultério.

A Cristandade condena a tristeza - Cristo disse: Bemaventurados os que choram.

A Cristandade condena o orgulho - Cristo certamente preferiria a um orgulhoso que vizita-se aos enfermos do que um humilde que jamais se preocupou com eles.

Como esses santarrões - Terezas e Terezinhas - que jamais se ocuparam de seus semelhantes.

Como esses supremos egoistas que são os místicos, buscando uma salvação individual ou mágica que não lhes faça passar pelo próximo ou exercer a caridade...

A Cristandade condena a vaidade - Moisés preferiu condenar o assassinio e o roubo.

A Cristandade condena o fumo, a bebida, a masturbação, a dança, certos cortes de roupas, etc alegando que a salvação consiste em se privar dessas coisas ou evita-las - Cristo condenou o ódio e mandou vizitar os enfermos...

Enfim a cristandade nominal tudo subverteu, com o propósito satanico de alijar-se com relação a seus deveres e responsabilidades impostos por Deus!!!

Imaginou sacríficios faceis de se cuprir para não ser obrigada a amar e a servir... pobre Cristandade...

Alterou toda a moral divina substituindo-a por uma moral humana que tem o desplante e o cinismo de apresentar como dogma.

Dogma revelado por quem?

Por Cristo?

Nem em sonho...

Por Moisés?

Nem ao menos...

Pelos Evágrios e outros guias cegos.

Evágrio foi pioneiro quanto a teoria da salvação passiva ou facil tão lizongeira quanto ao ego.

De fato o homem prefere fugir dos seres humanos e enclausurar-se com medo de pecar pecados pequenos a viver praticando grandes virtudes... justamente aquelas que foram recomendadas por Jesus.

Ele prefere ir anunciar suas doutrinas de porta em porta, como fazem alguns sectários fanáticos, do que ter de assistir aos pobres no fim de semana: alimentando-os, vestindo-os, limpando-os, etc

Preferiria cumprir com os preceitos do Islã: ir a Meca, rezar cinco vezes ao dia, abster-se de vinho e carne de porco, etc do que exercer aquelas obras de misericordia recomendadas pelo Senhor ou deixar de afrontar o decalogo...

Conhecedor da mentalidade humana ele disse: SACRIFÍCIOS NÃO DESEJO, MAS BENEVOLÊNCIA.

Os homens porém desejam ser mesmo é malevolentes...

Sempre achei um absurdo mapear o além, divindindo-o em zonas, áreas ou partes ou compor listas de pecados...

Pois toda ação pecaminosa ou virtuosa depende de diversos fatores ou circunstâncias.

Do contrário Cristo não precisaria insistir sobre as intenções...

As listas de pecados sempre comportarão o risco de mecanizar o espiritual e de produzir fariseus...

A raiz de nossa concepção falsa de santidade, segundo a qual basta se trancar em casa e não fazer mal a ninguem para se ser santo, parte desta lista.

Para ser santo é necessário não fazer e fazer, as duas coisas. Não causar dano algum ao próximo e tentar, sempre que possivel auxilia-lo. Ser disponivel...

Dir-se-ia que o Cristianismo convencional só cuida da vida de quem não causa dano algum ao próximo e que fecha seus olhos para todo tipo de agressão que os 'puritanos' fazem ao próximo: matando-o (em gerras), roubando-o (o valor de seu trabalho), enganando-o (que nosso ecossistema não corre risco algum), etc

Dir-se-ia que a Cristandade nominal condena rigorosamente as faltas ou pecadilhos de seus adeptos permitindo em troca que comentam as maiores atrocidades, como guerras, pena capital, exploração economica, afirmação de preconceitos e mitos, etc

Jesus definiria tal espirito com poucas palavras: Coais um mosquito e deixais passar um camelo.

A Cristandade tolera diversas formas e expressões de ódio, de morte, de sadismo enquanto mede dozes de bebida, o número de relações sexuais, o peso do prato, o brilho de um traje, uma piada, etc