sábado, 2 de maio de 2009

Ciência, darwinismo e as “novas” tendências para a explicação da vida. Caminhos da verdade e das certezas.

Parte I
Introdução

O presente artigo é resultado de minhas impressões sobre o II Simpósio Internacional Darwinismo Hoje promovido pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) durante a segunda semana de abril de 2009. O brilhantismo do evento fruto do excelente trabalho da UPM aliado à extraordinária qualificação dos conferencistas resultou num ambiente produtivo para o diálogo científico do mais alto nível e para a fomentação de idéias.
Minha tarefa nesse artigo resume-se em apresentar, no mesmo espírito do simpósio, os principais posicionamentos que hoje transitam nos círculos acadêmicos sobre a explicação da origem vida e ao final do artigo expor minhas considerações a cerca da filosofia das ciências quanto à abordagem da verdade como objeto epistemológico nas chamadas ciências empíricas ou duras. Farei ao final do artigo uma outra proposta de abordagem, que alguns poderão considerar mera formalidade semiótica, mas que considero importante como definição do campo epistemológico. A proposta não é original, mas é pouco conhecida. De qualquer maneira minha principal intenção é colocar as idéias aqui apresentadas, hora de forma apenas expositiva e informativa e hora de forma crítica, ao escrutínio do público em geral, mas especialmente aos acadêmicos que eventualmente tomem conhecimento desse artigo. Como foi por vezes mencionado no simpósio o objetivo é promover o debate, o embate e o diálogo para a produção da ciência, sempre nos limites da tolerância e do respeito mútuo.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção no simpósio foi o posicionamento de todos os conferencistas em afirmar que o objeto epistemológico das ciências empíricas é a busca da verdade. Justamente esse posicionamento que proponho analisar na segunda parte desse artigo. Buscar clareza na conceituação dessa afirmação pode remeter alguma luz na maneira como o grande paradigma científico é entendido atualmente e nos auxiliar a pensar, talvez, em mudanças. Outra possibilidade seria colocar cada pressuposto epistemológico em seu lugar. Minha pretensão não é de forma alguma tentar confrontar diretamente o arcabouço epistemológico das ciências empíricas sedimentado ao longo do tempo, mas antes é fomentar idéias e sobre tudo provocar o produtivo e construtivo questionamento crítico próprio da filosofia. Dessa maneira, fica também exemplificado que, mesmo considerando temas das ciências empíricas, esse artigo é tratado dentro dos limites da filosofia, mais especificamente da filosofia das ciências. O que é perfeitamente apropriado, porque, por um lado, a própria ciência, como a conhecemos hoje, nasceu no seio da filosofia. Por outro lado, é a filosofia das ciências que analisa e oferece subsídios à construção teórica e epistemológica das ciências empíricas.

Como pretendo valorizar o padrão acadêmico nesse artigo farei uso, na medida do possível, dos recursos bibliográficos disponíveis, sem a pretensão de ser exaustivo no mesmo. Primeiro porque o espaço e o tempo não me permitem a pesquisa mais aprofundada, em segundo porque a filosofia das ciências não é meu campo de estudo específico e estou apenas engatinhando no conhecimento das explicações científicas sobre a vida e sobre a epistemologia que constrói essa explicação.

Iniciarei esse artigo com a exposição das principais escolas que hoje debatem ou se debruçam sobre o entendimento das supostas origens da vida. Farei um breve quadro expositivo desprovido de qualquer juízo de valor, sem nem mesmo apresentar meu posicionamento pessoal em relação ao tema. Meu objetivo inicial é, portanto, abordar as principais teorias em debate: o Darwinismo, principal corrente do evolucionismo aceita no meio científico; a teoria do Desing Inteligente ou ID (Inteligent Desing), corrente que vem ocupando espaço entre cientistas e religiosos; o Criacionismo, principal explicação aceita no âmbito religioso cristão, uma vez que parte da revelação de um texto sagrado, mas que de forma interessante tem se inserido no contexto acadêmico; e por fim minha explanação inicial do artigo termina com uma teoria que não foi representada no simpósio, mas que tem recebido destaque em alguns círculos, a Evolução Teísta ou TE (Theistic Evolution), sendo por vezes denominada Bio-Logos. Continua...
Por Regis Augusto Domingues